A apresentar mensagens correspondentes à consulta Alfredo Pereira Gomes ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Alfredo Pereira Gomes ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes

A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes

*
Soeiro Pereira Gomes foi um dos organizadores dos passeios no Tejo. Ver En las márgenes del Napostá... uma fotografia de um desses passeios da qual, aliás, está um pormenor na faixa direita deste blogue. Era irmão de Alfredo Pereira Gomes, professor catedrático do Departamento de Matemática da FCUL, recentemente falecido. Ver:

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Alguns entradas do blogue "RUY LUÍS GOMES" relacionadas com António Aniceto Monteiro

Faleceu Alfredo Pereira Gomes
Alfredo Pereira Gomes
"Recordar Angola - 2º Volume", de Paulo Salvador, ...
António Aniceto Monteiro faleceu há 26 anos
António Aniceto Ribeiro Monteiro nasceu há 99 anos
Abel Salazar - 96 cartas a Celestino da Costa
Artigos de Jean Dieudonné na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Sixto Ríos na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Louis de Broglie na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Leopoldo Nachbin na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Alfredo Pereira Gomes na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de John von Neumann na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Maurice Fréchet na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Rodrigo Sarmento de Beires na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de J. Sebastião e Silva na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Hugo B. Ribeiro na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Pedro José da Cunha na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Vicente Gonçalves na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Aureliano de Mira Fernandes na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de António Aniceto Monteiro na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Ruy Luís Gomes na "Portugaliae Mathematica"
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979, por Alfredo Pereira Gomes
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina, por Eduardo L. Ortiz
The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil, por Leopoldo Nachbin
THE MATHEMATICIAN HUGO RIBEIRO, por Jorge Almeida
Artigos sobre António Aniceto Monteiro de Hugo Ribeiro, Ruy Luís Gomes e Luís Neves Real
Maurice Fréchet (1878-1973)
Movimento Matemático 1937-1947
Fotografia de um conjunto de matemáticos
Duas palestras lidas ao microfone de Rádio Clube Lusitânia (António A. Monteiro e Ruy Luís Gomes)
Segunda parte da revista VÉRTICE, números 412/413/414 (1978), dedicada a Bento de Jesus Caraça
Primeira parte da revista VÉRTICE, números 412/413/414 (1978), dedicada a Bento de Jesus Caraça
Uma carta da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa, datada de 24 de Abril de 1953
Carta a Pereira Gomes sobre a ida para o Recife - datada de 28 de Junho de 1961
Carta de Pereira Gomes convidando Ruy Luís Gomes a ir para o Recife - datada de 30 de Maio de 1961
Contribuição Matemática do Professor Dr. António A. R. Monteiro, por Luiz F. Monteiro
Declaração de António Monteiro e Silva Paulo relativamente a quantias recebidas da JIM
Uma carta de António Aniceto Monteiro, proveniente de S. Juan, Argentina, e datada de 27 de Abril de 1954
"O António Monteiro escreveu" - manuscrito de Abel Salazar
"Não há tempo a perder"... - uma carta de António Aniceto Monteiro
José Duarte da Silva Paulo (1905-1976)
"Para a História da Sociedade Portuguesa de Matemática", por José Morgado
Entrevista a MISCHA COTLAR, feita por Carlos Borches
Ministros desde 28 de Maio de 1926 até 24 de Abril de 1974
Bento de Jesus Caraça era uma pessoa admirável - o testemunho de Dias Lourenço
Matemáticos entre a Argentina e o Brasil
As eleições de 18 de Novembro de 1945
Tentativa Feitas nos Anos 40 para criar no Porto uma escola de Matemática, por Ruy Luís Gomes
ANTONIO A. MONTEIRO (31/05/1907-29/10/80), por Edgardo Luis Fernández Stacco
Tipografia Matemática
RECORDANDO A DON RUY LUIS GOMES, por Edgardo Luis Fernández Stacco

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dois protagonistas do século de existência da Universidade de Lisboa: António Aniceto Monteiro e Alfredo Pereira Gomes



© Família de Pilar e Hugo Ribeiro
Agradecimentos: Mário Ribeiro, Ilda Perez
Digitalização de Jorge Rezende

