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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
«Recebi o seu telegrama no dia 22 de Maio que me deixou profundamente emocionado. No dia 26 recebi uma carta do Prof João Andrade e Silva (escrita no dia 19) que com as suas palavras tão afectuosas e delicadas me fizeram viver um momento de características excepcionais na minha larga vida. Lembrei-me então que o IAC me deixou sem trabalho em 1936 (há 39 anos!) por não querer assinar a declaração do decreto 27 003.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Junho de 1975
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
«Voltei a falar com o Andrade e Silva e com o Ruy e também com a Marieta que havia recebido uma carta do Valadares alertando-a para a necessidade de resolver rapidamente o caso que lhe criaram. (…) Consegui ontem à noite uma garantia do Andrade e Silva… (…) Soube de tarde pela Marieta que um recado foi enviado ao Álvaro para apoiar o seu caso. Eu entretanto tinha informado os colegas da Matemática em Lisboa sobre isto e já lhe assinalei que todos estavam dispostos a uma mobilização para apoiar diligências adequadas. Também ontem vi o Piteira Santos que me disse que, se necessário, poderia estabelecer contacto com o Presidente do Conselho para assegurar-lhe uma situação condigna no país.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975
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Andrade e
Silva: João Luis Andrade e Silva
Marieta: Marieta Amélia da Silveira
Valadares: Manuel Valadares
Álvaro: Álvaro Cunhal,
na época ministro sem pasta do IV Governo Provisório
Ruy: Ruy Luís Gomes
Piteira: Piteira Santos
Presidente
do Conselho: deve tratar-se do primeiro-ministro Vasco Gonçalves
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blogue:
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«O Professor António Aniceto Monteiro após o seu Doutoramento em Paris, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, foi nomeado, em julho de 1936, investigador deste Instituto tendo sido em outubro do mesmo ano demitido pela honrosa razão de não assinar a declaração do conhecido decreto nº 27.003 ficando em consequência impossibilitado de prosseguir uma carreira docente universitária o que havia de o conduzir ao exílio anos mais tarde», carta da FCUL de 7 de Outubro de 1976
«Interrompi esta carta pois o Ruy me telefonou anunciando ter recebido uma carta sua de 7/05, noticiando as diligências que González Domínguez, Santaló, etc. tinham feito para resolver a sua situação junto do Conselho Superior de Investigações.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
«Chegou-me pelo Vasconcelos a notícia de que V. havia sido afastado da Universidade de Bahía Blanca, bem como seu filho Luiz. Entretanto soube que do Porto já lhe haviam enviado telegrama oferecendo-vos todo o apoio para uma situação profissional que possa agradar-vos em Portugal. Falei hoje com o presidente do Instituto de Alta Cultura (o físico e meu amigo João Andrade e Silva)...» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975
(continua)
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«Estive em fim de Setembro no Rio, onde falei com o Danon, Darcy Ribeiro e Nachbin. Soube que o actual ministro dos assuntos exteriores é amigo velho do Leite Lopes, Darcy e Nachbin. Lembrei-me que seria oportuno tratar agora do seu antigo caso… (…) Falei nisso ao Danon, Darcy (que é assessor do ministro da educação e cultura) e ao próprio Nachbin, que tomou nota do assunto.» – excerto de carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 7 de Novembro de 1961
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Neste
blogue: Leopoldo Nachbin
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Nesta ocasião o Presidente da República
brasileira era João Goulart, o que explica o ambiente favorável a
Monteiro. Darcy Ribeiro tornar-se-á mais tarde Reitor da Universidade de
Brasília e Ministro da Educação do governo de João Goulart.
