Imagem do Congresso Internacional de Matemática, Moscovo, 1966. Espólio de Hugo e Pilar Ribeiro.
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sexta-feira, 13 de julho de 2018
«Recebi um convite para ir ensinar em França durante dois anos que não posso aceitar porque queria jubilar-me o mais rápido possível. (…) Pensava ir ao Congresso Internacional de Matemática este ano, mas o meu estado de saúde não me permite viajar neste momento. Dê um abraço ao Álvaro se o vir, meu e da Lídia.» – excertos de carta de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 10 de Junho de 1966
terça-feira, 3 de julho de 2018
«Acabo de receber a notícia que no Rio de Janeiro decidiram contratar-me para o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. (…) A situação em Portugal agrava-se cada vez mais, com a repressão sempre em aumento, com os acontecimentos das colónias. Penso aderir-me à Frente para a libertação das colónias portuguesas e possivelmente ao Movimento Popular para a Libertação de Angola (nasci em Angola e a Lídia também).» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 21 de Outubro de 1961
sábado, 19 de maio de 2018
«O Faria já me tinha escrito dizendo para eu ir para casa dele… (…) Penso porém que só a libertação económica fornece a base necessária para transformar a nossa cultura de uma maneira adequada. A miséria da nossa vida cultural tem a sua origem nas condições de vida materiais da vida do nosso povo. (…) Agora vou estudar estatística, que é necessária para a minha nova profissão.» – carta de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 19 de Abril de 1949
Faria: creio que se trata de um parente
por parte de Lídia. (António?) Faria era também amigo de Hugo e Pilar Ribeiro e
tinha-lhes escrito antes uma carta, carta essa que foi reenviada a Monteiro e se encontra no
seu espólio.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
«Já devo imenso dinheiro neste momento… (…) Achámos graça, eu e a Lídia, à vontade que você tem que eu vá para os Estados Unidos e de preferência para a Califórnia. (…) O problema mais importante é o seguinte: que caminho seguirá os Estados Unidos? (…) É possível que num futuro próximo o homem já não tenha liberdade de pensar como lhe aprouver.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 8 de Agosto de 1948
sexta-feira, 27 de abril de 2018
quarta-feira, 14 de março de 2018
«O António Aniceto Monteiro e a Lídia em nossa casa!» – diário de Mário Dionísio, de 19 de Maio de 1977
19.5.77.
O António
Aniceto Monteiro e a Lídia em nossa casa! Das quatro da tarde quase até às nove
da noite. Não nos víamos (todos, porque a Lídia estivera aqui há algum tempo),
já lá vão 32 anos! 0 Monteiro não tem, naturalmente, a vivacidade de outrora.
Conta hoje 70 anos. Mas é como se nos não víssemos há semanas. O mesmo
espírito, a mesma amizade. O tempo não chega para lhes contarmos tudo (tudo...)
o que se tem passado e está passando por cá, para ouvirmos o que se passou e
está passando por lá, na Argentina. Um fascismo que atinge os limites da
selvajaria à luz do dia, como nunca, apesar de tudo, aqui conhecemos. Ele
tornou-se aquilo que sempre esperámos: um matemático de projecção
internacional. Foi mais um que o Estado Novo deitou fora. Eu continuo, como há
30 e tal anos, um homem que faz projectos, trabalha sempre, e não chega a
realizar um décimo do que projecta. Mas que tarde realmente feliz, recordando e
atiçando o belo fogo duma velha amizade que não morre e é, feitas as contas, o
melhor que há na vida!
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Proveniência : Casa da Achada -
Centro Mário Dionísio
Agradecimentos a Eduarda Dionísio
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
«Eu e a Lídia já nos tínhamos acostumado à ideia de não vermos o fim do fascismo em Portugal e nos resignávamos com a ideia de terminarmos aqui os nossos dias, vendo crescer os netos. Foi então que chegou o dia 25 de Abril de 1974… (…) Nisto andávamos quando em 18 de Abril o Interventor desta Universidade resolveu demitir-me com efeito rectroactivo ao dia 1 de Abril. (…) Comecei então a tratar com urgência do problema da minha reforma.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Junho de 1975
Ver:
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
«Chegou-me pelo Vasconcelos a notícia de que V. havia sido afastado da Universidade de Bahía Blanca, bem como seu filho Luiz. Entretanto soube que do Porto já lhe haviam enviado telegrama oferecendo-vos todo o apoio para uma situação profissional que possa agradar-vos em Portugal. Falei hoje com o presidente do Instituto de Alta Cultura (o físico e meu amigo João Andrade e Silva)...» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975
(continua)
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Ver, neste blogue:
domingo, 28 de janeiro de 2018
«O problema da minha ida para o Rio não está ainda resolvido. Em primeiro lugar subsiste o problema do visto e portanto o da radicação no Brasil. (…) Tenho aqui um soldo de 600 dólares… (…) Além disso tenho casa grátis (…), a perspectiva de jubilar-me (reforma) dentro de um pequeno número de anos, bem como (…) uma pensão para Lídia em caso do meu falecimento (este último é o problema que mais me preocupa).» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 14 de Junho de 1961
domingo, 21 de janeiro de 2018
Na morte de Soeiro Pereira Gomes – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 31 de Janeiro de 1950
(continua)
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Antes de mais nada quero enviar-lhe os meus
pêsames pelo falecimento de seu irmão. Tive ontem essa triste notícia por
intermédio de minha mulher, que me a tinha ocultado para me evitar mais um desgosto
depois do período que tenho passado cheio de inquietações e aborrecimentos. Embarquei
para a Argentina no dia 30 de Novembro, mas a Lídia só partiu no dia 15 de Dez.
por causa dos exames dos garotos. Foi nesse período que chegou uma carta do Ferreira Marques
com a triste notícia. Entretanto nada me comunicou, sem coragem para o fazer.
