© Família de António Aniceto Monteiro
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Cravos para António e Lídia
Parque de Paz, Bahía Blanca, Argentina
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António Aniceto Monteiro: Mossâmedes (Angola), 31 de Maio de 1907 - Bahía Blanca (Argentina), 29 de Outubro de 1980
sábado, 27 de outubro de 2012
«Sus primeros trabajos» (texto de Roberto Cignoli)
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En junio de 1936 [Monteiro] recibe el título de Doctor en Ciencias Matemáticas, otorgado por la Facultad de Ciencias de la Universidad de París, por la tesis «Sur l’additivité des noyaux de Fredholm» [M3], que realizara bajo la dirección de Maurice Fréchet.
Sus primeros trabajos publicados [M1] y [M2], que datan de 1934, son notas en los «Comptes Rendus» de la Academia de Ciencias de París donde anuncia algunos de los resultados obtenidos durante la realización de su tesis.
Durante sus años en París, Monteiro estuvo en contacto con algunos de los líderes de la escuela francesa clásica de análisis, como E. Borel, H. Lebesgue, J. Hadamard. Pero al mismo tiempo fue testigo del progreso de las nuevas tendencias en el estudio de estructuras algebraicas y topológicas abstractas. Su director de tesis, Fréchet, había hecho grandes contribuciones a la teoría de los espacios abstractos (en 1906 introduce y desarrolla la noción de espacio métrico, y fue uno de los primeros en considerar medidas abstractas). Las ecuaciones integrales, tema de la tesis doctoral, son la principal motivación para la introducción de los operadores lineales compactos en espacios de Banach, cuya teoría había comenzado a desarrollarse. Contaba Monteiro que se reunía con sus compañeros (entre los que mencionaba a Jean Dieudonné) para estudiar el libro de van der Waerden sobre álgebra moderna, que acababa de publicarse.
[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.
[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.
[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.
[Excerto de] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro. In Encontro Luso-Brasileiro de Historia da Matemática, ed. Sergio Nobre, ACTAS, pág. 139-148 (1997).
Sus primeros trabajos publicados [M1] y [M2], que datan de 1934, son notas en los «Comptes Rendus» de la Academia de Ciencias de París donde anuncia algunos de los resultados obtenidos durante la realización de su tesis.
Durante sus años en París, Monteiro estuvo en contacto con algunos de los líderes de la escuela francesa clásica de análisis, como E. Borel, H. Lebesgue, J. Hadamard. Pero al mismo tiempo fue testigo del progreso de las nuevas tendencias en el estudio de estructuras algebraicas y topológicas abstractas. Su director de tesis, Fréchet, había hecho grandes contribuciones a la teoría de los espacios abstractos (en 1906 introduce y desarrolla la noción de espacio métrico, y fue uno de los primeros en considerar medidas abstractas). Las ecuaciones integrales, tema de la tesis doctoral, son la principal motivación para la introducción de los operadores lineales compactos en espacios de Banach, cuya teoría había comenzado a desarrollarse. Contaba Monteiro que se reunía con sus compañeros (entre los que mencionaba a Jean Dieudonné) para estudiar el libro de van der Waerden sobre álgebra moderna, que acababa de publicarse.
[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.
[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.
[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.
[Excerto de] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro. In Encontro Luso-Brasileiro de Historia da Matemática, ed. Sergio Nobre, ACTAS, pág. 139-148 (1997).
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
«Revelou as suas tendências para a investigação, quando ainda aluno da Faculdade de Ciências» (Um texto de Manuel Zaluar Nunes, de 1939)
António Monteiro, um dos novos de maior valor, revelou as suas tendências para a investigação, quando ainda aluno da Faculdade de Ciências com trabalhos que mereceram a atenção de alguns dos seus professores e o serem publicados nos Arquivos da Universidade de Lisboa. Terminado o curso logo procurou continuar os seus estudos o que lhe foi facilitado pela concessão de uma bolsa da Junta de Educação Nacional, havia pouco criada. Em Paris, para onde partiu, encontrou meio e condições de trabalho e conseguiu aquele incitamento e indicações necessários ao prosseguimento das suas investigações. Estas orientaram-se principalmente sobre a determinação das propriedades da equação integral de Fredholm, tendo introduzido a noção de aditividade de dois núcleos de Fredholm. Alcançou também resultados interessantes ao abordar certos problemas ligados à teoria das matrizes. As conclusões obtidas, resumidamente publicadas nos C. R. da Academia das Ciências de Paris, foram desenvolvidas e largamente ampliadas na tese que a convite do professor Maurice Fréchet, que muito o aprecia, apresentou em 1936 à Universidade de Paris onde obteve o grau de doutor.
