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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cronologia: Brasil, 1945-1949 e 1956-1964


1. O Brasil nos anos em que António Aniceto Monteiro aí viveu (segundo a Wikipédia):
1945 no Brasil
1946 no Brasil
1947 no Brasil
1948 no Brasil
1949 no Brasil


2. Cronologia de António Aniceto Monteiro:
1945
António Aniceto Monteiro vê-se obrigado a sair de Portugal, porque lhe vedaram a entrada na carreira académica, por razões políticas. Com recomendação de Albert Einstein, J. von Neumann e Guido Beck obtém uma cátedra de Análise Superior no Rio de Janeiro, na Faculdade Nacional de Filosofia (o convite tinha sido feito em Setembro de 1943). Em 28 de Fevereiro, António Aniceto Monteiro embarca para o Rio de Janeiro onde chega com um contrato por quatro anos o qual não será renovado por influência da Embaixada de Portugal.
É nomeado membro del Comité de Redacção da Revista Summa Brasiliensis Mathematicae que a Fundação Getúlio Vargas edita.
1945-1946
António Monteiro é investigador do Núcleo Técnico Científico da Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), dirigido por Lélio Gama.
1946
Julho: Doutora-se Alfredo Pereira Gomes na Universidade do Porto, depois de ter sido orientado por António Aniceto Monteiro.
1948
António Monteiro inicia a série de publicações intituladas Notas de Matemática. Nos anos 1948-1949, são editados seis fascículos. Mais tarde, depois de sua ida para a Argentina, esta colecção será publicada sob a direcção de Leopoldo Nachbin alcançando uma grande difusão na América Latina.
1949
António Monteiro participa activamente na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, do qual é membro fundador e para o qual é contratado como investigador de Matemática.
Lecciona um curso de Introdução à Matemática para os investigadores de Instituto de Biofísica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro por convite do seu Director Carlos Chagas.
Em 5 de Dezembro, vindo do Brasil, chega à Argentina (Buenos Aires), contratado pela Universidad Nacional de Cuyo (sediada na cidade de San Juan, província de San Juan). De 1950 até 1956 é aí docente de Análise Matemática na Facultad de Ingeniería, Ciencias Exactas, Físicas y Naturales.
A partir de 1950 é professor de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Educação da mesma universidade, na cidade de San Luis.

3. O Brasil desde a eleição de Juscelino Kubitschek até ao Golpe Militar de 1964 (segundo a Wikipédia):
1956 no Brasil
1957 no Brasil
1958 no Brasil
1959 no Brasil
1960 no Brasil
1961 no Brasil
1962 no Brasil
1963 no Brasil
1964 no Brasil

4. Cronologia de António Aniceto Monteiro:
1959
Designado Organizador do Instituto de Matemática da Universidad Nacional del Sur, por diploma de 1959.
É convidado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na sua qualidade de Membro Fundador, para assistir à comemoração do décimo aniversário da sua fundação, permanecendo no Rio de Janeiro de Julho a Novembro. Em Julho participa como convidado no 2º Colóquio Brasileiro de Matemática, que se realiza em Poços de Caldas (Brasil), dando conferências entre as quais expõe as suas pesquisas sobre Álgebras Monádicas.

5. Ver ainda (sobre este segundo período):
A luta dos Antifascistas Portugueses do Brasil contra a ditadura de Salazar e o Colonialismo, por Miguel Urbano Rodrigues
Após a chegada ao Rio de Janeiro do general Humberto Delgado, em 21 de Abril de 1959, dia do Tiradentes, a acção da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado – a polícia política portuguesa do tempo de Salazar) intensificou-se no Brasil. A PIDE tinha informadores e agentes infiltrados naquele país que relatavam a actividade do numeroso grupo de exilados políticos que aí viviam. Esses relatórios têm, é claro, a credibilidade que merecem...
Antes de partir para o exílio, Humberto Delgado esteve refugiado na Embaixada do Brasil em Lisboa, desde 12 de Janeiro de 1959. O embaixador era Álvaro Lins, grande amigo da oposição portuguesa, tendo presidido à 1ª Conferência Inter-americana da Amnistia para os Exilados e Presos Políticos da Espanha e de Portugal, realizada na Faculdade de Direito de São Paulo em 1960.
Os documentos aqui reproduzidos constam do Processo 558/67-SR, NP-3577 (folhas 26, 27, 35, 37, 40), do Arquivo da PIDE/DGS, relativo a António Aniceto Monteiro, existente na Torre do Tombo (IAN/TT).
Os recortes de jornais são ambos do «Portugal Democrático» e fazem parte integrante de relatórios da PIDE. As «Declarações do prof. Aniceto Monteiro» são do nº 32 de Janeiro de 1960. O telegrama enviado ao jantar de homenagem a Álvaro Lins (que se tinha realizado em 5 de Maio, em S. Paulo) foi publicado no nº 37 de Junho de 1960.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

