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domingo, 14 de janeiro de 2018
Manuel Balanzat de los Santos (Bargas, España; 31 de marzo de 1912 - Buenos Aires, Argentina; 16 de octubre de 1994)
Manuel Balanzat de los Santos (Bargas, España; 31 de marzo de 1912 - Buenos Aires, Argentina; 16 deoctubre de 1994)
«Por enquanto, aqui, tive apenas contacto com a Maria Valadares e alguns outros portugueses antifascistas, e com o Balanzat, que é do seu tempo aqui, e me tem falado de si com estima (mostrou-me, durante um passeio, a casa onde V. aqui morou). Foi o Zaluar que me deu uma carta de apresentação para ele.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 3 de Outubro de 1947
sábado, 20 de janeiro de 2018
«O meu contrato aqui no Rio tinha uma cláusula segundo a qual eu tinha direito a viagens ou antes a passagens de regresso a Portugal se terminasse o trabalho a contento da Faculdade. (…) Tudo isto me levou a escrever em 5 de Janeiro ao Director da Facultad de San Juan aceitando o convite… (…) No fim de Janeiro escrevi ao professor Pi Calleja, de San Juan, pedindo uma resposta urgente e ao Manuel Balanzat… (…) Aqui no Brasil eram realizadas démarches para me encontrarem uma situação em Belo Horizonte e São Paulo.» – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 16 de Abril de 1949
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Pere Pi Calleja
Pere Pi Calleja(Barcelona 19 de gener de 1907 – Barcelona 11 d’octubre de 1986)
...
L’exili cap a Argentina (1941-1949)
Pi Calleja decideix traslladar-se cap a Argentina on té una bona oferta de treball a la Universitat de Cuyo que li facilita Rey Pastor.
El país argentí serà punt de retrobament de molts matemàtics espanyols. Julio Rey Pastor havia arribat ja a Argentina el 1917. Allí es varen dirigir Ernest Corominas, Lluis Antoni Santaló Sorts i Manuel Balanzat dels Sants que arribarien el 1939, Esteve Terradas arribaria el 1940 i Pere Pi Calleja el 1942. No és doncs d’estranyar que amb tan importants avaladors científics com van
ser Rey Pastor i Terradas, a Pi Calleja se li obrissin les portes acadèmiques hispanoamericanes.
L’exili cap a Argentina (1941-1949)
Pi Calleja decideix traslladar-se cap a Argentina on té una bona oferta de treball a la Universitat de Cuyo que li facilita Rey Pastor.
El país argentí serà punt de retrobament de molts matemàtics espanyols. Julio Rey Pastor havia arribat ja a Argentina el 1917. Allí es varen dirigir Ernest Corominas, Lluis Antoni Santaló Sorts i Manuel Balanzat dels Sants que arribarien el 1939, Esteve Terradas arribaria el 1940 i Pere Pi Calleja el 1942. No és doncs d’estranyar que amb tan importants avaladors científics com van
ser Rey Pastor i Terradas, a Pi Calleja se li obrissin les portes acadèmiques hispanoamericanes.
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Finalmente, en Noviembre de 1948 Pedro Pi Calleja, otro emigrado español que trabajaba en Argentina, le escribió haciéndole saber que la Universidad de Cuyo le ofrecía una cátedra. Esa universidad cubría diversos institutos universitarios repartidos en las provincias de Mendoza, San Luís y San Juan, al borde de los Andes. Monteiro aceptó, lo que no significó el fin de sus dificultades.
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Eduardo L. Ortiz: Transferencias de Matemática Pura y Física Teórica de Portugal a Argentina en 1943-58: Beck, Monteiro y Ruy Gomes.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
terça-feira, 19 de junho de 2018
«Vejo pela sua carta que o Hugo não aceitaria aqui um contrato por um período largo, isto é, um ano ou dois. (…) Porém isto não significa que quando a Univ. tenha professores que assegurem os cursos regulares, não seja fácil trazer professores durante o período indicado.» – excerto de carta de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 19 de Março de 1958
domingo, 2 de dezembro de 2012
O ano de 1943 e o exílio de Monteiro, em correspondência de Guido Beck
===
(...)
Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
(...)
[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 7 de Dezembro de 1942]
===
(...)
Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas. [ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
(...)
[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa)a Guido Beck (Porto), de 13 de Dezembro de 1942]
===
(...)
Como vão as coisas com Monteiro? Não tenho tido notícias directamente ele. O seu assunto, vai resolver-se? Gostaria muito de o ver em boas condições gostaria muito de acelerar o seu convite para ir para a América.
(...)
[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 28 de Janeiro de 1943. Nesta carta fica claro que Guido Beck se preparava para partir para a Argentina, com trânsito pelo Brasil]
===
(...)
O caso do Monteiro está por agora resolvido e não se pode fazer nada, de momento pelo menos.
(...)
[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa) a Guido Beck (Porto), de 3 de Fevereiro de 1943]
===
(...)
Acabei de ver o Monteiro. Pessoalmente está bastante bem, mas, apesar de tudo, espero vê-lo brevemente na América onde poderá desenvolver todas as suas grandes qualidades.
(...)
[Carta de Guido Beck (já em Lisboa) a Ruy Luís Gomes (Porto), de 24 de Fevereiro do 1943]
===
(...)
