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domingo, 16 de dezembro de 2012

António Aniceto Monteiro no Porto

Estas palestras [as duas palestras de António Monteiro sobre Geometrias Finitas e Álgebra finita e Geometria analítica], que se destinavam a um público muito amplo e a que ocorreram efectivamente jovens de todas as Faculdades da Universidade do Porto, deveriam levar à tentativa de organizar no Porto, um clube de Matemática, a exemplo do que já acontecera em Lisboa.
Porém, a intervenção do próprio Ministro do Interior impediu a sua concretização, tal o impacto que causaram em toda a população universitária.
É curioso observar que, nessa época, já funcionavam vários clubes de Matemática em Lisboa, clubes que foram todos encerrados logo em seguida às palestras de Monteiro no Porto.
Para o governo de então, Geometrias finitas, Extensões Algébricas de Corpos e temas semelhantes eram altamente subversivos e punham em risco as instituições vigentes. (...)
Entretanto, no final de 1943 ia proporcionar-se a oportunidade de António Monteiro vir para o Porto e permanecer connosco quase um ano.
Como diz António Monteiro no seu curriculum
“durante o período de 1938-43 todas as minhas funções docentes e de investigação, foram desempenhadas sem remuneração; ganhei a vida dando lições particulares e trabalhando num Serviço de Inventariação de Bibliografia Científica existente em Portugal, organizado pelo IAC”.
Em contraste flagrante com o desinteresse assim manifestado pelas autoridades responsáveis pelo ensino superior do nosso país, comportando-se como se desconhecessem a presença em Portugal de um investigador da categoria de António Monteiro, a Faculdade de Filosofia do Brasil (Rio de Janeiro), por recomendação de Albert Einstein, J. von Neumann e Guido Beck, dirigia-lhe, em Setembro de 1943, um convite para assumir a cátedra de Análise Superior.
Já quando tinha decidido viajar para o Brasil, aceitando aquele convite, funda a Junta de Investigação Matemática, em colaboração com A. de Mira Fernandes e Ruy Luís Gomes. (...)
No documento da fundação da JIM, em que estes objectivos [Os objectivos da Junta de Investigação Matemática] eram proclamados, convidam-se a ingressar na Junta todos aqueles que se interessem por uma tal iniciativa.
Era, porém, evidente, sem meios materiais, seria impossível dar realização a um programa tão ambicioso e foi precisamente com tal objectivo que um grupo de professores e antigos alunos da Faculdade de Ciências do Porto criou a Dotação da Junta de Investigação Matemática e fez distribuir uma circular que era um apelo para recolha de fundos.
Todos nós sentíamos as dificuldades de uma tarefa deste tipo, quando surgiu Alguém, o Dr. António Luiz Gomes, que, entusiasmado com o nosso idealismo e com o alcance do projecto, se lançou apaixonadamente numa campanha de recolha dos necessários meios materiais. Dirigindo-se a amigos seus, conseguiu rapidamente o total, impressionante para a época, de 51.000 escudos. Foi na verdade, meu irmão, António Luiz Gomes “Homem do-Diálogo, Da Solidariedade e Da Indulgência Partilhadas”, no dizer de Fernando Namora, que tornou possível o nosso ambicioso projecto.
Assim, foi contratado pela Junta de Investigação e não por qualquer outra instituição oficial, que António Monteiro se deslocou de Lisboa para o Porto com a família, em Dezembro de 1943 e aí permaneceu até à decisão de emigrar para o Rio de Janeiro, para onde embarcou precisamente no dia 28 de Fevereiro de 1945, de acordo com o telegrama que guardamos no arquivo da Junta de Investigação Matemática, graças à meticulosidade e dedicação do nosso querido amigo Leopoldo Fernandes, que tão abnegadamente se encarregou dos serviços de secretaria da JIM desde a sua fundação até ao encerramento das suas actividades. (...)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

RELATÓRIO sobre a situação do Doutor António Monteiro de Lisboa (Guido Beck, 19 de Maio de 1944)


