quarta-feira, 26 de setembro de 2012

«Foi tirada em casa, pelo António, com a nossa máquina»


Agradecimentos ao Eng. Edgar Ataíde por estas e outras imagens
Digitalização de Jorge Rezende
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Postal de Lídia Monteiro para a irmã de António A. Monteiro, Maria de Lourdes Coutinho (Dezembro de 1935 (?))
A fotografia deste postal é a primeira em

Sur les berges de la Seine, Paris, années 1930

Photo: António Aniceto Monteiro
© Família de António Aniceto Monteiro

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Lídia Monteiro, por Arpad Szenes

Rio de Janeiro, anos 40
© Família de António Aniceto Monteiro

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Perguntado sobre a evolução das ciências matemáticas em Portugal, disse o prof. Monteiro que «o caminho dos matemáticos portugueses é emigrar. Isto é o que se observa» Agora, vêm eles para o Brasil, onde encontram uma segunda pátria. Não seria este, certamente, o desejo desses matemáticos se tivessem o auxílio que merecem».


Declarações do prof. Aniceto Monteiro

Encontra-se no Rio de Janeiro, a convite do Centro Brasileiro de Pcsquisas Físicas, o ilustre matemático português, prof. António Aniceto Monteiro. À sua chegada, em meados de dezembro, à capital federal, o ilustre cientista fez as seguintes declarações à imprensa:
«Não existe o intercâmbio luso-brasiletro. Portugal envia para o Brasil pessoas escolhidas por critério de ordem política, gente que não representa a inteligência portuguesa o que só serve, em geral, para aumentar o repertório do anedotário sobre os portugueses.
A lista dos intelectuais lusitanos perseguidos pelo fascismo é imensa, isto porque a inteligência portuguesa se mantém ao lado do povo, na luta contra o regime, que asfixia o país há 33 longos anos».
«Os alunos da escola primaria do meu país vestem, obrigatoriamente, o uniforme verde dos «lusitos» e os da escola secundaria o uniforme castanho da mocidade portuguesa. São obrigados a desfilar de mãos estendidas à fascista e marcham a passo do ganso. E os professores universitários são expulsos das suas cátedras, por manifestarem sua oposição ao regime asfixiante».

Cultura desenvolve-se em democracia
O prof. António Anitceto Monteiro veio ao Brasil, eomo acima dissemos, a convite do Centro Brasileiro do Pesquisas Físicas, instituição da qual é fundador, Já lecionou na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, de 1945 a 1948. Atualmente entá radicado na Argentina, contratado pela Universidade do Sul, para organizar um Instituto de Matemática. Tem 52 anos, nasceu em Mossamedes, na colônia portuguesa de Angola. Ê licenciado em Ciências Matemáticas pela Universidade de Lisboa e dou-tor pela Sorbonne; membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências, laureado pela Academia de Ciências de Lisboa com o Prémio Artur Malheiros.
«Preciso falar de política, porque o desenvolvimento da cultura só é possível quando existem as liberdades democráticas fundamentais» — declarou o prof. Antônio Monteiro. — «A maior riqueza de um país, são as imensas reservas de inteligência existentes nas amplas camadas populares, que só podem revelar-se numa atmosfera de progresso».

Matemáticos emigram
Perguntado sobre a evolução das ciências matemáticas em Portugal, disse o prof. Monteiro que «o caminho dos matemáticos portugueses é emigrar. Isto é o que se observa» Agora, vêm eles para o Brasil, onde encontram uma segunda pátria. Não seria este, certamente, o desejo desses matemáticos se tivessem o auxílio que merecem».

Censura
Disse, mais, que «em Portugal não existe nenhuma liberdade democrática fundamental». «Eu nunca votei em meu país. Os jornais estão submetidos à censura».
O prof. Antônio Aniceto Monteiro concluiu suas declarações lembrando a figura de Tiradentes, «exemplo que ilustra a ferocidade manifestada pela reação portuguesa, sempre que governou o país. Tiradentes deve estar sempre presente no espirito dos portugueses que desejam um Portugal livre e independente» — concluiu.

Artigo do «Portugal Democrático», nº32, 1960.
O documento aqui reproduzido consta do Processo 558/67-SR, NP-3577 (folha 40), do Arquivo da PIDE/DGS, relativo a António Aniceto Monteiro, existente na Torre do Tombo (IAN/TT).

terça-feira, 11 de setembro de 2012

RELATÓRIO sobre a situação do Doutor António Monteiro de Lisboa (Guido Beck, 19 de Maio de 1944)


