A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) e o jornal Ciência Hoje (CH), decidiram lançar um concurso designado por “Dos 0 aos 100 – Histórias de Cientistas”, numa iniciativa conjunta que tem em vista a divulgação da história e património científico da República, recordando acontecimentos, realizações alcançadas em diversos campos científicos e, mais concretamente, evocando os seus protagonistas.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
terça-feira, 10 de novembro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
“Eles foram de facto valores «sonegados» ao país” [Bento de Jesus Caraça]
Outra razão ainda, não menos forte, me leva a escrever esta carta. É a acusação extremamente grave que V. Ex.a faz aos antigos bolseiros do Instituto para a Alta Cultura.
No dizer de V. Ex.a, apesar das «extraordinárias facilidades» que se lhes proporcionaram, deles não surgiram os «trabalhos de valor positivo que impusessem os seus autores» e enfileiram hoje ao lado daqueles que «não realizaram trabalho útil ou porque o não quiseram ou não souberam produzir ou porque cometeram o crime de reservar para os seus partidos o que de direito pertencia à Nação», daqueles que «não exibem títulos à confiança do povo português – ou porque os não possuem, ou porque os sonegaram».
Estamos assim em face de uma situação singularmente pitoresca – a de um conjunto de homens, entre os quais antigos bolseiros, que, ou são incapazes ou, não o sendo, se dedicaram à tarefa diabólica de sonegar os seus próprios títulos, de reservar os seus trabalhos para os seus partidos. Espectáculo, na verdade, singular – este, que trabalha em matemática, vá de sonegar uns teoremas da teoria dos conjuntos e enterrá-los em segredo nos cofres do partido X; aquele, que se dedica à Física Atómica, sonega resultados sobre a desintegração do núcleo e leva-os em não menor segredo para as arcas secretas do partido Y. Quem sabe mesmo se nalguma cave bafienta e soturna do partido Z, não estava já há muito tempo sonegada a bomba atómica... E por toda a parte, nas posições estratégicas da ciência, da arte, da filosofia, etc., etc., uns cidadãos sinistros sonegam para os partidos! tudo a sonegar. Que magistral panorama da nossa vida cultural, V. Ex.a conseguiu traçar – o panorama da universal sonegação! Ah! Ramalho Ortigão!
Sr. Sub-Secretário de Estado eu não sou nem fui bolseiro do Instituto para a Alta Cultura: sou talvez um «sonegador» embora sem a agravante de ter usufruído das «extraordinárias facilidades». Não sou nem fui bolseiro e não tenho procuração de nenhum deles para o defender, nem eles necessitam de quem os defenda. Mas há entre eles dois homens que não podem agora defender-se porque não estão em Portugal. Dois homens que são dos maiores valores intelectuais da sua geração – José Rodrigues Migueis e António Aniceto Monteiro.
Dois homens que foram bolseiros e quiseram dar honestamente ao seu país os frutos do seu trabalho e da sua capacidade; dois homens que o Estado não aproveitou, a quem não criou as mínimas condições de trabalho: dois homens que através das maiores dificuldades materiais lutaram heroicamente para poderem dar ao seu país, tudo aquilo de que eram capazes. José Rodrigues Migueis, esse querido e generoso Migueis, especializado na Bélgica em reeducação de crianças anormais, não conseguiu em Portugal, mais do que um lugar numa instituição particular onde lhe pagavam 400 escudos por mês. A António Aniceto Monteiro, matemático brilhante, doutor pela Sorbonne, não foi dado, como situação pública, mais que um lugar de assalariado do Instituto para a Alta Cultura para catalogar revistas!
Estes dois homens acabaram por ter de sair de Portugal, em procura de condições de vida e de trabalho. A respeito deles aplica-se com toda a justiça a palavra «sonegação». Eles foram de facto valores «sonegados» ao país. Por quem? pelos partidos?
Se V. Ex.a se tivesse previamente informado do que é a vida intelectual e material dos estudiosos do seu país, da atmosfera de dificuldades em que por vezes eles vivem, estou em crer que não teria lançado a monte, para cima daqueles que nobremente se lhe opõem em luta de ideias, a acusação indiscriminada de incapazes ou de desonestos. Ou seremos nós já tão irremediavelmente infelizes que não possamos fazer justiça aos nossos adversários?
Bento de Jesus Caraça: [Segunda e última parte da] Carta aberta ao Subsecretário de Estado das Corporações.
No dizer de V. Ex.a, apesar das «extraordinárias facilidades» que se lhes proporcionaram, deles não surgiram os «trabalhos de valor positivo que impusessem os seus autores» e enfileiram hoje ao lado daqueles que «não realizaram trabalho útil ou porque o não quiseram ou não souberam produzir ou porque cometeram o crime de reservar para os seus partidos o que de direito pertencia à Nação», daqueles que «não exibem títulos à confiança do povo português – ou porque os não possuem, ou porque os sonegaram».