Execerto de [Manuel Zaluar Nunes: Dr. António Ribeiro Monteiro. O Diabo, 1 de Julho de 1939]
Neste blogue:
No blogue RUY LUÍS GOMES:
sábado, 13 de outubro de 2012
Registo de casamento de António Aniceto Ribeiro Monteiro e Lídia Marina de Faria Torres
© Família de António Aniceto Monteiro
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Sobre as testemunhas do casamento, Costa Mota Sobrinho e Francisco Pinto da Cunha Leal, ver:
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Francisco Pinto da Cunha Leal era, provavelmente, amigo do pai de António A. Monteiro e/ou do pai de Lídia Monteiro e, consequentemente, da família, porque «no posto de tenente de Engenharia Militar, serviu em Angola, tendo sido nomeado chefe-de-brigada na Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Angola (1914 a 1915). »
António Augusto da Costa Mota Sobrinho era vizinho dos Monteiro pois morava na Rua Heliodoro Salgado, 5, 3º andar.
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Neste blogue:
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Intimação ao Tenente Monteiro, de 16 de Maio de 1912
© Família de António Aniceto Monteiro
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Esta «Intimação» dá resposta, nem que seja parcial, à pergunta implícita que se coloca em Angola e António Aniceto Monteiro:
«Não se percebe muito bem onde esteve e o que fez, exactamente, o tenente Monteiro, em 1911. Até ao fim da vida viveu sempre, muito provavelmente, em Mossâmedes e, em 1911, pode ter estado parcialmente ao serviço do caminho de ferro, embora não na sua construção, que estava parada.»
Nessa época o tenente Monteiro trabalhava na «firma comercial Figueiredo e Almeida».
Ver:
É provável que esta «firma comercial Figueiredo e Almeida» se refira à empresa aqui mencionada:
«Veio depois a Companhia de Pesca da Baleia, que se instalou em Praia Amélia. Fundou-se a fábrica de conservas Africana, cuja iniciativa se deve a Miguel Duarte de Almeida, iniciativa que tomou corpo com o apoio do grande colono Serafim Simões Freire de Figueiredo, sogro do primeiro, que meteu mãos à obra, fundando a fábrica.»
Miguel Duarte de Almeida era casado com Amélia Figueiredo Duarte de Almeida.
domingo, 7 de outubro de 2012
O casamento dos pais de Lídia Monteiro: José Augusto Arthur Fernandes Torres e Augusta Amélia de Jesus Oliveira Faria
© Família de António Aniceto Monteiro
Certidão de casamento, passada pelo padre António Moreira Basílio.
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José Augusto Arthur Fernandes Torres, «solteiro, de mais de trinta anos de idade, engenheiro, funcionário público, natural de Parada do Pinhão, concelho de Sabrosa, diocese de Braga, filho natural de Maria Fernandes Torres, proprietária, natural da freguesia de São João Baptista de Lamares, concelho de Vila Real, diocese de Braga...»
Augusta Amélia de Jesus Oliveira Faria, «solteira, doméstica, natural e moradora nesta freguesia, de vinte e um anos de idade, filha legítima de José Simões de Faria, natural da freguesia de Avellar, concelho de Figueiró dos Vinhos, diocese de Coimbra, comerciante, e de Dona Amélia ângela de Oliveira Faria, natural de Mossâmedes, de profissão doméstica...»
Foram testemunhas do casamento: «Seraphim Simões Freire de Figueiredo, solteiro, proprietário, e António Ribeiro Monteiro [pai de António Aniceto Monteiro], casado, oficial do exército do Reino, moradores nesta freguesia.»
