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sexta-feira, 6 de abril de 2007

Passeios no Tejo. Depoimentos.

Pilar Ribeiro (a quem dirijo os meus agradecimentos!) mais recuada, Lídia Monteiro e Soeiro Pereira Gomes num passeio no Tejo



Digitalizações de Jorge Rezende

Textos do livro A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes, com depoimentos de Fernando Lopes Graça e de António Dias Lourenço sobre os passeios no Tejo. Este último descreve-os com algum pormenor e fala de alguns participantes nos quais inclui António Aniceto e Lídia Monteiro.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

«Chegou-me pelo Vasconcelos a notícia de que V. havia sido afastado da Universidade de Bahía Blanca, bem como seu filho Luiz. Entretanto soube que do Porto já lhe haviam enviado telegrama oferecendo-vos todo o apoio para uma situação profissional que possa agradar-vos em Portugal. Falei hoje com o presidente do Instituto de Alta Cultura (o físico e meu amigo João Andrade e Silva)...» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975

(continua)
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Ver, neste blogue:

domingo, 21 de janeiro de 2018

Na morte de Soeiro Pereira Gomes – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 31 de Janeiro de 1950

(continua)
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Antes de mais nada quero enviar-lhe os meus pêsames pelo falecimento de seu irmão. Tive ontem essa triste notícia por intermédio de minha mulher, que me a tinha ocultado para me evitar mais um desgosto depois do período que tenho passado cheio de inquietações e aborrecimentos. Embarquei para a Argentina no dia 30 de Novembro, mas a Lídia só partiu no dia 15 de Dez. por causa dos exames dos garotos. Foi nesse período que chegou uma carta do Ferreira Marques com a triste notícia. Entretanto nada me comunicou, sem coragem para o fazer. Mas ontem quando lhe disse que lhe ia escrever, não teve outro remédio.
Não encontro palavras para lhe exprimir o desgosto que senti. Tinha por seu irmão uma grande estima e admiração. Considerava-o um dos representantes mais ilustres daquela inteligência por­tuguesa que coloca os interesses do povo da nossa terra acima de tudo, que sabe viver e sofrer por ele sem medir os sacrifícios. Foi um desastre para a nossa cultura que ele tivesse falecido em plena juventude, quando tanto nos podia ainda dar. Parece que o destino se compraz em nos levar o que temos de melhor, como se não bastassem já os sofrimentos de tantos anos de ditadura, acom­panhados do aniquilamento de tantas esperanças e sonhos. Sinto cada vez uma amargura maior, com tudo o que se vai passando em Portugal. Segundo as notícias que me mandam, devemos encarar por largo tempo a hipótese de não voltar. Recebi em Setembro passado uma carta do Sebastião Silva, que dava vontade de chorar.
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Soeiro Pereira Gomes faleceu no dia 5 de Dezembro de 1949, precisamente o dia em que Monteiro chegou a Buenos Aires.
Ver neste blogue: Soeiro Pereira Gomes
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Carta de Sebastião e Silva mencionada nesta:
«Se eu conseguir manter-me aqui, creia que não pensarei apenas em mim: esforçar-me-ei, nos limites do possível, por dar continuidade à sua obra iniciada há dez anos e cuja vitalidade, apesar de tudo, tem sido muito superior ao que podíamos esperar. Pode dizer-se que Portugal só passou a existir, no domínio da Matemática, a partir da sua actuação.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 22 de Setembro de 1949

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Certidão sobre o imposto de renda para a concessão de visto em passaporte (5 de Julho de 1949)