RELATÓRIO
Sobre a situação do Doutor António Monteiro de Lisboa
 
Eu, abaixo-assinado, Prof. Dr. Guido Beck, tendo tido ocasião de conhecer a situação do Doutor António Monteiro em Lisboa durante a minha actividade em Portugal no decorrer do ano académico de 1942 e tendo tido, de seguida, ocasião de me ocupar do caso desse jovem sábio de talento excepcional, tenho a honra de declarar o que se segue:
1.° O Sr. António Monteiro é um jovem matemático português, que, depois de ter feito os seus estudos em Paris sob a direcção do Sr. Maurice Fréchet, soube atrair, pelos seus trabalhos de pesquisa, a atenção geral dos círculos universitários do seu ramo. O valor excepcional dos seus trabalhos sobre a teoria dos espaços abstractos foi-me confirmado pelo Sr. Maurice Fréchet (Paris) e pelo Sr. J. v. Neumann (Princeton, N. J.)
2.° Tendo ensinado ao mesmo tempo que o Sr. Monteiro, em Novembro de 1942, na Universidade do Porto, tive, eu mesmo, ocasião de seguir um dos seus cursos e de me aperceber das suas altas qualidades como professor e como investigador. Além disso, verifiquei, em Lisboa, que o Sr. Monteiro teve a iniciativa de fundar, com menos de 35 anos de idade, uma escola muito prometedora de jovens, dos quais um, o Sr. Hugo Ribeiro, é já bem conhecido entre os matemáticos e trabalha actualmente na Escola Politécnica (E.T.H.) em Zurique (Suíça).
3.° Pude aperceber-me que é, sobretudo pelo mérito pessoal do Sr. António Monteiro, que Portugal dispõe actualmente de um periódico de matemática moderna, a «PORTUGALIAE MATHEMATICA» que figura entre as revistas mais consultadas desse ramo da ciência. A organização da investigação científica noutros ramos, particularmente em física, foi muito influenciada e facilitada em Portugal pela actividade do Sr. Monteiro.
4. ° O Sr. António Monteiro conseguiu alcançar estes resultados espantosos apesar de dificuldades consideráveis. O êxito da sua actividade só foi possível devido à dedicação extraordinária e desinteressada pela investigação e por um certo apoio por parte de alguns meios universitários portugueses e do «Instituto para a Alta Cultura» em Lisboa que lhe tinha assegurado uma modesta situação como empregado na biblioteca do Instituto de Matemática da Faculdade das Ciências.
5.° Dado que as universidades portuguesas não estão em condições de oferecer ao Sr. Monteiro uma situação correspondente às suas capacidades e possibilidades adequadas ao aproveitamento do seu talento com pleno rendimento, M. v. Neumann, professor na Universidade de Princeton (U.S.A.), está empenhado, desde há vários anos, em chamar a atenção para o caso do Sr. Monteiro nos meios científicos no Brasil, indicando ao mesmo tempo, que o Sr. Albert Einstein (actualmente em Princeton) estava disposto a apoiar todas as diligências a favor do Sr. Monteiro.
6.° Dado o facto, que a inactividade cientifica do Sr. Monteiro representa uma perda real para a investigação em matemática e, em particular, uma perda insubstituível para a contribuição dos países ibéricos na matemática contemporânea, o Senhor Professor G. Wattaghin da Universidade de São Paulo e eu próprio esforçámo-nos, após a minha chegada à América há um ano, em encontrar uma situação apropriada para o sr. Monteiro, de preferência num pais de língua portuguesa. Tivemos a felicidade de encontrar o benévolo apoio do Sr. Director da Faculdade Nacional de Filosofia no Rio de Janeiro e o Sr. António Monteiro foi designado titular da cadeira de Matemática Superior na dita Faculdade, com a aprovação do Ministério da Educação Nacional no Rio de Janeiro. O Sr. Monteiro aceitou as condições que lhe foram propostas por intermédio da Embaixada do Brasil em Lisboa e recebeu a ordem, por parte desta, para que se aprontasse para uma partida imediata em Outubro último. Tendo vendido a sua casa e tendo preparado tudo para a sua partida próxima, aguarda, actualmente no Porto, com a sua família em condições extremamente penosas.
Dada a situação extremamente difícil do Sr. António Monteiro devido ao atraso da ordem definitiva a dar à Embaixada do Brasil em Lisboa para facilitar a sua partida, tomo a liberdade de me dirigir a Sua Excelência, Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro solicitando, com o apoio dos homens de ciência abaixo-assinados, que Vossa Excelência se digne usar a sua influência para assegurar uma continuação próxima dos trabalhos preciosos do Doutor António Monteiro dando as instruções necessárias relativas à viagem do Sr. Monteiro e da sua família.
Córdoba (Argentina), 19 de Maio de 1944.
Guião Beck m.p.

Nós, abaixo-assinados, tendo tomado conhecimento do relatório acima sobre a situação do Sr. António Monteiro em Lisboa, apoiamos calorosamente todas as iniciativas tendentes a assegurar as facilidades indispensáveis para a continuação a curto prazo dos trabalhos de investigação deste jovem sábio português:
E. Gaviola (Córdoba) m.p.
J. Rey Pastor (Buenos Aires) m.p.
B. Levi (Rosário) m.p.
A. Terracini (Tucumán) m.p.
M. Balanzat (San Luís) m.p.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os objectivos da Junta de Investigação Matemática


