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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Origem e objectivo desta Secção (MOVIMENTO MATEMÁTICO)


Origem e objectivo desta Secção


Pensou-se há algum tempo em publicar um jornal — que teria por título Movimento Matemático — des­tinado a lançar uma campanha para uma reforma dos estudos matemáticos em Portugal e a fazer a pro­paganda das principais correntes do movimento ma­temático moderno.
Parece-me evidente a necessidade de publicar um tal jornal precisamente porque o nosso país anda longe das correntes vitais do pensamento matemá­tico moderno e porque o nosso ensino das ciências matemáticas necessita de uma remodelação completa; remodelação dos programas de estudo, da organiza­ção da licenciatura em Ciências Matemáticas, da pre­paração dos professores do ensino secundário, das provas de doutoramento e dos métodos de recrutamento do pessoal docente universitário.
É indiscutível que assistimos hoje no nosso país a uma verdadeira efervescência de actividade no campo das ciências matemáticas. Demonstram esta afirma­ção o aparecimento sucessivo no curto prazo de cinco anos de 1.º) Portugaliae Mathematica, fundada em 1937; 2.º) Seminário Matemático de Lisboa (1938) que toma em Novembro de 1939 o nome de Seminá­rio de Análise Geral; 3.º) Centro de Estudos de Ma­temáticas Aplicadas à Economia, fundado pelo 1.º Grupo do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (1938); 4.º) Gazeta de Matemática, Ja­neiro de 1939; 5.º) Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, fundado pelo Instituto para a Alta Cul­tura em Fevereiro de 1940; 6.º) Sociedade Portu­guesa de Matemática, Dezembro de 1940; 7.º) Centro de Estudos Matemáticos do Porto, fundado pelo Instituto para a Alta Cultura em Fevereiro de 1942.
Anuncia-se para breve a publicação do Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática, das Publica­ções da Secção de Matemática da Faculdade de Ciências do Porto e de uma colecção de Estudos de Matemática; projecta-se a criação de um Estúdio de Matemática em Lisboa.
Todas estas organizações e publicações trabalham per um ressurgimento da cultura matemática portu­guesa!
Se tudo isto é muito animador e nos permite ter esperanças num triunfo mais ou menos próximo, não devemos ter ilusões de espécie alguma sobre as dificuldades que nos esperam!
Há que contar — isto é de todos os tempos! — com um recrudescimento da hostilidade da ignorância e da má fé; da hostilidade daqueles para quem a estagnação ou a decadência da nossa cultura matemá­tica é a condição necessária para a realização de objectivos que nada têm que ver com as ciências ma­temáticas, daqueles que tremem perante a ideia da existência de uma juventude estudiosa consagrando inteiramente a sua vida e o seu entusiasmo a uma causa pela qual eles nunca lutaram — porque o es­forço e a diligência no estudo revelam de uma ma­neira evidente os erros do passado e as deficiências do presente — da má fé daqueles que apregoam um interesse e um entusiasmo pelo desenvolvimento da cultura matemática que são desmentidos categoricamente pela sua actuação presente, da má fé daqueles que consideram como revelações de inteligência e de capacidade a adoração da rotina que o uso consa­grou e de que eles são por vezes os mais legítimos representantes; há que contar ainda com a ignorância (e que enciclopédica ignorância!) daqueles que afirmam que o nosso país está perfeitissimamente ao corrente do movimento matemático moderno, que a nível dos nossos estudos matemáticos se pode por a par do dos países mais avançados, e finalmente há que contar com a indiferença (que estranha e có­moda indiferença!) daqueles que dizem que no nosso país não há nada a fazer, que os portugueses são in­capazes de realizar um esforço persistente e conti­nuado e que portanto são incapazes de contribuir para o progresso das ciências matemáticas!
Pensamos que o aparecimento destas manifesta­ções, deve servir apenas para nos indicar que se­guimos pelo bom caminho — porque a cada tarefa realizada a reacção deve aumentar — e que nunca devemos desviar a nossa atenção do trabalho me­tódico e persistente para controvérsias de carácter duvidoso.
É precisamente pelo estudo, pelo trabalho de in­vestigação e pela propaganda das matemáticas, que se pode preparar o ressurgimento dos estudos matemáticos em Portugal, mas importa evidentemente orientar a nossa actuação pelas lições que nos são dadas pela nossa experiência e pela experiência das outras nações. Há que definir um rumo, e segui-lo enquanto a experiência mostrar que estamos no bom caminho!
O desenvolvimento rápido da Gazeta de Matemática — em particular a partir do início do presente ano lectivo — tornou possível o alargamento imediato da sua acção cultural e daí nasceu a ideia — para evitar uma dispersão de esforços que o momento actual não permite — de criar na Gazeta uma secção em que se desenvolveria a pouco e pouco o plano de acção que se pretendia realizar no Movimento Mate­mático. É esta a origem desta secção que se iniciou no n.º 9 da Gazeta.
Infelizmente a situação actual da Gazeta não per­mite ainda dar a esta secção todo o desenvolvimento que era necessário. Por isso temos que nos limitar a assinalar aos leitores deste número as realizações e iniciativas de valor cultural sob o ponto de vista matemático de que temos conhecimento. Esperamos que em breve seja possível, por meio da colaboração efectiva de todas as pessoas interessadas no desenvolvimento da cultura matemática, lançar uma cam­panha para uma reforma dos estudos matemáticos em Portugal e fazer a propaganda das principais cor­rentes do movimento matemático moderno.
ANTÓNIO MONTEIRO