Estamos assim em face de uma situação singularmente pitoresca – a de um conjunto de homens, entre os quais antigos bolseiros, que, ou são incapazes ou, não o sendo, se dedicaram à tarefa diabólica de sonegar os seus próprios títulos, de reservar os seus trabalhos para os seus partidos. Espectáculo, na verdade, singular – este, que trabalha em matemática, vá de sonegar uns teoremas da teoria dos conjuntos e enterrá-los em segredo nos cofres do partido X; aquele, que se dedica à Física Atómica, sonega resultados sobre a desintegração do núcleo e leva-os em não menor segredo para as arcas secretas do partido Y. Quem sabe mesmo se nalguma cave bafienta e soturna do partido Z, não estava já há muito tempo sonegada a bomba atómica... E por toda a parte, nas posições estratégicas da ciência, da arte, da filosofia, etc., etc., uns cidadãos sinistros sonegam para os partidos! tudo a sonegar. Que magistral panorama da nossa vida cultural, V. Ex.a conseguiu traçar – o panorama da universal sonegação! Ah! Ramalho Ortigão!
Sr. Sub-Secretário de Estado eu não sou nem fui bolseiro do Instituto para a Alta Cultura: sou talvez um «sonegador» embora sem a agravante de ter usufruído das «extraordinárias facilidades». Não sou nem fui bolseiro e não tenho procuração de nenhum deles para o defender, nem eles necessitam de quem os defenda. Mas há entre eles dois homens que não podem agora defender-se porque não estão em Portugal. Dois homens que são dos maiores valores intelectuais da sua geração – José Rodrigues Migueis e António Aniceto Monteiro.
Dois homens que foram bolseiros e quiseram dar honestamente ao seu país os frutos do seu trabalho e da sua capacidade; dois homens que o Estado não aproveitou, a quem não criou as mínimas condições de trabalho: dois homens que através das maiores dificuldades materiais lutaram heroicamente para poderem dar ao seu país, tudo aquilo de que eram capazes. José Rodrigues Migueis, esse querido e generoso Migueis, especializado na Bélgica em reeducação de crianças anormais, não conseguiu em Portugal, mais do que um lugar numa instituição particular onde lhe pagavam 400 escudos por mês. A António Aniceto Monteiro, matemático brilhante, doutor pela Sorbonne, não foi dado, como situação pública, mais que um lugar de assalariado do Instituto para a Alta Cultura para catalogar revistas!
Estes dois homens acabaram por ter de sair de Portugal, em procura de condições de vida e de trabalho. A respeito deles aplica-se com toda a justiça a palavra «sonegação». Eles foram de facto valores «sonegados» ao país. Por quem? pelos partidos?
Se V. Ex.a se tivesse previamente informado do que é a vida intelectual e material dos estudiosos do seu país, da atmosfera de dificuldades em que por vezes eles vivem, estou em crer que não teria lançado a monte, para cima daqueles que nobremente se lhe opõem em luta de ideias, a acusação indiscriminada de incapazes ou de desonestos. Ou seremos nós já tão irremediavelmente infelizes que não possamos fazer justiça aos nossos adversários?
Bento de Jesus Caraça: [Segunda e última parte da] Carta aberta ao Subsecretário de Estado das Corporações.
sábado, 27 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Homenagem no Colégio Militar
No dia 16 de Dezembro de 2008, o Colégio Militar recebeu a visita do Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (Prof. Doutor Nuno Crato) e do Vice-Presidente da mesma Sociedade, Prof. Doutor Miguel Tribolet de Abreu.
Ler o restante da notícia aqui.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Actas do IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
Digitalização de Jorge Rezende
Agradecimento a Luiz Monteiro
Agradecimento especial a Leticia Giretti
Ver:
Actas do IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
Centenario del Nacimiento de Antonio Monteiro
Bahía Blanca, 30 de mayo al 1ero de junio de 2007
terça-feira, 16 de setembro de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Actas do IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
Centenario del Nacimiento de Antonio Monteiro
Bahía Blanca, 30 de mayo al 1ero de junio de 2007
Centenario del Nacimiento de Antonio Monteiro
Bahía Blanca, 30 de mayo al 1ero de junio de 2007
Introducción
Conferencia inaugural
The mathematics of António Aniceto Monteiro RobertoCignoli.
Conferencias invitadas
Universal quasivarieties of algebras M.E.Adams,W.Dziobiak.
Sobre lógicas fuzzy basadas en t-normas y los resultados de Monteiro sobre las álgebras de Heyting simétricas Francesc Esteva, Lluís Godo.
Semi-Heyting algebras Hanamantagouda P. Sankappanavar.
Comunicaciones
Descomposición de la acción signada del grupo simétrico sobre sus transposiciones José Araujo.
Symmetric structure for closure algebras Patricio Díaz Varela.
A duality for monadic (n+1)-valued MV-algebras Marina Beatriz Lattanzi, Alejandro Gustavo Petrovich.
A remark on an approximate functional equation for ζ(s) Pablo Panzone.
On B-operator derivatives on non amenable nuclear Banach algebras C.C. Peña.
Conferencia de clausura
António A. R. Monteiro e a investigação em Portugal na década de 40 Elza Maria Alves de Sousa Amaral.