António Aniceto Monteiro na SEARA DA CIÊNCIA

***
(por José Maria Bassalo)
(...)
Depois do sucesso em Bristol e em Berkeley, Lattes voltou ao Brasil e, juntamente com algumas personalidades políticas e científicas brasileiras [irmãos Lins de Barros (Ministro João Alberto, Nelson e Henry), Antônio Aniceto Monteiro, Leopoldo Nachbin, Francisco Mendes de Oliveira Castro, Elisa Frota Pessoa, Gabriel Fialho, Leite Lopes, Jayme Tiomno, Lauro Xavier Nepomuceno, Euvaldo Lodi, Almirante Álvaro Alberto, Mário Schenberg e José Goldemberg] ocupou-se na criação de organismos para produzir, organizar e fomentar a pesquisa científica, em particular, a pesquisa física, tais como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em 4 de fevereiro de 1949, o então Conselho Nacional de Pesquisas (hoje, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq), em 1951, e o Laboratório de Emulsão Fotográfica da Cadeira de Física Superior do Departamento de Física da FFCLUSP, no começo de 1960, da qual era titular. Nesse Laboratório, em 1962, Lattes organizou o famoso Grupo de Colaboração Brasil - Japão que teve a importante participação de físicos japoneses famosos, dentre os quais se destacam Yoichi Fujimoto, Shun-ichi Hasegawa, Mituo Taketani (1912-2000) e Hideki Yukawa (1907-1981; PNF, 1949).
(...)
(por José Maria Bassalo)
(...)
Observando ser difícil criar uma escola de físicos na FNFi, por causa da estrutura arcaica da UB, Leite Lopes apoiou a idéia que o físico brasileiro César Mansueto Giulio Lattes (1924-2005) tivera, em 1948, quando se encontrava na Universidade da Califórnia, em Berkeley, de criar uma instituição destinada a produzir a pesquisa física. Assim, com a participação de uma plêiade de brasileiros: os irmãos Lins de Barros [Ministro João Alberto (1897-1955), Nelson (1920-1966) e Henry British (n.1917)]; o Almirante e Historiador da Ciência Álvaro Alberto da Motta e Silva (1889-1976); os matemáticos Antônio Aniceto Monteiro (1907-1980) (de origem portuguesa), Leopoldo Nachbin (1922-1993) e Francisco Mendes de Oliveira Castro (1902-1993); os físicos Gabriel Emiliano de Almeida Fialho, Jayme Tiomno (n.1920), Elisa Frota Pessoa (n.1921), Lauro Xavier Nepomuceno, Roberto Aureliano Salmeron (n.1922) e Mário Schenberg (1914-1990); o banqueiro Mário de Almeida; e Euvaldo Lodi, Presidente da Confederação das Indústria]. Desse modo, em 4 de fevereiro de 1949, nasceu o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), tendo a seguinte estrutura: João Alberto, Presidente; Álvaro Alberto, Vice-Presidente; Lattes, Diretor Científico; Artur Hehl Neiva, Diretor Tesoureiro; e Paulo de Assis Ribeiro, Diretor Executivo.
(...)

sábado, 20 de janeiro de 2018

«No último dia de Janeiro, e portanto no fim de um mês de desemprego, arranjei um emprego numa companhia de aviação…» – carta de António Aniceto Monteiro para Alfredo Pereira Gomes, de 16 de Abril de 1949

(continua)
-
A companhia de aviação era a Transcontinental cujo presidente era João Alberto Lins de Barros, irmão de Nelson Lins de Barros, amigo de Monteiro do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). 
João Alberto foi fundador e primeiro presidente do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Ver, neste blogue: 
CBPF
Nelson Lins de Barros 
João Alberto

segunda-feira, 2 de abril de 2007

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, "o TIRADENTES"

Artigo do «Portugal Democrático», nº32, 1960.
O documento aqui reproduzido consta do Processo 558/67-SR, NP-3577 (folha 40), do Arquivo da PIDE/DGS, relativo a António Aniceto Monteiro, existente na Torre do Tombo (IAN/TT).
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Da CRONOLOGIA:
1959
...
É convidado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na sua qualidade de Membro Fundador, para assistir à comemoração do décimo aniversário da sua fundação, permanecendo no Rio de Janeiro de Julho a Novembro. Em Julho participa como convidado no 2º Colóquio Brasileiro de Matemática, que se realiza em Poços de Caldas (Brasil), dando conferências entre as quais expõe as suas pesquisas sobre Álgebras Monádicas.
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"Alferes Tiradentes" - óleo de Washington Rodrigues (Museu de História Natural, Rio de Janeiro)
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