Mas ontem quando lhe disse que lhe ia escrever, não teve outro remédio.
Não encontro palavras para lhe exprimir o desgosto
que senti. Tinha por seu irmão uma grande estima e admiração. Considerava-o um dos
representantes mais ilustres daquela inteligência portuguesa que coloca os
interesses do povo da nossa terra acima de tudo, que sabe viver e sofrer por
ele sem medir os sacrifícios. Foi um desastre para a nossa cultura que ele
tivesse falecido em plena juventude, quando tanto nos podia ainda dar. Parece
que o destino se compraz em nos levar o que temos de melhor, como se não bastassem
já os sofrimentos de tantos anos de ditadura, acompanhados do aniquilamento de
tantas esperanças e sonhos. Sinto cada vez uma amargura maior, com tudo o que
se vai passando em Portugal. Segundo as notícias que me mandam, devemos encarar
por largo tempo a hipótese de não voltar. Recebi em Setembro passado uma carta do
Sebastião Silva, que dava vontade de chorar.
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Soeiro Pereira Gomes faleceu no
dia 5 de Dezembro de 1949, precisamente o dia em que Monteiro chegou a Buenos
Aires.
Ver
neste blogue: Soeiro Pereira Gomes
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Carta
de Sebastião e Silva mencionada nesta:
«Se eu conseguir manter-me aqui, creia que não pensarei apenas em mim: esforçar-me-ei, nos limites do possível, por dar continuidade à sua obra iniciada há dez anos e cuja vitalidade, apesar de tudo, tem sido muito superior ao que podíamos esperar. Pode dizer-se que Portugal só passou a existir, no domínio da Matemática, a partir da sua actuação.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 22 de Setembro de 1949 quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
«O Ruy Gomes dizia-me numa carta recente (27/5) “Acabámos de lhes mandar – a você e à Lídia – as passagens de Lisboa – Bahía Blanca de modo que vocês podem viajar quando quiserem”, sem aclarar nada mais. (…) Fiquei muito sensibilizado com esta iniciativa do Ruy Gomes, que é realmente um grande amigo que muito estimo e admiro.» – carta de António Aniceto Monteiro para João Andrade e Silva, de 27 de Junho de 1975
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Certidão sobre o imposto de renda para a concessão de visto em passaporte (5 de Julho de 1949)
© Família de António Aniceto Monteiro
===
(...)
Realmente acabei recebendo em meados de Maio um convite definitivo para San Juan, que aceitei. É o resultado dos esforços de vários amigos, entre os quais você figura, e por isso lhe quero enviar desde já um grande abraço de agradecimentos. Espero viajar em breve para a Argentina se não houver demora na concessão do visto, que foi pedido telegraficamente para a Direccion de Migraciones em Buenos Aires. Entretanto, estou preparando a minha viagem e espero não encontrar dificuldades. Estou muito cansado com o trabalho que tenho na companhia de aviação. Não consigo dar vencimento às cartas que tenho a escrever e por isso tenho que ser breve.
Estou desejoso de chegar a San Juan e recomeçar o meu trabalho.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l2 de Junho de 1949]
===
(...)
Não sei em que ponto está a tramitação do seu visto de entrada no país, para vir para San Juan.
Informei-me sobre o assunto em Buenos Aires e fiquei a saber, com satisfação, que não há nenhuma dificuldade de princípio na obtenção do seu visto, salvo as demoras burocráticas habituais.
Não será de modo nenhum difícil obter imediatamente o seu visto, mas, até agora não se pôde fazer nada a esse respeito, porque é impossível encontrar, na Direcção de Migrações, um processo sem saber exactamente o seu número.
No caso de demorar, e se o desejar, rogo-lhe que peça, no Consulado Argentino no Rio de Janeiro, o número exacto do seu processo, a data do seu envio para Buenos Aires e, eventualmente, outros dados que considerem úteis no Consulado e mós envie em seguida. Depois poder-se-á conseguir, em Buenos Aires, que a autorização correspondente seja dada imediatamente.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 8 de Julho de 1949]
===
(...)
A minha situação actual é a seguinte: 1) Tenho os meus passaportes prontos desde o início de Junho, 2) O visto permanente foi pedido pelo Consulado, pelo telegrama n.° 49 de 3 de Junho de 1949 e até hoje não veio resposta (paguei o telegrama respectivo com resposta paga), 3) A Faculdade enviou ao Consulado os termos do meu contrato, solicitando a concessão do visto, se não estou em erro, 4) Recebi este mês carta do Secretário da Faculdade de San Juan, informando-me de que Migraciones solicitara «todos los dados personales dei referido y sus familiares (nombres, edad, religión, estado civil y se ha sido antiguo residente». Julgo que deve haver algum desencontro, porque no telegrama do Consulado iam todos os dados necessários, 5) Dizia-me ainda o Secretário: «sem respecto a su [ilegível] a nuestra Faculdad, me es grato manifestar a usted que el contrato respectivo se encuentra a Ia firma dei Senor Rector de Ia Universidad». Fiquei surpreendido com esta notícia porque julgava o caso já arrumado. Se assim não fosse, não teria os meus preparativos de viagem quase prontos.