RELATÓRIO
Sobre a situação do Doutor António Monteiro de Lisboa
 
Eu, abaixo-assinado, Prof. Dr. Guido Beck, tendo tido ocasião de conhecer a situação do Doutor António Monteiro em Lisboa durante a minha actividade em Portugal no decorrer do ano académico de 1942 e tendo tido, de seguida, ocasião de me ocupar do caso desse jovem sábio de talento excepcional, tenho a honra de declarar o que se segue:
1.° O Sr. António Monteiro é um jovem matemático português, que, depois de ter feito os seus estudos em Paris sob a direcção do Sr. Maurice Fréchet, soube atrair, pelos seus trabalhos de pesquisa, a atenção geral dos círculos universitários do seu ramo. O valor excepcional dos seus trabalhos sobre a teoria dos espaços abstractos foi-me confirmado pelo Sr. Maurice Fréchet (Paris) e pelo Sr. J. v. Neumann (Princeton, N. J.)
2.° Tendo ensinado ao mesmo tempo que o Sr. Monteiro, em Novembro de 1942, na Universidade do Porto, tive, eu mesmo, ocasião de seguir um dos seus cursos e de me aperceber das suas altas qualidades como professor e como investigador. Além disso, verifiquei, em Lisboa, que o Sr. Monteiro teve a iniciativa de fundar, com menos de 35 anos de idade, uma escola muito prometedora de jovens, dos quais um, o Sr. Hugo Ribeiro, é já bem conhecido entre os matemáticos e trabalha actualmente na Escola Politécnica (E.T.H.) em Zurique (Suíça).
3.° Pude aperceber-me que é, sobretudo pelo mérito pessoal do Sr. António Monteiro, que Portugal dispõe actualmente de um periódico de matemática moderna, a «PORTUGALIAE MATHEMATICA» que figura entre as revistas mais consultadas desse ramo da ciência. A organização da investigação científica noutros ramos, particularmente em física, foi muito influenciada e facilitada em Portugal pela actividade do Sr. Monteiro.
4. ° O Sr. António Monteiro conseguiu alcançar estes resultados espantosos apesar de dificuldades consideráveis. O êxito da sua actividade só foi possível devido à dedicação extraordinária e desinteressada pela investigação e por um certo apoio por parte de alguns meios universitários portugueses e do «Instituto para a Alta Cultura» em Lisboa que lhe tinha assegurado uma modesta situação como empregado na biblioteca do Instituto de Matemática da Faculdade das Ciências.
5.° Dado que as universidades portuguesas não estão em condições de oferecer ao Sr. Monteiro uma situação correspondente às suas capacidades e possibilidades adequadas ao aproveitamento do seu talento com pleno rendimento, M. v. Neumann, professor na Universidade de Princeton (U.S.A.), está empenhado, desde há vários anos, em chamar a atenção para o caso do Sr. Monteiro nos meios científicos no Brasil, indicando ao mesmo tempo, que o Sr. Albert Einstein (actualmente em Princeton) estava disposto a apoiar todas as diligências a favor do Sr. Monteiro.
6.° Dado o facto, que a inactividade cientifica do Sr. Monteiro representa uma perda real para a investigação em matemática e, em particular, uma perda insubstituível para a contribuição dos países ibéricos na matemática contemporânea, o Senhor Professor G. Wattaghin da Universidade de São Paulo e eu próprio esforçámo-nos, após a minha chegada à América há um ano, em encontrar uma situação apropriada para o sr. Monteiro, de preferência num pais de língua portuguesa. Tivemos a felicidade de encontrar o benévolo apoio do Sr. Director da Faculdade Nacional de Filosofia no Rio de Janeiro e o Sr. António Monteiro foi designado titular da cadeira de Matemática Superior na dita Faculdade, com a aprovação do Ministério da Educação Nacional no Rio de Janeiro. O Sr. Monteiro aceitou as condições que lhe foram propostas por intermédio da Embaixada do Brasil em Lisboa e recebeu a ordem, por parte desta, para que se aprontasse para uma partida imediata em Outubro último. Tendo vendido a sua casa e tendo preparado tudo para a sua partida próxima, aguarda, actualmente no Porto, com a sua família em condições extremamente penosas.
Dada a situação extremamente difícil do Sr. António Monteiro devido ao atraso da ordem definitiva a dar à Embaixada do Brasil em Lisboa para facilitar a sua partida, tomo a liberdade de me dirigir a Sua Excelência, Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro solicitando, com o apoio dos homens de ciência abaixo-assinados, que Vossa Excelência se digne usar a sua influência para assegurar uma continuação próxima dos trabalhos preciosos do Doutor António Monteiro dando as instruções necessárias relativas à viagem do Sr. Monteiro e da sua família.
Córdoba (Argentina), 19 de Maio de 1944.
Guião Beck m.p.