CRONOLOGIA

CRONOLOGIA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO

1907
Em 31 de Maio, nasce, em Mossâmedes, Angola, o matemático António Aniceto Ribeiro Monteiro, também conhecido por António Aniceto Monteiro ou António Monteiro, filho de António Ribeiro Monteiro e de Maria Joana Lino Figueiredo da Silva Monteiro. Namibe é o actual nome de Mossâmedes (que chegou a escrever-se Moçâmedes).
1915
A 7 de Julho morre António Ribeiro Monteiro, tenente de infantaria, que se encontrava em comissão extraordinária no sul de Angola.
1917-1925
Faz os estudos secundários no Colégio Militar, em Lisboa, onde é o aluno nº 78.
1925-1930
Estuda na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, de 20 de Outubro de 1925 a 17 de Julho de 1930, onde encontra a sua vocação e o seu primeiro Mestre – Pedro José da Cunha.
1929
Casa-se em 29 de Julho com Lídia Marina de Faria Torres. Do casamento nascerão dois filhos – António e Luiz.
1930
Em 17 de Julho licencia-se em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
1931-1936
António Monteiro é bolseiro em Paris do Instituto para a Alta Cultura (IAC) desde Novembro de 1931 até Julho de 1936. Durante este período estuda no Instituto Henri Poincaré, realizando trabalhos científicos sob a direcção de Maurice Fréchet.
1934
A 8 de Fevereiro nasce António, filho de Lídia Marina e António Aniceto.
1936
Conclui o Doutoramento de Estado na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em Ciências Matemáticas, com a menção Très Honorable, orientado por Maurice Fréchet, com uma tese intitulada Sur l’additivité des noyaux de Fredholm.
É fundado o Núcleo de Matemática, Física e Química, em Lisboa, cujas actividades se iniciam a 16 de Novembro, e cujos principais impulsionadores (os mais activos) são António da Silveira, Manuel Valadares e António Aniceto Monteiro.
A 5 de Outubro nasce Luiz, filho de Lídia Marina e António Aniceto.
1937
É fundada a revista Portugaliae Mathematica. A revista é “editada por António Monteiro, com a cooperação de Hugo Ribeiro, J. Paulo, M. Zaluar Nunes”.
Neste ano encontram-se, provavelmente pela primeira vez, nas actividades do Núcleo de Matemática, Física e Química, os matemáticos António Monteiro, Bento Caraça e Ruy Luís Gomes, os três principais impulsionadores do Movimento Matemático.
1938
Recebe o Prémio Artur Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa (Matemática) conferido pelo Ensaio sobre os fundamentos da análise geral.
1939
Começa a funcionar o Seminário de Análise Geral, em Lisboa, impulsionado por António Aniceto Monteiro, primeiro na Faculdade de Ciências e depois no Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa do IAC, no qual com a realização de cursos e seminários começa a iniciar um grupo de jovens no estudo da matemática moderna. Entre os seus discípulos deste período podem destacar-se José Sebastião e Silva e Hugo Baptista Ribeiro.
Em 6 de Novembro “desintegra-se” o Núcleo de Matemática, Física e Química.
1940
Em 1939 é fundada por Bento de Jesus Caraça, António Monteiro, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zaluar, a Gazeta de Matemática, cujo primeiro número sai em Janeiro de 1940.
Em Fevereiro é formado o Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa de que o impulsionador é António Monteiro que aí continua a dirigir trabalhos de investigação.
É fundada a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), em 12 de Dezembro de 1940. António Aniceto Monteiro é um dos seus principais impulsionadores e escolhido para seu Secretário Geral, por unanimidade. Pedro José da Cunha é eleito Presidente.
1943
4 de Outubro: é fundada a Junta de Investigação Matemática (JIM) por Ruy Luís Gomes, Mira Fernandes e António Monteiro. Os fundos para a JIM são angariados numa campanha promovida por António Luiz Gomes, irmão de Ruy Luís Gomes.
Dezembro: António Aniceto Monteiro vai para o Porto, a convite da JIM, com a família, onde fica cerca de um ano. Diz António Aniceto Monteiro no seu curriculum: “durante o período de 1938-43 todas as minhas funções docentes e de investigação, foram desempenhadas sem remuneração; ganhei a vida dando lições particulares e trabalhando num Serviço de Inventariação de Bibliografia Científica existente em Portugal, organizado pelo IAC”.
No Centro de Estudos Matemáticos do Porto, Monteiro dirige o Seminário de Topologia Geral. A JIM inicia a publicação dos Cadernos de Análise Geral nos quais se publicam os cursos e seminários ministrados na Faculdade de Ciências de Porto, sobre Álgebra Moderna, Topologia Geral, Teoria da Medida e Integração, etc., temas com pouca difusão nessa época nas Universidades Portuguesas.
1944-1945
Palestras da JIM lidas ao microfone da Rádio Club Lusitânia, corajosamente cedido pelo proprietário. São oradores: Ruy Luís Gomes, António Monteiro, Corino de Andrade, Branquinho de Oliveira, Fernando Pinto Loureiro, José Antunes Serra, António Júdice, Armando de Castro, Carlos Teixeira e Flávio Martins.
1945
António Aniceto Monteiro vê-se obrigado a sair de Portugal, porque lhe vedaram a entrada na carreira académica, por razões políticas. Com recomendação de Albert Einstein, J. von Neumann e Guido Beck obtém uma cátedra de Análise Superior no Rio de Janeiro, na Faculdade Nacional de Filosofia (o convite tinha sido feito em Setembro de 1943). Em 28 de Fevereiro, António Aniceto Monteiro embarca para o Rio de Janeiro onde chega com um contrato por quatro anos o qual não será renovado por influência da Embaixada de Portugal.
É nomeado membro del Comité de Redacção da Revista Summa Brasiliensis Mathematicae que a Fundação Getúlio Vargas edita.
1945-1946
António Monteiro é investigador do Núcleo Técnico Científico da Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), dirigido por Lélio Gama.
1946