Neste dia 25 de Abril de 2011, apresenta-se aqui uma fotografia de dois Professores ligados à Universidade de Lisboa, António Aniceto Monteiro e Alfredo Pereira Gomes. Embora de proveniência diferente, já tinha sido reproduzida em António Aniceto Monteiro e Alfredo Pereira Gomes (sem data) e foi tirada no mesmo mês que esta: Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes.
Nessa data, Julho de 1959, estavam ambos no exílio.
Alfredo Pereira Gomes foi afastado da Universidade em Outubro de 1946, por decisão do Governo, alegadamente por “estar incurso no disposto do decreto-lei nº 25317” (ver Tentativa Feitas nos Anos 40 para criar no Porto uma escola de Matemática, por Ruy Luís Gomes). Foi para França e, depois, para o Brasil.
António Aniceto Monteiro nunca foi expulso da Universidade Portuguesa, porque nem sequer foi admitido depois de regressar de Paris em 1936. Pelas razões que se conhecem, partiu para o Brasil em 1945, seguindo para a Argentina anos mais tarde. De tudo o que fez pela nossa Universidade, e pelas dos países onde trabalhou, temos vindo a fazer o modesto relato.
Todos os nomes citados neste texto são de exilados, exemplos da nossa triste Universalidade.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979 (Alfredo Pereira Gomes)