por António Aniceto Monteiro 

[Porto, 1944. Esta foi uma das Palestras da JIM lidas ao microfone da Rádio Club Lusitânia, corajosamente cedido pelo proprietário. Foram oradores: Ruy Luís Gomes, António Monteiro, Corino de Andrade, Branquinho de Oliveira, Fernando Pinto Loureiro, José Antunes Serra, António Júdice, Armando de Castro, Carlos Teixeira e Flávio Martins.]
O aparecimento da ciência moderna foi determinado pela revolução industrial do século XVIII e por isso o pensamento científico teve a sua origem na vida da Indústria e não na vida das Universidades.
As Universidades eram, nessa época, centros de cultura humanista impenetráveis ao Renascimento Científico. A educação e a Investigação científica eram realizadas em organismos especialmente criados para esse fim. As instituições cuja actividade mais ilustraram a história da ciência francesa, por exemplo, do século XVI até aos fins do século XIX foram: o Colégio do Rei (fundado em 1530) que mais tarde seria o Colégio de França, o Jardim do Rei, a Escola de Pontes e Calçadas, a Escola de Minas, o Observatório de Paris, a Escola de Artilharia, a Academia das Ciências, a Academia de Arquitectura, a Academia de Cirurgia, a Escola Politécnica, a Escola Normal Superior, etc., etc.
Só depois da revolução industrial ter posto em evidência a importância da ciência é que ela penetrou nas Universidades, com uma lentidão que arrepia quando considerada a distância. Para ilustrar esta afirmação, basta notar que nos princípios do século XIX (mais precisamente em 1802) se exigiam para a entrada na Universidade de Harvard, na América do Norte, conhecimentos de Aritmética que não iam além da regra de três simples, e que na Alemanha o ensino das matemáticas elementares só passou das Universidades para os liceus entre 1810 e 1830. Mesmo em França, é preciso chegar aos fins do século XIX para que, com a Terceira República, as Universidades possam rivalizar com as chamadas Grandes Escolas.
No século XX a investigação científica aparece como um factor que desempenha um papel de primeiro plano na estruturação da vida das nações.
Nos países em que as Universidades não estiverem directamente ligadas e interessadas na resolução dos problemas fundamentais da vida económica da Nação, elas não podem desempenhar o papel de centros propulsores do progresso científico. Por isso as Universidades dos países mais avançados modificaram profundamente a sua feição, durante o século XX, com a criação de Seminários, Institutos, Centros de Estudo e Laboratórios destinados a transformá-las em grandes centros de investigação.
O facto da actividade científica ter crescido vertiginosamente nas últimas décadas, deu origem a numerosos problemas de organização difíceis de resolver. Um dos problemas mais discutidos e dos mais importantes é o das relações entre o ensino e a investigação. É um facto indiscutível que as Universidades não podem, só por si, atacar a resolução de todos os problemas que a vida põe, à Ciência, em cada época. Por isso, entre as duas grandes guerras deste século, se acentuou a tendência para organizar a investigação científica como um serviço público independente. A criação recente em Portugal, da Estação Agronómica Nacional, é um exemplo particular desta afirmação. Trata-se na realidade da transposição duma prática corrente na vida das grandes empresas industriais, em que um pessoal cientifico especialízado realiza, em laboratórios e institutos especiais, as pesquisas necessárias à vida dessas empresas. Mas se pensamos que a investigação científica deve ser organizada como um serviço público independente, e que só assim ela pode ser eficiente, no mundo de amanhã, isto não quer dizer que ela deva ser um privilégio desses serviços.
Ser investigador é um dever de todo o cidadão consciente das suas responsabilidades perante a sociedade, porque ser investigador é adoptar uma atitude crítica, perante a vida e o conhecimento, para chegar a novas conclusões.
Mas é claro que para investigar, em certos capítulos da ciência, é necessária uma preparação especial, um longo treino, uma escola. As Universidades têm, sob este aspecto, um papel importante a desempenhar, mas para isso é necessário que o ensino não vise exclusivamente a transmissão de conhecimentos, isto é, que ele não seja um ensino erudito e portanto estéril e infecundo.
Existem, na realidade, investigadores sem qualidades para o ensino; mas nenhum professor poderá iluminar as suas lições com cores vivas e profundas se não tiver vivido os problemas que trata, se não tiver investigado na disciplina que professa.
Torna-se necessário coordenar a actividade das Universidades e dos Institutos de Investigação com o objectivo de aumentar o rendimento da produção científica e facilitar a formação de quadros de investigadores.