Julho: Doutora-se Alfredo Pereira Gomes na Universidade do Porto, depois de ter sido orientado por António Aniceto Monteiro.
1948
António Monteiro inicia a série de publicações intituladas Notas de Matemática. Nos anos 1948-1949, são editados seis fascículos. Mais tarde, depois de sua ida para a Argentina, esta colecção será publicada sob a direcção de Leopoldo Nachbin alcançando uma grande difusão na América Latina.
1949
António Monteiro participa activamente na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, do qual é membro fundador e para o qual é contratado como investigador de Matemática.
Lecciona um curso de Introdução à Matemática para os investigadores de Instituto de Biofísica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro por convite do seu Director Carlos Chagas.
Em 5 de Dezembro, vindo do Brasil, chega à Argentina (Buenos Aires), contratado pela Universidad Nacional de Cuyo (sediada na cidade de San Juan, província de San Juan). De 1950 até 1956 é aí docente de Análise Matemática na Facultad de Ingeniería, Ciencias Exactas, Físicas y Naturales.
A partir de 1950 é professor de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Educação da mesma universidade, na cidade de San Luis.
1950
Em Janeiro e Fevereiro ao chegar à Argentina redige um trabalho sobre Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos, no qual expõe resultados que obteve sobre o assunto, que envia como anónimo ao concurso internacional organizado pela Sociedade Matemática de França em comemoração do jubileu do seu mestre Maurice Fréchet. Este trabalho foi eleito entre os quatro melhores apresentados.
1951
António Monteiro é co-fundador do Departamento de Investigaciones Científicas (DIC) da Universidad Nacional de Cuyo (Mendoza) onde é professor.
1953
Professor Full-time no Instituto de Matemática do DIC na Universidad Nacional de Cuyo, desempenhando as suas actividades como docente na Faculdade de Engenharia de San Juan.
1954
António Monteiro participa no Segundo Congresso Latino-Americano de Matemática, em Villavicencio, no Instituto de Matemática de Mendoza, organizado pela UNESCO de 21 a 25 de Julho, em que apresenta uma exposição do conjunto dos resultados obtidos no seu trabalho La Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos.
1954-1956
António Monteiro é professor de matemática na Escola de Arquitectura da Faculdade de Engenharia de San Juan, da Universidad Nacional de Cuyo.
1955
Em Fevereiro António Aniceto Monteiro lecciona um dos Primeiros Cursos Latino-americanos de Matemática patrocinados pela UNESCO, que se realizam no Instituto de Matemática de Mendoza, destinados ao aperfeiçoamento de Professores Universitários, ao qual assistem professores do Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile e Argentina.
António Monteiro é co-fundador da Revista Matemática Cuyana, tendo sido nomeado membro do seu comité de redacção.
1956-1957
Professor Contratado da Faculdade de Engenharia de San Juan, Universidad Nacional de Cuyo.
1956
Em 1956 é eleito pelos seus colegas do Instituto de Matemática de Mendoza, para realizar uma viagem ao Paraguai, Bolívia, Peru e Chile com o objetivo de estudar o aproveitamento dos bolseiros que tinham assistido aos cursos de 1955 e ajudá-los no seu trabalho. Realiza esta viagem em 1956 patrocinado pela UNESCO, tendo logo apresentado a esta instituição, um pormenorizado relatório sobre a situação nos diversos países.
Em 23 de Agosto é designado Profesor Titular, por concurso, da cátedra de Análise da Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de la Universidad de Buenos Aires, por decisão de um júri integrado por Beppo Levi, Mischa Cotlar e Rodolfo Ricabarra. Recusa essa posição.
É convidado a organizar o Instituto de Matemática da Universidade de Santiago do Chile mas recusa, também, esse convite.
Em 6 de Janeiro é criada a Universidad Nacional del Sur (UNS), Bahía Blanca, Argentina, e António Aniceto Monteiro é convidado a nela se incorporar e aceita (razão por que recusa os outros dois convites).
Nomeado membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências.
1957-1970
Em Julho de 1957 vai viver para Bahía Blanca com a posição de Professor Contratado da Universidad Nacional del Sur. É incorporado nesta Universidade para proceder à organização de Instituto de Matemática e da Licenciatura em Matemática.
A partir desse momento desenvolve uma intensa actividade com o intuito de organizar os estudos de Matemática na Universidad Nacional del Sur. Começa por organizar os planos de estudo da Licenciatura em Matemática com a colaboração de Oscar Varsavsky. Ao longo de vários anos ocupa-se de todos os problemas relativos à organização de uma Biblioteca de Matemática adequada à realização de trabalhos de investigação; esta é considerada, actualmente, como uma das melhores da América Latina. A Biblioteca do Instituto de Matemática tem actualmente o seu nome, Biblioteca Dr. António A. R. Monteiro.
Consegue a contratação, temporária ou permanente, de eminentes matemáticos nacionais e estrangeiros para a Universidad Nacional del Sur, em cujo seio se desenvolve paulatinamente um ambiente matemático juvenil.
1958
António Monteiro inicia uma série de Monografias de Matemática.
1959
Designado Organizador do Instituto de Matemática da Universidad Nacional del Sur, por diploma de 1959.
É convidado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na sua qualidade de Membro Fundador, para assistir à comemoração do décimo aniversário da sua fundação, permanecendo no Rio de Janeiro de Julho a Novembro. Em Julho participa como convidado no 2º Colóquio Brasileiro de Matemática, que se realiza em Poços de Caldas (Brasil), dando conferências entre as quais expõe as suas pesquisas sobre Álgebras Monádicas.
1958-1961