Nós, abaixo-assinados, tendo tomado conhecimento do relatório acima sobre a situação do Sr. António Monteiro em Lisboa, apoiamos calorosamente todas as iniciativas tendentes a assegurar as facilidades indispensáveis para a continuação a curto prazo dos trabalhos de investigação deste jovem sábio português:
E. Gaviola (Córdoba) m.p.
J. Rey Pastor (Buenos Aires) m.p.
B. Levi (Rosário) m.p.
A. Terracini (Tucumán) m.p.
M. Balanzat (San Luís) m.p.

sábado, 8 de setembro de 2012

1942: O ano das demissões de Celestino da Costa


Dr. Celestino e meu caro amigo
Soube pelo Corino do novo «incidente», e soube também — o que, de resto, estava previsto —, que se trata de uma nova amabilidade coimbrã que lhe não perdoa o famoso discurso1. Assim, pela força natural das coisas, ei-lo armado em chefe das hostes anticoimbrãs. E cá nos tem nas filas de combatentes. Pelo menos os campos defi­nem-se e um dia se verá...
(...)
Cumprimentos do velho amigo e admirador
salazar
1  Em 1942 Celestino da Costa disse num discurso na Câmara de Lisboa que esta, e não Coimbra, era a capital cultural do país. Isto originou reacção da Universidade de Coimbra que levou o ministro Mário de Figueiredo, oriundo da sua Faculdade de Direi­to, a demiti-lo de director da Faculdade de Medicina de Lisboa e de presidente do Instituto de Alta Cultura.
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Ver excerto da carta seguinte, aqui:
«venho neste momento exprimir-lhe a minha velha camaradagem»: carta de Abel Salazar a Celestino da Costa de 1942
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Prof. Celestino e meu caro amigo
A impressão produzida pelo caso da Alta Cultura é cada vez mais penosa. Amigos, inimigos e indiferentes são unânimes em reconhecer que esta mudança foi um desastre. O Tavares é um homem trabalha­dor, mas não tem nem a cultura, nem a larga experiência, nem o largo contacto e conhecimento dos meios científicos que o Prof. Celestino possui. A tudo isto acresce que o Cordeiro Ramos é um homem sem categoria intelectual nem moral. A todos os respeitos, um desastre. Dizem que o facto foi devido a uma vingança de Coimbra por causa de algumas frases no seu discurso da Câmara. Isto junto a um movi­mento germanófilo. Se assim foi, o retorno ofensivo de Coimbra é a mais completa justificação das suas frases e a descida moral e intelec­tual da Alta Cultura adquire um significado quase simbólico.
(...)
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Ler, ainda:
O Centro de Estudos Matemáticos do Porto numa carta de Abel Salazar a Celestino da Costa de 1942, ano da fundação do CEMP 
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Tudo reproduzido do livro, que se recomenda vivamente:
(Abel Salazar - 96 cartas a Celestino da Costa)
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Nota: Em 1942, Celestino da Costa viria a ser substituido no Instituto para a Alta Cultura por Gustavo Cordeiro Ramos (salazarista, hitlerófilo e germanófilo).
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Ver:

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

«por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados» (Carta de Bento de Jesus Caraça a Guido Beck, 1942)

Manuscrita (francês)
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13 de Dezembro de 1942
(...)
Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas.
[ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
E o seu fígado ?
Espero que já esteja completamente restabelecido
saudações amigas
(Bento de Jesus Caraça)
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Esta carta é a resposta, de Bento de Jesus Caraça, a outra, de Guido Beck, enviada do Porto:

Dactilografada (francês)
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7 de Dezembro de 1942
(...)
Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
(...)
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Copiado de

terça-feira, 4 de setembro de 2012

«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)

Manuscrita (francês)
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Rio, 19 de Junho de 1947
Meu caro amigo: Agradeço-lhe infinitamente as suas cartas de 13 e 14 deste mês. Recebi o envelope com os cr. $2.500,00 que enviou por intermédio do Albert, com muitos abraços e saudades. Agradeço-lhe. Vejo que você paga as suas dívidas, o que continua a ser um fenómeno extraordinário na época actual.
Deve conhecer, já, o que se passou em Portugal nestes últimos dias: 21 professores e assistentes da universidade foram expulsos. Em algumas especialidades foi um desastre. Em física, por exemplo; Valadares, Marques da Silva e Gibert! Penso que é preciso agir rapidamente para salvar esses cientistas.
Acabo de receber hoje uma carta de Flávio Resende, que era professor de Botânica da Faculdade de Ciências de Lisboa. É um dos nossos melhores botânicos. Ele estudou na Alemanha, durante 5 ou 6 anos. Há pessoas que o conhecem, em São Paulo, segundo o que ele diz: «Toledo de Piza da Escola de Agricultura, Luís de Queiroz e [Pavana] creio que do Instituto de Biologia de S. Paulo.»
É o primeiro apelo que recebo: ele pede-me para fazer qualquer coisa por ele. Começo por lhe escrever esta carta, para entrar em contacto com dois biólogos. Combine com Schenberg para eles o visitarem no seu Hotel. Penso que você não tem tempo para os procurar.
Por outro lado é necessário examinar a fundo as possibilidades de São Paulo para o caso de Valadares, Marques da Silva e Gibert. Peco-lhe que examine esta questão com Dami e Schenberg. Não será possível publicar em São Paulo um manifesto contra a demissão dos universitários portugueses, assinado pelos cientistas de São Paulo?
A situação, em Portugal, torna-se cada vez mais grave. Creio que é caso para se criar um Comité de Ajuda aos Cientistas Portugueses, com delegados em diferentes países. Coloquei o problema aqui e espero encontrar uma solução no prazo de uma semana. O que pensa você e Schenberg desta ideia? É necessário não apenas gritar contra todas estas perseguições mas também tentar ajudar as pessoas que tendo consagrado toda a sua vida à investigação, não têm mais a possibilidade de continuar os seus trabalhos dado que foram interditos de ter qualquer actividade pública. É um escândalo. Segundo um telegrama de hoje, Ruy Gomes também foi expulso por ter protestado contra a intromissão da polícia nos assuntos da universidade. Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.
O Comité de Auxílio aos Cientistas Portugueses em que falo acima deve ser na realidade um Comité de auxílio, que faça um trabalho paralelo mas independente do trabalho político. Estava a escrever em português, volto ao francês! Isso parece-me indispensável se queremos ser eficazes, ou seja se queremos, eficazmente, ajudar as pessoas em situação difícil. O Comité procuraria colocar as pessoas em qualquer país. O seu objectivo seria evitar que os investigadores em situação difícil sejam obrigados a interromper as suas actividades científicas. É um dever de solidariedade a cumprir. Pedi os curricula dos professores expulsos.
Depois poder-se-ia escrever a várias universidades de ajuda à pesquisa etc. Mas parece-me indispensável ter cientistas de prestígio no Comité. Estude as possibilidades em São Paulo. Quais são os cientistas indicados e dispostos a pertencer a este Comité. Escreva-me sobre esta questão o mais rapidamente possível.
Abraços para todos e para si do
(António Monteiro)
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Copiado de