Para realizar o apetrechamento intelectual do nosso país, em condições que permitem orientar com eficiência as actividades económicas para a libertação material do homem, é necessário organizar um plano adequado em que a clareza de visão se alie à viabilidade de execução.
Vamos indicar, em breves palavras, a importância da cultura matemática no apetrechamento intelectual do país.
A matemática – ou a ciência do cálculoé um método geral de pensamento aplicável a todas as disciplinas e desempenha portanto um papel dominante na ciência moderna.
A grande obra científica do século XVII foi a organização da Mecânica numa ciência em que é possível prever os fenómenos por meio do cálculo matemático. Esta conquista, a que está ligado o grandioso nome de Newton, criou uma base científica segura para a ciência das máquinas a vapor; para citar um exemplo cuja importância é desnecessário realçar. A Química transformou-se, no século XVIII, numa ciência em que o cálculo é possível e esta grande conquista da ciência desse século, foi a base fundamental para o desenvolvimento da Indústria Química. No século XIX a Física Matemática criou as bases científicas necessárias para o desenvolvimento da grande indústria. O século XX será possivelmente o século da Biologia Matemática. Podemos, em qualquer caso, afirmar que assistimos a uma verdadeira matematização de todos os ramos da ciência.
A Matemática aparece assim como uma disciplina fundamental de cujo progresso depende, em grande parte, o desenvolvimento de muitas outras. Prestar a devida atenção a esta circunstancia não é um acto de justiça é antes um acto de prudência e elementar bom senso.
É difícil descrever, exactamente, o estado em que se encontra a cultura matemática portuguesa, mas o mais importante é, como se compreende facilmente, comparar o ritmo do seu desenvolvimento com o dos países mais avançados. Encarada a questão sob este aspecto crucial, podemos afirmar que o movimento matemático português se caracteriza por um atrazo crescente em relação ao movimento matemático internacional.
No interesse da cultura, que é o interesse do país, é preciso olhar de frente para esta situação e tirar as consequências necessárias. Para desenvolver e actualizar a cultura matemática portuguesa, em condições que garantam a continuidade e eficiência da obra a realizar, é necessário subordinar essa tarefa a um plano de conjunto traçado com largas perspectivas.
Os matemáticos portugueses conscientes das suas responsabilidades perante o país e perante a cultura, resolveram unir-se para a realização das missões que o dever lhes impõe.
Em 4 de Outubro de 1943, um grupo – de investigadores portugueses fundou a Junta de Investigação Matemática e definiu os seus principais objectivos nos seguintes termos:
1.ºPromover o desenvolvimento da investigação matemática;
2.º  – Realizar os trabalhos de investigação necessários à economia da Nação e ao desenvolvimento das outras ciências;
3.°Sistematizar e coordenar a inquirição dos matemáticos portugueses;
4,°Vincular o movimento matemático português com o dos outros países e, em especial, com o dos países ibero-americanos;
5.° – Despertar na juventude estudiosa portuguesa o entusiasmo pela investigação matemática e a fé na sua capacidade criadora.
Os mesmos investigadores convidaram todas as pessoas interessadas a ingressarem neste agrupamento.
Estão hoje reunidos nesta Junta de Investigação Matemática a quase totalidade dos investigadores portugueses que têm dado provas de capacidade, grande dedicação e interesse efectivo pela desenvolvimento da cultura matemática portuguesa. Trata-se portanto duma organização que representa as forças vitais dessa cultura; o que revela a existência duma consciência profunda dos problemas da hora presente.
As ciências matemáticas tem um grande papel a desempenhar na construção dum Portugal feliz e progressivo, A Indústria, a Agricultura, a Metereologia, a Aviação, a Navegação, a Estatística, os Seguros, a Engenharia, as Finanças, são baseadas no cálculo matemático.
Criar as bases fundamentais para o aperfeiçoamento e actualização da nossa cultura matemática é uma tarefa gigantesca que só pode ser realizada por vontades disciplinadas que saibam subordinar o interesse individual ao interesse colectivo.
Quando os matemáticos portugueses, sem serem solicitados, sem serem forçados, mas animados do grande desejo de servir a Nação, fundaram a Junta de Investigação Matemática, disseram ao país; para cumprir os nossos deveres, estamos presentes.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Carta a Guido Beck (de 27 de Janeiro de 1944): “Fiz preparativos para sair do meu país para sempre”