Por outro lado estou interessado em viajar com a brevidade possível. Toda a minha vida está arrumada para ir para San Juan e os meus garotos teriam grande vantagem em frequentar o segundo semestre em San Juan. O mais velho deixará de terminar aqui o curso de ginásio por uma questão de poucos meses. Toda a demora suplementar provocar-me-á prejuízos e começo a ficar fatigado com o atraso. Aceito por isso com grande prazer os seus bons ofícios para abreviar o prazo necessário para a concessão do visto.
Acho que não poderei viajar com um visto temporário (de turista) porque vou levar muita coisa comigo: uma estante, geladeira, rádio, vários caixotes com livros, etc., que é uma bagagem um pouco pesada para turista.
A propósito de bagagem, recebi uma carta, de sua prima Olga, nos princípios deste mês - a carta traz a data de 30 de Abril, mas deve ser engano - em que me pede para levar com os meus baús um ou dois dela, acrescentando: «sem libros y unas cosas pequenas».
Estou com a melhor boa vontade e disposto a satisfazer-lhe a vontade desde que as coisas a transportar não sejam susceptíveis de criar dificuldade na alfândega. A Lídia tratará na altura de preparar a nossa bagagem, de resolver esse problema.
Já escrevi ao Santalló pedindo-lhe para se interessar pela concessão do visto, mas segundo parece ele não possui conhecimentos influentes, em Buenos Aires.
Estou porém muito esperançado com a notícia que me dá de que se poderá conseguir imediatamente o visto.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 3l de Julho de 1949]
===
(...)
Espero que tenha recebido a carta que lhe escrevi recentemente, em que lhe pedia o seu auxílio para tratar do problema do meu visto. Recebi carta do Balanzat do 8 do corrente em que me comunica que falou com o Reitor. Este ia a Buenos Aires e prometeu ocupar-se pessoalmente do visto. Manda dizer que sabe a respeito do andamento do problema. Escrevi ao Pi Calleja e ao Santalló pedindo que tratassem do assunto. Seria necessário, segundo me parece, encontrar uma pessoa com influência capaz de resolver o problema em poucos dias.
Em qualquer hipótese mande-me notícias com a brevidade possível. A minha situação começa a tornar-se insustentável. Tenho tudo preparado para viajar, mas não posso fazer certas coisas antes de ter o visto. Espero entretanto que depois dele chegar me seja possível terminar os meus preparativos da viagem em poucos dias.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l6 de Agosto de 1949]
===
(...)
Hoje tivemos resposta de Buenos Aires.
O Interventor da Direcção Geral de Migrações declarou pessoalmente que não há inconveniente algum em lhe concederem o visto de entrada no país e que ele está disposto a dar solução favorável ao assunto logo que lhe seja submetido o processo. Mas... o processo não o encontraram e não encontraram o telegrama que você me referiu.
Nestas condições, e para não perder tempo esperando até se encontrar o processo, o melhor que você pode fazer é ir ao Consulado Geral Argentino no Rio de Janeiro e pedir, eventualmente com fundamento nesta carta, que enviem cópia do seu pedido de visto para a Direcção Geral de Migrações em Buenos Aires (talvez seja preferível que seja por carta via aérea) e você mandar-me, simultaneamente todos os dados correspondentes (N. ° do processo, data da carta, etc.) para que se possa encontrar a carta em Buenos Aires e para conseguir que lhe dêem andamento imediato.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 23 de Agosto de 1949]
===
(...)
Acabo de receber a sua carta de 23 de Agosto que muito lhe agradeço. Fui imediatamente ao Consulado para esclarecer os problemas de que me fala. O meu processo no Consulado consta das seguintes peças: 1) Telegrama n.° 49, de 3 de Junho de 1949, endereçado a «Migraciones», solicitando o visto. 2) Carta do Delegado Interventor da Faculdade de San Juan, dirigido ao Con¬sulado, com data de 2 de Junho, solicitando facilidades para a concessão do visto com a brevidade possível e dizendo que a Faculdade gostaria que eu chegasse em meados de Junho. Esta carta chegou ao Consulado no dia 7 de Junho. 3) No próprio dia 7 de Junho o Consulado telegrafou à Universidade de Cuyo, San Juan comunicando que o visto já tinha sido solicitado pelo telegrama n.° 49, de 5 de Junho, à Direccion de Migraciones. 4) Em 10 de Junho o Consulado escreve uma carta à Universidade confirmando o telegrama anterior (telegrama n. ° 23 do Consulado) que transcreveram, acusando a recepção da carta da Faculdade de 2 de Junho. Depois nada mais há. Na próxima segunda-feira, terei uma entrevista com o Cônsul, para ver se é possível esclarecer tudo isto.
A minha impressão no momento é a seguinte. O telegrama n. ° 49 deve andar perdido pela Direccion de Migraciones. Por outro lado deve haver uma diligência da Universidade junto da Migraciones solicitando o visto, independentemente do pedido feito por intermédio do Consulado.
