terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Título de isenção do serviço militar (4 e 22 de Outubro de 1943)

© Família de António Aniceto Monteiro
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Em Outubro de 1943, António Aniceto Monteiro preparava-se para sair imediatamente do país...
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No dia 11 de Setembro fui mobilizado como cadete de artilharia. Avisei a Embaixada. Ribeiro Couto aconselhou-me a escrever ao Embaixador. Fi-lo. A Embaixada procurou obter uma autorização para a minha partida por intermédio do ministro dos Negócios Estrangeiros. O médico do meu regimento enviou-me ao Hospital Militar Central onde fui submetido a um exame médico. Como eu tinha uma úlcera no duodeno fui considerado como incapaz para o serviço militar no dia 2 ou 4 de Outubro. Cerca do fim de Outubro quando estava no Hospital recebi um telegrama da Embaixada assinado pelo primeiro secretário, Ribeiro Couto. Dizia que: a Faculdade de Filosofia do Rio considera a sua colaboração como indispensável, e deu a ordem para reservar as suas passagens no primeiro barco.
Logo que saí do Hospital a Embaixada deu-me a ordem para preparar a minha partida para o fim do mês de Outubro, o mais tardar para os primeiros dias de Novembro.
Fiz tudo o que foi possível para arranjar tudo nos prazos fixados. Vendi tudo o que tinha na minha casa. As autorizações militares, ou seja a regula­rização da minha situação militar obtive-a em 15 dias (em geral isso leva um mês e meio e por vezes três meses). Tive o meu passaporte no dia 22 de Outubro.
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domingo, 2 de dezembro de 2012