Porto, 27 de Janeiro de 1944
Meu caro amigo:
Devo antes de mais agradecer-lhe pela actividade extraordinária que você realizou para me encontrar um lugar no Brasil. Nunca na minha vida me esquecerei de tudo o que fez por mim. Tenho uma história para lhe contar.
É necessário que esteja informado de uma forma precisa sobre os acon­tecimentos que se desenrolaram depois do mês de Agosto. Não tenho neste momento todos os documentos dos quais lhe queria enviar uma cópia. Encontro-me actualmente no Porto; vou pedi-los para Lisboa e enviá-los-ei numa próxima carta.
No início do mês de Outubro recebo uma carta da Embaixada do Brasil em Lisboa onde anunciavam que a Faculdade de Filosofia do Rio tinha en­carregado a Embaixada de me transmitir um convite para a cadeira de Aná­lise Superior. Fui à Embaixada onde me aconselharam a pedir elementos mais precisos sobre as condições do contrato, sobre as viagens etc. O secretário Ribeiro Couto redigiu um telegrama (diante de mim) onde ele colocava todas estas questões. No mesmo telegrama dizia que eu queria chegar ao Rio antes do fim do ano escolar para poder conhecer de uma forma conveniente a organização dos cursos e preparar e organizar a minha actividade para o ano seguinte.
Uma ou duas semanas depois recebi um ofício do Director da Faculdade Nacional de Filosofia onde estavam indicadas as condições do contrato. Pediam-me informações sobre o número de pessoas que tinha a minha família e qual era o meio de transporte que eu preferia para fazer a minha viagem. Respondi logo de seguida numa carta que remeti à Embaixada para que eles a fizessem seguir na mala diplomática (30 de Agosto). A Embaixada prometeu-me telegrafar o conteúdo dessa carta, no mesmo dia. Aceitei as condições que me propunham e escolhi o barco como meio de transporte. No dia 11 de Setembro fui mobilizado como cadete de artilharia. Avisei a Embaixada. Ribeiro Couto aconselhou-me a escrever ao Embaixador. Fi-lo. A Embaixada procurou obter uma autorização para a minha partida por intermédio do ministro dos Negócios Estrangeiros. O médico do meu regimento enviou-me ao Hospital Militar Central onde fui submetido a um exame médico. Como eu tinha uma úlcera no duodeno fui considerado como incapaz para o serviço militar no dia 2 ou 4 de Outubro. Cerca do fim de Outubro quando estava no Hospital recebi um telegrama da Embaixada assinado pelo primeiro secretário, Ribeiro Couto. Dizia que: a Faculdade de Filosofia do Rio considera a sua colaboração como indispensável, e deu a ordem para reservar as suas passagens no primeiro barco.
Logo que saí do Hospital a Embaixada deu-me a ordem para preparar a minha partida para o fim do mês de Outubro, o mais tardar para os primeiros dias de Novembro.
Fiz tudo o que foi possível para arranjar tudo nos prazos fixados. Vendi tudo o que tinha na minha casa. As autorizações militares, ou seja a regula­rização da minha situação militar obtive-a em 15 dias (em geral isso leva um mês e meio e por vezes três meses). Tive o meu passaporte no dia 22 de Outubro. Nesse dia, apresentei-me na Embaixada e informei-os de que esta­va pronto para partir com a minha família. Como deveria abandonar breve­mente a minha casa e não havia um barco nesse altura, perguntei se podia viajar de avião. A viagem de avião seria mais barata, disseram-me que não havia nenhuma dificuldade. A única dificuldade que existia era que o dinheiro para as viagens ainda não tinha chegado. Eu ia à Embaixada de 3 em 3 dias. Diziam-me sempre volte dentro de 3 dias. Num certo momento disseram-me para pedir o meu visto ao Consulado do Brasil. O Consulado não sabia de nada. Foi preciso esperar vários dias para que a Embaixada se decidisse a informar o Consulado. O Cônsul concedeu-me todas as facilidades para obter o meu visto. Quando toda a documentação necessária estava pronta aconselharam-me a não pedir o visto imediatamente, era melhor esperar que chegasse o dinheiro para as viagens. Tinha-me inscrito como passageiro para um Clipper. Esperava de um momento para o outro a ordem de partir. Estava nessa altura, muito enervado. As minhas bagagens estavam prontas: umas para seguir de barco as outras de avião.
Muito dificilmente consegui viver na minha casa onde não havia quase nada. Despedi-me de todos e a ordem de partida não chegava. Por meados de Novembro os Secretários da Embaixada já estavam enervados. Resmun­gavam contra a burocracia do Rio. Disseram-me que tinham enviado um telegrama onde contavam a situação impossível em que me encontrava. Que não tinha trabalho, que não tinha casa etc. O meu aluguer terminava no fim de Novembro. Tive de ir para uma pensão com a minha família. Tinha feito despesas enormes com os preparativos de viagem, passaportes, malas etc. no fim de Novembro já tinha gasto quase todo o dinheiro que obtive com a venda da minha casa. A situação começava a tornar-se impossível. Por outro lado, não tinha conseguido obter as informações necessárias para começar a preparar o meu curso. Então escrevi de novo uma carta ao Director da Faculdade do Rio pedindo-lhe para me enviar informações sobre os progra­mas, e contei-lhe a situação em que me encontrava (primeiros dias de Novembro). Então Ruy convidou-me a vir para Porto para esperar aqui pela minha partida e trabalhar no Centro de Estudos do Porto.
Estou aqui desde 5 de Dezembro. Antes de partir pedi autorização para sair de Lisboa na Embaixada do Brasil. Fi-lo para lhes lembrar que estava às ordens da Embaixada desde o dia 22 de Outubro. Até ao fim do mês de Dezembro não tive notícias da Embaixada.
A 29 de Dezembro de 1943, escrevi a seguinte carta ao Dr. Frank Moscoso, Secretário da Embaixada do Brasil:
«Senhor Doutor: Venho pedir-lhe o grande favor de me informar se já chegaram novas notícias sobre a minha viagem. A minha situação é cada vez mais grave sob o ponto de vista material e ando muito preocupado com a redução do tempo que tinha à minha disposição para organizar o trabalho escolar para o próximo ano lectivo. Por isso espero com verdadeira ansieda­de a resposta às informações que pedi ao Excelentíssimo Director da Faculdade de Filosofia sobre o programa da cadeira de Análise Superior. Creia que ando verdadeiramente amargurado com todos os incómodos que as circunstâncias da minha vida actual me têm levado a causar-lhe. Com os pro­testos do meu maior respeito e admiração: António Monteiro».
Até hoje ainda não recebi resposta. Desculpe tinha-me esquecido que estou a escrever em francês. Até agora não tive resposta a essa carta.
A 4 de Janeiro de 1944, Ruy comunicou-me o seu telegrama que tinha recebido alguns dias antes. Nesse dia comecei a ficar inquieto. Fiquei muito surpreendido de saber que havia dificuldades para obter o meu visto de saída. Não sabia nada a esse respeito. Na Embaixada nunca me falaram disso.
Telegrafei a 4 de Janeiro ao Professor Wattaghin:
«Situação insustentável – Stop – Desde Outubro aguardo chegue Embaixada Brasil dinheiro viagens favor intervir urgência Rio telegrafar Faculdade Ciências Porto agradecimentos António Monteiro».
Até hoje ainda não recebi resposta a este telegrama.