Em 4 de Julho escreveram-me de San Juan, nota n. ° 853-M, dizendo que Migraciones solicitara à Facultad «Todos os dados personales dei referido - sus familiares: nombres, edad, religion, estado civil y si há sido antiquo residente». Esta carta expedida por via marítima, chegou com certo atraso. Respondi em 25 de Julho, por via aérea, enviando os dados solicitados. A Faculdade tem portanto todos os elementos necessários para localizar o pedido de visto. Tornarei a escrever na próxima 3.a feira (depois de amanhã), depois da minha entrevista com o Cônsul, informando-o do que se passa. Entretanto creio que poderia localizar o processo por intermédio de San Juan ou de Mendonça. Pedirei na 2.a feira ao Cônsul que me escreva uma carta a Migraciones, esclarecendo a situação e dir-lhe-ei o que houver a esse respeito.
Fico-lhe muito grato pelas eficientes démarches que tem realizado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 27 de Agosto de 1949]
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(...)
Escrevi-lhe uma carta anteontem, hoje estive com o Cônsul. Peguei novo telegrama em que o Consulado pede o esclarecimento da situação. (Telegrama n.° 85, de 28 de Agosto de 1949). Nele se faz referência ao telegrama anterior n.° 49, de 3 de Junho de 1949. Segundo me declarou o Cônsul o número de um telegrama expedido pelo Consulado é largamente suficiente para localizar o pedido em Migraciones, acrescentando, é claro, que foi expedido pelo Consulado da Argentina no Rio e não é necessário indicar a data, basta o número de telegrama.
Creio que, pela minha parte, nada mais posso fazer, a não ser aguardar a [ilegível] do visto. Penso que a Universidade não tem actuado com a eficiência que seria necessária. Entretanto perdi um tempo preciosíssimo, fazendo parar todas as démarches que estavam em curso noutros países.
Não vou pôr imediatamente em andamento as démarches interrompidas, mas, nas condições actuais, acho que não devo recusar as oportunidades que me forem aparecendo. Há quatro dias atrás outra oferta me foi feita.
Sem romper os meus compromissos com San Juan entendo que não devo recusar definitivamente as propostas que recebi e começarei esta noite a tratar de uma delas. Guarde estas notícias para si. Entretanto devo dizer-lhe que neste momento ainda prefiro ir para San Juan, partirei imediatamente se o visto chegar antes de arrumar a minha vida para outro lado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 29 de Agosto de 1949]
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(...)
O tempo passa, mas a solução não vem.
Não descurei o seu assunto. De San Juan escreveram-me dizendo que não sabem o n.° do seu processo, mas que o representante da Faculdade em Buenos Aires está a tratar da questão.
Tenho amigos muito próximos da Direcção de Migrações. Eles dizem: a) que lá havia dificuldades administrativas, de carácter geral, que não têm relação com o seu assunto, b) que não conseguiram localizar o seu processo, c) que todos, incluindo o Director Geral, estão atentos e dispostos a ajudar.
Suspeito, nesta altura, que não se empenharam o suficiente e acabo de escrever outra carta a outro amigo, pedindo que intervenha e verifique: a) se se consegue localizar os telegramas n.° 49 (3/6/49) e n.° 85 (29/8/49), b) no caso contrário, como agir exactamente para refazer, se necessário, os trâmi¬tes para obrigar o processo a andar.
É muito aborrecido que as coisas se passem assim. Mas o que podemos fazer para o evitar? Pergunte, eventualmente, no Consulado, se têm outra possibilidade melhor de chegar a uma solução e se, eventualmente, o Cônsul pode escrever ao Director Geral de Migrações ou a quem quer que seja competente na linha administrativa.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 25 de Outubro de 1949]
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(...)
Acabo de receber resposta do meu amigo de Buenos Aires. Confirma o que me haviam escrito os outros amigos e que, no fim, nem quis acreditar. Passou quatro dias no Ministério das Relações Exteriores e na Direcção Geral de Migrações, falou com toda a gente, viu tudo pessoalmente, conhece agora os dados pessoais, etc., de todos os Monteiros que pretendem entrar no país, mas entre eles não se encontra nenhum António Monteiro, e nenhum telegrama.
Como nem nós, nem você, temos o número do processo que podia facilitar os trâmites, conseguiu, por fim, que telegrafassem do Ministério para o Rio para averiguar o que se passa. Prometem resposta dentro de dez dias.
Você deveria ir ao Consulado Argentino e verificar se eles receberam o telegrama do Ministério de Buenos Aires pedindo informação sobre o seu caso. Peça ao Cônsul e informe-se de quando responde (N. ° do telegrama, se possível).
No caso de o telegrama não chegar, há que ver com o Cônsul o que pode ser feito para iniciar um novo processo de visto, de modo que depois se possa encontrar o novo processo em Buenos Aires, controlando todos os passos burocráticos.
Lamento não ter notícias mais favoráveis, mas você pode acreditar que não era coisa fácil esclarecer o que fizeram.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de l1 de Novembro de 1949]
===
(...)
Parto hoje, vapor Argentina, chego a Buenos Aires no dia 5.
(...)
[Cartão de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 30 de Novembro de 1949]
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A morada de António Aniceto Monteiro indicada nestas cartas de Guido Beck é Rua Almirante Alexandrino 882, Ap. 204,St.a Thereza, Rio de Janeiro.
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Ver ainda:
«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)
Brasil, 1948: «Isto é um inferno...» (Carta a Guido Beck, de 28 de Julho de 1948, proveniente do Rio de Janeiro)
Realmente acabei recebendo em meados de Maio um convite definitivo para San Juan, que aceitei. É o resultado dos esforços de vários amigos, entre os quais você figura, e por isso lhe quero enviar desde já um grande abraço de agradecimentos. Espero viajar em breve para a Argentina se não houver demora na concessão do visto, que foi pedido telegraficamente para a Direccion de Migraciones em Buenos Aires. Entretanto, estou preparando a minha viagem e espero não encontrar dificuldades. Estou muito cansado com o trabalho que tenho na companhia de aviação. Não consigo dar vencimento às cartas que tenho a escrever e por isso tenho que ser breve.
