terça-feira, 9 de janeiro de 2018

«A acompanhar esta vai um resumo do meu trabalho que, como a estas horas já sabe, sairá na Port. Math., e que está já impresso. (…) o meu doutoramento deve ser no fim de Julho e interessava-me muito (e ao Ruy também, que é um dos arguentes) saber a sua opinião e comentários a respeito.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 29 de Junho de 1946

(continua)
 -
Tese de Alfredo Pereira Gomes:
Introdução ao estudo de uma noção de funcional em espaços sem pontos

«Entretanto, o meu desejo é que V. vá encontrar no Brasil o acolhimento e a compreensão necessários para que o pleno desenvolvimento da sua obra lhe traga ao mesmo tempo o completo sucesso na sua vida.» – na carta de despedida de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 27 de Fevereiro de 1945

«Quero também dizer-lhe o quanto claramente sinto os benefícios da sua forte influência durante o período [em] que trabalhei sob sua orientação. (…) Confio em que, num dia não muito afastado, V. possa voltar a ser, mas em circunstâncias bem diferentes, o Camarada, o Amigo e o Orientador da juventude estudiosa portuguesa que, apesar de tudo, ela tem encontrado sempre em si.»» – na carta de despedida de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 27 de Fevereiro de 1945

(continua)

«Estou ainda de cama, no Hospital, e é-me portanto impossível ir a Lisboa, como desejava, dar-lhe um abraço de despedida. Em meu lugar vai esta carta testemunhando-lhe todo o meu reconhecimento e amizade segura…» – na carta de despedida de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 27 de Fevereiro de 1945

(continua)

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

«De facto, não lhe podemos oferecer, sobretudo como investigador, uma situação financeira brilhante. Mas esta pátria continua a ser “mãe pobre de gente pobre” embora, melhor ou pior, consoante os encargos de cada um, cá se vá vivendo. (…) Continuamos calorosamente a seu lado, na certeza do valor da sua possível colaboração na construção de um Portugal novo que seja, finalmente, nosso.» – carta de João Andrade e Silva para António Aniceto Monteiro, de 4 de Junho de 1975

  -

Carlos de Oliveira – Fernando Lopes Graça

Terra Pátria serás nossa,
mais este sol que te cobre,
serás nossa,
mãe pobre de gente pobre.

O vento da nossa fúria
queime as searas roubadas,
e na noite dos ladrões
haja frio, morte e espadas.

Terra Pátria serás nossa
mais os vinhedos e os milhos,
serás nossa,
mãe que não esquece os filhos.

Com morte, espadas e frio,
se a vida te não remir,
faremos da nossa carne
as searas do porvir.

Terra Pátria serás nossa,
livre e descoberta enfim,
serás nossa,
ou este sangue o teu fim.

E se a loucura da sorte
assim nos quiser perder,
abre os teus braços de morte
e deixa-nos aquecer.

«Tal possibilidade está-lhe garantida no Porto, dado que o Reitor Ruy Luís Gomes me pede para o informar que tem um lugar de catedrático para si na Faculdade de Ciências.» – carta de João Andrade e Silva para António Aniceto Monteiro, de 4 de Junho de 1975

(continua)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

«Creio que posso ainda desempenhar, com eficiência, as funções de investigador de que me fala o Pereira Gomes no seu telegrama, no qual anuncia também uma carta que conterá seguramente os detalhes que necessito para poder tomar uma decisão.» – carta de António Aniceto Monteiro para João Andrade e Silva, de 27 de Maio de 1975

«Depois de deixar os meus olhos postos no Tejo numa tarde de Fevereiro (…) de 1945, dois exílios quase sucessivos trouxeram-me à Argentina, em Dezembro de 1949, e aos 25 anos de trabalho neste país encontro-me ainda perplexo com a minha actual demissão, juntamente com outros colegas desta “Universidad del Sur”.» – carta de António Aniceto Monteiro para João Andrade e Silva, de 27 de Maio de 1975

«De qualquer modo, mesmo este IAC moribundo já não é o velho IAC – e nós, os da geração seguinte, ainda não esquecemos, entre tantos outros casos, como ele se comportou para consigo – e são homens que invocam um ideal de progresso que por ele hoje respondem. Muito concretamente, estamos consigo hoje como ontem.» – carta de João Andrade e Silva para António Aniceto Monteiro, de 19 de Maio de 1975

«Importa, sim, que este país é finalmente o seu país e que aqui todas as portas lhe estão abertas.» – carta de João Andrade e Silva para António Aniceto Monteiro, de 19 de Maio de 1975

(continua)