Peço-lhe para informar Monteiro dos esforços que por aqui tenho desenvolvido: Não pude desembarcar no Brasil, e precisava, depois de várias cartas, mandar um telegrama para São Paulo, antes de contactar com o Sr. Wattaghin. E é por isso que tive de atrasar o telegrama. Faço, naturalmente, o impossível para acelerar as coisas. Monteiro está proposto para uma cadeira este ano, o ano passado isso não era possível, mas agora as condições são muito boas. Todavia, não se sabe quando é que o Ministério efectuará a nomeação. É por isso que haveria vantagem em que o Monteiro pudesse ir, independentemente das diligências oficiais, para o Brasil. Também falei para São Paulo, no sentido de enviarem a Monteiro um convite oficial para fazer uma conferência, caso seja possível, para facilitar a sua viagem. Seguidamente, pedi ao v. Neumann, em Princeton, para, entretanto, encontrar uma bolsa para Monteiro. E para me enviar uma carta de recomendação, o que facilitaria novas diligências. Aguardo. Estou em contacto com o Sr. Balanzat: poderemos fazer sondagens quer aqui quer no Peru. As hipóteses são grandes, mas a dificuldade estará em organizar a viagem em pouco tempo. Em todo o caso tenta-se...
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto), de l de Julho de 1943]
===
(...)
Ainda uma mão cheia de novidades:
(...)
2. A nomeação de Monteiro no Rio caiu cá como uma bomba. Todos ficam de boca aberta e diz-se: Mas Beck conseguiu! E tão rapidamente! Começam a compreender.
(...)
[Carta de A. L. Fernandes de Sá (Porto) a Guido Beck (Argentina]
===
(...)
DOUTOR GUIDO BECK OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO
CÓRDOBA ARGENTINA
GRANDE SATISFAÇÃO CONTRATO MONTEIRO STOP ESTOU COMUNICAÇÃO EMBAIXADA BRASILEIRA STOP PROCA CHEGOU A LISBOA GRANDE ABRAÇO
RUY GOMES
[Telegrama de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 7 de Agosto de 1943]
===
MONTEIRO CONTRATADO COM APROVAÇÃO MINISTERIAL FACULDADE RIO DE JANEIRO STOP ROGO TOMAR O CONTACTO COM EMBAIXADA BRASILEIRA LISBOA QUE TRANSMITA CONTACTO
GUIDO BECK
[Telegrama de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto]
===
(...)
Transmiti ao Dr. António Monteiro o conteúdo do vosso telegrama e já nos pusemos em contacto com a Embaixada do Brasil sobre o assunto mas até à data não tinham indicações nenhumas sobre os termos do respectivo contrato. Sei que telegrafaram imediatamente para o Rio de Janeiro a pedir instruções.
(...)
[Carta de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina), de 25 de Agosto de 1943]
===
NENHUMA DIFICULDADE SAÚDE EMBAIXADA ATRIBUI DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO CASA VENDIDA DESEMPREGO SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL INTERVENHA URGÊNCIA
ANTÓNIO MONTEIRO
[Telegrama de António Aniceto Monteiro a Guido Beck]
===
Senhor Director,
Tomo a liberdade, desde já, de lhe pedir que aceite os meus agradecimentos mais calorosos por se ter dignado receber a Sr.a O. Deimlová e pela atenção em lhe ter dado as informações relativas ao caso do Sr. António Monteiro que ela me transmitiu. Agradeço-lhe, ao mesmo tempo o benévolo interesse que se dignou conceder ao Sr. Monteiro.
Transmiti de seguida as suas informações aos meus amigos em Portugal e acabo de receber o seguinte telegrama do Sr. Monteiro:
«EMBAIXADA ATRIBUI DEMORA DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO».
Concluí desse telegrama, que o Sr. António Monteiro está pronto a partir para tomar posse das suas funções na sua Faculdade e que todos os seus documentos de viagem estão em ordem. Suponho, que as dificuldades que o Sr. Monteiro eventualmente encontrou para obter a autorização indispensável para sair de Portugal foram superadas há alguns meses e que foram devidas a um simples mal-entendido. Seria, com efeito, espantoso que as autoridades portuguesas tivessem negado a Monteiro a autorização para assumir as suas funções se elas não tivessem a intenção de o reter em Portugal para lhe oferecerem uma cadeira equivalente àquela que lhe foi oferecida no Rio de Janeiro.
Por outro lado, sei que o Sr. Monteiro já preparou a sua partida, abandonando o seu apartamento em Lisboa etc. e receio que ele se veja colocado numa situação muito embaraçosa se a sua partida for consideravelmente atrasada. É por isso que tomo a liberdade de lhe pedir que se digne fazer as diligências úteis para assegurar uma partida próxima desse jovem sábio de talento excepcional. Além disso, coloco-me inteiramente ao seu dispor para fazer, pelo meu lado, as diligências que forem necessárias de modo a contribuir para solucionar rapidamente as dificuldades que ainda apareçam. Se se tratarem de dificuldades administrativas em Portugal, colocar-me-ei em contacto com os amigos que tenho em Portugal nas três universidades e nos ministérios logo que mas indique. Se, por outro lado, se tratam de dificuldades que podem ser resolvidas no Rio de Janeiro, preparei um relatório sobre a situação do Sr. Monteiro e sobre a sua capacidade científica que acabo de submeter aos professores de matemática das 6 universidades deste país e que tomarei a liberdade de lhe fazer chegar com as suas assinaturas para solicitar o apoio do Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro.
Na esperança que o seu interesse e o seu benevolente apoio permita assegurar dentro em pouco a continuação dos trabalhos de pesquisa de importância universalmente reconhecida do Sr. Monteiro e na esperança de poder assim contribuir para a grande obra das vossas instituições peço-lhe, Senhor Director, que creia na expressão dos meus sentimentos respeitosamente dedicados
(Prof. Dr. Guido Beck)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) ao Director da Faculdade Nacional de Filosofia, Francisco Clementino San Tiago Dantas (Rio de Janeiro), de 19 de Janeiro de 1944]
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Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
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[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 7 de Dezembro de 1942]
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(...)
Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas. [ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
(...)
[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa)a Guido Beck (Porto), de 13 de Dezembro de 1942]
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(...)