Ruy Luís Gomes é Professor Contratado pela Universidade Nacional del Sur, Bahía Blanca, Argentina, onde lecciona no Instituto de Matemática, a convite de António Aniceto Monteiro.
1960
António Monteiro começa a leccionar uma série de cursos e seminários de Lógica Algébrica destinados a formar um ambiente adequado para a investigação neste ramo da Matemática, continuando os cursos que Helena Rasiowa e Roman Sikorski leccionaram na Universidad Nacional del Sur em 1958.
1961
No início de 1961 lecciona um curso sobre Espaços de Hilbert no Instituto de Física de Bariloche e nessa ocasião inicia no estudo de Lógica Algébrica licenciados em Matemática da Universidade de Buenos Aires entre os quais se destaca pelos resultados obtidos, sobre problemas propostos, o Licenciado Horacio Porta. No mesmo período (1960-1961) dirige os estudos de Mário Tourasse Teixeira, de nacionalidade brasileira, primeiro directamente em Bahía Blanca e Bariloche, e posteriormente por correspondência sobre um tema que foi posteriormente objecto da sua tese de Doutoramento na Universidade de São Paulo.
Permanece na Faculdade de Ciências Exactas da Universidade de Buenos Aires, de Julho a Dezembro como professor visitante. Nessa oportunidade realiza um trabalho sobre as Álgebras de De Morgan com a colaboração de um estudante, brasileiro, da dita Faculdade, Oswaldo Chateaubriand.
1964
Funda a colecção intitulada Notas de Lógica Matemática, editada pelo Instituto de Matemática da UNS, na qual começa a publicar os trabalhos de investigação realizados em Bahía Blanca.
Com as publicações do Instituto, inicia um amplo serviço de troca que se mantém e desenvolve graças à relevante colaboração de Edgardo Fernández Stacco. Actualmente o Instituto recebe por troca cerca de 200 publicações periódicas.
No fim de 1964 trabalha como assessor da Fundação Bariloche, com o objectivo de organizar um Instituto de Matemática dedicado essencialmente à investigação ao nível latino-americano tendo, a propósito, redigido um relatório.
1965
Em Dezembro, abandona a direcção do Instituto de Matemática de Bahía Blanca passando, aí, a dedicar-se exclusivamente à realização de trabalhos de investigação e à formação de discípulos, que sempre foi a sua actividade central neste Instituto. Prossegue com a docência na UNS.
1966
Inicia a colecção intitulada Notas de Algebra y Análisis, editada pelo Instituto de Matemática da UNS.
1968
Participa no Primeiro Simpósio Panamericano de Matemática Aplicada em Buenos Aires, onde o seu trabalho sobre Generadores de reticulados distributivos foi elogiado por Garret Birkhoff.
1969-1970
Com licença sabática de Setembro de 1969 a Agosto de 1970, António Monteiro é bolseiro do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) e viaja pela Europa, realizando a sua primeira viagem de estudo depois de 25 anos de trabalho na América Latina (dos quais 20 na Argentina).
Recebe um convite para fazer uma conferência plenária no IV Congresso de Matemática de Expressão Latina que se realiza em Setembro de 1969 em Bucareste, na qual faz uma exposição do conjunto dos trabalhos realizados em Bahía Blanca, sobre Lógica Algébrica.
Durante a sua estadia na Europa faz conferências, convidado pela Universidade de Bucareste, Instituto de Matemática da Academia de Ciências da Roménia, Universidade de Cluy (Roménia) e Universidades de Paris, Clermont Ferrand, Lyon, Montepellier, Bruxelas e Roma.
1972
Em 31 de Maio, ao fazer 65 anos, de acordo com a legislação, renuncia ao seu cargo. No entanto, em virtude dessa mesma lei, mantem-no até se completarem todos os trâmites jubilatórios, que nessa época demoravam bastante tempo. Só em Setembro de 1975 é que recebe os primeiros vencimentos como jubilado, referentes ao período de 1 de Abril a 31 de Outubro desse ano.
Em 30 de Maio de 1972, António Aniceto Monteiro é designado Profesor Emérito de la Universidad Nacional del Sur, o único durante mais de vinte e cinco anos.
1974
No dia 1 de Outubro é nomeado Membro Honorário da Unión Matemática Argentina.
1975
António Monteiro jubila-se.
Março: invocando a legislação anterrorista, o reitor da Universidad Nacional del Sur, proíbe a sua entrada na universidade.
1977
O Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), Portugal, cria um lugar de investigador para António Aniceto Monteiro (no CMAF). Este permanece em Portugal cerca de dois anos.
1978
António Monteiro é distinguido com o Prémio Gulbenkian de Ciência e Tecnologia pelo seu trabalho Sur les Algèbres de Heyting Symétriques.
1980
29 de Outubro: António Aniceto Monteiro morre em Bahía Blanca, Argentina.
1989
A Universidad Nacional del Sur delibera a realização de um Congresso de Matemática, com ênfase na alternância de diversos ramos da matemática, e que tem a designação de Congreso Dr. Antonio Monteiro. Realizam-se congressos em 1991, 1993, 1995, 1997, 1999, 2001, 2003 e 2005. O IX Congresso realiza-se de 30 de Maio a 1 de Junho de 2007 coincidindo com o centenário do seu nascimento.
2000
O Instituto de Matemática de Bahía Blanca publica em sua homenagem Recordando al Dr. Antonio Monteiro, Informe Técnico Interno nº 70, cujos editores são Edgardo L. Fernández Stacco, Diana M. Brignole, Luiz F. Monteiro e Aurora V. Germani.
Em 2 de Outubro, no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Matemática, o Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, em acto solene, concede-lhe, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada.
2006
Em 28 de Agosto, no Congresso Internacional de Matemática, em Madrid, realiza-se a António A. Monteiro’s Centenary Session, onde é apresentada a compilação em 8 volumes da obra The Works of António A. Monteiro, editada por Eduardo L. Ortiz e Alfredo Pereira Gomes (também existente em formato CD/DVD).
2007
Realizam-se comemorações do centenário de António Aniceto Monteiro na Argentina e em Portugal.