O ano de 1943 e o exílio de Monteiro, em correspondência de Guido Beck

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Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
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[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 7 de Dezembro de 1942]
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Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas. [ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
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[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa)a Guido Beck (Porto), de 13 de Dezembro de 1942]
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Como vão as coisas com Monteiro? Não tenho tido notícias directamente ele. O seu assunto, vai resolver-se? Gostaria muito de o ver em boas condições gostaria muito de acelerar o seu convite para ir para a América.
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[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 28 de Janeiro de 1943. Nesta carta fica claro que Guido Beck se preparava para partir para a Argentina, com trânsito pelo Brasil]
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O caso do Monteiro está por agora resolvido e não se pode fazer nada, de momento pelo menos.
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[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa) a Guido Beck (Porto), de 3 de Fevereiro de 1943]
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Acabei de ver o Monteiro. Pessoalmente está bastante bem, mas, apesar de tudo, espero vê-lo brevemente na América onde poderá desenvolver todas as suas grandes qualidades.
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[Carta de Guido Beck (já em Lisboa) a Ruy Luís Gomes (Porto), de 24 de Fevereiro do 1943]
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Peço-lhe para informar Monteiro dos esforços que por aqui tenho desenvolvido: Não pude desembarcar no Brasil, e precisava, depois de várias cartas, mandar um telegrama para São Paulo, antes de contactar com o Sr. Wattaghin. E é por isso que tive de atrasar o telegrama. Faço, naturalmente, o impossível para acelerar as coisas. Monteiro está proposto para uma cadeira este ano, o ano passado isso não era possível, mas agora as condições são muito boas. Todavia, não se sabe quando é que o Ministério efectuará a nomeação. É por isso que haveria vantagem em que o Monteiro pudesse ir, independentemente das diligências oficiais, para o Brasil. Também falei para São Paulo, no sentido de enviarem a Monteiro um convite oficial para fazer uma conferência, caso seja possível, para facilitar a sua viagem. Seguidamente, pedi ao v. Neumann, em Princeton, para, entretanto, encontrar uma bolsa para Monteiro. E para me enviar uma carta de recomendação, o que facilitaria novas diligências. Aguardo. Estou em contacto com o Sr. Balanzat: poderemos fazer sondagens quer aqui quer no Peru. As hipóteses são grandes, mas a dificuldade estará em organizar a viagem em pouco tempo. Em todo o caso tenta-se...
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto), de l de Julho de 1943]
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Ainda uma mão cheia de novidades:
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2. A nomeação de Monteiro no Rio caiu cá como uma bomba. Todos ficam de boca aberta e diz-se: Mas Beck conseguiu! E tão rapidamente! Começam a compreender.
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[Carta de A. L. Fernandes de Sá (Porto) a Guido Beck (Argentina]
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DOUTOR GUIDO BECK OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO
CÓRDOBA ARGENTINA
GRANDE SATISFAÇÃO CONTRATO MONTEIRO STOP ESTOU COMUNICAÇÃO EMBAIXADA BRASILEIRA STOP PROCA CHEGOU A LISBOA GRANDE ABRAÇO
RUY GOMES
[Telegrama de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 7 de Agosto de 1943]
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MONTEIRO CONTRATADO COM APROVAÇÃO MINISTERIAL FACULDADE RIO DE JANEIRO STOP ROGO TOMAR O CONTACTO COM EMBAIXADA BRASILEIRA LISBOA QUE TRANSMITA CONTACTO
GUIDO BECK
[Telegrama de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto]
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Transmiti ao Dr. António Monteiro o conteúdo do vosso telegrama e já nos pusemos em contacto com a Embaixada do Brasil sobre o assunto mas até à data não tinham indicações nenhumas sobre os termos do respectivo contrato. Sei que telegrafaram imediatamente para o Rio de Janeiro a pedir instruções.
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[Carta de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina), de 25 de Agosto de 1943]
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NENHUMA DIFICULDADE SAÚDE EMBAIXADA ATRIBUI DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO CASA VENDIDA DESEMPREGO SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL INTERVENHA URGÊNCIA
ANTÓNIO MONTEIRO
[Telegrama de António Aniceto Monteiro a Guido Beck]
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Senhor Director,
Tomo a liberdade, desde já, de lhe pedir que aceite os meus agradecimentos mais calorosos por se ter dignado receber a Sr.a O. Deimlová e pela atenção em lhe ter dado as informações relativas ao caso do Sr. António Monteiro que ela me transmitiu. Agradeço-lhe, ao mesmo tempo o benévolo interesse que se dignou conceder ao Sr. Monteiro.
Transmiti de seguida as suas informações aos meus amigos em Portugal e acabo de receber o seguinte telegrama do Sr. Monteiro:
«EMBAIXADA ATRIBUI DEMORA DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO».
Concluí desse telegrama, que o Sr. António Monteiro está pronto a partir para tomar posse das suas funções na sua Faculdade e que todos os seus documentos de viagem estão em ordem. Suponho, que as dificuldades que o Sr. Monteiro eventualmente encontrou para obter a autorização indispensável para sair de Portugal foram superadas há alguns meses e que foram devidas a um simples mal-entendido. Seria, com efeito, espantoso que as autoridades portuguesas tivessem negado a Monteiro a autorização para assumir as suas funções se elas não tivessem a intenção de o reter em Portugal para lhe oferecerem uma cadeira equivalente àquela que lhe foi oferecida no Rio de Janeiro.
Por outro lado, sei que o Sr. Monteiro já preparou a sua partida, abandonando o seu apartamento em Lisboa etc. e receio que ele se veja colocado numa situação muito embaraçosa se a sua partida for consideravelmente atrasada. É por isso que tomo a liberdade de lhe pedir que se digne fazer as diligências úteis para assegurar uma partida próxima desse jovem sábio de talento excepcional. Além disso, coloco-me inteiramente ao seu dispor para fazer, pelo meu lado, as diligências que forem necessárias de modo a contribuir para solucionar rapidamente as dificuldades que ainda apareçam. Se se tratarem de dificuldades administrativas em Portugal, colocar-me-ei em contacto com os amigos que tenho em Portugal nas três universidades e nos ministérios logo que mas indique. Se, por outro lado, se tratam de dificuldades que podem ser resolvidas no Rio de Janeiro, preparei um relatório sobre a situação do Sr. Monteiro e sobre a sua capacidade científica que acabo de submeter aos professores de matemática das 6 universidades deste país e que tomarei a liberdade de lhe fazer chegar com as suas assinaturas para solicitar o apoio do Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro.
Na esperança que o seu interesse e o seu benevolente apoio permita assegurar dentro em pouco a continuação dos trabalhos de pesquisa de importância universalmente reconhecida do Sr. Monteiro e na esperança de poder assim contribuir para a grande obra das vossas instituições peço-lhe, Senhor Director, que creia na expressão dos meus sentimentos respeitosamente dedicados
(Prof. Dr. Guido Beck)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) ao Director da Faculdade Nacional de Filosofia, Francisco Clementino San Tiago Dantas (Rio de Janeiro), de 19 de Janeiro de 1944]
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Ver a carta seguinte:
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Ver ainda:

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Proposta do INIC, assinada por Miller Guerra (26 de Novembro de 1976)

© Família de António Aniceto Monteiro

PROPOSTA 

Considerando o alto mérito científico do Prof. Doutor António Aniceto Monteiro e o elevado interesse que terá para a cultura matemática e sua reintegração na actividade científica nacional conforme se comprova pelas exposições subscritas por matemáticos das Universidades de Lisboa, de Coimbra e do Porto, que se juntam; 
Considerando a actividade desenvolvida pela Prof. Doutor António Aniceto Monteiro no âmbito do então Instituto de Alta Cultura (bolseiro fora do País desde Julho de 1931 a Junho de 1936, bolseiro na País desde Julho de 1936 a Setembro de 1936, colaborador no serviço de Inventariação da Bibliografia Científica existente em Portugal desde Junho de 1937 a Dezembro de 1942 num total de cerca de 10 anos); 
O Instituto Nacional de Investigação Científica propõe, a título excepcional, a integração do referido Professor como investigador a tempo inteiro, no Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais das Universidades de Lisboa, com uma remuneração correspondente à letra D, como ê norma para os investigadores dos Centros de Investigação dependentes do INIC.