Como vão as coisas com Monteiro? Não tenho tido notícias directamente ele. O seu assunto, vai resolver-se? Gostaria muito de o ver em boas condições gostaria muito de acelerar o seu convite para ir para a América.
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[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 28 de Janeiro de 1943. Nesta carta fica claro que Guido Beck se preparava para partir para a Argentina, com trânsito pelo Brasil]
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O caso do Monteiro está por agora resolvido e não se pode fazer nada, de momento pelo menos.
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[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa) a Guido Beck (Porto), de 3 de Fevereiro de 1943]
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(...)
Acabei de ver o Monteiro. Pessoalmente está bastante bem, mas, apesar de tudo, espero vê-lo brevemente na América onde poderá desenvolver todas as suas grandes qualidades.
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[Carta de Guido Beck (já em Lisboa) a Ruy Luís Gomes (Porto), de 24 de Fevereiro do 1943]
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(...)
Peço-lhe para informar Monteiro dos esforços que por aqui tenho desenvolvido: Não pude desembarcar no Brasil, e precisava, depois de várias cartas, mandar um telegrama para São Paulo, antes de contactar com o Sr. Wattaghin. E é por isso que tive de atrasar o telegrama. Faço, naturalmente, o impossível para acelerar as coisas. Monteiro está proposto para uma cadeira este ano, o ano passado isso não era possível, mas agora as condições são muito boas. Todavia, não se sabe quando é que o Ministério efectuará a nomeação. É por isso que haveria vantagem em que o Monteiro pudesse ir, independentemente das diligências oficiais, para o Brasil. Também falei para São Paulo, no sentido de enviarem a Monteiro um convite oficial para fazer uma conferência, caso seja possível, para facilitar a sua viagem. Seguidamente, pedi ao v. Neumann, em Princeton, para, entretanto, encontrar uma bolsa para Monteiro. E para me enviar uma carta de recomendação, o que facilitaria novas diligências. Aguardo. Estou em contacto com o Sr. Balanzat: poderemos fazer sondagens quer aqui quer no Peru. As hipóteses são grandes, mas a dificuldade estará em organizar a viagem em pouco tempo. Em todo o caso tenta-se...
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto), de l de Julho de 1943]
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(...)
Ainda uma mão cheia de novidades:
(...)
2. A nomeação de Monteiro no Rio caiu cá como uma bomba. Todos ficam de boca aberta e diz-se: Mas Beck conseguiu! E tão rapidamente! Começam a compreender.
(...)
[Carta de A. L. Fernandes de Sá (Porto) a Guido Beck (Argentina]
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(...)
DOUTOR GUIDO BECK OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO
CÓRDOBA ARGENTINA
GRANDE SATISFAÇÃO CONTRATO MONTEIRO STOP ESTOU COMUNICAÇÃO EMBAIXADA BRASILEIRA STOP PROCA CHEGOU A LISBOA GRANDE ABRAÇO
RUY GOMES
[Telegrama de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 7 de Agosto de 1943]
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MONTEIRO CONTRATADO COM APROVAÇÃO MINISTERIAL FACULDADE RIO DE JANEIRO STOP ROGO TOMAR O CONTACTO COM EMBAIXADA BRASILEIRA LISBOA QUE TRANSMITA CONTACTO
GUIDO BECK
[Telegrama de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto]
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(...)
Transmiti ao Dr. António Monteiro o conteúdo do vosso telegrama e já nos pusemos em contacto com a Embaixada do Brasil sobre o assunto mas até à data não tinham indicações nenhumas sobre os termos do respectivo contrato. Sei que telegrafaram imediatamente para o Rio de Janeiro a pedir instruções.
(...)
[Carta de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina), de 25 de Agosto de 1943]
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NENHUMA DIFICULDADE SAÚDE EMBAIXADA ATRIBUI DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO CASA VENDIDA DESEMPREGO SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL INTERVENHA URGÊNCIA
ANTÓNIO MONTEIRO
[Telegrama de António Aniceto Monteiro a Guido Beck]
===
Senhor Director,
Tomo a liberdade, desde já, de lhe pedir que aceite os meus agradecimentos mais calorosos por se ter dignado receber a Sr.a O. Deimlová e pela atenção em lhe ter dado as informações relativas ao caso do Sr. António Monteiro que ela me transmitiu. Agradeço-lhe, ao mesmo tempo o benévolo interesse que se dignou conceder ao Sr. Monteiro.
Transmiti de seguida as suas informações aos meus amigos em Portugal e acabo de receber o seguinte telegrama do Sr. Monteiro:
«EMBAIXADA ATRIBUI DEMORA DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO».
Concluí desse telegrama, que o Sr. António Monteiro está pronto a partir para tomar posse das suas funções na sua Faculdade e que todos os seus documentos de viagem estão em ordem. Suponho, que as dificuldades que o Sr. Monteiro eventualmente encontrou para obter a autorização indispensável para sair de Portugal foram superadas há alguns meses e que foram devidas a um simples mal-entendido. Seria, com efeito, espantoso que as autoridades portuguesas tivessem negado a Monteiro a autorização para assumir as suas funções se elas não tivessem a intenção de o reter em Portugal para lhe oferecerem uma cadeira equivalente àquela que lhe foi oferecida no Rio de Janeiro.