Nota: Esta cronologia não é exaustiva. Por exemplo, nada diz quanto às publicações de António Monteiro. Para as publicações, ver BIBLIOGRAFÍA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO

Como complemento veja:

Just half a century ago...
Artigos de Maurice Fréchet na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de António Aniceto Monteiro na "Portugaliae Mathematica"
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979, por Alfredo Pereira Gomes
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina, por Eduardo L. Ortiz
The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil, por Leopoldo Nachbin
Artigos sobre António Aniceto Monteiro de Hugo Ribeiro, Ruy Luís Gomes e Luís Neves Real
Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro
Maurice Fréchet (1878-1973)
Duas palestras lidas ao microfone de Rádio Clube Lusitânia (António A. Monteiro e Ruy Luís Gomes)
Contribuição Matemática do Professor Dr. António A. R. Monteiro, por Luiz F. Monteiro
Declaração de António Monteiro e Silva Paulo relativamente a quantias recebidas da JIM
Uma carta de António Aniceto Monteiro, proveniente de S. Juan, Argentina, e datada de 27 de Abril de 1954
"O António Monteiro escreveu" - manuscrito de Abel Salazar
"Não há tempo a perder"... - uma carta de António Aniceto Monteiro
ANTONIO A. MONTEIRO (31/05/1907-29/10/80), por Edgardo Luis Fernández Stacco

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Perguntado sobre a evolução das ciências matemáticas em Portugal, disse o prof. Monteiro que «o caminho dos matemáticos portugueses é emigrar. Isto é o que se observa» Agora, vêm eles para o Brasil, onde encontram uma segunda pátria. Não seria este, certamente, o desejo desses matemáticos se tivessem o auxílio que merecem».


Declarações do prof. Aniceto Monteiro

Encontra-se no Rio de Janeiro, a convite do Centro Brasileiro de Pcsquisas Físicas, o ilustre matemático português, prof. António Aniceto Monteiro. À sua chegada, em meados de dezembro, à capital federal, o ilustre cientista fez as seguintes declarações à imprensa:
«Não existe o intercâmbio luso-brasiletro. Portugal envia para o Brasil pessoas escolhidas por critério de ordem política, gente que não representa a inteligência portuguesa o que só serve, em geral, para aumentar o repertório do anedotário sobre os portugueses.
A lista dos intelectuais lusitanos perseguidos pelo fascismo é imensa, isto porque a inteligência portuguesa se mantém ao lado do povo, na luta contra o regime, que asfixia o país há 33 longos anos».
«Os alunos da escola primaria do meu país vestem, obrigatoriamente, o uniforme verde dos «lusitos» e os da escola secundaria o uniforme castanho da mocidade portuguesa. São obrigados a desfilar de mãos estendidas à fascista e marcham a passo do ganso. E os professores universitários são expulsos das suas cátedras, por manifestarem sua oposição ao regime asfixiante».

Cultura desenvolve-se em democracia
O prof. António Anitceto Monteiro veio ao Brasil, eomo acima dissemos, a convite do Centro Brasileiro do Pesquisas Físicas, instituição da qual é fundador, Já lecionou na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, de 1945 a 1948. Atualmente entá radicado na Argentina, contratado pela Universidade do Sul, para organizar um Instituto de Matemática. Tem 52 anos, nasceu em Mossamedes, na colônia portuguesa de Angola. Ê licenciado em Ciências Matemáticas pela Universidade de Lisboa e dou-tor pela Sorbonne; membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências, laureado pela Academia de Ciências de Lisboa com o Prémio Artur Malheiros.
«Preciso falar de política, porque o desenvolvimento da cultura só é possível quando existem as liberdades democráticas fundamentais» — declarou o prof. Antônio Monteiro. — «A maior riqueza de um país, são as imensas reservas de inteligência existentes nas amplas camadas populares, que só podem revelar-se numa atmosfera de progresso».

Matemáticos emigram
Perguntado sobre a evolução das ciências matemáticas em Portugal, disse o prof. Monteiro que «o caminho dos matemáticos portugueses é emigrar. Isto é o que se observa» Agora, vêm eles para o Brasil, onde encontram uma segunda pátria. Não seria este, certamente, o desejo desses matemáticos se tivessem o auxílio que merecem».

Censura
Disse, mais, que «em Portugal não existe nenhuma liberdade democrática fundamental». «Eu nunca votei em meu país. Os jornais estão submetidos à censura».
O prof. Antônio Aniceto Monteiro concluiu suas declarações lembrando a figura de Tiradentes, «exemplo que ilustra a ferocidade manifestada pela reação portuguesa, sempre que governou o país. Tiradentes deve estar sempre presente no espirito dos portugueses que desejam um Portugal livre e independente» — concluiu.

Artigo do «Portugal Democrático», nº32, 1960.
O documento aqui reproduzido consta do Processo 558/67-SR, NP-3577 (folha 40), do Arquivo da PIDE/DGS, relativo a António Aniceto Monteiro, existente na Torre do Tombo (IAN/TT).