© Família de António Aniceto Monteiro
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(...)
Realmente acabei recebendo em meados de Maio um convite definitivo para San Juan, que aceitei. É o resultado dos esforços de vários amigos, entre os quais você figura, e por isso lhe quero enviar desde já um grande abraço de agradecimentos. Espero viajar em breve para a Argentina se não houver demora na concessão do visto, que foi pedido telegraficamente para a Direccion de Migraciones em Buenos Aires. Entretanto, estou preparando a minha viagem e espero não encontrar dificuldades. Estou muito cansado com o trabalho que tenho na companhia de aviação. Não consigo dar vencimento às cartas que tenho a escrever e por isso tenho que ser breve.
Estou desejoso de chegar a San Juan e recomeçar o meu trabalho.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l2 de Junho de 1949]
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(...)
Não sei em que ponto está a tramitação do seu visto de entrada no país, para vir para San Juan.
Informei-me sobre o assunto em Buenos Aires e fiquei a saber, com satisfação, que não há nenhuma dificuldade de princípio na obtenção do seu visto, salvo as demoras burocráticas habituais.
Não será de modo nenhum difícil obter imediatamente o seu visto, mas, até agora não se pôde fazer nada a esse respeito, porque é impossível encontrar, na Direcção de Migrações, um processo sem saber exactamente o seu número.
No caso de demorar, e se o desejar, rogo-lhe que peça, no Consulado Argentino no Rio de Janeiro, o número exacto do seu processo, a data do seu envio para Buenos Aires e, eventualmente, outros dados que considerem úteis no Consulado e mós envie em seguida. Depois poder-se-á conseguir, em Buenos Aires, que a autorização correspondente seja dada imediatamente.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 8 de Julho de 1949]
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(...)
A minha situação actual é a seguinte: 1) Tenho os meus passaportes prontos desde o início de Junho, 2) O visto permanente foi pedido pelo Consulado, pelo telegrama n.° 49 de 3 de Junho de 1949 e até hoje não veio resposta (paguei o telegrama respectivo com resposta paga), 3) A Faculdade enviou ao Consulado os termos do meu contrato, solicitando a concessão do visto, se não estou em erro, 4) Recebi este mês carta do Secretário da Faculdade de San Juan, informando-me de que Migraciones solicitara «todos los dados personales dei referido y sus familiares (nombres, edad, religión, estado civil y se ha sido antiguo residente». Julgo que deve haver algum desencontro, porque no telegrama do Consulado iam todos os dados necessários, 5) Dizia-me ainda o Secretário: «sem respecto a su [ilegível] a nuestra Faculdad, me es grato manifestar a usted que el contrato respectivo se encuentra a Ia firma dei Senor Rector de Ia Universidad». Fiquei surpreendido com esta notícia porque julgava o caso já arrumado. Se assim não fosse, não teria os meus preparativos de viagem quase prontos.
Por outro lado estou interessado em viajar com a brevidade possível. Toda a minha vida está arrumada para ir para San Juan e os meus garotos teriam grande vantagem em frequentar o segundo semestre em San Juan. O mais velho deixará de terminar aqui o curso de ginásio por uma questão de poucos meses. Toda a demora suplementar provocar-me-á prejuízos e começo a ficar fatigado com o atraso. Aceito por isso com grande prazer os seus bons ofícios para abreviar o prazo necessário para a concessão do visto.
Acho que não poderei viajar com um visto temporário (de turista) porque vou levar muita coisa comigo: uma estante, geladeira, rádio, vários caixotes com livros, etc., que é uma bagagem um pouco pesada para turista.
A propósito de bagagem, recebi uma carta, de sua prima Olga, nos princípios deste mês - a carta traz a data de 30 de Abril, mas deve ser engano - em que me pede para levar com os meus baús um ou dois dela, acrescentando: «sem libros y unas cosas pequenas».
Estou com a melhor boa vontade e disposto a satisfazer-lhe a vontade desde que as coisas a transportar não sejam susceptíveis de criar dificuldade na alfândega. A Lídia tratará na altura de preparar a nossa bagagem, de resolver esse problema.
Já escrevi ao Santalló pedindo-lhe para se interessar pela concessão do visto, mas segundo parece ele não possui conhecimentos influentes, em Buenos Aires.
Estou porém muito esperançado com a notícia que me dá de que se poderá conseguir imediatamente o visto.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 3l de Julho de 1949]
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(...)
Espero que tenha recebido a carta que lhe escrevi recentemente, em que lhe pedia o seu auxílio para tratar do problema do meu visto. Recebi carta do Balanzat do 8 do corrente em que me comunica que falou com o Reitor. Este ia a Buenos Aires e prometeu ocupar-se pessoalmente do visto. Manda dizer que sabe a respeito do andamento do problema. Escrevi ao Pi Calleja e ao Santalló pedindo que tratassem do assunto. Seria necessário, segundo me parece, encontrar uma pessoa com influência capaz de resolver o problema em poucos dias.
Em qualquer hipótese mande-me notícias com a brevidade possível. A minha situação começa a tornar-se insustentável. Tenho tudo preparado para viajar, mas não posso fazer certas coisas antes de ter o visto. Espero entretanto que depois dele chegar me seja possível terminar os meus preparativos da viagem em poucos dias.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l6 de Agosto de 1949]
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(...)
Hoje tivemos resposta de Buenos Aires.
O Interventor da Direcção Geral de Migrações declarou pessoalmente que não há inconveniente algum em lhe concederem o visto de entrada no país e que ele está disposto a dar solução favorável ao assunto logo que lhe seja submetido o processo. Mas... o processo não o encontraram e não encontraram o telegrama que você me referiu.
Nestas condições, e para não perder tempo esperando até se encontrar o processo, o melhor que você pode fazer é ir ao Consulado Geral Argentino no Rio de Janeiro e pedir, eventualmente com fundamento nesta carta, que enviem cópia do seu pedido de visto para a Direcção Geral de Migrações em Buenos Aires (talvez seja preferível que seja por carta via aérea) e você mandar-me, simultaneamente todos os dados correspondentes (N. ° do processo, data da carta, etc.) para que se possa encontrar a carta em Buenos Aires e para conseguir que lhe dêem andamento imediato.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 23 de Agosto de 1949]
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(...)