Lisboa, 26 de Novembro de 1976

O PRESIDENTE,
J. P. Miller Guerra
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O Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC) existiu entre 1976 e 1992, na dependência do Ministério da Educação e da Ciência. Resultou da extinção e repartição por dois serviços distintos das competências do Instituto de Alta Cultura: o INIC passou a deter competências ao nível da actividade de investigação científica (Decreto nº 538/76, de 9 de Julho de 1976); o Instituto de Cultura Portuguesa (hoje Instituto Camões) ficou com as competências inerentes ao ensino e à difusão da língua e da cultura portuguesa no estrangeiro (Decreto-Lei nº 541/76, de 9 de Julho de 1976).
Segundo o diploma de criação, o INIC tinha por missão contribuir para o fomento da investigação científica e para a formulação, coordenação e realização da política científica nacional, bem como colaborar na definição e execução dos planos de preparação do pessoal qualificado necessário ao desenvolvimento do país2. Neste âmbito, e pela leitura da legislação e da documentação produzida, sabemos que financiava projectos de investigação, bolsas individuais e unidades (ou centros) de investigação.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Registo de propriedade da PORTUGALIAE MATHEMATICA (10 e 13 de Outubro de 1942)


© Família de António Aniceto Monteiro
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No dia 2 de Outubro de 1978, foi tirada uma fotocópia autenticada deste documento, que pode ter servido para a transferência de propriedade da revista para a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM).
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Neste ano de 1942, Celestino da Costa foi demitido do cargo de presidente do Instituto para a Alta Cultura. A necessidade de efectuar este "registo de propriedade" pode estar relacionada com esse acontecimento. Veja:
1942: O ano das demissões de Celestino da Costa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Declaração de 3 de Setembro de 1936

© Família de António Aniceto Monteiro
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Certificado de registo criminal de 4 de Setembro de 1936


© Família de António Aniceto Monteiro

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Atestados médicos (de 1, 2 e 3 de Setembro de 1936)






© Família de António Aniceto Monteiro
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No início deste fatídico Setembro de 1936, António Aniceto Monteiro procurava concorrer a um lugar de actuário do Instituto Nacional do Trabalho; se obteve este lugar, ignoro. Uns dias depois, sairia o famigerado Decreto-lei n.º 27:003, de 14 de Setembro de 1936. Em virtude da imposição que este Decreto-lei determina, António Aniceto Monteiro perderia o seu lugar como assistente na FCUL, que ocupava, pago com uma bolsa do Instituto para a Alta Cultura.
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«Regressado ao País e mau grado o valor dos trabalhos que realizara no estrangeiro, não encontrou lugar no corpo docente de nenhuma das três Faculdades de Ciências do País. Passou então a viver com uma modestissima bolsa que o I. A. C. the concedeu; passados alguns meses, exigiram-Ihe, para poder continuar a ser bolseiro, a assinatura de um compromisso politico — que pessoa alguma Ihe havia imposto ao enviá-Io para o estrangeiro. Tendo-se recusado a assinar um compromisso que repugnava a sua consciência, deixou de ser bolseiro, e a sua vida e a dos seus decorreu, de aí em diante, em condições de dificuldade económlca que, por vezes, roçaram pela miséria.»

domingo, 18 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Atestado de bom comportamento moral e civil (de 18 de Julho de 1930)


© Família de António Aniceto Monteiro
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Este documento relaciona-se com o precedente, muito provavelmente. Como António Aniceto Monteiro ia concorrer a docente liceal precisava deste atestado. Ver:

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Declaração de António Aniceto Monteiro para concorrer a docente liceal (18 de Julho de 1930)


© Família de António Aniceto Monteiro
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Nota: No dia anterior, 17 de Julho de 1930, António Aniceto Monteiro tinha obtido a licenciatura em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
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Veja aqui o:
«Art. 5.° São absolutamente incompatíveis os lugares que tenham de ser desempenhados dentro das horas regulamentares dos serviços públicos.»
(Nota: Como se vê, o decreto é de 1 de Junho e não de 1 de Julho. É curioso que apareça "D.R." quando, naquele tempo, se chamava "Diário do Govêrno" e não "Diário da República"; anacronismo?)
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Ver ainda, neste blogue:

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pedido de certidão de matrícula (10 de Outubro de 1925)


© Família de António Aniceto Monteiro

Atestado médico de Lídia Monteiro (9 de Junho de 1928)

© Família de António Aniceto Monteiro

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Certidão de casamento, datada de 28 de Fevereiro de 1979 (Lisboa) e apresentada na Argentina, em 8 de Novembro de 1980




© Família de António Aniceto Monteiro
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8 de Novembro de 1980: António Aniceto Monteiro falecera menos de duas semanas antes.

Boletim de casamento apresentado no Rio de Janeiro


© Família de António Aniceto Monteiro

Esta fotocópia do boletim de casamento deve ser da mesma data de:
A certidão de nascimento que António Aniceto Monteiro apresentou no Rio de Janeiro no dia 24 de Março de 1945

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Extracto de Certidão de Baptismo (de António Aniceto Monteiro)

© Família de António Aniceto Monteiro
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António Aniceto Monteiro baptizou-se em 19 de Julho de 1929. Casar-se-ia dez dias depois.