Por outro lado, sei que o Sr. Monteiro já preparou a sua partida, abandonando o seu apartamento em Lisboa etc. e receio que ele se veja colocado numa situação muito embaraçosa se a sua partida for consideravelmente atrasada. É por isso que tomo a liberdade de lhe pedir que se digne fazer as diligências úteis para assegurar uma partida próxima desse jovem sábio de talento excepcional. Além disso, coloco-me inteiramente ao seu dispor para fazer, pelo meu lado, as diligências que forem necessárias de modo a contribuir para solucionar rapidamente as dificuldades que ainda apareçam. Se se tratarem de dificuldades administrativas em Portugal, colocar-me-ei em contacto com os amigos que tenho em Portugal nas três universidades e nos ministérios logo que mas indique. Se, por outro lado, se tratam de dificuldades que podem ser resolvidas no Rio de Janeiro, preparei um relatório sobre a situação do Sr. Monteiro e sobre a sua capacidade científica que acabo de submeter aos professores de matemática das 6 universidades deste país e que tomarei a liberdade de lhe fazer chegar com as suas assinaturas para solicitar o apoio do Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro.
Na esperança que o seu interesse e o seu benevolente apoio permita assegurar dentro em pouco a continuação dos trabalhos de pesquisa de importância universalmente reconhecida do Sr. Monteiro e na esperança de poder assim contribuir para a grande obra das vossas instituições peço-lhe, Senhor Director, que creia na expressão dos meus sentimentos respeitosamente dedicados
(Prof. Dr. Guido Beck)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) ao Director da Faculdade Nacional de Filosofia, Francisco Clementino San Tiago Dantas (Rio de Janeiro), de 19 de Janeiro de 1944]
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Copiado do livro, que se recomenda vivamente, Cartas entre Guido Beck e cientistas portugueses, por Augusto J. S. Fitas e António A. P. Videira
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Ver a carta seguinte:
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Ver ainda:
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
«Estou redigindo as lições que fiz recentemente sobre a teoria dos reticulados. (…) Vocé deve entrar em franca cooperação com o Balanzat, que é um esplêndido camarada e um grande amigo meu. (…) Ponha-se em contacto com um pintor brasileiro Carlos Scliar… (…) Pode falar à vontade com ele.» – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 10 de Outubro de 1947
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Certidão sobre o imposto de renda para a concessão de visto em passaporte (5 de Julho de 1949)
© Família de António Aniceto Monteiro
===
(...)
Realmente acabei recebendo em meados de Maio um convite definitivo para San Juan, que aceitei. É o resultado dos esforços de vários amigos, entre os quais você figura, e por isso lhe quero enviar desde já um grande abraço de agradecimentos. Espero viajar em breve para a Argentina se não houver demora na concessão do visto, que foi pedido telegraficamente para a Direccion de Migraciones em Buenos Aires. Entretanto, estou preparando a minha viagem e espero não encontrar dificuldades. Estou muito cansado com o trabalho que tenho na companhia de aviação. Não consigo dar vencimento às cartas que tenho a escrever e por isso tenho que ser breve.
Estou desejoso de chegar a San Juan e recomeçar o meu trabalho.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l2 de Junho de 1949]
===
(...)
Não sei em que ponto está a tramitação do seu visto de entrada no país, para vir para San Juan.
Informei-me sobre o assunto em Buenos Aires e fiquei a saber, com satisfação, que não há nenhuma dificuldade de princípio na obtenção do seu visto, salvo as demoras burocráticas habituais.
Não será de modo nenhum difícil obter imediatamente o seu visto, mas, até agora não se pôde fazer nada a esse respeito, porque é impossível encontrar, na Direcção de Migrações, um processo sem saber exactamente o seu número.
No caso de demorar, e se o desejar, rogo-lhe que peça, no Consulado Argentino no Rio de Janeiro, o número exacto do seu processo, a data do seu envio para Buenos Aires e, eventualmente, outros dados que considerem úteis no Consulado e mós envie em seguida. Depois poder-se-á conseguir, em Buenos Aires, que a autorização correspondente seja dada imediatamente.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 8 de Julho de 1949]
===
(...)
A minha situação actual é a seguinte: 1) Tenho os meus passaportes prontos desde o início de Junho, 2) O visto permanente foi pedido pelo Consulado, pelo telegrama n.° 49 de 3 de Junho de 1949 e até hoje não veio resposta (paguei o telegrama respectivo com resposta paga), 3) A Faculdade enviou ao Consulado os termos do meu contrato, solicitando a concessão do visto, se não estou em erro, 4) Recebi este mês carta do Secretário da Faculdade de San Juan, informando-me de que Migraciones solicitara «todos los dados personales dei referido y sus familiares (nombres, edad, religión, estado civil y se ha sido antiguo residente». Julgo que deve haver algum desencontro, porque no telegrama do Consulado iam todos os dados necessários, 5) Dizia-me ainda o Secretário: «sem respecto a su [ilegível] a nuestra Faculdad, me es grato manifestar a usted que el contrato respectivo se encuentra a Ia firma dei Senor Rector de Ia Universidad». Fiquei surpreendido com esta notícia porque julgava o caso já arrumado. Se assim não fosse, não teria os meus preparativos de viagem quase prontos.
Por outro lado estou interessado em viajar com a brevidade possível. Toda a minha vida está arrumada para ir para San Juan e os meus garotos teriam grande vantagem em frequentar o segundo semestre em San Juan. O mais velho deixará de terminar aqui o curso de ginásio por uma questão de poucos meses. Toda a demora suplementar provocar-me-á prejuízos e começo a ficar fatigado com o atraso. Aceito por isso com grande prazer os seus bons ofícios para abreviar o prazo necessário para a concessão do visto.
Acho que não poderei viajar com um visto temporário (de turista) porque vou levar muita coisa comigo: uma estante, geladeira, rádio, vários caixotes com livros, etc., que é uma bagagem um pouco pesada para turista.
A propósito de bagagem, recebi uma carta, de sua prima Olga, nos princípios deste mês - a carta traz a data de 30 de Abril, mas deve ser engano - em que me pede para levar com os meus baús um ou dois dela, acrescentando: «sem libros y unas cosas pequenas».