 
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979
Alfredo Pereira Gomes
 
Desde 1945, António A. Monteiro não voltara a pisar solo português, por um compromisso para consigo próprio face à posição obscurantista, adversa à livre criatividade científica e cultural do sistema que dominava a vida política e social portuguesa. Após o restabelecimento dum regime democrático em Portugal em 25 de Abril de 1974, era aspiração dos seus muitos amigos, antigos companheiros, discípulos e admiradores, que fossem criadas condições propícias ao seu regresso senão definitivo pelo menos suficientemente duradouro para que a nova geração de matemáticos o conhecesse e beneficiasse da sua personalidade ímpar de investigador e promotor de escolas de investigação. Alguns dos que com ele trabalharam antes de 1945, iniciámos diligências nesse sentido. Entretanto, impedimentos de ordem pessoal – designadamente a prisão de seu filho Luiz Monteiro, durante mais de quatro meses – fizeram obstáculo a esse desiderato. Somente no início de 1977 António A. Monteiro pôde voltar a Portugal, tendo aqui permanecido cerca de dois anos, como investigador do Instituto Nacional de Investigação Científica (I.N.I.C.), no Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais (C.M.A.F.) das Universidades de Lisboa.
Há a registar que não foi simples o desenvolvimento do processo para lhe criar uma posição actuante, como investigador, dentro das estruturas vigentes universitárias ou de investigação científica, pouco adequadas ao ingresso de investigadores. Na correspondência com ele trocada desde Janeiro de 1976 a tal respeito, transparece a sua perplexidade e até algum cepticismo.
Finalmente, em Outubro de 1976, com o seu assentimento, foi dirigida ao Secretário de Estado de Investigação Científica uma exposição propondo a contratação de António A. Monteiro como investigador do I.N.I.C., a título excepcional e no escalão mais elevado, para dedicar-se exclusivamente à investigação e à difusão dos seus resultados. Esta exposição foi apoiada pelos professores de matemática das Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto. Nela se fazia ressaltar que António A. Monteiro fora o matemático português que mais decisivamente tinha contribuído para a renovação dos estudos matemáticos em Portugal e que a sua obra de investigação e formação de discípulos tinha prosseguido em centros universitários estrangeiros com assinalado êxito. Afirma-se ainda a convicção de que a presença de António A. Monteiro em Lisboa contribuiria grandemente para dar aos estudos em Álgebra da Lógica o lugar de destaque de que carecia entre nós e para abrir uma via de investigação neste sector. Aquela proposta teve despacho favorável do Secretário de Estado, que na ocasião era um professor de matemática da Universidade de Lisboa.
A sua saúde frágil – obrigando-o embora a cuidados médicos e curtos períodos de repouso – não o impediu de desenvolver uma actividade intensa, iniciada logo após a sua chegada a Lisboa, com o entusiasmo e a pertinácia que sempre lhe conhecemos.
Quando no dia 31 de Maio o visitámos ao fim da manhã, encontrámo-lo alegre, triunfante. Contou-nos que se havia levantado cedo e que às nove horas tinha enfim encontrado a demonstração dum teorema de que se ocupava havia três meses: «é o meu próprio presente de aniversário», comentou. O septuagésimo! Nesta singela anedota pode sintetizar-se a sua personalidade de matemático.
Homem de cultura integral, o seu interesse não se confinava na investigação matemática e afirmava-se infatigavelmente na leitura de obras literárias, de história das ideias ou de sociologia. A nova Sociedade Portuguesa de Matemática recém-criada – fazendo reviver aquela de que ele fora Secretário-Geral desde 1940 – captou a sua atenção, e a sua intervenção foi decisiva, como fundador da Portugaliae Mathematica, para que esta revista se tornasse património dessa Sociedade, tornando assim possível a continuidade da sua publicação com novos editores e renovados apoios.
No C.M.A.F. das Universidades de Lisboa, dependente do I.N.I.C., criou uma linha de investigação em Álgebra da Lógica e proferiu conferências sobre os seus trabalhos, atraindo alguns discípulos, a quem propôs temas de investigação e prodigou conselhos. Daí resultaram notas publicadas em revistas da especialidade e duas teses de doutoramento.
A convite da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, aí proferiu três conferências em Julho de 1977, sobre «Álgebras de Boole cíclicas», «Álgebras de Nelson finitas e lineares», «Aritmética dos filtros em espaços topológicos».
Muito interessado pelas aplicações do seu domínio de investigação, manteve contactos com engenheiros e docentes do Instituto Superior Técnico de Lisboa, em cuja revista «Técnica» publicou um trabalho no número dedicado à memória de Aureliano de Mira Fernandes.
Apesar da longa lista de artigos publicados, certo é que, para António A. Monteiro, era bem menos atraente redigir os seus trabalhos do que ocupar-se de problematizar as suas conjecturas e encontrar as soluções. Por vezes nos falou disso e nos deu a ocasião de instar com ele para não adiar a divulgação dos seus resultados. Em carta de 5 de Junho de 1978, que nos enviou para Paris, escreve: «Hoje tomei finalmente uma decisão importante: suspender o trabalho de investigação e passar a redigir. Estou realmente cansado e penso que mais vale tarde que nunca. Ainda fiz outro trabalho depois que você saiu para Paris». E acrescentava:
«Estou realmente satisfeito com os resultados da minha actividade científica em Portugal. Isto deve-se sobretudo ao Centro de Matemática; (C. M. A. F.), que me proporcionou o tempo livre para estudar. Entretanto, creio que fiz um esforço superior às energias disponíveis na minha idade. Sinto que tenho de moderar a minha actividade. Fora isto, a única notícia suplementar é que ainda não fiz as conferências na Faculdade de Ciências de Lisboa, que propus no mês de Outubro; pela simples razão de que não as marcaram. Não há interesse ou não querem. Paciência! Não volto a insistir que já me dá vergonha. Darei este mês uma série de conferências na Faculdade de Ciências do Porto. A de Lisboa parece que não mudou muito com o tempo. O peso da tradição é uma força extraordinária. Nos 4 ou 5 anos que andei na Faculdade de Ciências como aluno, nunca ouvi falar de «conferências» de matemática. Se houve alguma não me lembro».
No verão desse ano, como incentivo para completar a redacção dos seus trabalhos, sugerimos a António A. Monteiro – de conivência com Lídia Monteiro, sua inigualável companheira – que concorresse, com o trabalho que começara a redigir, ao Prémio Gulbenkian de Ciência e Tecnologia 1978. Após curta hesitação prosseguiu essa tarefa, afincadamente, como em tudo o que empreendia. Quando terminou, pouco tempo antes do fim do prazo do concurso, disse para Lídia, displicentemente: «aí está, para te fazer a vontade e ao Pereira Gomes...». O Prémio foi-lhe conferido. Pode hoje pensar-se que mais importante foi porém a motivação que ele constituiu para António A. Monteiro contrariar o seu gosto prioritário pela investigação e ter dado forma a essa obra, «Sur les Algèbres de Heyting Symétriques», que, neste volume em sua homenagem, se publica.
Cremos caber aqui uma palavra de homenagem que também é devida a sua esposa, pela constante dedicação nas boas e más horas duma longa vida comum e pela lúcida e carinhosa compreensão das exigências dum trabalho científico absorvente e apaixonado como era o dele. Cremos que essa presença solícita foi de grande significação para que – através de tantas vicissitudes que povoaram a vida de ambos – António A. Monteiro tivesse conseguido dar realização plena à sua vocação e ao seu talento.
De regresso a Bahía Blanca a ligação com o C.M.A.F. e as actividades matemáticas de Lisboa não se desvaneceram. Mostra-o a correspondência que manteve com alguns amigos ou discípulos daqui, cartas longas e de grande interesse, onde se refere, simultaneamente, por vezes, às situações de Lisboa, às investigações matemáticas, aos seus discípulos argentinos que de novo vêm ao seu encontro e a quem continua a encorajar e a propor temas de trabalho matemático.
Em carta que nos dirigiu em 31 de Maio de 1979, encara a perspectiva de voltar a Portugal, embora com hesitações. Menciona um período de doença aguda ultrapassada, para acrescentar: «Comecei de novo a levantar-me às 4 ou 5 da manhã para trabalhar. São tão lindos os temas sobre os quais estou trabalhando, que não quero perder tempo». E descreve-os pormenorizadamente em 4 páginas de letra cerrada.
A 5 de Dezembro do mesmo ano: «A grande notícia que me manda é que parece ter conseguido subsídios para publicar a Portugaliae Mathematica de 77, 78 e 79. Seria realmente muito importante que isso se faça». E mais adiante: «...começo a perguntar o que posso eu fazer em Portugal. Neste momento [sublinhado] eu estou convalescente, não posso regressar. Creio que o que têm a fazer é eliminar-me dos quadros do C.M.A.F. e depois veremos». Termina a carta com um «post-scriptum»: «Avante com a Portugaliae Mathematica».
Em 17 de Setembro de 1980 – mês e meio antes de falecer – diz-nos a sua preocupação com o seu estado de saúde. E comenta: «A única coisa que fiz durante este largo período foi escrever à Isabel Loureiro [cuja tese de doutoramento começara a orientar em Lisboa] sobre o seu trabalho, o que fiz com muito esforço e sacrifício. Foram 52 páginas de matemática». E a seguir: «O objectivo principal desta carta é congratular-me com as excelentes notícias que manda sobre a Portugaliae Mathematica. (...) Faltaria resolver o problema da Gazeta [de Matemática] que deveria entregar tudo à Sociedade Portuguesa de Matemática».
Comovidamente pensamos que, não fora a sua saúde muito precária, ele teria regressado à terra da sua juventude, onde as suas iniciativas constituíram, e permanecem, as linhas mestras do desenvolvimento matemático deste país. Apesar das fortes amarras que o prendiam à Argentina, pelos elos familiares e pelo amor à Escola Matemática que ali criou.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os passeios no Tejo numa biografia literária de Soeiro Pereira Gomes