Acabo de receber a sua carta de 23 de Agosto que muito lhe agradeço. Fui imediatamente ao Consulado para esclarecer os problemas de que me fala. O meu processo no Consulado consta das seguintes peças: 1) Telegrama n.° 49, de 3 de Junho de 1949, endereçado a «Migraciones», solicitando o visto. 2) Carta do Delegado Interventor da Faculdade de San Juan, dirigido ao Con¬sulado, com data de 2 de Junho, solicitando facilidades para a concessão do visto com a brevidade possível e dizendo que a Faculdade gostaria que eu chegasse em meados de Junho. Esta carta chegou ao Consulado no dia 7 de Junho. 3) No próprio dia 7 de Junho o Consulado telegrafou à Universidade de Cuyo, San Juan comunicando que o visto já tinha sido solicitado pelo telegrama n.° 49, de 5 de Junho, à Direccion de Migraciones. 4) Em 10 de Junho o Consulado escreve uma carta à Universidade confirmando o telegrama anterior (telegrama n. ° 23 do Consulado) que transcreveram, acusando a recepção da carta da Faculdade de 2 de Junho. Depois nada mais há. Na próxima segunda-feira, terei uma entrevista com o Cônsul, para ver se é possível esclarecer tudo isto.
A minha impressão no momento é a seguinte. O telegrama n. ° 49 deve andar perdido pela Direccion de Migraciones. Por outro lado deve haver uma diligência da Universidade junto da Migraciones solicitando o visto, independentemente do pedido feito por intermédio do Consulado.
Em 4 de Julho escreveram-me de San Juan, nota n. ° 853-M, dizendo que Migraciones solicitara à Facultad «Todos os dados personales dei referido - sus familiares: nombres, edad, religion, estado civil y si há sido antiquo residente». Esta carta expedida por via marítima, chegou com certo atraso. Respondi em 25 de Julho, por via aérea, enviando os dados solicitados. A Faculdade tem portanto todos os elementos necessários para localizar o pedido de visto. Tornarei a escrever na próxima 3.a feira (depois de amanhã), depois da minha entrevista com o Cônsul, informando-o do que se passa. Entretanto creio que poderia localizar o processo por intermédio de San Juan ou de Mendonça. Pedirei na 2.a feira ao Cônsul que me escreva uma carta a Migraciones, esclarecendo a situação e dir-lhe-ei o que houver a esse respeito.
Fico-lhe muito grato pelas eficientes démarches que tem realizado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 27 de Agosto de 1949]
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(...)
Escrevi-lhe uma carta anteontem, hoje estive com o Cônsul. Peguei novo telegrama em que o Consulado pede o esclarecimento da situação. (Telegrama n.° 85, de 28 de Agosto de 1949). Nele se faz referência ao telegrama anterior n.° 49, de 3 de Junho de 1949. Segundo me declarou o Cônsul o número de um telegrama expedido pelo Consulado é largamente suficiente para localizar o pedido em Migraciones, acrescentando, é claro, que foi expedido pelo Consulado da Argentina no Rio e não é necessário indicar a data, basta o número de telegrama.
Creio que, pela minha parte, nada mais posso fazer, a não ser aguardar a [ilegível] do visto. Penso que a Universidade não tem actuado com a eficiência que seria necessária. Entretanto perdi um tempo preciosíssimo, fazendo parar todas as démarches que estavam em curso noutros países.
Não vou pôr imediatamente em andamento as démarches interrompidas, mas, nas condições actuais, acho que não devo recusar as oportunidades que me forem aparecendo. Há quatro dias atrás outra oferta me foi feita.
Sem romper os meus compromissos com San Juan entendo que não devo recusar definitivamente as propostas que recebi e começarei esta noite a tratar de uma delas. Guarde estas notícias para si. Entretanto devo dizer-lhe que neste momento ainda prefiro ir para San Juan, partirei imediatamente se o visto chegar antes de arrumar a minha vida para outro lado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 29 de Agosto de 1949]
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(...)
O tempo passa, mas a solução não vem.
Não descurei o seu assunto. De San Juan escreveram-me dizendo que não sabem o n.° do seu processo, mas que o representante da Faculdade em Buenos Aires está a tratar da questão.
Tenho amigos muito próximos da Direcção de Migrações. Eles dizem: a) que lá havia dificuldades administrativas, de carácter geral, que não têm relação com o seu assunto, b) que não conseguiram localizar o seu processo, c) que todos, incluindo o Director Geral, estão atentos e dispostos a ajudar.
Suspeito, nesta altura, que não se empenharam o suficiente e acabo de escrever outra carta a outro amigo, pedindo que intervenha e verifique: a) se se consegue localizar os telegramas n.° 49 (3/6/49) e n.° 85 (29/8/49), b) no caso contrário, como agir exactamente para refazer, se necessário, os trâmi¬tes para obrigar o processo a andar.
É muito aborrecido que as coisas se passem assim. Mas o que podemos fazer para o evitar? Pergunte, eventualmente, no Consulado, se têm outra possibilidade melhor de chegar a uma solução e se, eventualmente, o Cônsul pode escrever ao Director Geral de Migrações ou a quem quer que seja competente na linha administrativa.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 25 de Outubro de 1949]
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Acabo de receber resposta do meu amigo de Buenos Aires. Confirma o que me haviam escrito os outros amigos e que, no fim, nem quis acreditar. Passou quatro dias no Ministério das Relações Exteriores e na Direcção Geral de Migrações, falou com toda a gente, viu tudo pessoalmente, conhece agora os dados pessoais, etc., de todos os Monteiros que pretendem entrar no país, mas entre eles não se encontra nenhum António Monteiro, e nenhum telegrama.
Como nem nós, nem você, temos o número do processo que podia facilitar os trâmites, conseguiu, por fim, que telegrafassem do Ministério para o Rio para averiguar o que se passa. Prometem resposta dentro de dez dias.
Você deveria ir ao Consulado Argentino e verificar se eles receberam o telegrama do Ministério de Buenos Aires pedindo informação sobre o seu caso. Peça ao Cônsul e informe-se de quando responde (N. ° do telegrama, se possível).
No caso de o telegrama não chegar, há que ver com o Cônsul o que pode ser feito para iniciar um novo processo de visto, de modo que depois se possa encontrar o novo processo em Buenos Aires, controlando todos os passos burocráticos.
Lamento não ter notícias mais favoráveis, mas você pode acreditar que não era coisa fácil esclarecer o que fizeram.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de l1 de Novembro de 1949]
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Parto hoje, vapor Argentina, chego a Buenos Aires no dia 5.
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[Cartão de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 30 de Novembro de 1949]
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A morada de António Aniceto Monteiro indicada nestas cartas de Guido Beck é Rua Almirante Alexandrino 882, Ap. 204,St.a Thereza, Rio de Janeiro.