Estou com a melhor boa vontade e disposto a satisfazer-lhe a vontade desde que as coisas a transportar não sejam susceptíveis de criar dificuldade na alfândega. A Lídia tratará na altura de preparar a nossa bagagem, de resolver esse problema.
Já escrevi ao Santalló pedindo-lhe para se interessar pela concessão do visto, mas segundo parece ele não possui conhecimentos influentes, em Buenos Aires.
Estou porém muito esperançado com a notícia que me dá de que se poderá conseguir imediatamente o visto.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 3l de Julho de 1949]
===
(...)
Espero que tenha recebido a carta que lhe escrevi recentemente, em que lhe pedia o seu auxílio para tratar do problema do meu visto. Recebi carta do Balanzat do 8 do corrente em que me comunica que falou com o Reitor. Este ia a Buenos Aires e prometeu ocupar-se pessoalmente do visto. Manda dizer que sabe a respeito do andamento do problema. Escrevi ao Pi Calleja e ao Santalló pedindo que tratassem do assunto. Seria necessário, segundo me parece, encontrar uma pessoa com influência capaz de resolver o problema em poucos dias.
Em qualquer hipótese mande-me notícias com a brevidade possível. A minha situação começa a tornar-se insustentável. Tenho tudo preparado para viajar, mas não posso fazer certas coisas antes de ter o visto. Espero entretanto que depois dele chegar me seja possível terminar os meus preparativos da viagem em poucos dias.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l6 de Agosto de 1949]
===
(...)
Hoje tivemos resposta de Buenos Aires.
O Interventor da Direcção Geral de Migrações declarou pessoalmente que não há inconveniente algum em lhe concederem o visto de entrada no país e que ele está disposto a dar solução favorável ao assunto logo que lhe seja submetido o processo. Mas... o processo não o encontraram e não encontraram o telegrama que você me referiu.
Nestas condições, e para não perder tempo esperando até se encontrar o processo, o melhor que você pode fazer é ir ao Consulado Geral Argentino no Rio de Janeiro e pedir, eventualmente com fundamento nesta carta, que enviem cópia do seu pedido de visto para a Direcção Geral de Migrações em Buenos Aires (talvez seja preferível que seja por carta via aérea) e você mandar-me, simultaneamente todos os dados correspondentes (N. ° do processo, data da carta, etc.) para que se possa encontrar a carta em Buenos Aires e para conseguir que lhe dêem andamento imediato.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 23 de Agosto de 1949]
===
(...)
Acabo de receber a sua carta de 23 de Agosto que muito lhe agradeço. Fui imediatamente ao Consulado para esclarecer os problemas de que me fala. O meu processo no Consulado consta das seguintes peças: 1) Telegrama n.° 49, de 3 de Junho de 1949, endereçado a «Migraciones», solicitando o visto. 2) Carta do Delegado Interventor da Faculdade de San Juan, dirigido ao Con¬sulado, com data de 2 de Junho, solicitando facilidades para a concessão do visto com a brevidade possível e dizendo que a Faculdade gostaria que eu chegasse em meados de Junho. Esta carta chegou ao Consulado no dia 7 de Junho. 3) No próprio dia 7 de Junho o Consulado telegrafou à Universidade de Cuyo, San Juan comunicando que o visto já tinha sido solicitado pelo telegrama n.° 49, de 5 de Junho, à Direccion de Migraciones. 4) Em 10 de Junho o Consulado escreve uma carta à Universidade confirmando o telegrama anterior (telegrama n. ° 23 do Consulado) que transcreveram, acusando a recepção da carta da Faculdade de 2 de Junho. Depois nada mais há. Na próxima segunda-feira, terei uma entrevista com o Cônsul, para ver se é possível esclarecer tudo isto.
A minha impressão no momento é a seguinte. O telegrama n. ° 49 deve andar perdido pela Direccion de Migraciones. Por outro lado deve haver uma diligência da Universidade junto da Migraciones solicitando o visto, independentemente do pedido feito por intermédio do Consulado.
Em 4 de Julho escreveram-me de San Juan, nota n. ° 853-M, dizendo que Migraciones solicitara à Facultad «Todos os dados personales dei referido - sus familiares: nombres, edad, religion, estado civil y si há sido antiquo residente». Esta carta expedida por via marítima, chegou com certo atraso. Respondi em 25 de Julho, por via aérea, enviando os dados solicitados. A Faculdade tem portanto todos os elementos necessários para localizar o pedido de visto. Tornarei a escrever na próxima 3.a feira (depois de amanhã), depois da minha entrevista com o Cônsul, informando-o do que se passa. Entretanto creio que poderia localizar o processo por intermédio de San Juan ou de Mendonça. Pedirei na 2.a feira ao Cônsul que me escreva uma carta a Migraciones, esclarecendo a situação e dir-lhe-ei o que houver a esse respeito.
Fico-lhe muito grato pelas eficientes démarches que tem realizado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 27 de Agosto de 1949]
===
(...)
Escrevi-lhe uma carta anteontem, hoje estive com o Cônsul. Peguei novo telegrama em que o Consulado pede o esclarecimento da situação. (Telegrama n.° 85, de 28 de Agosto de 1949). Nele se faz referência ao telegrama anterior n.° 49, de 3 de Junho de 1949. Segundo me declarou o Cônsul o número de um telegrama expedido pelo Consulado é largamente suficiente para localizar o pedido em Migraciones, acrescentando, é claro, que foi expedido pelo Consulado da Argentina no Rio e não é necessário indicar a data, basta o número de telegrama.
Creio que, pela minha parte, nada mais posso fazer, a não ser aguardar a [ilegível] do visto. Penso que a Universidade não tem actuado com a eficiência que seria necessária. Entretanto perdi um tempo preciosíssimo, fazendo parar todas as démarches que estavam em curso noutros países.