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

...
Os trabalhos de físicos brasileiros relatados neste artigo, justificaram plenamente a razão pela qual os físicos Lattes, Leite Lopes, Tiomno, Elisa, Gabriel Fialho e Lauro Xavier Nepomuceno, mais os matemáticos Antônio Aniceto Monteiro, Nachbin e Francisco Mendes de Oliveira Castro [este havia obtido notoriedade no meio científico mundial por haver resolvido, em 1939, a equação integral de Volterra pelo método dos núcleos iterados que o próprio matemático italiano Vito Volterra (1860-1940) havia proposto em 1896],[25] e com o apoio dos irmãos Lins de Barros (Ministro João Alberto, Henry e Nelson) esses cientistas fundaram no começo de 1949, o CBPF que, juntamente com o Departamento de Física da FFCL/USP (hoje, Instituto de Física da USP) e o Departamento de Física da FNFi (hoje, Instituto de Física da UFRJ), representam o tripé fundamental, responsável pela excelente pesquisa em Física Teoria e Experimental que se faz em todo o Brasil, pesquisa essa que será tratada em várias Crônicas desta série, na qual descreveremos o papel desempenhado pela Física Brasileira no cenário da Física Mundial.
Ver:

domingo, 4 de fevereiro de 2007

O testemunho de "Sophie"

