segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
«A ideia do Ministério, mais precisamente do Secretário de Estado da Investigação Científica e do Ensino Superior é nomeá-lo como professor universitário, com todo o tempo de serviço desde 1936 (data do seu afastamento do IAC por motivos políticos) de modo que ao atingir o limite de idade você fique com uma reforma a tempo completo. (...) Já falei a colegas para, sendo necessário, fazer o convite para a Fac. de Ciências no momento devido.» – excerto de carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 12 de Novembro de 1976
domingo, 18 de fevereiro de 2018
«Tive, na verdade, a grande satisfação, falando com o Tiago de Oliveira, que ele tomava muito a sério o caso da sua reforma, no limite de idade, contando com os anos todos como se tivesse exercido as funções que o regime deposto não lhe permitiu assumir.» – excerto de carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 20 de Outubro de 1976
sábado, 17 de fevereiro de 2018
«Outros antecedentes de outra natureza são a supressão da minha bolsa do IAC a que me referi na minha carta anterior, a não renovação do meu contrato na Fac. de Filosofia do Rio, pelas minhas actividades políticas (segundo me declarou o Calmon quando lhe fui pedir explicações). Este Calmon disse ao Prof. Cristóvão Colombo dos Santos que eu tinha escrito um artigo sobre a morte de Bento Caraça. Com grande indignação do Calmon, o Cristóvão fez a defesa do Caraça. Assim é a vida! Para terminar, o meu afastamento da Universidade do Sur. Nunca fiz mal a ninguém e sempre [me] dediquei ao trabalho com vigor e entusiasmo. E não me querem em nenhum lado. Porquê?» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 2 de Outubro de 1976
Neste blogue:
Cristóvão Colombo dos Santos
Calmon: Pedro Calmon
Bento de Jesus Caraça
«artigo sobre a morte de Bento Caraça»:
BENTO DE JESUS CARAÇA, por António Aniceto Monteiro - revista «FUNDAMENTOS» de Agosto de 1948
Cristóvão Colombo dos Santos
Calmon: Pedro Calmon
Bento de Jesus Caraça
«artigo sobre a morte de Bento Caraça»:
BENTO DE JESUS CARAÇA, por António Aniceto Monteiro - revista «FUNDAMENTOS» de Agosto de 1948
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
«Uma carta enviada por matemáticos de Buenos Aires ao Conselho Nacional de Investigações Científicas pedindo a minha incorporação à carreira de investigador do Conselho, que foi num primeiro momento decidida favoravelmente pelo Presidente do Conselho. Mas o Reitor daqui soube do assunto e enviou um delegado especial a B. Aires para sabotear o assunto o que [...] conseguiu com grande indignação do González Domínguez. Finalmente deram-me um subsídio mensal até ao fim de 1975. Assim é a vida! » – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 2 de Outubro de 1976
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
sábado, 10 de fevereiro de 2018
«Vejo que em Portugal não podem assegurar-me uma situação permanente como investigador científico. (…) Devo também recordar que em Julho de 1936 fui nomeado investigador do IAC e que em Outubro do mesmo ano deixaram-me cessante por não assinar a declaração do decreto 27.003 (que não tinha diga-se de passo efeitos retroactivos). Esta é mais uma razão para eu voltar à situação de investigador do IAC (40 anos depois!!!)» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 16 de Setembro de 1976
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
«Acabo de receber uma carta do Valadares na qual me diz que não encara o futuro em Portugal com pessimismo. (…) Que pensa você sobre a situação política em Portugal? (…) … e os arquivos da minha correspondência de 30 anos. Guardo todas as cartas que recebo e cópia das que escrevo. Não quero queimá-las.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 24 de Junho de 1976
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
«Não estou ainda completamente refeito dos desgostos que tenho tido… (…) Pelo que sei creio que a situação política em Portugal é muito instável. (…) Existe algum Instituto de Matemática em Portugal? Em que ficou o Inst. de Mat. e Física que pensavam criar em 1970?» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Maio de 1976
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