Problemas da cultura matemática portuguesa


Problemas da cultura matemática portuguesa
António Aniceto Monteiro
(Professor da Universidade de San Juan, Argentina)


A caracterização da situação actual da cultura matemática portuguesa, o averiguar seus problemas fundamentais, determinar suas contradições, fracassos e debilidades, o determinar suas realizações e fundamentar suas esperanças, constitui um importante problema de carácter nacional. Trata-se de um problema de carácter nacional porque é um problema da cultura científica portuguesa e porque interessa o desenvolvimento da economia, o bem-estar social da população e a independência do país. Trata-se portanto de um problema de grande complexidade para o exame do qual se necessita da cooperação de um número considerável de estudiosos.
Uma das principais características da cultura matemática portuguesa é o seu atraso crescente em relação ao movimento matemático internacional, e é claro que esta situação é compatível com o desenvolvimento interno, mais ou menos lento, dessa cultura.
É de uma grande importância para o país a existência de estudiosos treinados nos métodos modernos do pensamento matemático, porque são susceptíveis de ser aplicados à resolução de variados problemas especiais que se apresentam em todos os sectores da vida. Trata-se de métodos potentes e fecundos de análise que podem conduzir o homem a conhecer a natureza para dominá-la e transformá-la em seu proveito e na perseguição de um tal objectivo o próprio homem necessariamente se modifica, como parte integrante da natureza.
Esta oposição entre o atraso crescente da cultura matemática portuguesa e a necessidade imperiosa do seu desenvolvimento rápido constitui um dos dados objectivos mais importantes do problema em estudo.
Os principais órgãos de difusão da cultura são as escolas superiores e é importante constatar que seus programas actuais de estudo não correspondem às necessidades do momento, devendo mencionar-se especialmente a organização da licenciatura em ciências matemáticas e as características dos respectivos doutoramentos. Nenhuma verdadeira vocação matemática pode deixar de ser diminuída perante uma tal orgânica de estudos, cristalizada em forma estável há dezenas de anos.
Os esforços que realizam alguns professores não alteram a situação de conjunto de tal licenciatura caracterizada por um conjunto rígido de cátedras de estudo obrigatório, com programas mais ou menos fixos, tudo sem nenhuma elasticidade, rígido e imóvel, sem contemplações pelas novas disciplinas que se vão criando e desenvolvendo. A tudo isto se deve agregar uma indiferença quase geral pelo pensamento original que se dissolve num ambiente hostil e sem estímulo, de onde resulta a ausência de bibliotecas matemáticas adequadas para o trabalho científico e de uma carreira para a investigação científica que encoraje as vocações.
Este panorama geral não sofre alterações, mesmo quando tivermos em conta certos factores construtivos:
– A actuação daqueles professores que, com o condicionamento referido, desenvolvem seus esforços com o objectivo de modificar a situação existente, dando o exemplo inestimável de uma vida dedicada ao estudo e ao ensino.
– A actividade do Instituto para a Alta Cultura que desde 1929 – quando se concretizou a sua criação, resultante de um vasto movimento de opinião que durou vários anos e que apontava o exemplo da Junta de Investigações Científicas de Madrid – tem fomentado o desenvolvimento dos estudos com a concessão de bolsas no estrangeiro e no país, criação de centros de estudo, subsídios a publicações, bibliotecas e laboratórios.
– O extinto Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, dependente do I.A.C., dirigido pelo saudoso professor Pedro José da Cunha com exemplar independência e seu grande carinho pelo desenvolvimento da matemática portuguesa, que encorajou um grupo de jovens a iniciar-se no trabalho de investigação.
– O extinto Centro de Estudos Matemáticos do Porto, dependente do I.A.C., dirigido pelo distintíssimo matemático Ruy Luís Gomes, a quem a cultura matemática portuguesa deve inestimáveis serviços e numerosas iniciativas. Constituía uma das maiores esperanças do movimento matemático português, com a sua eficiente orientação.
– A Portugaliae Mathematica e a Gazeta de Matemática, cuja publicação se deve à abnegação do Dr. Manuel Zaluar Nunes, a quem a cultura portuguesa fica devendo um exemplo do mais honroso merecimento e extremo valor – tem exercido conhecida influência no ambiente português e destacada repercussão internacional.
– A Junta de Investigação Matemática, que sob a direcção do ilustre matemático Aureliano de Mira Fernandes e de Ruy Luís Gomes, reúne estudiosos com o objectivo de fomentar os estudos matemáticos e promove publicações importantes, é uma chama em que vivem as esperanças de todos os que querem o florescimento da nossa cultura matemática.
Todas estas actividades, algumas das quais se interromperam por motivos extra-científicos com o consequente debilitamento da nossa cultura científica, constituem um destacado esforço de um pequeno número de estudiosos, para fomentar o desenvolvimento da investigação matemática, e se devemos reconhecer o merecimento de tão nobres actividades que alentam esperanças com fundamento, não devemos deixar de reconhecer que o panorama geral anteriormente referido se mantém, porque a direcção estratégica dos nossos estudos universitários não sofreu alterações.