Excerto de
(...) Eu faço parte da primeira geração de pessoas que começaram a ser formadas não somente para serem professores mas também para serem pesquisadores. Nesse grupo eu incluo três alunos da engenharia que vinham
assistir os nossos cursos na Faculdade Nacional de Filosofia: o Leopoldo Nachbin, o
Maurício Peixoto e a Marília Chaves Peixoto. Começou a se formar um grupo de matemáticos, vieram professores americanos, franceses, mas aqui no Rio uma pessoa muito importante foi o Antonio Aniceto Monteiro.
Houve uma certa resistência quando fecharam a UDF; as aulas ficaram interrompidas de abril até agosto. Nessa ocasião nós tínhamos uma pessoa que realmente fazia matemática, que já fazia pesquisa: era o Lélio Gama. Ainda hoje eu estava lembrando que o professor Lélio começou o Curso de Análise fazendo cortes de Dedekind e eu cheguei a sonhar e a me ver sendo cortada... Na época o fato realmente me causou impacto, eu não assimilei aquilo, mas acho que foi muito importante.
Nós começamos a ter aulas de geometria projetiva e tínhamos uma parte de geometria projetiva sintética e outra de geometria projetiva analítica, coisas diferentes, e era engraçado porque os engenheiros que achavam que sabiam matemática ficavam admirados com a introdução de pontos no infinito, pontos próprios e essas coisas. A introdução de geometria projetiva foi um corte na matemática; trata-se de uma outra concepção e acho que isso foi interessante. De qualquer modo dá para ver que o nosso curso foi bastante irregular pois as aulas recomeçaram em agosto e logo, passando o mês de setembro, fomos fazer os exames. Em síntese, nossos professores nesse primeiro ano foram o Lélio Gama, que dava Análise, Ernesto L. de Oliveira Júnior, que dava Geometria e o Joaquim da Costa Ribeiro, que dava Física.
No ano seguinte, em 1940, houve um choque: o Lélio Gama não podia ser ao mesmo tempo diretor do Observatório Nacional e professor. Nessa época, tanto aqui no Rio quanto em São Paulo, mandaram contatar pessoas na Europa para vir dar aulas nas novas Universidades que estavam sendo criadas; para o Rio vieram professores italianos e dizia-se, entre os alunos, que o professor Lélio tinha ficado muito chocado por terem convidado o Gabriele Mammana sem fazer nenhuma consulta a ele.
Tivemos o primeiro ano do curso assim acidentado, e no segundo ano o professor Oliveira Júnior, que tinha um problema pulmonar sério, convidou a mim e a Moema para sermos monitoras dele, e isso foi uma coisa muito saudável para nós duas. Essa é uma coisa pela qual me bato hoje: as pessoas mal acabam a faculdade e já começam a dar aulas sem qualquer experiência; não precisaria existir o catedrático, que era um tipo de senhor feudal, mas quando ele tinha uma certa compreensão e queria criar uma escola ele procurava encaminhar os seus assistentes; acho que é o exemplo da Elza Gomide com o Omar Catunda; e aqui no Rio, o Oliveira Júnior fazia isto. Ele preparava as aulas comigo e com Moema e ia assistir às nossas aulas. Na turma que veio em seguida, estava o Leite Lopes, que já era químico em Pernambuco e veio fazer o Curso de Matemática aqui no Rio. Ele foi nosso aluno; às vezes a gente errava uma coisa e ele soprava... Essa experiência de trabalhar como monitora tendo a orientação do professor Oliveira Júnior foi uma preparação muito importante para a gente.
Eu tinha uma preocupação grande com a questão de ter que fazer pesquisa. Geralmente quando encontro os meus ex-alunos, eles dizem que as nossas aulas eram bastante interessantes; mas eu acho que uma parte se deve ao fato de que a gente não sabia muito e por isso nós interagíamos bastante com eles. Sempre tive a preocupação de aprender mais. Eu sempre estive mais ou menos preocupada com essa parte de ensino; eu procurava modificar um pouco os programas, as ementas. E muito cedo nós ficamos responsáveis pela Cadeira de Geometria – Cadeira, como era chamada – e retiramos completamente a parte de geometria descritiva, pois achávamos que não tinha muito cabimento manter aquilo e procuramos introduzir coisas mais modernas. Eu dava aulas como monitora; só fui contratada como assistente em 43. Como monitora não se ganhava nada. Em 42, quase que por acidente, a Moema foi nomeada assistente, e o diretor da Faculdade de Filosofia era o Santiago Dantas, uma pessoa que procurava o melhor para a Faculdade. Para se ter uma idéia, o nosso bibliotecário era o Carpeaux... Bom, a Moema foi nomeada em 42 e começa a ganhar alguma coisa e dividia comigo o salário dela de assistente até que eu fui nomeada.
Trabalhávamos sem ganhar nada como monitores, mas era uma maneira de começar. E havia também uma coisa: dava-se muita aula particular. Eu acho que a aula particular é muito importante; agora que eu entendo um pouco mais de educação, vejo que na aula particular você pode entender melhor o raciocínio do aluno e as dificuldades que ele enfrenta.
A professora Moema Sá Carvalho foi muito importante em toda a minha trajetória. Ela dividiu comigo os parcos proventos de assistente e assumiu a presidência, no biênio seguinte, quando eu deixei a presidência do GEPEM. Ela fez um trabalho muito bom na comemoração dos 10 anos do GEPEM. Realmente foi muito importante contar com ela.
Não havia curso de pós-graduação e, para obter o título de doutor, era necessário fazer a tese de livre docência. Eu comecei a trabalhar para fazer minha tese e nessa época o professor Aniceto Monteiro estava muito interessado na Teoria dos Reticulados, e comecei a pesquisar sobre isso. Eu acho muito importante fazer uma pesquisa, não precisa descobrir um teorema que vai revolucionar a matemática, mas é importante que você tenha o método. E foi muito gratificante esse trabalho que eu fiz com o Monteiro.
Houve a maior dificuldade na hora de eu defender essa tese. Por quê?
Porque havia uma briga fantástica aqui no Rio entre um grupo dominado pelo Rocha Lagoa e o grupo do Leopoldo Nachbin, na verdade, o grupo do Monteiro. O Monteiro já não tinha contrato na Universidade, mas me orientou até o final; e na hora da minha defesa de tese, o Rocha Lagoa apenas disse o seguinte: professora, a sua tese é muito boa, a senhora é muito jovem, mas é um plágio, e a culpa é do seu orientador. Eu me desorientei completamente, mas fui para ofensiva; primeiro para defender o Monteiro e depois para dizer que ele era um ignorante. Até que num determinado momento ele disse: a senhora está querendo me argüir e eu é que estou aqui para lhe argüir. Mas em seguida o professor Elisiário Távora, que ficou emocionado com aquela coisa toda, com a injustiça que havia, porque ele dizia que eu tinha plagiado o O. Flink, o Elisiário Távora virou e disse: eu não tenho o que lhe argüir porque sua tese é perfeita. Depois os outros membros – eram cinco membros na banca e a ocasião era solene, no salão nobre – intervieram e deram as suas notas e o Rocha Lagoa, apesar de ter dado nota de aprovação, um sete, dizia que era ilegal. Ele dizia que o regimento previa que todos os examinadores argüissem e que o Távora havia dito que não me argüiria; mas aí o Christovam Colombo dos Santos, um mineiro, rebateu o seguinte: tratase de argüir sobre erros. Quando o professor Elisiário Távora disse que não argüia porque a prova era perfeita, ele estava dando um juízo. Então por isso eu consegui ser aprovada. É impressionante... quando eu vejo essas lutas por aí eu penso: meu Deus do céu! Estou me reportando há 50 anos atrás!
A orientação para a tese funcionava assim: o orientador dava o problema e discutia com o orientado, é a mesma coisa de hoje. O Monteiro tinha muita vivência e sabia perfeitamente como funcionava o ambiente acadêmico da época.
O trabalho foi bastante interessante; tínhamos um problema e eu procurei estender as condições. Creio que na Biblioteca Nacional existem os livretos dessa argüição, pois o Rocha Lagoa não se convenceu... Aliás, não creio que tenha sido o Rocha Lagoa, ele não tinha condições de fazer isso; acho que era um grupo... O fato é que ele publicou um folheto dando a argüição dele e dizendo que minha tese era um plágio, e eu respondi.
Aqui há outra curiosidade. Nós éramos pagos em dinheiro. Fazíamos uma fila na faculdade e uma pessoa do Ministério da Fazenda vinha com uma maleta trazendo o dinheiro. No pagamento seguinte ao dia da defesa de tese, o Rocha Lagoa mandou um servente distribuir os folhetos dele. Aí no mês seguinte eu mandei distribuir o meu. Nessa altura, Monteiro estava pelos cabelos, pois é claro que foi junto com ele que eu pude fazer toda aquela argumentação. Estava sendo criado o CBPF, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e essa minha resposta foi datilografada e impressa em um mimeógrafo no CBPF. No mês seguinte veio um outro folheto do Rocha Lagoa, a tréplica. Daí eu já não agüentava mais e felizmente tinha surgido a oportunidade de ir para Chicago onde já estavam o Leopoldo, a Marília [Chaves Peixoto] e o Maurício [Peixoto]. Eu não consegui bolsa,
só a autorização para me ausentar mantendo o ordenado. Lá eles me puseram como pesquisadora associada do Departamento de Matemática da Universidade de
Chicago para onde eu fui no final de 1949. Quando eu cheguei lá as pessoas queriam saber todas essas novidades, pois o caso realmente teve repercussão e aí resolvemos, principalmente o Leopoldo e o Maurício, escrever para o Flink perguntando o que é que ele achava da situação. Ele imediatamente respondeu que os meus resultados foram uma extensão do trabalho dele e que, além disso, ele se prontificava a fazer uma resenha da tese para o Mathematical Reviews.
Depois de alguns meses saiu a resenha, e nós traduzimos a carta do Flink e mandamos cópia de tudo aqui para o Brasil. Acho que foi distribuído na fila do pagamento de janeiro e só assim acabou essa festa. Uma vez o Ubiratan me perguntou sobre essa briga e eu disse a ele: tive uma briga, mas eu era um marisco e a luta foi entre o rochedo e o mar. Mas afinal de contas o marisco disse: não! (...)