Não vou pôr imediatamente em andamento as démarches interrompidas, mas, nas condições actuais, acho que não devo recusar as oportunidades que me forem aparecendo. Há quatro dias atrás outra oferta me foi feita.
Sem romper os meus compromissos com San Juan entendo que não devo recusar definitivamente as propostas que recebi e começarei esta noite a tratar de uma delas. Guarde estas notícias para si. Entretanto devo dizer-lhe que neste momento ainda prefiro ir para San Juan, partirei imediatamente se o visto chegar antes de arrumar a minha vida para outro lado.
(...)
[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 29 de Agosto de 1949]
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(...)
O tempo passa, mas a solução não vem.
Não descurei o seu assunto. De San Juan escreveram-me dizendo que não sabem o n.° do seu processo, mas que o representante da Faculdade em Buenos Aires está a tratar da questão.
Tenho amigos muito próximos da Direcção de Migrações. Eles dizem: a) que lá havia dificuldades administrativas, de carácter geral, que não têm relação com o seu assunto, b) que não conseguiram localizar o seu processo, c) que todos, incluindo o Director Geral, estão atentos e dispostos a ajudar.
Suspeito, nesta altura, que não se empenharam o suficiente e acabo de escrever outra carta a outro amigo, pedindo que intervenha e verifique: a) se se consegue localizar os telegramas n.° 49 (3/6/49) e n.° 85 (29/8/49), b) no caso contrário, como agir exactamente para refazer, se necessário, os trâmi¬tes para obrigar o processo a andar.
É muito aborrecido que as coisas se passem assim. Mas o que podemos fazer para o evitar? Pergunte, eventualmente, no Consulado, se têm outra possibilidade melhor de chegar a uma solução e se, eventualmente, o Cônsul pode escrever ao Director Geral de Migrações ou a quem quer que seja competente na linha administrativa.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 25 de Outubro de 1949]
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(...)
Acabo de receber resposta do meu amigo de Buenos Aires. Confirma o que me haviam escrito os outros amigos e que, no fim, nem quis acreditar. Passou quatro dias no Ministério das Relações Exteriores e na Direcção Geral de Migrações, falou com toda a gente, viu tudo pessoalmente, conhece agora os dados pessoais, etc., de todos os Monteiros que pretendem entrar no país, mas entre eles não se encontra nenhum António Monteiro, e nenhum telegrama.
Como nem nós, nem você, temos o número do processo que podia facilitar os trâmites, conseguiu, por fim, que telegrafassem do Ministério para o Rio para averiguar o que se passa. Prometem resposta dentro de dez dias.
Você deveria ir ao Consulado Argentino e verificar se eles receberam o telegrama do Ministério de Buenos Aires pedindo informação sobre o seu caso. Peça ao Cônsul e informe-se de quando responde (N. ° do telegrama, se possível).
No caso de o telegrama não chegar, há que ver com o Cônsul o que pode ser feito para iniciar um novo processo de visto, de modo que depois se possa encontrar o novo processo em Buenos Aires, controlando todos os passos burocráticos.
Lamento não ter notícias mais favoráveis, mas você pode acreditar que não era coisa fácil esclarecer o que fizeram.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de l1 de Novembro de 1949]
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(...)
Parto hoje, vapor Argentina, chego a Buenos Aires no dia 5.
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[Cartão de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 30 de Novembro de 1949]
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A morada de António Aniceto Monteiro indicada nestas cartas de Guido Beck é Rua Almirante Alexandrino 882, Ap. 204,St.a Thereza, Rio de Janeiro.
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Ver ainda:
«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)
Brasil, 1948: «Isto é um inferno...» (Carta a Guido Beck, de 28 de Julho de 1948, proveniente do Rio de Janeiro)
Realmente acabei recebendo em meados de Maio um convite definitivo para San Juan, que aceitei. É o resultado dos esforços de vários amigos, entre os quais você figura, e por isso lhe quero enviar desde já um grande abraço de agradecimentos. Espero viajar em breve para a Argentina se não houver demora na concessão do visto, que foi pedido telegraficamente para a Direccion de Migraciones em Buenos Aires. Entretanto, estou preparando a minha viagem e espero não encontrar dificuldades. Estou muito cansado com o trabalho que tenho na companhia de aviação. Não consigo dar vencimento às cartas que tenho a escrever e por isso tenho que ser breve.
Estou desejoso de chegar a San Juan e recomeçar o meu trabalho.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l2 de Junho de 1949]
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Não sei em que ponto está a tramitação do seu visto de entrada no país, para vir para San Juan.
Informei-me sobre o assunto em Buenos Aires e fiquei a saber, com satisfação, que não há nenhuma dificuldade de princípio na obtenção do seu visto, salvo as demoras burocráticas habituais.
Não será de modo nenhum difícil obter imediatamente o seu visto, mas, até agora não se pôde fazer nada a esse respeito, porque é impossível encontrar, na Direcção de Migrações, um processo sem saber exactamente o seu número.
No caso de demorar, e se o desejar, rogo-lhe que peça, no Consulado Argentino no Rio de Janeiro, o número exacto do seu processo, a data do seu envio para Buenos Aires e, eventualmente, outros dados que considerem úteis no Consulado e mós envie em seguida. Depois poder-se-á conseguir, em Buenos Aires, que a autorização correspondente seja dada imediatamente.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 8 de Julho de 1949]
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A minha situação actual é a seguinte: 1) Tenho os meus passaportes prontos desde o início de Junho, 2) O visto permanente foi pedido pelo Consulado, pelo telegrama n.° 49 de 3 de Junho de 1949 e até hoje não veio resposta (paguei o telegrama respectivo com resposta paga), 3) A Faculdade enviou ao Consulado os termos do meu contrato, solicitando a concessão do visto, se não estou em erro, 4) Recebi este mês carta do Secretário da Faculdade de San Juan, informando-me de que Migraciones solicitara «todos los dados personales dei referido y sus familiares (nombres, edad, religión, estado civil y se ha sido antiguo residente». Julgo que deve haver algum desencontro, porque no telegrama do Consulado iam todos os dados necessários, 5) Dizia-me ainda o Secretário: «sem respecto a su [ilegível] a nuestra Faculdad, me es grato manifestar a usted que el contrato respectivo se encuentra a Ia firma dei Senor Rector de Ia Universidad». Fiquei surpreendido com esta notícia porque julgava o caso já arrumado. Se assim não fosse, não teria os meus preparativos de viagem quase prontos.