Artigo da secção MOVIMENTO MATEMÁTICO
Gazeta de Matemática, n.º 10, 25-26 (Abril de 1942)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O exílio de António Aniceto Monteiro

O exílio de António Aniceto Monteiro (*)

Jorge Rezende

António Aniceto Monteiro (1907-1980) foi a mais importante figura da década prodigiosa da matemática portuguesa dos anos 30 e 40 do século passado. Foi o primeiro secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Matemática e talvez o principal impulsionador da sua fundação. Exilou-se no Brasil no princípio de 1945.
Tanto Pereira Gomes como Valadares sabiam do que falavam. Ambos eram amigos íntimos de Monteiro, companheiros de lutas e de exílios. O primeiro fez o doutoramento sob a sua orientação e o segundo foi bolseiro em Paris na mesma altura em que Monteiro lá esteve e era seu compadre, padrinho do filho mais novo.
A partir de finais de 1936, Monteiro viveu ainda com pequenos rendimentos tais como um subsídio pago pelo IAC (cujo presidente era Celestino da Costa) como colaborador no serviço de inventariação da bibliografia científica existente em Portugal. Mas no final de 1941 ou princípio de 1942 o Ministro da Educação Nacional, Mário de Figueiredo, demitiu Celestino da Costa e em Dezembro de 1942 «dispensou» os serviços de Monteiro, isto é, despediu-o.
António Aniceto Monteiro exilou-se pois no Brasil em 1945 porque estava desempregado, não tinha meios de subsistência em Portugal, por se recusar a assinar a tal declaração de submissão ao regime político salazarista.
A principal razão que me leva a escrever este artigo é o facto de ter lido na Wikipedia, a propósito de António Aniceto Monteiro, que
«Existem duas interpretações dos motivos que o terão levado a abandonar Portugal. Uma primeira interpretação refere motivos políticos, que ele foi impedido de ter uma carreira universitária em Portugal, pois recusou-se a assinar um documento onde declarava o apoio ao salazarismo e o repúdio ao comunismo e às «ideias subversivas». Uma outra interpretação é a de que o próprio António Aniceto Monteiro deixou escrito de forma clara que abandonou o país, não por motivos ou perseguições políticas mas, por estar saturado das obstruções dos seus pares académicos.»
Para esta segunda «interpretação», a Wikipedia remete o leitor para o livro de Jorge Buescu «Matemática em Portugal, Uma Questão de Educação». De facto, foi este autor que imaginou tal «interpretação». Segundo ele, as razões que levaram Monteiro ao exílio estão num artigo do nº 10 da «Gazeta de Matemática», de Abril de 1942, páginas 25-26, «Origem e objectivo desta Secção [MOVIMENTO MATEMÁTICO]», que está reproduzido no Anexo. É aqui que, segundo a Wikipedia, Monteiro «deixou escrito de forma clara» os motivos do seu exílio.
O leitor procure na rede este artigo de Monteiro («Origem e objectivo desta Secção [MOVIMENTO MATEMÁTICO]»), ou leia-o no Anexo, e verifique se aí está explicado que foi por estar «saturado da obstrução dos co­legas» que ele «decide abandonar o País em 1943, acabando por partir pa­ra o Brasil em 1945», conforme afirma Jorge Buescu no seu livro. A verdade é que não estánão há no texto de Monteiro qualquer referência a uma intenção de se exilar.
É certo que eu já abordei este assunto nos meus artigos «Sobre as perseguições a cientistas durante o fascismo» (Revista «Vértice», 166) e «António Aniceto Monteiro – lutas, perseguições e exílios» («Boletim» da Sociedade Portuguesa de Matemática, 74). Mas também é verdade que continuam a alastrar na rede citações da referida «interpretação», devido à projecção mediática do seu autor. É, por exemplo, o caso da versão inglesa da entrada sobre António Aniceto Monteiro na Wikipedia.
Este falseamento da História é tanto mais estranho quanto o seu autor tem escrito vários artigos de opinião (nomeadamente, no jornal «Público») onde tem proclamado ser um acérrimo defensor «do conhecimento, do rigor e da exigência».
Pois em nome do conhecimento, do rigor e da exigência já é mais do que tempo de ser reparado este mal que foi feito.