Estou desejoso de chegar a San Juan e recomeçar o meu trabalho.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l2 de Junho de 1949]
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(...)
Não sei em que ponto está a tramitação do seu visto de entrada no país, para vir para San Juan.
Informei-me sobre o assunto em Buenos Aires e fiquei a saber, com satisfação, que não há nenhuma dificuldade de princípio na obtenção do seu visto, salvo as demoras burocráticas habituais.
Não será de modo nenhum difícil obter imediatamente o seu visto, mas, até agora não se pôde fazer nada a esse respeito, porque é impossível encontrar, na Direcção de Migrações, um processo sem saber exactamente o seu número.
No caso de demorar, e se o desejar, rogo-lhe que peça, no Consulado Argentino no Rio de Janeiro, o número exacto do seu processo, a data do seu envio para Buenos Aires e, eventualmente, outros dados que considerem úteis no Consulado e mós envie em seguida. Depois poder-se-á conseguir, em Buenos Aires, que a autorização correspondente seja dada imediatamente.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 8 de Julho de 1949]
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A minha situação actual é a seguinte: 1) Tenho os meus passaportes prontos desde o início de Junho, 2) O visto permanente foi pedido pelo Consulado, pelo telegrama n.° 49 de 3 de Junho de 1949 e até hoje não veio resposta (paguei o telegrama respectivo com resposta paga), 3) A Faculdade enviou ao Consulado os termos do meu contrato, solicitando a concessão do visto, se não estou em erro, 4) Recebi este mês carta do Secretário da Faculdade de San Juan, informando-me de que Migraciones solicitara «todos los dados personales dei referido y sus familiares (nombres, edad, religión, estado civil y se ha sido antiguo residente». Julgo que deve haver algum desencontro, porque no telegrama do Consulado iam todos os dados necessários, 5) Dizia-me ainda o Secretário: «sem respecto a su [ilegível] a nuestra Faculdad, me es grato manifestar a usted que el contrato respectivo se encuentra a Ia firma dei Senor Rector de Ia Universidad». Fiquei surpreendido com esta notícia porque julgava o caso já arrumado. Se assim não fosse, não teria os meus preparativos de viagem quase prontos.
Por outro lado estou interessado em viajar com a brevidade possível. Toda a minha vida está arrumada para ir para San Juan e os meus garotos teriam grande vantagem em frequentar o segundo semestre em San Juan. O mais velho deixará de terminar aqui o curso de ginásio por uma questão de poucos meses. Toda a demora suplementar provocar-me-á prejuízos e começo a ficar fatigado com o atraso. Aceito por isso com grande prazer os seus bons ofícios para abreviar o prazo necessário para a concessão do visto.
Acho que não poderei viajar com um visto temporário (de turista) porque vou levar muita coisa comigo: uma estante, geladeira, rádio, vários caixotes com livros, etc., que é uma bagagem um pouco pesada para turista.
A propósito de bagagem, recebi uma carta, de sua prima Olga, nos princípios deste mês - a carta traz a data de 30 de Abril, mas deve ser engano - em que me pede para levar com os meus baús um ou dois dela, acrescentando: «sem libros y unas cosas pequenas».
Estou com a melhor boa vontade e disposto a satisfazer-lhe a vontade desde que as coisas a transportar não sejam susceptíveis de criar dificuldade na alfândega. A Lídia tratará na altura de preparar a nossa bagagem, de resolver esse problema.
Já escrevi ao Santalló pedindo-lhe para se interessar pela concessão do visto, mas segundo parece ele não possui conhecimentos influentes, em Buenos Aires.
Estou porém muito esperançado com a notícia que me dá de que se poderá conseguir imediatamente o visto.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 3l de Julho de 1949]
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Espero que tenha recebido a carta que lhe escrevi recentemente, em que lhe pedia o seu auxílio para tratar do problema do meu visto. Recebi carta do Balanzat do 8 do corrente em que me comunica que falou com o Reitor. Este ia a Buenos Aires e prometeu ocupar-se pessoalmente do visto. Manda dizer que sabe a respeito do andamento do problema. Escrevi ao Pi Calleja e ao Santalló pedindo que tratassem do assunto. Seria necessário, segundo me parece, encontrar uma pessoa com influência capaz de resolver o problema em poucos dias.
Em qualquer hipótese mande-me notícias com a brevidade possível. A minha situação começa a tornar-se insustentável. Tenho tudo preparado para viajar, mas não posso fazer certas coisas antes de ter o visto. Espero entretanto que depois dele chegar me seja possível terminar os meus preparativos da viagem em poucos dias.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l6 de Agosto de 1949]
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(...)
Hoje tivemos resposta de Buenos Aires.
O Interventor da Direcção Geral de Migrações declarou pessoalmente que não há inconveniente algum em lhe concederem o visto de entrada no país e que ele está disposto a dar solução favorável ao assunto logo que lhe seja submetido o processo. Mas... o processo não o encontraram e não encontraram o telegrama que você me referiu.