domingo, 28 de janeiro de 2018
«O problema da minha ida para o Rio não está ainda resolvido. Em primeiro lugar subsiste o problema do visto e portanto o da radicação no Brasil. (…) Tenho aqui um soldo de 600 dólares… (…) Além disso tenho casa grátis (…), a perspectiva de jubilar-me (reforma) dentro de um pequeno número de anos, bem como (…) uma pensão para Lídia em caso do meu falecimento (este último é o problema que mais me preocupa).» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 14 de Junho de 1961
«Acompanhei, junto com o Nachbin, o caso do seu visto e nunca pensei que isso pudesse acontecer. De resto as últimas notícias nos jornais confirmam que a prata portuguesa agrada a muita gente no Brasil.» – excerto de carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 21 de Novembro de 1959
sábado, 27 de janeiro de 2018
«Eu não posso ficar mais três meses no Brasil, creio que vou partir no dia 30… (…) A minha saúde anda mal. Estas coisas do Brasil e da Bahía [Blanca] provocaram uma nova crise de estômago. Enquanto o Salazar por intermédio do Itamarati me queria por na fronteira no prazo de 15 dias, o meu nome estava ausente numa lista de intelectuais portugueses perseguidos pelo fascismo de Salazar publicada no último número do Portugal Democrático. Estas coisas só a mim é que acontecem.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 11 de Novembro de 1959
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Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes (Poços de Caldas, 1959)
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
«Quando lá cheguei [a Portugal] o Ruy estava novamente preso. (…) Entretanto estava bastante interessado em redigir um curso (…) destinado aos alunos com o 2º ano da Fac. Cien. de Coimbra, a efectuar por iniciativa da Associação Académica de Coimbra… (…) E a miséria que vi nas terras onde estive no norte do nosso país, horrorizado e revoltado. (…) Tive por outro lado ocasião de ver que continua havendo quem reme corajosamente e com decisão contra esta maré.» – excerto de carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 21 de Outubro de 1950
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«Preso pela Sub-Directoria do Porto em 19 de Junho de 1950, para averiguações por actividades contra a segurança do Estado. Posto à disposição do Primeiro Juízo Criminal do Porto em 28 de Agosto de 1950. Restituído à liberdade condicional em 31 de Agosto de 1950, por ordem do Primeiro Juízo Criminal do Porto. Por despacho do Juiz do Primeiro Juízo Criminal do Porto, de 14 de Janeiro de 1951 foi despronunciado, aguardando o processo melhor prova. [Ver Fotografias de Ruy Luís Gomes feitas pela PIDE]. Preso, juntamente com Virgínia Moura, em Junho de 1950, acusado de dar cobertura legal a uma tipografia que a PIDE considerava clandestina. O juiz entendeu que não havia matéria para incriminação e foi posto em liberdade.»
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
«Há porém um jovem professor que consegui interessar pelo estudo da Álgebra Moderna: Orlando Villamayor. (…) O projecto de Instituto de Matemática foi aprovado pelo Departamento de Invest. Cient., mas depois disso pedimos a demissão desse organismo, que vai ser reestruturado.» – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 1 de Outubro de 1950
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
«A minha vida em Paris foi por várias vezes posta em sobressalto, já pela situação do meu irmão, já por outros motivos. (…) No ano passado não vim para Nancy, pensando que o Ruy viesse para Paris. (…) Junto lhe envio um recorte com o regulamento do concurso aberto pelo jubileu científico de Fréchet, onde encontrará as indicações de que precisa.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 10 de Fevereiro de 1950
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Na morte de Soeiro Pereira Gomes – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 10 de Fevereiro de 1950
(continua)
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Muito lhe
agradeço as palavras amigas da sua carta que hoje recebi. A simpatia e apreço
que testemunha pela memória do meu irmão são-me particularmente gratas. Ele
tinha-se tornado a meus olhos um alto exemplo de coragem e, para além do muito
que lhe queria, admirava-o por tudo o que ele conseguiu nestes últimos anos.
Foi um golpe terrível que aqui vivi sozinho, em horas amargas, a notícia da sua
morte. Consola-me pensar quanto foram úteis os seus sacrifícios e que a luta em
que se empenhou não terá sido em vão.
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