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segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Pesquisador estuda a história e o desenvolvimento das linhas de pesquisas da matemática no Brasil

(Um artigo do CANAL CIÊNCIA. O pesquisador a que o título se refere é Clóvis Pereira da Silva)
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Além disso, a pesquisa elenca os seguintes históricos para a matemática no Brasil:
para a introdução dos aspectos não-clássicos da Análise Matemática, a pesquisa aponta o nome de António Aniceto R. Monteiro, matemático português que chegou no Brasil em 1945 e trabalhou no Departamento de Matemática da FNFi. Por seu intermédio, foram contatados vários matemáticos no exterior que trabalhavam em Análise. Alguns estiveram como visitantes na FNFi. Entre eles, Marshall H. Stone (University of Chicago). Neste período surgiu o jovem Leopoldo Nachbin, que a partir da década de 1950 impulsionou e consolidou os estudos e a pesquisa em Análise Matemática não-clássica no país, por meio de cursos e seminários, na Universidade do Brasil, no CBPF, no Núcleo de Matemática da Fundação Getúlio Vargas, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Maurício Matos Peixoto, Marília Chaves Peixoto e Elon Lages Lima também desempenharam importantes papéis no Rio de Janeiro para os estudos iniciais da Análise Matemática não-clássica. Os dois primeiros se destacaram posteriormente nos estudos e pesquisa de Sistemas Dinâmicos.
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para a introdução dos estudos e pesquisas em Álgebra, o trabalho remonta à chegada de Luigi Fantappié à USP, de António Aniceto R. Monteiro à Universidade do Brasil em 1945 e, ainda, à chegada de outros matemáticos portugueses à Universidade de Recife, a partir da década de 1950, bem como à criação do Impa na primeira metade da década de 1950, com o trabalho de Paulo Ribenboim, e depois o trabalho do algebrista alemão Otto Endler na mesma instituição. Os estudos e a pesquisa em Álgebra (Geometria Algébrica e Teoria dos Números) foram introduzidos regularmente nos primórdios do Impa, em cursos regulares e seminários de formação, com foco ao estímulo a jovens talentosos para o estudo dessa subárea da Matemática. Os primeiros seminários de Álgebra do Impa foram freqüentados por Paulo Ribenboim, Artibano Micali, Otto Endler, Alberto de Azevedo, Renzo Piccinini, entre outros. Posteriormente, os estudos e a pesquisa nessa subárea contaram, no Impa, com a participação de outros algebristas brasileiros e estrangeiros, dentre os quais são citados Ernest Kunz, Aron Simis, Yves Lequain, Karl Otto-Sthor e, na Universidade de Brasília, Adilson Gonçalves e Said N. Sidki.
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Ver artigo completo:

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

O núcleo de matemática da Fundação Getúlio Vargas - excerto de uma entrevista com Maurício Matos Peixoto