O Ruy pediu ao seu irmão para fazer uma diligência pessoal junto do Embaixador do Brasil. Falaram de novo das dificuldades administrativas para enviar o dinheiro para pagar as viagens etc. Que havia dificuldades administrativas no Ministério da Educação Nacional. O Ministro prometeu interessar-se pelo meu caso e fazer as diligências necessárias, mas não falou da existência de outras dificuldades para a minha partida. Enviei para a Embaixada do Brasil o telegrama seguinte: (5 de Janeiro de 1944).
«Dada gravidade minha situação sob o ponto de vista material e profissional peço Vossa Excelência Senhor Embaixador grande favor me informar sobre estado actual das dificuldades administrativas existentes Rio para pa­gamento minhas viagens e de esclarecer Director Faculdade Filosofia gra­vidade minha situação. Respeitosos cumprimentos: A. Monteiro».
Até hoje ainda não tive resposta a este telegrama.
Em resumo é tudo o que lhe posso dizer sobre a minha situação. Ela não é brilhante. Tinha feito os preparativos para viver a 40 graus à sombra e estou no Porto. Eu e a minha família não temos vestuário de inverno; vendemo-lo ou dêmo-lo. Os meus filhos abandonaram a escola no momento em que eu contava partir de um dia para o outro. A minha mulher deixou o seu emprego. Eu estou desempregado. Se não fosse a ajuda de Ruy Gomes não saberia como sair desta situação. As minhas malas estão na Agência Cook e pago 75$00 por mês.
Após a diligência do irmão de Ruy nós enviámos-lhe um telegrama a 16 de Janeiro. Acho que você o recebeu. Descreve a minha situação actual de uma forma quase precisa.
Acabámos de receber a sua carta de 3 de Janeiro. Fiquei muito espantado, 24 dias! Contávamos 6 meses para que uma carta chegue à Argentina neste momento. Essa é a razão principal pela qual ainda não lhe tinha escrito. Sempre pensei que chegava ao Brasil antes de qualquer carta.
Então decidi escrever-lhe. Se eu chegar ao Brasil antes desta carta melhor. Faço actualmente diligências para saber efectivamente se encontrarei ou não dificuldades para ter a minha licença de saída. Assim que eu tiver uma morada certa telegrafo-lhe novamente. Fiquei muito sensibilizado com a sua carta. Realmente você foi um bom camarada e um amigo dedicado. Estou-lhe muito reconhecido. É absolutamente necessário que eu consiga sair deste país, onde já não posso viver. Fiz preparativos para sair do meu país para sempre.
Na próxima semana vou escrever-lhe de novo para lhe enviar uma cópia dos documentos que não tenho no Porto.
Agora estou preparado para poder partir, a tempo de chegar antes do início do ano escolar.
Escreva-me assim que receber esta carta. Envie-me notícias da sua vida. Os seus trabalhos e os seus alunos? Está contente com a sua situação escolar?
Proca encontra-se no Porto. O Instituto para a Alta Cultura deixou-o cair ao fim de 3 meses. Ele já não tem nenhuma ajuda aqui. Assim que esteja no Rio vou ocupar-me em encontrar-lhe um lugar.
Desculpe esta carta em estilo telegráfico e tão longa. Espero que ela o encontre de boa saúde e com a sua disposição habitual. O Porto continua a ser uma cidade de romances policiais. A vida aqui é muito aborrecida.
Um grande abraço do camarada e amigo muito grato
(António Monteiro)
António Monteiro
Faculdade de Ciências
Porto