***
Copiado de IX Congreso Dr. Antonio Monteiro
terça-feira, 8 de julho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A Evolução Histórica da Ciência no Brasil, por José Leite Lopes
(...)Eu vou falar de matemáticos porque estamos aqui para fazer a história deles não é? Então vou falar deles... eu não sou historiador mesmo, sou só um observador do que está ocorrendo. Conheci Leopoldo Nachbin, um grande matemático meu amigo, talvez o primeiro matemático brasileiro que recebeu influências italianas de Gabriele Mammana, Acchile Bassi, além de Antonio Aniceto Monteiro e depois Marshall Stone e André Weil; Leopoldo Nachbin foi para os Estados Unidos e tornou-se um grande matemático, faleceu recentemente, foi talvez o primeiro matemático profissional da nova geração, ou pelo menos do que eu chamo de "nova geração", como se eu ainda fosse novo...
A EVOLUÇÃO histórica da ciência no Brasil. Rio de Janeiro: CBPF, 1998. 7p. (CBPF-CS-010/98).
Publicado também em Encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, 2 & Seminário Nacional de História da Matemática, 2. São Paulo, 23-26 mar. 1997. In: Anais... s.l., s.n., 1997. Full text
Publicado também em Encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, 2 & Seminário Nacional de História da Matemática, 2. São Paulo, 23-26 mar. 1997. In: Anais... s.l., s.n., 1997. Full text
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Maria Helena Vieira da Silva nasceu há 100 anos
Fotografia retirada de: aqui Carlos Scliar (1920-2001)
Sobre ao relacionamento de António Aniceto Monteiro, Leite Lopes, Arpad Szenes e Vieira da Silva, ver
Leite Lopes, grande amigo de António Aniceto Monteiro
Sobre ao relacionamento de António Aniceto Monteiro, Leite Lopes, Arpad Szenes e Vieira da Silva, ver
Leite Lopes, grande amigo de António Aniceto Monteiro
***
Relembro a figura de Antônio Aniceto Monteiro, matemático português que deu importante contribuição matemática no Brasil enquanto aqui esteve como professor na FNFi, até que pressões políticas oriundas do regime salazarista de Portugal tiveram força suficiente, nesta universidade, àquela época, para afastá-lo.
Lembro da Pensão Internacional de Santa Teresa no Rio de Janeiro, para onde fui em 1946, depois de casar-me assumir a cátedra na Faculdade Nacional de Filosofia. Ali estavam os Monteiro, o casal de pintores Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, mundialmente famosos, o pintor Carlos Scliar, o saudoso crítico de arte Rubem Navarra e os nossos vizinhos e amigos, os ceramistas Anna e Adolpho Soares, num ambiente onde pairava talvez a sombra de Isadora Duncan, que lá - dizem - havia se hospedado e para onde iam, freqüentemente, à noite, Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Heitor Grillo e Cecília Meirelles. Evoco o apoio que recebi na década de 1940 e 1950, dos conselheiros científicos da Embaixada da França, entre eles Madame Gabrielle Mineur, do Conselho Britânico. No Conselho Científico da Embaixada Americana no Rio de Janeiro, em 1969, devo a Mr. Hudson os esforços realizados para a minha partida para Pittsburgh.
Invoco na década de 1940, no Quartier Latin do Rio de Janeiro, o Catete, as discussões sobre cinema conduzidas por Vinicius de Moraes e Plínio Sussekind Rocha e as discussões com companheiros como Guerreiro Ramos, sobre Platão e Rainer Maria Rilke. Relembro encontros no gabinete de Simeão Leal, no Ministério da Educação; os encontros com colegas de outras especialidades na Faculdade Nacional de Filosofia - o que a velha instalação na cidade permitia -, como Roberto Alvim Correa, Manuel Bandeira, Josué de Castro Vieira Pinto, Hilgard Sternberg, Thiers Moreira, Maria Yedda Linhares, João Cristóvão Cardoso, Alceu Amoroso Lima, Vitor Nunes Leal, Oliveira Castro, Otto Maria Carpeaux - então chefe da Biblioteca da FNFi - e Júlio de Sá Carvalho. As discussões sobre filosofia com René Poirier, o grande epistemólogo da Sorbonne, A. Ratisbona e Iremar Pena. Aqui paro pois este relato.
sábado, 31 de maio de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Comemorações da Vida e Obra de Mira Fernandes
Digitalização de Jorge Rezende Comemorações da Vida e Obra de Mira Fernandes têm início em Lisboa
É já amanhã, quinta-feira, 17 de Abril, a inauguração das comemorações da vida e obra de Aureliano de Mira Fernandes, por ocasião dos 50 anos do seu falecimento. A cerimónia terá lugar pelas 10h30 no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Na ocasião, será lançado um selo comemorativo da efeméride e o primeiro volume das Obras Completas do ilustre matemático. As comemorações decorrem até 16 de Junho de 2009, e o encerramento terá lugar no Instituto Superior Técnico, onde também foi professor.
Cartaz:
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Fotografias:
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domingo, 6 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
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