Em nossa opinião, um dos problemas mais importantes da cultura matemática portuguesa é o da REFORMA DOS ESTUDOS MATEMÁTICOS. Seria necessário alterar substancialmente o quadro das disciplinas, a orgânica, a orientação dos estudos, os critérios da selecção e promoção do pessoal científico. Uma obra desta natureza não se improvisa, antes se prepara meticulosamente em artigos, debates, conferências e sobretudo com a formação de jovens investigadores com capacidade necessária para conduzir a cultura matemática portuguesa a um nível de tal natureza que a orgânica actual não possa subsistir. Sobre este ponto de vista os elementos construtivos a que nos referimos anteriormente têm desempenhado um papel fundamental, porque contribuíram, e continuam contribuindo, para a criação do ambiente geral em que as condições objectivas tornam possível e inevitável a transformação necessária. Podemos afirmar de um modo geral que a reforma dos estudos matemáticos é antes uma batalha em curso, do que uma batalha travada. Todos os insucessos devem ser considerados como temporários.
Creio que é de uma grande importância difundir a ideia de que toda a verdadeira reforma é o resultado de um esforço continuado e persistente, realizado por numerosos indivíduos, para atingir objectivos claros e bem definidos. A nossa juventude estudiosa tem, portanto, sobre os seus ombros uma pesada tarefa a realizar, e como os jovens estudantes de hoje serão os mestres de amanhã, neles devem residir todas as nossas esperanças e todas as nossas certezas.
Todos os esforços devem assim ser centralizados na preparação da juventude estudiosa para a investigação científica e para tal efeito é necessário criar a instituição que tenha esse objectivo específico.
Somos assim conduzidos a pensar que o problema principal do momento consiste na criação de um INSTITUTO PORTUGUÊS DE MATEMÁTICA que se dedique fundamentalmente à realização de trabalhos de investigação matemática e ao ensino da investigação matemática.
Esse Instituto deveria reunir o maior número possível de matemáticos portugueses com reconhecida capacidade para as tarefas referidas, seleccionados de acordo com o seu curriculum, e por ele deveriam ser contratados, em forma permanente ou temporária, especialistas estrangeiros que se tenham distinguido na formação de discípulos (sobretudo nos ramos de matemática que não são cultivados em Portugal). Ao mesmo tempo deveria ser criada uma carreira de investigador científico, com as respectivas promoções realizadas de acordo com os trabalhos de investigação publicados, e concedidas numerosas bolsas aos estudantes diplomados pelas Universidades e com vocação matemática.
Neste Instituto se formaria toda uma geração de estudiosos, de onde a Universidade deveria recrutar, no futuro, os seus quadros científicos. Se a criação de uma instituição da natureza que acabamos de indicar é de uma importância vital para o futuro da matemática portuguesa, e constitui uma velha aspiração do ambiente matemático português, não deixam de existir outras tarefas de grande importância como sejam a subsistência da Portugaliae Mathematica, da Gazeta de Matemática e das Publicações da Junta de Investigação Matemática, que se torna necessário assegurar por todas as formas.
A transformação da Sociedade Portuguesa de Matemática numa verdadeira Sociedade Científica, ampliando o número dos seus sócios, realizando Congressos Anuais para discutir os problemas do ensino secundário e superior, além das habituais conferências e comunicações, é outro problema que merece cuidadosa atenção, porque contribuirá para estimular os contactos pessoais, criando um ambiente de cooperação entre todos os matemáticos que é necessário concretizar. Essas reuniões, em que se procuraria congregar o maior número possível de matemáticos, deveriam ter um temário, tão amplo quanto possível, porque não existe nenhum aspecto da cultura matemática que não tenha o seu interesse.
Outro problema de primordial importância é o melhoramento do nível de vida dos matemáticos, sobretudo dos professores do ensino secundário e dos assistentes universitários.
A realização de cursos de férias, destinados aos professores para o aperfeiçoamento dos seus conhecimentos científicos, seria uma iniciativa de grande alcance, se fossem concedidas as facilidades de ordem económica indispensáveis.
De um modo geral o problema tem de ser encarado sob múltiplos aspectos, mas é claro que nunca devemos esquecer que o objectivo a atingir é a elevação do nível da cultura matemática portuguesa e que, portanto, a tarefa principal consiste em conduzir o maior número possível de estudiosos ao conhecimento do pensamento matemático moderno, encorajando aqueles que manifestem capacidade para o trabalho original.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lídia Monteiro: Mossâmedes (Angola), 31 de Outubro de 1910 - Bahía Blanca (Argentina), 7 de Maio de 2012