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Em 1946 criou-se na Fundação Getúlio Vargas um núcleo de matemática. O senhor participou desse núcleo?
Ativamente. O dr. Luiz Simões Lopes, presidente da Fundação, tinha ido para o Sul, acompanhando Getúlio, quando este foi deposto em 1945; em seu lugar, Paulo de Assis Ribeiro ficou administrando a instituição e chamou para montar esse núcleo o dr. Lélio Gama, cientista, astrônomo, matemático, um grande homem, inteligente, modesto; ele me examinara no exame vestibular da UDF. Não sei por quê, quando da extinção da UDF, Lélio não foi convidado a ir para a Universidade do Brasil, onde já era livre docente em Mecânica na Escola de Engenharia; acabou ficando no Observatório Nacional, o que foi um duro golpe para ele. Muito provavelmente, esse núcleo foi montado como uma espécie de compensação, não sei dizer com certeza. Sei que ali foi fundada uma revista, a Summa Brasiliensis Mathematicae, dirigida pelo Leopoldo e que publicou alguns artigos bastante importantes e sobreviveu ao núcleo da Fundação. É interessante registrar que este nome foi sugerido por d. Hélder Câmara, que também andava muito pela Fundação; era uma adaptação da Summa Theologica, de Santo Tomás de Aquino. Sempre achei esse nome meio pomposo. Seja como for, a Summa representou um marco importante na matemática brasileira. Obra do Leopoldo.
Qual era o objetivo desse núcleo de matemática?
Era reunir pessoas que gostassem de matemática como tal. Faziam-se seminários, explanações de um livro. . . Essas coisas, quando começam, não têm muitas regras formais; depois é que olhamos para trás e vemos como foi. Basicamente, o grupo que compunha o núcleo era: Lélio Gama, Leopoldo Nachbin, eu, Antônio Aniceto Monteiro, um professor português antissalazarista que veio fugido de Portugal. Da Faculdade de Filosofia vieram Maria Laura Mousinho e Alvécio Moreira Gomes, acho. Com exceção de Lélio Gama, que já era famoso, era um grupo de pessoas muito jovens, em início de carreira.
Quanto tempo durou o núcleo?
Um ano e pouco, entre 1946 e 1947. Era uma estrutura bastante informal, embora bem remunerada — recebi pela Fundação durante uns seis meses. Lá conheci matemáticos importantes, como André Weil e Oscar Zariski, que estavam na USP e fizeram conferências na Fundação. Na época, não eram tão eminentes quanto se tornaram depois, ambos grandes matemáticos. Mas a experiência acabou não vingando, porque a verdade é que a Fundação Getulio Vargas não foi feita para fazer matemática, claro; é natural que tenha sido assim. Isso magoou muito o Lélio. O fato é que o grupo ficou hibernando, meio “em banho-maria”, aguardando uma nova oportunidade. Depois surgiu o IMPA, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, dentro do Conselho Nacional de Pesquisas. O fundador do CNPq, almirante Álvaro Alberto, conhecia e admirava muito o Lélio, uma pessoa especial; tranqüilo, intelecto vigoroso, alto padrão moral.
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[Reproduzido de IMPA 50 Anos]

Ver também
Os professores portugueses no Recife - excerto de uma entrevista com Aron Simis
António Aniceto Monteiro escreveu com Maurício Matos Peixoto o seguinte único artigo (em 1951)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Impressões sobre António Aniceto Monteiro (Elon Lages Lima)