Nestas condições, e para não perder tempo esperando até se encontrar o processo, o melhor que você pode fazer é ir ao Consulado Geral Argentino no Rio de Janeiro e pedir, eventualmente com fundamento nesta carta, que enviem cópia do seu pedido de visto para a Direcção Geral de Migrações em Buenos Aires (talvez seja preferível que seja por carta via aérea) e você mandar-me, simultaneamente todos os dados correspondentes (N. ° do processo, data da carta, etc.) para que se possa encontrar a carta em Buenos Aires e para conseguir que lhe dêem andamento imediato.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 23 de Agosto de 1949]
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Acabo de receber a sua carta de 23 de Agosto que muito lhe agradeço. Fui imediatamente ao Consulado para esclarecer os problemas de que me fala. O meu processo no Consulado consta das seguintes peças: 1) Telegrama n.° 49, de 3 de Junho de 1949, endereçado a «Migraciones», solicitando o visto. 2) Carta do Delegado Interventor da Faculdade de San Juan, dirigido ao Con¬sulado, com data de 2 de Junho, solicitando facilidades para a concessão do visto com a brevidade possível e dizendo que a Faculdade gostaria que eu chegasse em meados de Junho. Esta carta chegou ao Consulado no dia 7 de Junho. 3) No próprio dia 7 de Junho o Consulado telegrafou à Universidade de Cuyo, San Juan comunicando que o visto já tinha sido solicitado pelo telegrama n.° 49, de 5 de Junho, à Direccion de Migraciones. 4) Em 10 de Junho o Consulado escreve uma carta à Universidade confirmando o telegrama anterior (telegrama n. ° 23 do Consulado) que transcreveram, acusando a recepção da carta da Faculdade de 2 de Junho. Depois nada mais há. Na próxima segunda-feira, terei uma entrevista com o Cônsul, para ver se é possível esclarecer tudo isto.
A minha impressão no momento é a seguinte. O telegrama n. ° 49 deve andar perdido pela Direccion de Migraciones. Por outro lado deve haver uma diligência da Universidade junto da Migraciones solicitando o visto, independentemente do pedido feito por intermédio do Consulado.
Em 4 de Julho escreveram-me de San Juan, nota n. ° 853-M, dizendo que Migraciones solicitara à Facultad «Todos os dados personales dei referido - sus familiares: nombres, edad, religion, estado civil y si há sido antiquo residente». Esta carta expedida por via marítima, chegou com certo atraso. Respondi em 25 de Julho, por via aérea, enviando os dados solicitados. A Faculdade tem portanto todos os elementos necessários para localizar o pedido de visto. Tornarei a escrever na próxima 3.a feira (depois de amanhã), depois da minha entrevista com o Cônsul, informando-o do que se passa. Entretanto creio que poderia localizar o processo por intermédio de San Juan ou de Mendonça. Pedirei na 2.a feira ao Cônsul que me escreva uma carta a Migraciones, esclarecendo a situação e dir-lhe-ei o que houver a esse respeito.
Fico-lhe muito grato pelas eficientes démarches que tem realizado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 27 de Agosto de 1949]
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(...)
Escrevi-lhe uma carta anteontem, hoje estive com o Cônsul. Peguei novo telegrama em que o Consulado pede o esclarecimento da situação. (Telegrama n.° 85, de 28 de Agosto de 1949). Nele se faz referência ao telegrama anterior n.° 49, de 3 de Junho de 1949. Segundo me declarou o Cônsul o número de um telegrama expedido pelo Consulado é largamente suficiente para localizar o pedido em Migraciones, acrescentando, é claro, que foi expedido pelo Consulado da Argentina no Rio e não é necessário indicar a data, basta o número de telegrama.
Creio que, pela minha parte, nada mais posso fazer, a não ser aguardar a [ilegível] do visto. Penso que a Universidade não tem actuado com a eficiência que seria necessária. Entretanto perdi um tempo preciosíssimo, fazendo parar todas as démarches que estavam em curso noutros países.
Não vou pôr imediatamente em andamento as démarches interrompidas, mas, nas condições actuais, acho que não devo recusar as oportunidades que me forem aparecendo. Há quatro dias atrás outra oferta me foi feita.
Sem romper os meus compromissos com San Juan entendo que não devo recusar definitivamente as propostas que recebi e começarei esta noite a tratar de uma delas. Guarde estas notícias para si. Entretanto devo dizer-lhe que neste momento ainda prefiro ir para San Juan, partirei imediatamente se o visto chegar antes de arrumar a minha vida para outro lado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 29 de Agosto de 1949]
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(...)
O tempo passa, mas a solução não vem.
Não descurei o seu assunto. De San Juan escreveram-me dizendo que não sabem o n.° do seu processo, mas que o representante da Faculdade em Buenos Aires está a tratar da questão.
Tenho amigos muito próximos da Direcção de Migrações. Eles dizem: a) que lá havia dificuldades administrativas, de carácter geral, que não têm relação com o seu assunto, b) que não conseguiram localizar o seu processo, c) que todos, incluindo o Director Geral, estão atentos e dispostos a ajudar.
Suspeito, nesta altura, que não se empenharam o suficiente e acabo de escrever outra carta a outro amigo, pedindo que intervenha e verifique: a) se se consegue localizar os telegramas n.° 49 (3/6/49) e n.° 85 (29/8/49), b) no caso contrário, como agir exactamente para refazer, se necessário, os trâmi¬tes para obrigar o processo a andar.