Faleceu, esta manhã, a viúva do Professor António Aniceto Monteiro, Lídia Monteiro, em Bahía Blanca, Argentina.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prefácio à Portugaliae Mathematica


A primeira revista portuguesa consagrada exclusivamente às Ciências Matemáticas foi o Jornal de Sciencias Mathematicas e Astronomicas, fundado, em 1877, pelo ilustre matemático Francisco Gomes Teixeira, de que foram publicados 14 volumes e que foi continuado em 1905 pelos Annaes Scientificos da Academia Polytecnica do Porto, publicados ainda sob a direcção do mesmo geómetra. Nos princípios deste século deixa, portanto, de existir em Portugal uma revista de carácter puramente matemático, precisamente na altura em que as ciências matemáticas iam entrar numa fase de grande desenvolvimento que nos vinte anos seguintes (de 1920 a 1940) toma o aspecto de uma corrente vertiginosa. É certo que durante este período se fundaram em Portugal várias revistas em que se publicaram trabalhos de matemática, mas a dispersão dos trabalhos portugueses de matemática por periódicos não especializados, nacionais ou estrangeiros, tem graves inconvenientes. O desenvolvimento da Ciência tem mostrado a necessidade imperiosa de se proceder a uma organização racional das publicações científicas. Na maior parte dos países não tem havido o cuidado de se proceder a uma tal organização com graves prejuízos para a Ciência, de uma maneira geral, e para a cultura dos diversos países, em particular. Julgamos por isso que o aparecimento  da revista Portugaliae Mathematica, consagrada exclusivamente às ciências matemáticas, contribuirá para o desenvolvimento dos estudos matemáticos em Portugal.
A Portugaliae Mathematica procurando arquivar nas suas páginas todos os trabalhos portugueses inéditos ou publicados nas revistas nacionais e estrangeiras contribuirá para dar uma idéia justa do movimento matemático em Portugal. A Portugaliae Mathematica procurará também contribuir para a cooperação internacional no campo das ciências matemáticas publicando trabalhos de matemáticos de outros países.
Ao Instituto para a Alta Cultura se deve a possibilidade de realização deste empreendimento, pelo auxílio financeiro e apoio moral concedidos desde o ano de 1936 em que se começou a impressão do primeiro fascículo desta revista.
O primeiro volume da Portugaliae Mathematica apareceu no período de 1937-1940. A partir do ano de 1941 será publicado um volume por ano com cerca de 300 páginas.
No período de organização da revista (1936-1940) houve que vencer inúmeras dificuldades. Quase desde a primeira hora encontrámos na cooperação dedicada de José da Silva Paulo um estímulo para a realização das primeiras tarefas. Mais tarde vêm em nosso auxílio Manuel Zaluar Nunes e Hugo Ribeiro, num momento em que as dificuldades e as tarefas se acumulavam. Uma distribuição racional do trabalho de organização deu nesse momento um impulso decisivo à revista. No momento em que termina a publicação do primeiro volume desta revista é justo recordar que esta tarefa se deve à dedicação destes três colaboradores  que, em centenas de horas de trabalho souberam montar e realizar os complexos serviços necessários a um empreendimento desta natureza.
Ao Pessoal técnico da «Imprensa Portuguesa» e em especial ao da «Sociedade Industrial de Tipografia Limitada» há que agradecer os esforços realizados no sentido de melhorar o aspecto gráfico desta revista.
Possa o Instituto para a Alta Cultura considerar como manifestação do nosso reconhecimento, os esforços que têm sido e continuarão a ser feitos no sentido de transformar esta revista num verdadeiro órgão da cultura matemática portuguesa.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os objectivos da Junta de Investigação Matemática