Por outro lado estou interessado em viajar com a brevidade possível. Toda a minha vida está arrumada para ir para San Juan e os meus garotos teriam grande vantagem em frequentar o segundo semestre em San Juan. O mais velho deixará de terminar aqui o curso de ginásio por uma questão de poucos meses. Toda a demora suplementar provocar-me-á prejuízos e começo a ficar fatigado com o atraso. Aceito por isso com grande prazer os seus bons ofícios para abreviar o prazo necessário para a concessão do visto.
Acho que não poderei viajar com um visto temporário (de turista) porque vou levar muita coisa comigo: uma estante, geladeira, rádio, vários caixotes com livros, etc., que é uma bagagem um pouco pesada para turista.
A propósito de bagagem, recebi uma carta, de sua prima Olga, nos princípios deste mês - a carta traz a data de 30 de Abril, mas deve ser engano - em que me pede para levar com os meus baús um ou dois dela, acrescentando: «sem libros y unas cosas pequenas».
Estou com a melhor boa vontade e disposto a satisfazer-lhe a vontade desde que as coisas a transportar não sejam susceptíveis de criar dificuldade na alfândega. A Lídia tratará na altura de preparar a nossa bagagem, de resolver esse problema.
Já escrevi ao Santalló pedindo-lhe para se interessar pela concessão do visto, mas segundo parece ele não possui conhecimentos influentes, em Buenos Aires.
Estou porém muito esperançado com a notícia que me dá de que se poderá conseguir imediatamente o visto.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 3l de Julho de 1949]
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Espero que tenha recebido a carta que lhe escrevi recentemente, em que lhe pedia o seu auxílio para tratar do problema do meu visto. Recebi carta do Balanzat do 8 do corrente em que me comunica que falou com o Reitor. Este ia a Buenos Aires e prometeu ocupar-se pessoalmente do visto. Manda dizer que sabe a respeito do andamento do problema. Escrevi ao Pi Calleja e ao Santalló pedindo que tratassem do assunto. Seria necessário, segundo me parece, encontrar uma pessoa com influência capaz de resolver o problema em poucos dias.
Em qualquer hipótese mande-me notícias com a brevidade possível. A minha situação começa a tornar-se insustentável. Tenho tudo preparado para viajar, mas não posso fazer certas coisas antes de ter o visto. Espero entretanto que depois dele chegar me seja possível terminar os meus preparativos da viagem em poucos dias.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de l6 de Agosto de 1949]
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Hoje tivemos resposta de Buenos Aires.
O Interventor da Direcção Geral de Migrações declarou pessoalmente que não há inconveniente algum em lhe concederem o visto de entrada no país e que ele está disposto a dar solução favorável ao assunto logo que lhe seja submetido o processo. Mas... o processo não o encontraram e não encontraram o telegrama que você me referiu.
Nestas condições, e para não perder tempo esperando até se encontrar o processo, o melhor que você pode fazer é ir ao Consulado Geral Argentino no Rio de Janeiro e pedir, eventualmente com fundamento nesta carta, que enviem cópia do seu pedido de visto para a Direcção Geral de Migrações em Buenos Aires (talvez seja preferível que seja por carta via aérea) e você mandar-me, simultaneamente todos os dados correspondentes (N. ° do processo, data da carta, etc.) para que se possa encontrar a carta em Buenos Aires e para conseguir que lhe dêem andamento imediato.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 23 de Agosto de 1949]
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Acabo de receber a sua carta de 23 de Agosto que muito lhe agradeço. Fui imediatamente ao Consulado para esclarecer os problemas de que me fala. O meu processo no Consulado consta das seguintes peças: 1) Telegrama n.° 49, de 3 de Junho de 1949, endereçado a «Migraciones», solicitando o visto. 2) Carta do Delegado Interventor da Faculdade de San Juan, dirigido ao Con¬sulado, com data de 2 de Junho, solicitando facilidades para a concessão do visto com a brevidade possível e dizendo que a Faculdade gostaria que eu chegasse em meados de Junho. Esta carta chegou ao Consulado no dia 7 de Junho. 3) No próprio dia 7 de Junho o Consulado telegrafou à Universidade de Cuyo, San Juan comunicando que o visto já tinha sido solicitado pelo telegrama n.° 49, de 5 de Junho, à Direccion de Migraciones. 4) Em 10 de Junho o Consulado escreve uma carta à Universidade confirmando o telegrama anterior (telegrama n. ° 23 do Consulado) que transcreveram, acusando a recepção da carta da Faculdade de 2 de Junho. Depois nada mais há. Na próxima segunda-feira, terei uma entrevista com o Cônsul, para ver se é possível esclarecer tudo isto.
A minha impressão no momento é a seguinte. O telegrama n. ° 49 deve andar perdido pela Direccion de Migraciones. Por outro lado deve haver uma diligência da Universidade junto da Migraciones solicitando o visto, independentemente do pedido feito por intermédio do Consulado.