ANEXO

Origem e objectivo desta Secção

Pensou-se há algum tempo em publicar um jornal — que teria por título Movimento Matemático — des­tinado a lançar uma campanha para uma reforma dos estudos matemáticos em Portugal e a fazer a pro­paganda das principais correntes do movimento ma­temático moderno.
Parece-me evidente a necessidade de publicar um tal jornal precisamente porque o nosso país anda longe das correntes vitais do pensamento matemá­tico moderno e porque o nosso ensino das ciências matemáticas necessita de uma remodelação completa: remodelação dos programas de estudo, da organiza­ção da licenciatura em Ciências Matemáticas, da pre­paração dos professores do ensino secundário, das provas de doutoramento e dos métodos de recrutamento do pessoal docente universitário.
É indiscutível que assistimos hoje no nosso país a uma verdadeira efervescência de actividade no campo das ciências matemáticas. Demonstram esta afirma­ção o aparecimento sucessivo no curto prazo de cinco anos de 1.º) Portugaliae Mathematica, fundada em 1937; 2.º) Seminário Matemático de Lisboa (1938) que toma em Novembro de 1939 o nome de Seminá­rio de Análise Geral; 3.º) Centro de Estudos de Ma­temáticas Aplicadas à Economia, fundado pelo 1.º Grupo do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (1938); 4.º) Gazeta de Matemática, Ja­neiro de 1939; 5.º) Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, fundado pelo Instituto para a Alta Cul­tura em Fevereiro de 1940; 6.º) Sociedade Portu­guesa de Matemática, Dezembro de 1940; 7.º) Centro de Estudos Matemáticos do Porto, fundado pelo Instituto para a Alta Cultura em Fevereiro de 1942.
Anuncia-se para breve a publicação do Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática, das Publica­ções da Secção de Matemática da Faculdade de Ciências do Porto e de uma colecção de Estudos de Matemática; projecta-se a criação de um Estúdio de Matemática em Lisboa.
Todas estas organizações e publicações trabalham por um ressurgimento da cultura matemática portu­guesa!
Se tudo isto é muito animador e nos permite ter esperanças num triunfo mais ou menos próximo, não devemos ter ilusões de espécie alguma sobre as dificuldades que nos esperam!
Há que contar — isto é de todos os tempos! — com um recrudescimento da hostilidade da ignorância e da má fé; da hostilidade daqueles para quem a estagnação ou a decadência da nossa cultura matemá­tica é a condição necessária para a realização de objectivos que nada têm que ver com as ciências ma­temáticas, daqueles que tremem perante a ideia da existência de uma juventude estudiosa consagrando inteiramente a sua vida e o seu entusiasmo a uma causa pela qual eles nunca lutaram — porque o es­forço e a diligência no estudo revelam de uma ma­neira evidente os erros do passado e as deficiências do presente —, da má-fé daqueles que apregoam um interesse e um entusiasmo pelo desenvolvimento da cultura matemática que são desmentidos categoricamente pela sua actuação presente, da má-fé daqueles que consideram como revelações de inteligência e de capacidade a adoração da rotina que o uso consa­grou e de que eles são por vezes os mais legítimos representantes; há que contar ainda com a ignorância (e que enciclopédica ignorância!) daqueles que afirmam que o nosso país está perfeitissimamente ao corrente do movimento matemático moderno, que o nível dos nossos estudos matemáticos se pode por a par do dos países mais avançados, e finalmente há que contar com a indiferença (que estranha e có­moda indiferença!) daqueles que dizem que no nosso país não há nada a fazer, que os portugueses são in­capazes de realizar um esforço persistente e conti­nuado e que portanto são incapazes de contribuir para o progresso das ciências matemáticas!