É muito aborrecido que as coisas se passem assim. Mas o que podemos fazer para o evitar? Pergunte, eventualmente, no Consulado, se têm outra possibilidade melhor de chegar a uma solução e se, eventualmente, o Cônsul pode escrever ao Director Geral de Migrações ou a quem quer que seja competente na linha administrativa.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 25 de Outubro de 1949]
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(...)
Acabo de receber resposta do meu amigo de Buenos Aires. Confirma o que me haviam escrito os outros amigos e que, no fim, nem quis acreditar. Passou quatro dias no Ministério das Relações Exteriores e na Direcção Geral de Migrações, falou com toda a gente, viu tudo pessoalmente, conhece agora os dados pessoais, etc., de todos os Monteiros que pretendem entrar no país, mas entre eles não se encontra nenhum António Monteiro, e nenhum telegrama.
Como nem nós, nem você, temos o número do processo que podia facilitar os trâmites, conseguiu, por fim, que telegrafassem do Ministério para o Rio para averiguar o que se passa. Prometem resposta dentro de dez dias.
Você deveria ir ao Consulado Argentino e verificar se eles receberam o telegrama do Ministério de Buenos Aires pedindo informação sobre o seu caso. Peça ao Cônsul e informe-se de quando responde (N. ° do telegrama, se possível).
No caso de o telegrama não chegar, há que ver com o Cônsul o que pode ser feito para iniciar um novo processo de visto, de modo que depois se possa encontrar o novo processo em Buenos Aires, controlando todos os passos burocráticos.
Lamento não ter notícias mais favoráveis, mas você pode acreditar que não era coisa fácil esclarecer o que fizeram.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de l1 de Novembro de 1949]
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(...)
Parto hoje, vapor Argentina, chego a Buenos Aires no dia 5.
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[Cartão de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 30 de Novembro de 1949]
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A morada de António Aniceto Monteiro indicada nestas cartas de Guido Beck é Rua Almirante Alexandrino 882, Ap. 204,St.a Thereza, Rio de Janeiro.
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Copiado de
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Ver ainda:
«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)
Brasil, 1948: «Isto é um inferno...» (Carta a Guido Beck, de 28 de Julho de 1948, proveniente do Rio de Janeiro)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Procuração a Avelino Cunhal (16 de Outubro de 1943)
Avelino Cunhal (fotografia copiada do livro Nenúfar no Charco)
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© Família de António Aniceto Monteiro
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Em Outubro de 1943, António Aniceto Monteiro preparava-se para sair imediatamente do país...
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© Família de António Aniceto Monteiro
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O nome de Lídia Monteiro aparece com um erro; onde está "Lídia Moreira", deveria estar "Lídia Marina".
Uma das testemunhas é o médico João Ferreira Marques (ver Ferreira Marques e Bento de Jesus Caraça num passeio no Tejo).
Uma das testemunhas é o médico João Ferreira Marques (ver Ferreira Marques e Bento de Jesus Caraça num passeio no Tejo).
A outra testemunha é Antonino José de Sousa, advogado.
O notário é José Peres de Noronha Galvão (*).
(*) Pai de Maria Luísa Melo de Noronha Galvão.
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Nesta data, a família Monteiro morava Rua Fábrica das Sedas, 5, rés-do-chão. Actualmente, parece que tal rua não existe, mas existe uma travessa com o mesmo nome que fica na zona das Amoreiras, nas traseiras da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva; também pode suceder que chamaram "Rua" à "Travessa". Curiosamente, menos de dois anos mais tarde, a família Monteiro iria habitar a «Pensão Internacional», no Rio de Janeiro, onde também moravam Maria Helena e Arpad... (ver Maria Helena Vieira da Silva nasceu há 100 anos).
O notário é José Peres de Noronha Galvão (*).
(*) Pai de Maria Luísa Melo de Noronha Galvão.
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Nesta data, a família Monteiro morava Rua Fábrica das Sedas, 5, rés-do-chão. Actualmente, parece que tal rua não existe, mas existe uma travessa com o mesmo nome que fica na zona das Amoreiras, nas traseiras da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva; também pode suceder que chamaram "Rua" à "Travessa". Curiosamente, menos de dois anos mais tarde, a família Monteiro iria habitar a «Pensão Internacional», no Rio de Janeiro, onde também moravam Maria Helena e Arpad... (ver Maria Helena Vieira da Silva nasceu há 100 anos).
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Certidão de nascimento de Lídia Monteiro, datada de 21 de Fevereiro de 1979 (Lisboa)
© Família de António Aniceto Monteiro
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Esta certidão foi feita uma semana antes de
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Agradecimento da Câmara de Mossâmedes ao alferes Monteiro (21 de Dezembro de 1909)
© Família de António Aniceto Monteiro
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«Mais uma vez a Camara da minha presidencia tem o prazer e honra de agradecer a V.Excia. a preciosa coadjuvação que tão gostosa e desinteressadamente de ha muito lhe vem dispensando, quer na elaboração da planta da cidade, trabalho proficiente e completissimo, que só por si representa um alto valor de progresso e melhoramento para este municipio, quer na elaboração da planta do mercado, quer ainda nas varias vezes[?] em que a tem illucidado em trabalhos de especialidade, alta competencia e capacidade de V.Excia.
Tudo isso, que tanto trabalho tem revelado a par de profundos conhecimentos tecnicos, muito calculo, muita ponderação e estudo aturado, esta Camara já mais o esquecerá, e faltaria aos mais sagrados dos deveres de gratidão se lhe não demonstrasse, como demonstra, o seu alto reconhecimento e mais profundo agradecimento.