Ver também:
O Eng. José Augusto Arthur Fernandes Torres foi aluno da Academia polytechnica do Porto, no ano lectivo 1889-1890; o mesmo se pode dizer para os anos 1892-1893 (ver Annuario: Volumes 15-17 ). Exerceu cargos de direcção nos caminhos-de-ferro em África (Angola e, talvez, Moçambique); ver:
Neste blogue:
Sobre o padre António Moreira Basílio:
Ver ainda:
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
1935: O ano da demissão de Abel Salazar (em cartas a Celestino da Costa)
No blogue RUY LUÍS GOMES:
1935: O ano da demissão de Abel Salazar (em cartas a Celestino da Costa) (1)
1935: O ano da demissão de Abel Salazar (em cartas a Celestino da Costa) (2)
1935: O ano da demissão de Abel Salazar (em cartas a Celestino da Costa) (3)
Tudo reproduzido do livro, que se recomenda vivamente:
(Abel Salazar - 96 cartas a Celestino da Costa)
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Ver ainda:
Neste blogue: Celestino da Costa . Abel Salazar
No blogue RUY LUÍS GOMES: Celestino da Costa . Abel Salazar
Universidade do Porto 100 Anos - A Expulsão de Abel Salazar
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Desenho do tenente António Ribeiro Monteiro: Torre
© Família de António Aniceto Monteiro
Este desenho foi feito, provavelmente, em Mossâmedes, no sul de Angola; seguramente, antes de 7 de Julho de 1915.
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Ver:
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Desenho do tenente António Ribeiro Monteiro: Árvore
© Família de António Aniceto Monteiro
Este desenho foi feito, provavelmente, em Mossâmedes, no sul de Angola; seguramente, antes de 7 de Julho de 1915.
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Ver:
domingo, 30 de setembro de 2012
Desenho do tenente António Ribeiro Monteiro: Cavalos
© Família de António Aniceto Monteiro
Este desenho foi feito, provavelmente, em Mossâmedes, no sul de Angola; seguramente, antes de 7 de Julho de 1915.
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(...)
Os animais eram muito utilizados e, para o transporte de militares, os cavalos eram o meio preferido e, até, imprescindível.
(...)
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
(...)
A estas linhas, escritas em 2007, poderíamos agora acrescentar que, também, na capacidade gráfica, na habilidade para o desenho, pai e filho se assemelham, como se pode ver aqui:
Ver ainda:
Memórias do Capitão (no sul de Angola em 1915): A FERRO E FOGO (3)
sábado, 29 de setembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979 (Alfredo Pereira Gomes)
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979
Alfredo Pereira Gomes
Desde 1945, António A. Monteiro não voltara a
pisar solo português, por um compromisso para consigo próprio
face à posição obscurantista, adversa
à livre criatividade científica e cultural do sistema que dominava a vida política e social portuguesa. Após o
restabelecimento dum regime democrático em Portugal em
25 de Abril de 1974, era aspiração dos
seus muitos amigos, antigos companheiros, discípulos e admiradores, que fossem criadas condições propícias ao
seu regresso senão definitivo pelo menos suficientemente
duradouro para que a nova geração de
matemáticos o conhecesse e beneficiasse da sua personalidade ímpar de investigador e promotor de escolas de
investigação. Alguns dos que com ele trabalharam antes
de 1945, iniciámos diligências nesse
sentido. Entretanto, impedimentos de ordem pessoal – designadamente a prisão de seu filho Luiz Monteiro,
durante mais de quatro meses – fizeram obstáculo a esse
desiderato. Somente no início de 1977
António A. Monteiro pôde voltar a Portugal, tendo aqui permanecido cerca de dois anos, como investigador do
Instituto Nacional de Investigação Científica (I.N.I.C.),
no Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais (C.M.A.F.)
das Universidades de Lisboa.
Há a registar que não foi simples o
desenvolvimento do processo para lhe criar uma posição actuante, como
investigador, dentro das estruturas
vigentes universitárias ou de investigação científica, pouco adequadas ao ingresso de investigadores. Na
correspondência com ele trocada
desde Janeiro de 1976 a tal respeito, transparece a sua perplexidade e até algum cepticismo.