Copiada de:
(Um livro comovente! Nele se reconhece o papel fundamental que teve Guido Beck na ida de António Aniceto Monteiro para a América do Sul)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

No centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa: Fragmentos da influência científica de António Aniceto Monteiro em Portugal

Maurice Fréchet, Pedro José da Cunha e António Aniceto Monteiro
Uma fotografia notável provavelmente tirada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (na "Escola Politécnica")
Do espólio de António Aniceto Monteiro
Digitalização de Jose Marcilese



No centenário da Faculdade de Ciências: UMA CARTA de Manuel Valadares sobre António Aniceto Monteiro (1945)

Manuel Valadares e António Aniceto Monteiro em Paris
© Família de António Aniceto Monteiro
Digitalização de Jose Marcilese

UMA CARTA cuja publicação foi recusada por um jornal de Lisboa

Sr. Carvalhão Duarte, dig.mo director do jornal República; — Enviei há dias ao sr. director do jornal Diárlo da Manhã, a carta de que hoje vos remeto cópia. Esperei em vão a sua publicação nesse jornal, mas porque tal não sucedeu, venho, rogar-Ihe, sr. director, o obséquio de a inserir no jornal que v. dirige.
Atingir-se-ão, assim, dols objectivos: — o de desagravar um homem que se encontra presentemente no estrangeiro e que ao país prestou relevantes serviços e o de fornecer ao público um test do respeito que o sr. director do Diário da Manhã tem pela dignidade alheia.
Com os meus antecipados agradecimentos, queira v. aceitar os cumprimentos do adm.or mt.o obg.o — Manuel Valadares.
Lisboa, 7 de Novembro de 1945.
«Ex.mo Sr. director do jornal Diário da Manhã: — No número de anteontem do jornal que v. ex.a dirige, encontram-se, sob o titulo :«Algumas vitimas da opressão, da incultura, da má administração e do retrocesso em materia educativa...», as seguintes afirmações:
«António Anlceto Monteiro, nem sequer chegou no seu regresso, a dar aulas da sua especlalidade. Finalmente, partiu para o Brasil, onde é professor. E diz que sabe da sua poda: — o País, todavia, não sabia quanto lhe custou a preparação de um matemátlco... para uso externo».
«Para completa elucidação dos leitores do Jornal Diário da Manhã peço a v. ex.a se digne publicar o que segue.
«António Monteiro partiu para Paris, como bolseiro da Junta de Educação Nacional, em 1930. Aí, após ter suprido as deficiências de preparação com que tinha saído da nossa Universidade, reallzou trabalhos de investigação que lhe permitiram obter o titulo de doutor pela Faculdade de Ciências de Paris, Além desta prova do valor dos seus trabalhos, existem certamente dos arquivos da Junta, hoje Instituto para a Alta Cultura, as informações dos professores com que António Monteiro lidou a atestarem das suas qualidades de trabalho e inteligência. Suponho mesmo que o nome de António Monteiro é o úniico nome de matemático português que o volume, consagrado à matemática, da Enciclopédia francesa cita.
Regressado ao País e mau grado o valor dos trabalhos que realizara no estrangeiro, não encontrou lugar no corpo docente de nenhuma das três Faculdades de Ciências do País. Passou então a viver com uma modestissima bolsa que o I. A. C. the concedeu; passados alguns meses, exigiram-Ihe, para poder continuar a ser bolseiro, a assinatura de um compromisso politico — que pessoa alguma Ihe havia imposto ao enviá-Io para o estrangeiro. Tendo-se recusado a assinar um compromisso que repugnava a sua consciência, deixou de ser bolseiro, e a sua vida e a dos seus decorreu, de aí em diante, em condições de dificuldade económlca que, por vezes, roçaram pela miséria.
Pois bem; apesar de não pertencer à Universidade nem ao I. A. C.; apesar das condições dificílimas da sua vida, esse homem realizou, no período que decorre desde a sua vinda do estrangeiro até à sua partlda para o Brasil, uma obra cultural no campo das matemáticas que não teme paralelo com a de qualquer outro português. Fundou e dirigiu as revistas Portugaliae Mathematlca e Gazeta de Matemática; a seu pedido, foi fundado, e sob a sua orientação funcionou, o Centro de Estudos de Matemática, anexo à Faculdade de Ciências de Lisboa, onde, entre uma obra vasta, convém salientar aquela que realizou da formação de novos investigadores; efectuou, em escolas superiores portuguesas, cinco cursos extrauniversitários; deu uma contribuição apreciável para os trabalhos do Centro de Estudos Matemáticos da Universidade do Porto; organizou e dirigiu os serviços de inventariação da bibliografia científica existente no País; dirigiu dois seminários de matematica, um em Lisboa, outro no Porto; publicou dois iivros de matemática e alguns fasciculos da série «Topologia», editada pelo Centro de Matemática do Porto; fundou, com os professores Aureliano Mira Fernandes e Rul Luiz Gomes, a Junta de Investigação Matemática; finalmente, realizou numerosos trabalhos de investigação científica.
Foi certamente o conhecimento desta obra vastísslma de investigador e de impulsionador, realizada, aliás, nas piores condições, que levou os professores Einstein e von Neuman a sugerirem à Universidade do Rio de Janeiro a vantagem que esta teria em contar no seu corpo docente um tal homem. António Monteiro partiu nos primeiros meses deste ano para o Rio e aí rege hoje o curso de Análise Superior e dirige o seminário de investigação matemática.
Aqui estão, sr. director, as informações — ainda que sucintas — que me parecem permitirão aos leitores do jornal que v. ex.a dirige formarem uma ideia mais objectiva do caso António Monteiro.
Não sei o que, ao findar a leitura destas linhas, eles pensarão, mas creio que todos os Portugueses que ponham os interesses da Nação acima dos interesses de partido ou pessoais ambicionarão — como eu — que, ao terminar o prazo do seu contrato de professor no Rio de Janeiro, António Monteiro possa regressar ao país para aqui ocupar, no ensino e na investigação matemática, o lugar de primacial relevo a que Ihe dá jus o somatório invulgar das suas qualidades de iniciativa, de inteligência, de saber e de carácter.
Pela publicação destas linhas ficar-lhe-ei muito grato.
Lisboa, 31 de Outubro de 1945.
a) Manuel Valadares

