terça-feira, 22 de maio de 2018

«… tenho passado os últimos seis meses a fazer as quatro operações elementares da Aritmética… (…) Discordo inteiramente de tudo quanto diz a respeito de Portugal… (…) Penso que em Portugal está surgindo gente cada vez mais capaz de enfrentar os nossos problemas e não acredito de modo algum que isso seja um privilégio dos que saíram para o estrangeiro. Pelo contrário. É o contacto directo e vivido com os problemas portugueses que determinará o caminho a percorrer. Estou convencido que não faltam ao nosso povo as qualidades necessárias – inteligência, dedicação, energia, etc. – para esse efeito. É certo que as condições são duras e difíceis, mas essa circunstância multiplicará e despertará as energias necessárias. Só a vontade inquebrantável de milhões de homens poderá resolver os nossos problemas e em particular o do desenvolvimento da nossa cultura matemática.» – excerto de carta, que não seguiu, de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 14 de Agosto de 1949

«Além disso tencionava responder à sua carta, onde revelava uma incompreensão total dos meus problemas e das minhas palavras. (...) E, é conveniente notar, estou passando no Brasil as horas mais amargas da minha vida. Irei trabalhar numa Faculdade onde não existem revistas de matemática, numa cidade pequena, sem ambiente matemático. Está tudo, portanto, muito longe do "estado de muito extraordinária felicidade" de que fala ironicamente na sua carta. Nunca pensei que o ridículo ajudasse a esclarecer o que quer que fosse.» – excerto de carta, que não seguiu, de António Aniceto Monteiro para Hugo Ribeiro, de 14 de Agosto de 1949

Marshall Harvey Stone