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Copiado de

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Ver ainda:
«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)
Brasil, 1948: «Isto é um inferno...» (Carta a Guido Beck, de 28 de Julho de 1948, proveniente do Rio de Janeiro)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Atestado médico de Lídia Monteiro (9 de Junho de 1928)

© Família de António Aniceto Monteiro

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Agradecimento da Câmara de Mossâmedes ao alferes Monteiro (21 de Dezembro de 1909)


© Família de António Aniceto Monteiro
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«Mais uma vez a Camara da minha presidencia tem o prazer e honra de agradecer a V.Excia. a preciosa coadjuvação que tão gostosa e desinteressadamente de ha muito lhe vem dispensando, quer na elaboração da planta da cidade, trabalho proficiente e completissimo, que só por si representa um alto valor de progresso e melhoramento para este municipio, quer na elaboração da planta do mercado, quer ainda nas varias vezes[?] em que a tem illucidado em trabalhos de especialidade, alta competencia e capacidade de V.Excia.
Tudo isso, que tanto trabalho tem revelado a par de profundos conhecimentos tecnicos, muito calculo, muita ponderação e estudo aturado, esta Camara já mais o esquecerá, e faltaria aos mais sagrados dos deveres de gratidão se lhe não demonstrasse, como demonstra, o seu alto reconhecimento e mais profundo agradecimento.
É para esta Camara de bem intensa magua a retirada de V.Excia d'esta cidade; e fazendo votos por uma feliz viajem, deseja que a fortuna e felecidade o galardôem sempre tão grandemente,  quanto os predicados de V.Excia o exigem.»