sábado, 28 de julho de 2007

No Porto, 1944


Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro
Ver:

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"ver-se-á então quem são os sonegadores e quem são os sonegados..." [Fernando Lopes Graça]


Jornal República de 12 de Novembro de 1945

Uma carta de Manuel Valadares sobre António Aniceto Monteiro

Jornal República de 9 de Novembro de 1945

Esclarecendo..., por Aurélio Marques da Silva


Jornal República de 6 de Novembro de 1945
(a reprodução está incompleta )

"segui, durante um ano, o curso de História da Música da Sorbonne (...) à custa da minha... barriga" [Fernando Lopes Graça]


Jornal República de 1 de Novembro de 1945

Carta de alguns antigos bolseiros do Instituto para a Alta Cultura


Jornal República de 31 de Outubro de 1945

“Eles foram de facto valores «sonegados» ao país” [Bento de Jesus Caraça]



Jornal República de 29 de Outubro de 1945
*
"O MOMENTO ELEITORAL" era uma secção nas páginas centrais no jornal República. Assim, o título deste texto de Bento de Jesus Caraça não é "O MOMENTO ELEITORAL" mas "Carta aberta...".
As eleições realizaram-se em 18 de Novembro de 1945. Ver o artigo de César Príncipe: JN Editorial - Ha cinquenta anos em Portugal.
Ver ainda:

terça-feira, 10 de julho de 2007

Numa fotografia de meados dos anos 40

Agradecimento: Edgar Ataíde
Digitalização de Jorge Rezende
© Família de António Aniceto Monteiro
Esta notável fotografia tem sido muito reproduzida sem se referir a proveniência. Para os mais distraídos, aqui está.

Palestra de António Aniceto Monteiro lida ao microfone da Rádio Club Lusitânia no Porto em 1944

Agradecimento: Academia das Ciências de Lisboa
Digitalização de Jorge Rezende

Ver:

Ainda Janeiro de 1944, no Porto


Agradecimento: Edgar Ataíde
Digitalização de Jorge Rezende
© Família de António Aniceto Monteiro

Janeiro de 1944, no Porto

Agradecimento: Edgar Ataíde
Digitalização de Jorge Rezende
© Família de António Aniceto Monteiro
António Aniceto Monteiro e, provavelmente, Ruy Luís Gomes, em Janeiro de 1944, no Porto

Duas fotografias de António Aniceto Monteiro, Lídia Monteiro e os filhos, em 1944, no Porto


Fotografia com António Aniceto:
Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro
Fotografia com Lídia:
Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro

No Porto, com a família

Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro
António Aniceto Monteiro, Lídia Monteiro e filhos no Porto
(22 de Março de 1944)