(...)
Encontro-me na casa do Arquimedes [da Silva Santos], na Póvoa; depois de ter lido, em cópia, o discurso, peço e obtenho esclarecimentos: os passeios pelos montes atrás de Vila Franca a ler o Manifesto Comunista deram-se em 1941, depois de se ter constituído um Comité Regional das Juventudes Comunistas; o primeiro passeio de barco foi no Verão de 1941; antes de Junho de 1941 com Soeiro falavam mais em coisas literárias. O poeta continua a falar daqueles tempos e mostra-me fotografias antigas e, entre outras, uma do passeio de barco em que aparecem, além dele próprio, Pereira Gomes, Manuel Campos Lima, Rui Grácio, Cândida Ventura, Álvaro Cunhal, Dias Lourenço, Aniceto Monteiro, Piteira Santos, Guilherme Morgado...
A esses passeios refere-se Joaquim em duas cartas ao irmão Alfredo. Na de 3 de Junho de 1940 conta com entusiasmo:

Há tempos fui dar um belo passeio e lembrei-me de ti e do Jaime. Passeio de barco à vela. Vela vermelha e gente vermelha: malta do Diabo. Fomos almoçar às obras uma caldeirada à fragateiro. Cantou-se (que cantos!...) e conversou-se à vontadinha. Lembrança do Redol de quem sou agora muito amigo. Vou com ele até para férias em meados de Julho.