sábado, 3 de fevereiro de 2018
«Sobre o que contou do Luiz e secundando a actuação do Porto e de Coimbra, falei com os três Reitores que enviaram um documento telegráfico de que lhe envio fotocópia. Falei também com o Presidente da Academia das Ciências… (…) Finalmente encontrei-me também com o Presidente da Assembleia Constituinte, que escreveu ao Presidente do Senado o documento de que junto fotocópia.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 26 de Fevereiro de 1976
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
«… meu filho Luiz foi preso em Santa Rosa, juntamente com outros colegas da Universidad de la Pampa, no dia 21 de Novembro… (…) O Luiz foi transportado em avião, com outros colegas, para o Penal de Villa Devoto, em Buenos Aires, onde se encontra neste momento.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 14 de Dezembro de 1975
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
«Importação de científicos. Que se tem feito neste sentido? Não há socialismo possível sem investigação científica (incluindo a básica). Primeiro Ministro. Não vejo a necessidade de por o meu problema a tão alto nível. Afinal de contas é um problema sem importância. Se fosse indispensável fazê-lo seria preferível que não fosse a pessoa que se ofereceu, como me indica na sua carta.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Junho de 1975
«Eu e a Lídia já nos tínhamos acostumado à ideia de não vermos o fim do fascismo em Portugal e nos resignávamos com a ideia de terminarmos aqui os nossos dias, vendo crescer os netos. Foi então que chegou o dia 25 de Abril de 1974… (…) Nisto andávamos quando em 18 de Abril o Interventor desta Universidade resolveu demitir-me com efeito rectroactivo ao dia 1 de Abril. (…) Comecei então a tratar com urgência do problema da minha reforma.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Junho de 1975
Ver:
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
«Recebi o seu telegrama no dia 22 de Maio que me deixou profundamente emocionado. No dia 26 recebi uma carta do Prof João Andrade e Silva (escrita no dia 19) que com as suas palavras tão afectuosas e delicadas me fizeram viver um momento de características excepcionais na minha larga vida. Lembrei-me então que o IAC me deixou sem trabalho em 1936 (há 39 anos!) por não querer assinar a declaração do decreto 27 003.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Junho de 1975
Ver:
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
«Voltei a falar com o Andrade e Silva e com o Ruy e também com a Marieta que havia recebido uma carta do Valadares alertando-a para a necessidade de resolver rapidamente o caso que lhe criaram. (…) Consegui ontem à noite uma garantia do Andrade e Silva… (…) Soube de tarde pela Marieta que um recado foi enviado ao Álvaro para apoiar o seu caso. Eu entretanto tinha informado os colegas da Matemática em Lisboa sobre isto e já lhe assinalei que todos estavam dispostos a uma mobilização para apoiar diligências adequadas. Também ontem vi o Piteira Santos que me disse que, se necessário, poderia estabelecer contacto com o Presidente do Conselho para assegurar-lhe uma situação condigna no país.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975
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Andrade e
Silva: João Luis Andrade e Silva
Marieta: Marieta Amélia da Silveira
Valadares: Manuel Valadares
Álvaro: Álvaro Cunhal,
na época ministro sem pasta do IV Governo Provisório
Ruy: Ruy Luís Gomes
Piteira: Piteira Santos
Presidente
do Conselho: deve tratar-se do primeiro-ministro Vasco Gonçalves
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Ver ainda neste
blogue:
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«O Professor António Aniceto Monteiro após o seu Doutoramento em Paris, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, foi nomeado, em julho de 1936, investigador deste Instituto tendo sido em outubro do mesmo ano demitido pela honrosa razão de não assinar a declaração do conhecido decreto nº 27.003 ficando em consequência impossibilitado de prosseguir uma carreira docente universitária o que havia de o conduzir ao exílio anos mais tarde», carta da FCUL de 7 de Outubro de 1976
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