Finalmente, em Outubro de 1976, com o seu
assentimento, foi dirigida ao
Secretário de Estado de Investigação Científica uma exposição propondo a contratação de António A. Monteiro como
investigador do I.N.I.C., a título excepcional e no
escalão mais elevado, para dedicar-se
exclusivamente à investigação e à difusão dos seus resultados. Esta exposição foi apoiada pelos professores de
matemática das Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto. Nela se fazia
ressaltar que António A. Monteiro fora o matemático
português que mais decisivamente
tinha contribuído para a renovação dos estudos matemáticos em Portugal e que a sua obra de investigação e
formação de discípulos tinha prosseguido
em centros universitários estrangeiros com assinalado êxito. Afirma-se ainda a convicção de que a presença
de António A. Monteiro em Lisboa
contribuiria grandemente para dar aos estudos em Álgebra da Lógica o lugar de destaque de que carecia entre nós e
para abrir uma via de investigação neste sector. Aquela
proposta teve despacho favorável do
Secretário de Estado, que na ocasião era um professor de matemática da Universidade de Lisboa.
A sua saúde frágil – obrigando-o embora a
cuidados médicos e curtos períodos de
repouso – não o impediu de desenvolver uma actividade intensa, iniciada logo após a sua chegada a Lisboa,
com o entusiasmo e a pertinácia que sempre lhe
conhecemos.
Quando no dia 31 de Maio o visitámos ao fim
da manhã, encontrámo-lo alegre, triunfante. Contou-nos que se
havia levantado cedo e que às nove horas
tinha enfim encontrado a demonstração dum teorema de que se ocupava havia três meses: «é o meu próprio
presente de aniversário», comentou. O septuagésimo!
Nesta singela anedota pode sintetizar-se a sua personalidade de matemático.
Homem de cultura integral, o seu interesse
não se confinava na investigação
matemática e afirmava-se infatigavelmente na leitura de obras literárias, de
história das ideias ou de sociologia. A nova Sociedade Portuguesa de Matemática recém-criada – fazendo
reviver aquela de que ele fora Secretário-Geral desde 1940 – captou
a sua atenção, e a sua intervenção foi decisiva, como
fundador da Portugaliae Mathematica,
para que esta revista se tornasse património
dessa Sociedade, tornando assim possível a continuidade da sua
publicação com novos editores e
renovados apoios.
No C.M.A.F. das Universidades de Lisboa,
dependente do I.N.I.C., criou
uma linha de investigação em Álgebra da Lógica e proferiu conferências sobre os seus trabalhos, atraindo
alguns discípulos, a quem propôs
temas de investigação e prodigou conselhos. Daí resultaram notas publicadas em revistas da especialidade e duas
teses de doutoramento.
A convite da Faculdade de Ciências da
Universidade do Porto, aí proferiu três
conferências em Julho de 1977, sobre «Álgebras de Boole cíclicas», «Álgebras de
Nelson finitas e lineares», «Aritmética dos filtros em espaços topológicos».
Muito interessado pelas aplicações do seu
domínio de investigação, manteve
contactos com engenheiros e docentes do Instituto Superior Técnico de Lisboa, em cuja revista «Técnica»
publicou um trabalho no número
dedicado à memória de Aureliano de Mira Fernandes.
Apesar da longa lista de artigos publicados,
certo é que, para António A. Monteiro,
era bem menos atraente redigir os seus trabalhos do que ocupar-se de problematizar as suas conjecturas e
encontrar as soluções. Por vezes nos falou disso e nos deu
a ocasião de instar com ele para
não adiar a divulgação dos seus resultados. Em carta de 5 de Junho de 1978, que nos enviou para Paris, escreve:
«Hoje tomei finalmente uma decisão importante: suspender
o trabalho de investigação e passar a
redigir. Estou realmente cansado e penso que mais vale tarde que nunca. Ainda fiz outro trabalho depois que
você saiu para Paris». E acrescentava:
«Estou realmente satisfeito com os resultados
da minha actividade científica em Portugal. Isto deve-se sobretudo ao Centro de
Matemática; (C. M. A. F.), que me proporcionou o tempo
livre para estudar. Entretanto, creio que fiz um
esforço superior às energias disponíveis na minha idade. Sinto que tenho de moderar a minha actividade. Fora isto, a única notícia suplementar é que ainda não fiz as
conferências na Faculdade de Ciências
de Lisboa, que propus no mês de Outubro; pela simples razão de que não as marcaram. Não há interesse ou não querem. Paciência! Não volto a insistir que já me dá
vergonha. Darei este mês uma série de
conferências na Faculdade de Ciências do Porto. A de Lisboa parece que não mudou muito com o tempo. O
peso da tradição é uma força
extraordinária. Nos 4 ou 5 anos que andei na Faculdade de Ciências como aluno, nunca ouvi falar de
«conferências» de matemática. Se
houve alguma não me lembro».