Em 4 de Julho escreveram-me de San Juan, nota n. ° 853-M, dizendo que Migraciones solicitara à Facultad «Todos os dados personales dei referido - sus familiares: nombres, edad, religion, estado civil y si há sido antiquo residente». Esta carta expedida por via marítima, chegou com certo atraso. Respondi em 25 de Julho, por via aérea, enviando os dados solicitados. A Faculdade tem portanto todos os elementos necessários para localizar o pedido de visto. Tornarei a escrever na próxima 3.a feira (depois de amanhã), depois da minha entrevista com o Cônsul, informando-o do que se passa. Entretanto creio que poderia localizar o processo por intermédio de San Juan ou de Mendonça. Pedirei na 2.a feira ao Cônsul que me escreva uma carta a Migraciones, esclarecendo a situação e dir-lhe-ei o que houver a esse respeito.
Fico-lhe muito grato pelas eficientes démarches que tem realizado.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 27 de Agosto de 1949]
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Escrevi-lhe uma carta anteontem, hoje estive com o Cônsul. Peguei novo telegrama em que o Consulado pede o esclarecimento da situação. (Telegrama n.° 85, de 28 de Agosto de 1949). Nele se faz referência ao telegrama anterior n.° 49, de 3 de Junho de 1949. Segundo me declarou o Cônsul o número de um telegrama expedido pelo Consulado é largamente suficiente para localizar o pedido em Migraciones, acrescentando, é claro, que foi expedido pelo Consulado da Argentina no Rio e não é necessário indicar a data, basta o número de telegrama.
Creio que, pela minha parte, nada mais posso fazer, a não ser aguardar a [ilegível] do visto. Penso que a Universidade não tem actuado com a eficiência que seria necessária. Entretanto perdi um tempo preciosíssimo, fazendo parar todas as démarches que estavam em curso noutros países.
Não vou pôr imediatamente em andamento as démarches interrompidas, mas, nas condições actuais, acho que não devo recusar as oportunidades que me forem aparecendo. Há quatro dias atrás outra oferta me foi feita.
Sem romper os meus compromissos com San Juan entendo que não devo recusar definitivamente as propostas que recebi e começarei esta noite a tratar de uma delas. Guarde estas notícias para si. Entretanto devo dizer-lhe que neste momento ainda prefiro ir para San Juan, partirei imediatamente se o visto chegar antes de arrumar a minha vida para outro lado.
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[Carta de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 29 de Agosto de 1949]
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O tempo passa, mas a solução não vem.
Não descurei o seu assunto. De San Juan escreveram-me dizendo que não sabem o n.° do seu processo, mas que o representante da Faculdade em Buenos Aires está a tratar da questão.
Tenho amigos muito próximos da Direcção de Migrações. Eles dizem: a) que lá havia dificuldades administrativas, de carácter geral, que não têm relação com o seu assunto, b) que não conseguiram localizar o seu processo, c) que todos, incluindo o Director Geral, estão atentos e dispostos a ajudar.
Suspeito, nesta altura, que não se empenharam o suficiente e acabo de escrever outra carta a outro amigo, pedindo que intervenha e verifique: a) se se consegue localizar os telegramas n.° 49 (3/6/49) e n.° 85 (29/8/49), b) no caso contrário, como agir exactamente para refazer, se necessário, os trâmi¬tes para obrigar o processo a andar.
É muito aborrecido que as coisas se passem assim. Mas o que podemos fazer para o evitar? Pergunte, eventualmente, no Consulado, se têm outra possibilidade melhor de chegar a uma solução e se, eventualmente, o Cônsul pode escrever ao Director Geral de Migrações ou a quem quer que seja competente na linha administrativa.
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[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de 25 de Outubro de 1949]
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(...)
Acabo de receber resposta do meu amigo de Buenos Aires. Confirma o que me haviam escrito os outros amigos e que, no fim, nem quis acreditar. Passou quatro dias no Ministério das Relações Exteriores e na Direcção Geral de Migrações, falou com toda a gente, viu tudo pessoalmente, conhece agora os dados pessoais, etc., de todos os Monteiros que pretendem entrar no país, mas entre eles não se encontra nenhum António Monteiro, e nenhum telegrama.
Como nem nós, nem você, temos o número do processo que podia facilitar os trâmites, conseguiu, por fim, que telegrafassem do Ministério para o Rio para averiguar o que se passa. Prometem resposta dentro de dez dias.
Você deveria ir ao Consulado Argentino e verificar se eles receberam o telegrama do Ministério de Buenos Aires pedindo informação sobre o seu caso. Peça ao Cônsul e informe-se de quando responde (N. ° do telegrama, se possível).
No caso de o telegrama não chegar, há que ver com o Cônsul o que pode ser feito para iniciar um novo processo de visto, de modo que depois se possa encontrar o novo processo em Buenos Aires, controlando todos os passos burocráticos.
Lamento não ter notícias mais favoráveis, mas você pode acreditar que não era coisa fácil esclarecer o que fizeram.
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil), de l1 de Novembro de 1949]
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(...)
Parto hoje, vapor Argentina, chego a Buenos Aires no dia 5.
(...)
[Cartão de António Aniceto Monteiro (Rio de Janeiro, Brasil) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 30 de Novembro de 1949]
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A morada de António Aniceto Monteiro indicada nestas cartas de Guido Beck é Rua Almirante Alexandrino 882, Ap. 204,St.a Thereza, Rio de Janeiro.
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Ver ainda:
«Se não conseguirmos criar um movimento forte contra esta política, essa gente não vai parar. É preciso que o maior número possível de escolas e de cientistas protestem publicamente contra a perseguição dos homens de ciência de Portugal. É um dever de solidariedade para qualquer homem de ciência e um dever político para um antifascista.» (Carta de António Aniceto Monteiro a Guido Beck, 1947)
Brasil, 1948: «Isto é um inferno...» (Carta a Guido Beck, de 28 de Julho de 1948, proveniente do Rio de Janeiro)
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