por António Aniceto Monteiro 

[Porto, 1944. Esta foi uma das Palestras da JIM lidas ao microfone da Rádio Club Lusitânia, corajosamente cedido pelo proprietário. Foram oradores: Ruy Luís Gomes, António Monteiro, Corino de Andrade, Branquinho de Oliveira, Fernando Pinto Loureiro, José Antunes Serra, António Júdice, Armando de Castro, Carlos Teixeira e Flávio Martins.]
O aparecimento da ciência moderna foi determinado pela revolução industrial do século XVIII e por isso o pensamento científico teve a sua origem na vida da Indústria e não na vida das Universidades.
As Universidades eram, nessa época, centros de cultura humanista impenetráveis ao Renascimento Científico. A educação e a Investigação científica eram realizadas em organismos especialmente criados para esse fim. As instituições cuja actividade mais ilustraram a história da ciência francesa, por exemplo, do século XVI até aos fins do século XIX foram: o Colégio do Rei (fundado em 1530) que mais tarde seria o Colégio de França, o Jardim do Rei, a Escola de Pontes e Calçadas, a Escola de Minas, o Observatório de Paris, a Escola de Artilharia, a Academia das Ciências, a Academia de Arquitectura, a Academia de Cirurgia, a Escola Politécnica, a Escola Normal Superior, etc., etc.
Só depois da revolução industrial ter posto em evidência a importância da ciência é que ela penetrou nas Universidades, com uma lentidão que arrepia quando considerada a distância. Para ilustrar esta afirmação, basta notar que nos princípios do século XIX (mais precisamente em 1802) se exigiam para a entrada na Universidade de Harvard, na América do Norte, conhecimentos de Aritmética que não iam além da regra de três simples, e que na Alemanha o ensino das matemáticas elementares só passou das Universidades para os liceus entre 1810 e 1830. Mesmo em França, é preciso chegar aos fins do século XIX para que, com a Terceira República, as Universidades possam rivalizar com as chamadas Grandes Escolas.
No século XX a investigação científica aparece como um factor que desempenha um papel de primeiro plano na estruturação da vida das nações.
Nos países em que as Universidades não estiverem directamente ligadas e interessadas na resolução dos problemas fundamentais da vida económica da Nação, elas não podem desempenhar o papel de centros propulsores do progresso científico. Por isso as Universidades dos países mais avançados modificaram profundamente a sua feição, durante o século XX, com a criação de Seminários, Institutos, Centros de Estudo e Laboratórios destinados a transformá-las em grandes centros de investigação.
O facto da actividade científica ter crescido vertiginosamente nas últimas décadas, deu origem a numerosos problemas de organização difíceis de resolver. Um dos problemas mais discutidos e dos mais importantes é o das relações entre o ensino e a investigação. É um facto indiscutível que as Universidades não podem, só por si, atacar a resolução de todos os problemas que a vida põe, à Ciência, em cada época. Por isso, entre as duas grandes guerras deste século, se acentuou a tendência para organizar a investigação científica como um serviço público independente. A criação recente em Portugal, da Estação Agronómica Nacional, é um exemplo particular desta afirmação. Trata-se na realidade da transposição duma prática corrente na vida das grandes empresas industriais, em que um pessoal cientifico especialízado realiza, em laboratórios e institutos especiais, as pesquisas necessárias à vida dessas empresas. Mas se pensamos que a investigação científica deve ser organizada como um serviço público independente, e que só assim ela pode ser eficiente, no mundo de amanhã, isto não quer dizer que ela deva ser um privilégio desses serviços.
Ser investigador é um dever de todo o cidadão consciente das suas responsabilidades perante a sociedade, porque ser investigador é adoptar uma atitude crítica, perante a vida e o conhecimento, para chegar a novas conclusões.
Mas é claro que para investigar, em certos capítulos da ciência, é necessária uma preparação especial, um longo treino, uma escola. As Universidades têm, sob este aspecto, um papel importante a desempenhar, mas para isso é necessário que o ensino não vise exclusivamente a transmissão de conhecimentos, isto é, que ele não seja um ensino erudito e portanto estéril e infecundo.
Existem, na realidade, investigadores sem qualidades para o ensino; mas nenhum professor poderá iluminar as suas lições com cores vivas e profundas se não tiver vivido os problemas que trata, se não tiver investigado na disciplina que professa.
Torna-se necessário coordenar a actividade das Universidades e dos Institutos de Investigação com o objectivo de aumentar o rendimento da produção científica e facilitar a formação de quadros de investigadores.
Para realizar o apetrechamento intelectual do nosso país, em condições que permitem orientar com eficiência as actividades económicas para a libertação material do homem, é necessário organizar um plano adequado em que a clareza de visão se alie à viabilidade de execução.