No verão desse ano, como incentivo para
completar a redacção dos seus trabalhos,
sugerimos a António A. Monteiro – de conivência com Lídia Monteiro, sua inigualável companheira – que
concorresse, com o trabalho que começara a redigir, ao
Prémio Gulbenkian de Ciência e Tecnologia 1978. Após
curta hesitação prosseguiu essa tarefa, afincadamente,
como em tudo o que empreendia. Quando terminou, pouco tempo antes do fim do prazo do concurso, disse para Lídia, displicentemente: «aí está, para te fazer a vontade e
ao Pereira Gomes...».
O Prémio foi-lhe conferido. Pode hoje
pensar-se que mais importante foi
porém a motivação que ele constituiu para António A. Monteiro contrariar o seu gosto prioritário pela
investigação e ter dado forma a essa
obra, «Sur les Algèbres de Heyting Symétriques», que, neste volume em sua homenagem, se publica.
Cremos caber aqui uma palavra de homenagem que
também é devida a sua esposa, pela constante dedicação
nas boas e más horas duma longa vida comum e pela lúcida e
carinhosa compreensão das exigências dum
trabalho científico absorvente e apaixonado como era o dele. Cremos que essa presença solícita foi de
grande significação para que – através
de tantas vicissitudes que povoaram a vida de ambos – António A. Monteiro tivesse conseguido dar realização plena à sua vocação e ao seu talento.
De regresso a Bahía Blanca a ligação com o
C.M.A.F. e as actividades matemáticas de Lisboa não se
desvaneceram. Mostra-o a correspondência que
manteve com alguns amigos ou discípulos daqui, cartas longas e de grande interesse, onde se refere, simultaneamente, por
vezes, às situações de Lisboa, às investigações matemáticas, aos seus
discípulos argentinos que de novo vêm ao seu encontro e a quem continua a encorajar e a propor temas de trabalho
matemático.
Em carta que nos dirigiu em 31 de Maio de
1979, encara a perspectiva de voltar a
Portugal, embora com hesitações. Menciona um período de doença aguda ultrapassada, para acrescentar:
«Comecei de novo a levantar-me às 4 ou 5 da manhã para
trabalhar. São tão lindos os
temas sobre os quais estou trabalhando, que não quero perder tempo». E descreve-os pormenorizadamente em 4 páginas
de letra cerrada.
A 5 de Dezembro do mesmo ano: «A grande
notícia que me manda é que parece ter
conseguido subsídios para publicar a Portugaliae Mathematica de 77, 78 e 79. Seria realmente muito importante que isso
se faça». E mais adiante: «...começo a perguntar
o que posso eu fazer em Portugal. Neste
momento [sublinhado] eu estou convalescente, não posso
regressar. Creio que o que têm a fazer é eliminar-me dos quadros do C.M.A.F. e depois veremos». Termina a carta
com um «post-scriptum»: «Avante com
a Portugaliae Mathematica».
Em 17 de Setembro de 1980 – mês e meio antes
de falecer – diz-nos a sua preocupação com o seu estado de
saúde. E comenta: «A única coisa que
fiz durante este largo período foi escrever à Isabel Loureiro [cuja tese de doutoramento começara a orientar em
Lisboa] sobre o seu trabalho, o que fiz com muito
esforço e sacrifício. Foram 52
páginas de matemática». E a seguir: «O objectivo principal desta carta é congratular-me com as excelentes notícias que
manda sobre a Portugaliae Mathematica. (...) Faltaria resolver o problema da Gazeta [de Matemática] que deveria entregar tudo à
Sociedade Portuguesa de Matemática».
Comovidamente pensamos que, não fora a sua
saúde muito precária, ele teria regressado à terra da sua
juventude, onde as suas iniciativas
constituíram, e permanecem, as linhas mestras do desenvolvimento matemático deste país. Apesar das fortes
amarras que o prendiam à Argentina, pelos elos familiares e pelo amor à Escola
Matemática que ali criou.
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