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Conheci Monteiro por causa de Bento de Jesus Caraça. Antes deles, os únicos matemáticos portugueses de quem ouvira falar tinham sido Pedro Nunes e Gomes Teixeira. Isto sem mencionar os livros elementares de Álgebra e Aritmética de Serrasqueiro, bem conceituados entre meus professores do ginásio e estudantes da geração que precedeu a minha.
Ninguém me apresentou ou sugeriu Caraça. Encontrei-o por acaso, num alfarrábio em Fortaleza, sob a forma de um livro com páginas ainda dobradas. Chamava-se “Licões de Álgebra e Análise”, vol. 1. Algum aficionado certamente o comprara pelo título ou ganhara-o de presente, e se desfizera dele, desapontado pelo primeiro contacto com seu conteúdo. Exatamente esse estranho índice e os inesperados conceitos que vislumbrei nas páginas expostas entre os cadernos dobrados é que me fascinaram. Comprei o livro e, por meio dele, me iniciei no mundo dos conjuntos, números transfinitos, números naturais, inteiros, reais e complexos, todos construídos passo a passo. Caraça era meu único professor, meu guia. Um aspecto interessante do livro eram as indicacões bibliográficas comentadas, no fim de cada capítulo. Devido a elas, encomendei “Pure Mathematics” de Hardy e “Survey of Modern Algebra” de Birkhoff-MacLane a uma livraria no Rio. Junto com os livros, veio um catálogo no qual estavam a monografia “Filtros e Ideais” de Monteiro e a “Aritmética Racional”, que ele escreveu junto com J. Silva Paulo.
Achei mais fácil começar por Monteiro. A Aritmética foi uma delícia, embora me deixasse curioso de saber se os estudantes do Liceu em Portugal (ou em qualquer outro país) eram, salvo os muito bem dotados, capazes de apreciar a elegância e a subtileza daquela exposição.
Monteiro morou no Rio de Janeiro cerca de quatro anos, entre 1945 e 1949. Nesta época, seus interesses matemáticos se dividiam entre a Topologia Geral e os Conjuntos Ordenados, evoluindo daquela para estes. Mas sua energia pessoal era grande o bastante para permitir-lhe ação politica e, neste campo, seu maior interesse era a derrubada da ditadura de Salazar. E claro, porém, que não havia aqui muito espaço para movimento, especialmente porque a alta direção da Universidade do Brasil (como então se chamava a Universidade Federal do Rio de Janeiro), era ligada, por laços afetivos e ideológicos, com o governo português. A posição de Monteiro tornava cada vez mais difícil a renovação de seu contrato e por fim ele teve de emigrar para a Argentina. Em Bahia Blanca, cumprindo sua vocação de pioneiro, agora já definitivamente dedicado a Lógica Matemática, formou e liderou um grupo, até hoje florescente e significativo, de pesquisadores naquela área, entre os quais se destaca seu filho. A distância geográfica e cultural o afastou da politica portuguesa, trazendo-o mais para a Matemática e para a atividade de criação de uma escola de alto nível, o que também demandava esforço e exercício político, embora de outra natureza.
No período em que esteve no Brasil, Monteiro associou-se principalmente a Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto, na época jovens matemáticos tentando iniciar suas carreiras num ambiente em que a tradição de pesquisa matemática era praticamente nula. Com sua forte e inquieta personalidade, ele congregou estudantes, organizou seminários e fundou uma coleção de monografias chamada “Notas de Matemática”, da qual o primeiro número foi seu trabalho sobre Filtros e Ideais. A afinidade de interesses matemáticos de Monteiro era bem maior com Nachbin do que com Peixoto. Sua influência sobre o primeiro se reflecte na monografia intitulada “Topologia e Ordem”, publicada por Nachbin sobre os espaços topológicos ordenados. É curioso observar, entretanto, que Peixoto foi o único matemático brasileiro com quem Monteiro escreveu um trabalho em conjunto, publicado na revista Portugaliae Mathematica sob o título “Le nombre de Lebesgue et la continuité uniforme”.
“Filtros e Ideais” foi meu primeiro exemplo de como se pode elaborar uma teoria matemática abstrata e não trivial a partir de um sistema de axiomas extremamente simples como o dos conjuntos ordenados. Embora estudos posteriores e opção pessoal me tenham feito seguir rumos matemáticos bem diferentes, a leitura da monografia de Monteiro familiarizou-me com métodos gerais e isto foi útil anos depois em minha tese de doutoramento, quando desenvolvi a teoria dos espectros de espaços topológicos.
Encontrei-me com Monteiro duas vezes, em visitas que fez ao Brasil, já morando na Argentina. A primeira no Rio, quando ainda era estudante, e a segunda em Poços de Caldas, numa reunião matemática, após regressar de meus estudos em Chicago. Em ambas ocasiões, expressei minha admiração pelo trabalho que realizou em três países e meus agradecimentos pelo papel que desempenhou na minha formação. Estou certo de que muitos matemáticos portugueses, brasileiros e argentinos foram ainda mais beneficiados por seu trabalho e se sentem ainda mais reconhecidos do que eu.
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Impressions on António Aniceto Monteiro (artigo do Boletim do CIM)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

REMINISCÊNCIAS DE UM EX-DIRETOR - UM DEPOIMENTO DE MEMÓRIA, por Antônio Rodrigues (INSTITUTO DE MATEMÁTICA - UFRGS)