Noutra, de 9 de Abril de 1941, anuncia mais um «passeio de barco, Tejo acima, com a malta do “Diabo”» a realizar-se no dia 27 do mês.
Os passeios no barco Liberdade de Jerónimo Tarrinca no Verão de 1941, de Alhandra e Vila Franca até ao local das Obras perto de Azambuja, um lugar aprazível e com praia fluvial para tomar banho e fazer piqueniques, ou apenas indo Tejo abaixo Tejo acima, com caldeiradas a bordo, eram, na realidade, momentos de alta escola política e partidária, como as excursões e visitas a museus e locais históricos, como as actividades culturais e desportivas nas colectividades, onde se processava aquela que António Dias Lourenço chama «uma mútua dádiva entre trabalhadores manuais do Baixo Ribatejo e a intelectualidade portuguesa mais avançada e progressista» (*). No Liberdade passearam o dr. Fernando Piteira Santos e o prof. Alfredo Pereira Gomes, o dr. Francisco Eduardo Pulido Valente e o eng. Correia Guedes, o dr. João Ferreira Marques e o prof. Bento de Jesus Caraça, Manuel da Fonseca Barraquinha, vilafranquense e responsável pelas caldeiradas, Cândida Ventura e o advogado Inácio Fiadeiro, o dr. Augusto Sá da Costa, o poeta e crítico Mário Dionísio, que lembra Soeiro a ler versos, e tantos outros.
Num desses passeios participa, convidado por Redol, Pedro Neto. No dia e na hora marcados, o jovem vai ao cais da Cimento Tejo e lá encontra Soeiro Pereira Gomes com uma pessoa desconhecida, que depois virá a saber ser Álvaro Cunhal. Com o barquito de um trabalhador da Fábrica, João Corneta, os três foram ao encontro do Liberdade, onde encontraram, entre outros, António Dias Lourenço, António Ramos de Almeida, Lopes-Graça e Bento de Jesus Caraça, que o chamou de lado para lhe perguntar sobre a organização das Juventudes Comunistas em Vila Franca. Pedro Neto responde que na sua opinião «o grupo dos jovens devia estar integrado diretamente na organização do partido».
Os jovens e a Federação das Juventudes Comunistas eram objectivos prioritários dos reorganizadores. Em Vila Franca, porém, já existia um grupo de moços ligados ao Alves Redol e ao António Dias Lourenço, que se interessavam por política e literatura. Eram eles, já o vimos há pouco, além de Pedro Neto e Arquimedes, Octávio Pato, António Tavares, António Lopes e Jorge Reis, que em 1941 publicavam um jornalzinho, escrito à mão, chamado Querer É Poder. Todos esses jovens, como já lembrou Arquimedes e como me repete Jorge Reis, que encontro em Cascais no mês de Abril de 1996, depois da invasão nazi da União Soviética de 22 de Junho de 1941, entram nas Juventudes Comunistas e começam a trabalhar a sério na militância partidária.
Para Pedro Neto, então, esses e os outros jovens deviam-se integrar no Partido para unir as forças, pois não tinha sentido haver, por exemplo, na fábrica Cimento Tejo, onde ele trabalhava, duas organizações comunistas: o partido, que certamente existia, e os jovens.
Até ao passeio no Liberdade, à excepção do episódio do pequeno manifesto de 1938, o relacionamento entre Soeiro e Pedro Neto tinha sido rigorosamente isento de interesse partidário e até político. «Só no Inverno de 1940 é que ele me fala levemente no Partido», lembra Pedro. «Então, o senhor sabe quando Joaquim ingressou no Partido?», pergunto. «Certeza só tenho depois do nosso encontro lá no Sobralinho, quando Soeiro já era responsável do Comité Local em Alhandra.» Aconteceu que a sugestão de Pedro Neto a Bento de Jesus Caraça tinha sido aceite. (...)
(...)

(*) Lourenço, António Dias, Vila Franca de Xira. Um Concelho no País, Edição da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, 1995, p. 160.


(Soeiro Pereira Gomes, Uma Biografia Literária, páginas 121-123)

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes

Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro
Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes em Poços de Caldas, São Paulo, Brasil, Julho de 1959, no Segundo Colóquio Brasileiro de Matemática.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes

Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro
Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes, António Aniceto Monteiro e Manuel Zaluar Nunes em Poços de Caldas, São Paulo, Brasil, Julho de 1959, no Segundo Colóquio Brasileiro de Matemática.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

«Voltei a falar com o Andrade e Silva e com o Ruy e também com a Marieta que havia recebido uma carta do Valadares alertando-a para a necessidade de resolver rapidamente o caso que lhe criaram. (…) Consegui ontem à noite uma garantia do Andrade e Silva… (…) Soube de tarde pela Marieta que um recado foi enviado ao Álvaro para apoiar o seu caso. Eu entretanto tinha informado os colegas da Matemática em Lisboa sobre isto e já lhe assinalei que todos estavam dispostos a uma mobilização para apoiar diligências adequadas. Também ontem vi o Piteira Santos que me disse que, se necessário, poderia estabelecer contacto com o Presidente do Conselho para assegurar-lhe uma situação condigna no país.» – carta de Alfredo Pereira Gomes para António Aniceto Monteiro, de 15 de Maio de 1975



-
Andrade e Silva: João Luis Andrade e Silva
Valadares: Manuel Valadares
Álvaro: Álvaro Cunhal, na época ministro sem pasta do IV Governo Provisório
Piteira: Piteira Santos
Presidente do Conselho: deve tratar-se do primeiro-ministro Vasco Gonçalves
-
Ver ainda neste blogue:
-
«O Professor António Aniceto Monteiro após o seu Doutoramento em Paris, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, foi nomeado, em julho de 1936, investigador deste Instituto tendo sido em outubro do mesmo ano demitido pela honrosa razão de não assinar a declaração do conhecido decreto nº 27.003 ficando em consequência impossibilitado de prosseguir uma carreira docente universitária o que havia de o conduzir ao exílio anos mais tarde», carta da FCUL de 7 de Outubro de 1976