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Nota: A assinatura que se vê é, muito provavelmente, de Seraphim Simões Freire de Figueiredo, que seria, então, Presidente da Câmara (ver Fernando da Costa Leal, quinto governador de Mossâmedes (1854-1959)). Seraphim Simões Freire de Figueiredo e o alferes Monteiro foram padrinhos de casamento dos pais de Lídia Monteiro.
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No fim desse ano [1909], dá-se uma viragem na vida de António Ribeiro Monteiro e nunca mais regressou à construção dos caminhos de ferro. Em 27 de Dezembro de 1909, por opinião da junta de saúde, veio para Portugal. Desconheço se a família o acompanhou.
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O relatório finaliza com o parágrafo seguinte:
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

sábado, 27 de outubro de 2012

«Sus primeros trabajos» (texto de Roberto Cignoli)


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En junio de 1936 [Monteiro] recibe el título de Doctor en Ciencias Matemáticas, otorgado por la Facultad de Ciencias de la Universidad de París, por la tesis «Sur l’additivité des noyaux de Fredholm» [M3], que realizara bajo la dirección de Maurice Fréchet.
Sus primeros trabajos publicados [M1] y [M2], que datan de 1934, son notas en los «Comptes Rendus» de la Academia de Ciencias de París donde anuncia algunos de los resultados obtenidos durante la realización de su tesis.
Durante sus años en París, Monteiro estuvo en contacto con algunos de los líderes de la escuela francesa clásica de análisis, como E. Borel, H. Lebesgue, J. Hadamard. Pero al mismo tiempo fue testigo del progreso de las nuevas tendencias en el estudio de estructuras algebraicas y topológicas abstractas. Su director de tesis, Fréchet, había hecho grandes contribuciones a la teoría de los espacios abstractos (en 1906 introduce y desarrolla la noción de espacio métrico, y fue uno de los primeros en considerar medidas abstractas). Las ecuaciones integrales, tema de la tesis doctoral, son la principal motivación para la introducción de los operadores lineales compactos en espacios de Banach, cuya teoría había comenzado a desarrollarse. Contaba Monteiro que se reunía con sus compañeros (entre los que mencionaba a Jean Dieudonné) para estudiar el libro de van der Waerden sobre álgebra moderna, que acababa de publicarse.

[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.
[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.
[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.


[Excerto de] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro. In Encontro Luso-Brasileiro de Historia da Matemática, ed. Sergio Nobre, ACTAS, pág. 139-148 (1997).

domingo, 7 de outubro de 2012

O casamento dos pais de Lídia Monteiro: José Augusto Arthur Fernandes Torres e Augusta Amélia de Jesus Oliveira Faria




© Família de António Aniceto Monteiro 
Certidão de casamento, passada pelo padre António Moreira Basílio.
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José Augusto Arthur Fernandes Torres, «solteiro, de mais de trinta anos de idade, engenheiro, funcionário público, natural de Parada do Pinhão, concelho de Sabrosa, diocese de Braga, filho natural de Maria Fernandes Torres, proprietária, natural da freguesia de São João Baptista de Lamares, concelho de Vila Real, diocese de Braga...»
Augusta Amélia de Jesus Oliveira Faria, «solteira, doméstica, natural e moradora nesta freguesia, de vinte e um anos de idade, filha legítima de José Simões de Faria, natural da freguesia de Avellar, concelho de Figueiró dos Vinhos, diocese de Coimbra, comerciante, e de Dona Amélia ângela de Oliveira Faria, natural de Mossâmedes, de profissão doméstica...»
Foram testemunhas do casamento: «Seraphim Simões Freire de Figueiredo, solteiro, proprietário, e António Ribeiro Monteiro [pai de António Aniceto Monteiro], casado, oficial do exército do Reino, moradores nesta freguesia.»
Ver também:
 
 
O Eng. José Augusto Arthur Fernandes Torres foi aluno da Academia polytechnica do Porto, no ano lectivo 1889-1890; o mesmo se pode dizer para os anos 1892-1893 (ver Annuario: Volumes 15-17 ). Exerceu cargos de direcção nos caminhos-de-ferro em África (Angola e, talvez, Moçambique); ver:
 
Neste blogue:
 
 
Ver ainda: