(continua)
sábado, 9 de dezembro de 2017
«Como sabe, estou em Agronomia, o que deve tê-lo surpreendido. Com o doutoramento e com as complicações da minha vida o meu sistema nervoso foi-se abaixo. (…) Eu sabia que se manobrava na sombra. (…) Devo confessar-lhe que o meu primeiro dia de aulas em Agronomia me fez sentir o sabor amargo da derrota. Eu ali não posso fazer discípulos: é apenas o ganha-pão.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 8 de Fevereiro de 1953
«O pior é que, depois de regressar a Lisboa, fui apanhado nas rodas de uma engrenagem obsoleta, absorvido inteiramente pelos problemas do doutoramento e do concurso. (…) Mas o Köthe foi para mim de um cavalheirismo perfeito.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 8 de Fevereiro de 1953
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
«A M. Laura Mousinho esclareceu-nos um pouco mais acerca do que foi a sua acção no Rio de Janeiro e do ambiente que o rodeava. (…) Já na outra carta eu lhe dizia: a distância no tempo e no espaço tem-me levado a interpretar cada vez melhor as suas atitudes, a força do idealismo que o anima, a justeza dos seus pontos de vista, alguns dos quais, confesso, me chocaram a princípio.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 8 de Fevereiro de 1953
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
«Se eu conseguir manter-me aqui, creia que não pensarei apenas em mim: esforçar-me-ei, nos limites do possível, por dar continuidade à sua obra iniciada há dez anos e cuja vitalidade, apesar de tudo, tem sido muito superior ao que podíamos esperar. Pode dizer-se que Portugal só passou a existir, no domínio da Matemática, a partir da sua actuação.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 22 de Setembro de 1949
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
«O panorama que me traça da sua vida é análogo ao de numerosos amigos comuns. Trata-se evidentemente de coisas que não seriam possíveis num regime de liberdades democráticas… (…) De há ano e meio para cá, a minha vida tem sido um inferno.» - carta de António Aniceto Monteiro para Sebastião e Silva, de 28 de Agosto de 1949
«Escrevi ao Krasner, que me respondeu numa longa carta. O meu trabalho parece ter-lhe interessado, tanto assim que me propõe escrevermos um artigo em comum, confrontando as duas orientações. (…) Aconselha-me o Krasner a sair de Portugal» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 24 de Agosto de 1949
terça-feira, 28 de novembro de 2017
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
domingo, 26 de novembro de 2017
«A realidade de hoje é decerto bem mais dura do que a realidade de há dez anos. Eu não sou certamente o homem adequado às circunstâncias… (…) Resistência passiva é a táctica que tenho procurado adoptar e que não pouco me tem custado. (…) foram proibidas as reuniões na faculdade por ordem do ministério.» - carta de Sebastião e Silva para António Aniceto Monteiro, de 24 de Agosto de 1949
«Gazeta e Portugaliae. Receio pela vida destas duas revistas. (…) A consolidação destas duas revistas dependerá de resto em grande parte da existência de centros de estudo. (...) O que mais interessa ao desenvolvimento da matemática do nosso país, não é a existência de um ou outro matemático mais ou menos distinto, mas a existência de um grande número de profissionais dedicados ao estudo. Os centros a criar devem centralizar a sua actividade nessa direcção. Estudar, estudar e estudar. Os matemáticos aparecerão como consequência dessas actividades.» - carta de António Aniceto Monteiro para Sebastião e Silva, de 12 de Setembro de 1948
«Este ano tenho tido dificuldades. O meu contrato terminou em 15 de Março e a burocracia aqui é uma coisa espantosa. Estou há seis meses sem vencimentos. (…) Tenho estudado bastante e conseguido alguns resultados que vou começar agora a publicar» - carta de António Aniceto Monteiro para Sebastião e Silva, de 12 de Setembro de 1948
sábado, 25 de novembro de 2017
«A nossa juventude é susceptível de ser mobilizada para o trabalho científico, mas para isso é preciso trabalhar nessa direcção com coragem e persistência, mesmo que o caminho seja longo e duro. (…) O mais importante é não desanimar nas actuais circunstâncias. Retomar o trabalho de organização. Reúna-se com alguns amigos e façam uma análise séria da situação procurando encontrar o caminho a seguir. É indispensável que isto seja feito sem perda de tempo.» - carta de António Aniceto Monteiro para Sebastião e Silva, de 12 de Setembro de 1948
«O mais importante neste momento é portanto criar um centro de trabalho, levando a participar nas suas actividades todos os indivíduos com vontade de estudar e aprender. (…) Para fazer isto precisa em primeiro lugar de fazer uma autocrítica séria, para reconhecer os erros… (…) Acho que não está avaliando a situação com justiça, mesmo que existam amantes do fado e da bola em grande quantidade.» - carta de António Aniceto Monteiro para Sebastião e Silva, de 12 de Setembro de 1948
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