«Ocorreu que no verão de 1947 ou 1948, apareceu, de repente, em gozo de férias em Porto Alegre, o professor português, natural de Angola, Aniceto Monteiro que, na ocasião, lecionava na Faculdade Nacional de Filosofia e, além de autor de um dos Cadernos de Análise Geral, escrevera uma Aritmética Racional muito original, em cuja capa, bem no centro, se lê 1 + 1 = 10, fato que me permitiu adquiri-la pela metade do preço porque o livreiro não se conformava com tal asneira e o livro lhe parecia estar errado. Quem soube dessa permanência foi o Cabral (Prof. Antonio Estevam Pinheiro Cabral), meu aluno de bacharelado naqueles tempos, que propôs que convidássemos o Prof. Monteiro a fazer umas palestras sobre Topologia, tendo eu sugerido que o assunto fosse o desenvolvimento histórico e as idéias básicas desta ciência, em cinco exposições.
Barramos, porém, com uma dificuldade inicial para formalizar um convite oficial quando o diretor da Faculdade de Filosofia, que de início havia aprovado a idéia, soube por mim que o Prof. Monteiro saira de Portugal por ser da oposição ao governo Salazar e além disso se achava hospedado em um sítio do Scliar em Viamão, fatos que deram ao assunto uma conotação de esquerda. Restou-nos contornar o problema através de uma audiência com o Senhor Magnífico Reitor, Prof. Armando Câmara, líder católico ferrenho, que exigiu sabatinar o Prof. Monteiro em assuntos políticos e econômicos. Lembro-me bem de uma pergunta feita sobre o que achava ele de Salazar e da resposta seca e imediata de que Salazar, como professor de Economia, na Universidade de Coimbra, tinha sido um fracasso. Afinal, saímos com a permissão do Reitor para as cinco conferências de Topologia, sem nenhum custo para a Universidade, a serem feitas na sala da Congregação da Faculdade de Direito e que estava em reformas. O Cabral, na despedida ao Reitor, pediu que o Prof. Monteiro assinasse o Livro de Ouro dos visitantes, pedido que me parece não ter sido negado, o que pode ser comprovado se o livro ainda existisse.
E assim, debaixo de marteladas, porque o carpinteiro se negou a interromper o serviço de reparar os defeitos das janelas, realizaram-se numa semana muito quente de janeiro, essas palestras que me escancararam as portas desse mundo maravilhoso que é a Topologia e a Álgebra Moderna. Encerro este episódio com a observção do Prof. Monteiro sobre o reparo que fiz a propósito da pequena freqüência às aulas que de razoável (umas vinte pessoas) no início havia caído para duas ou três pessoas no final: em Paris, durante meses, fui aluno único de Frechet (autor da tese "Os Espaços Abstratos"). O Prof. Monteiro escreveu, ainda em Viamão, umas notas sobre Filtros e Ideais que foram publicadas pelo IMPA.»
REMINISCÊNCIAS DE UM EX-DIRETOR - UM DEPOIMENTO DE MEMÓRIA, por Antônio Rodrigues (INSTITUTO DE MATEMÁTICA - UFRGS)

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Paulo Ribenboim

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"Paulo Ribenboim nasceu em Recife em 1928. Foi discípulo de Antonio Monteiro no Brasil, Jean Dieudonné na França, Wolfgang Krule na Alemanha e pesquisador do IMPA de 1956 a 1959. Teve uma carreira internacional, principalmente nos Estados Unidos, na França e no Canadá, onde ensinou na Queen's University. É autor de mais de 200 artigos de pesquisa e exposição bem como de numerosos livros, entre os quais : "13 Lectures on Fermat's Last Theorem", "Fermat's Last Theorem for Amateurs", "The New Book of Prime Number Records", "My Numbers, My Friends", "Classical Theory of Algebraic Numbers", "The Theory of Classical Valuatives". Detentor do Prêmio Pólya em exposição matemática, Doutor Honoris Causa da Universidade de Caen e Membro da Academy of Sciences of The Royal Society of Canada".