segunda-feira, 16 de abril de 2018

Tese de Hugo Ribeiro (1947)

Primeira e última páginas

sexta-feira, 13 de abril de 2018

quarta-feira, 14 de março de 2018

«XXX (encontro com António Aniceto Monteiro)» – poema de Mário Dionísio


XXX
(encontro com António Aniceto Monteiro)

 
Trinta anos depois
de longo exílio e antes de outro possível
viajamos os dois
pelo futuro do passado
sobre um fundo de esperança todo baço

 
Há trinta anos ou ontem?
A mesma infância no olhar faz que não contem
nem a dor nem o frio nem o cansaço
A morte ronda mas que espere        Reanimada
a velhíssima atracção do impossível
canta em surdina neste voo desamparado

 
É luta ainda este alvoroço e este abraço?

 
Camarada       Camarada

Mário Dionísio, Terceira Idade, 1982

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Agradecimentos a Eduarda Dionísio

«O António Aniceto Monteiro e a Lídia em nossa casa!» – diário de Mário Dionísio, de 19 de Maio de 1977

19.5.77.
O António Aniceto Monteiro e a Lídia em nossa casa! Das quatro da tarde quase até às nove da noite. Não nos víamos (todos, porque a Lídia estivera aqui há algum tempo), já lá vão 32 anos! 0 Monteiro não tem, naturalmente, a vivacidade de outrora. Conta hoje 70 anos. Mas é como se nos não víssemos há semanas. O mesmo espírito, a mesma amizade. O tempo não chega para lhes contarmos tudo (tudo...) o que se tem passado e está passando por cá, para ouvirmos o que se passou e está passando por lá, na Argentina. Um fascismo que atinge os limites da selvajaria à luz do dia, como nunca, apesar de tudo, aqui conhecemos. Ele tornou-se aquilo que sempre esperámos: um matemático de projecção internacional. Foi mais um que o Estado Novo deitou fora. Eu continuo, como há 30 e tal anos, um homem que faz projectos, trabalha sempre, e não chega a realizar um décimo do que projecta. Mas que tarde realmente feliz, recordando e atiçando o belo fogo duma velha amizade que não morre e é, feitas as contas, o melhor que há na vida!
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Agradecimentos a Eduarda Dionísio

terça-feira, 13 de março de 2018