É para esta Camara de bem intensa magua a retirada de V.Excia d'esta cidade; e fazendo votos por uma feliz viajem, deseja que a fortuna e felecidade o galardôem sempre tão grandemente, quanto os predicados de V.Excia o exigem.»
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Nota: A assinatura que se vê é, muito provavelmente, de Seraphim Simões Freire de Figueiredo, que seria, então, Presidente da Câmara (ver Fernando da Costa Leal, quinto governador de Mossâmedes (1854-1959)). Seraphim Simões Freire de Figueiredo e o alferes Monteiro foram padrinhos de casamento dos pais de Lídia Monteiro.
Tudo isso, que tanto trabalho tem revelado a par de profundos conhecimentos tecnicos, muito calculo, muita ponderação e estudo aturado, esta Camara já mais o esquecerá, e faltaria aos mais sagrados dos deveres de gratidão se lhe não demonstrasse, como demonstra, o seu alto reconhecimento e mais profundo agradecimento.
É para esta Camara de bem intensa magua a retirada de V.Excia d'esta cidade; e fazendo votos por uma feliz viajem, deseja que a fortuna e felecidade o galardôem sempre tão grandemente, quanto os predicados de V.Excia o exigem.»
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Nota: A assinatura que se vê é, muito provavelmente, de Seraphim Simões Freire de Figueiredo, que seria, então, Presidente da Câmara (ver Fernando da Costa Leal, quinto governador de Mossâmedes (1854-1959)). Seraphim Simões Freire de Figueiredo e o alferes Monteiro foram padrinhos de casamento dos pais de Lídia Monteiro.
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(...)
No fim desse ano [1909], dá-se uma viragem na vida de António Ribeiro Monteiro e nunca mais regressou à construção dos caminhos de ferro. Em 27 de Dezembro de 1909, por opinião da junta de saúde, veio para Portugal. Desconheço se a família o acompanhou.
(...)
O relatório finaliza com o parágrafo seguinte:
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Cravos para António e Lídia
Parque de Paz, Bahía Blanca, Argentina
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António Aniceto Monteiro: Mossâmedes (Angola), 31 de Maio de 1907 - Bahía Blanca (Argentina), 29 de Outubro de 1980
sábado, 27 de outubro de 2012
«Sus primeros trabajos» (texto de Roberto Cignoli)
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En junio de 1936 [Monteiro] recibe el título de Doctor en Ciencias Matemáticas, otorgado por la Facultad de Ciencias de la Universidad de París, por la tesis «Sur l’additivité des noyaux de Fredholm» [M3], que realizara bajo la dirección de Maurice Fréchet.
Sus primeros trabajos publicados [M1] y [M2], que datan de 1934, son notas en los «Comptes Rendus» de la Academia de Ciencias de París donde anuncia algunos de los resultados obtenidos durante la realización de su tesis.
Durante sus años en París, Monteiro estuvo en contacto con algunos de los líderes de la escuela francesa clásica de análisis, como E. Borel, H. Lebesgue, J. Hadamard. Pero al mismo tiempo fue testigo del progreso de las nuevas tendencias en el estudio de estructuras algebraicas y topológicas abstractas. Su director de tesis, Fréchet, había hecho grandes contribuciones a la teoría de los espacios abstractos (en 1906 introduce y desarrolla la noción de espacio métrico, y fue uno de los primeros en considerar medidas abstractas). Las ecuaciones integrales, tema de la tesis doctoral, son la principal motivación para la introducción de los operadores lineales compactos en espacios de Banach, cuya teoría había comenzado a desarrollarse. Contaba Monteiro que se reunía con sus compañeros (entre los que mencionaba a Jean Dieudonné) para estudiar el libro de van der Waerden sobre álgebra moderna, que acababa de publicarse.
[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.
[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.
[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.
[Excerto de] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro. In Encontro Luso-Brasileiro de Historia da Matemática, ed. Sergio Nobre, ACTAS, pág. 139-148 (1997).
Sus primeros trabajos publicados [M1] y [M2], que datan de 1934, son notas en los «Comptes Rendus» de la Academia de Ciencias de París donde anuncia algunos de los resultados obtenidos durante la realización de su tesis.
Durante sus años en París, Monteiro estuvo en contacto con algunos de los líderes de la escuela francesa clásica de análisis, como E. Borel, H. Lebesgue, J. Hadamard. Pero al mismo tiempo fue testigo del progreso de las nuevas tendencias en el estudio de estructuras algebraicas y topológicas abstractas. Su director de tesis, Fréchet, había hecho grandes contribuciones a la teoría de los espacios abstractos (en 1906 introduce y desarrolla la noción de espacio métrico, y fue uno de los primeros en considerar medidas abstractas). Las ecuaciones integrales, tema de la tesis doctoral, son la principal motivación para la introducción de los operadores lineales compactos en espacios de Banach, cuya teoría había comenzado a desarrollarse. Contaba Monteiro que se reunía con sus compañeros (entre los que mencionaba a Jean Dieudonné) para estudiar el libro de van der Waerden sobre álgebra moderna, que acababa de publicarse.
[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.
[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.
[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.
[Excerto de] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro. In Encontro Luso-Brasileiro de Historia da Matemática, ed. Sergio Nobre, ACTAS, pág. 139-148 (1997).
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