Vamos indicar, em breves palavras, a importância da cultura matemática no apetrechamento intelectual do país.
A matemática – ou a ciência do cálculoé um método geral de pensamento aplicável a todas as disciplinas e desempenha portanto um papel dominante na ciência moderna.
A grande obra científica do século XVII foi a organização da Mecânica numa ciência em que é possível prever os fenómenos por meio do cálculo matemático. Esta conquista, a que está ligado o grandioso nome de Newton, criou uma base científica segura para a ciência das máquinas a vapor; para citar um exemplo cuja importância é desnecessário realçar. A Química transformou-se, no século XVIII, numa ciência em que o cálculo é possível e esta grande conquista da ciência desse século, foi a base fundamental para o desenvolvimento da Indústria Química. No século XIX a Física Matemática criou as bases científicas necessárias para o desenvolvimento da grande indústria. O século XX será possivelmente o século da Biologia Matemática. Podemos, em qualquer caso, afirmar que assistimos a uma verdadeira matematização de todos os ramos da ciência.
A Matemática aparece assim como uma disciplina fundamental de cujo progresso depende, em grande parte, o desenvolvimento de muitas outras. Prestar a devida atenção a esta circunstancia não é um acto de justiça é antes um acto de prudência e elementar bom senso.
É difícil descrever, exactamente, o estado em que se encontra a cultura matemática portuguesa, mas o mais importante é, como se compreende facilmente, comparar o ritmo do seu desenvolvimento com o dos países mais avançados. Encarada a questão sob este aspecto crucial, podemos afirmar que o movimento matemático português se caracteriza por um atrazo crescente em relação ao movimento matemático internacional.
No interesse da cultura, que é o interesse do país, é preciso olhar de frente para esta situação e tirar as consequências necessárias. Para desenvolver e actualizar a cultura matemática portuguesa, em condições que garantam a continuidade e eficiência da obra a realizar, é necessário subordinar essa tarefa a um plano de conjunto traçado com largas perspectivas.
Os matemáticos portugueses conscientes das suas responsabilidades perante o país e perante a cultura, resolveram unir-se para a realização das missões que o dever lhes impõe.
Em 4 de Outubro de 1943, um grupo – de investigadores portugueses fundou a Junta de Investigação Matemática e definiu os seus principais objectivos nos seguintes termos:
1.ºPromover o desenvolvimento da investigação matemática;
2.º  – Realizar os trabalhos de investigação necessários à economia da Nação e ao desenvolvimento das outras ciências;
3.°Sistematizar e coordenar a inquirição dos matemáticos portugueses;
4,°Vincular o movimento matemático português com o dos outros países e, em especial, com o dos países ibero-americanos;
5.° – Despertar na juventude estudiosa portuguesa o entusiasmo pela investigação matemática e a fé na sua capacidade criadora.
Os mesmos investigadores convidaram todas as pessoas interessadas a ingressarem neste agrupamento.
Estão hoje reunidos nesta Junta de Investigação Matemática a quase totalidade dos investigadores portugueses que têm dado provas de capacidade, grande dedicação e interesse efectivo pela desenvolvimento da cultura matemática portuguesa. Trata-se portanto duma organização que representa as forças vitais dessa cultura; o que revela a existência duma consciência profunda dos problemas da hora presente.
As ciências matemáticas tem um grande papel a desempenhar na construção dum Portugal feliz e progressivo, A Indústria, a Agricultura, a Metereologia, a Aviação, a Navegação, a Estatística, os Seguros, a Engenharia, as Finanças, são baseadas no cálculo matemático.
Criar as bases fundamentais para o aperfeiçoamento e actualização da nossa cultura matemática é uma tarefa gigantesca que só pode ser realizada por vontades disciplinadas que saibam subordinar o interesse individual ao interesse colectivo.
Quando os matemáticos portugueses, sem serem solicitados, sem serem forçados, mas animados do grande desejo de servir a Nação, fundaram a Junta de Investigação Matemática, disseram ao país; para cumprir os nossos deveres, estamos presentes.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lídia Monteiro: Mossâmedes, 31 de Outubro de 1910

Casamento com Lídia (António Monteiro e Lídia, noivos, no Campo Grande, Lisboa, 1928)



50 anos (Bodas de Ouro, 1979)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PRÉMIO ANICETO MONTEIRO 2010-2011, atribuído pelo Colégio Militar

Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro

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PRÉMIO ANICETO MONTEIRO 2010-2011:
8º ANO
- Aluno nº 198, JOSÉ PEDRO RIBEIRO GOMES
9º ANO
- Aluno nº 135, ARTUR MIGUEL FREIRE NASCIMENTO
- Aluno nº 196, NUNO MIGUEL LOPES RAPOSO
12º ANO
- Aluno nº 306, ALYKHAN NAVAZ MADATALI SULTANALI
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Ver:
PRÉMIO ANICETO MONTEIRO 2009-2010, atribuído pelo Colégio Militar