Pensamos que o aparecimento destas manifesta­ções deve servir apenas para nos indicar que se­guimos pelo bom caminho — porque a cada tarefa realizada a reacção deve aumentar — e que nunca devemos desviar a nossa atenção do trabalho me­tódico e persistente para controvérsias de carácter duvidoso.
É precisamente pelo estudo, pelo trabalho de in­vestigação e pela propaganda das matemáticas, que se pode preparar o ressurgimento dos estudos matemáticos em Portugal, mas importa evidentemente orientar a nossa actuação pelas lições que nos são dadas pela nossa experiência e pela experiência das outras nações. Há que definir um rumo, e segui-lo enquanto a experiência mostrar que estamos no bom caminho!
O desenvolvimento rápido da Gazeta de Matemática — em particular a partir do início do presente ano lectivo — tornou possível o alargamento imediato da sua acção cultural e daí nasceu a ideia — para evitar uma dispersão de esforços que o momento actual não permite — de criar na Gazeta uma secção em que se desenvolveria a pouco e pouco o plano de acção que se pretendia realizar no Movimento Mate­mático. É esta a origem desta secção que se iniciou no n.º 9 da Gazeta.
Infelizmente a situação actual da Gazeta não per­mite ainda dar a esta secção todo o desenvolvimento que era necessário. Por isso temos que nos limitar a assinalar aos leitores deste número as realizações e iniciativas de valor cultural sob o ponto de vista matemático de que temos conhecimento. Esperamos que em breve seja possível, por meio da colaboração efectiva de todas as pessoas interessadas no desenvolvimento da cultura matemática, lançar uma cam­panha para uma reforma dos estudos matemáticos em Portugal e fazer a propaganda das principais cor­rentes do movimento matemático moderno.
ANTÓNIO MONTEIRO

(*) Artigo publicado originalmente no blogue «

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Minuta da transferência de propriedade da Gazeta de Física de Armando Gibert para a Sociedade Gazeta de Matemática, Limitada (21 de Outubro de 1946)

© Família de António Aniceto Monteiro
=== 
Mais uma vez, a letra desta minuta parece ser a de Avelino Cunhal. Ver:
Minuta da entrega da edição da Portugaliae Mathematica à Sociedade Gazeta de Matemática, Limitada (21 de Outubro de 1946)
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Armando Gibert
(Fotografia do ficha da SOCIEDADE CORTICEIRA ROBINSON)
(Digitalização amavelmente cedida por Manuela Mendes)
-
No blogue RUY LUÍS GOMES: Armando Gibert
Neste blogue: Armando Gibert

domingo, 25 de março de 2007

BIBLIOGRAFÍA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO

Trabajos Científicos

[M1] Sur les noyaux additifs dans la théorie des équations intégrales de Fredholm, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de París, 198 (1er. Sem. 1934), 1737.

[M2] Sur une classe de noyaux de Fredholm développables en série de noyaux principaux, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, Tomo 200, (1er. Sem. 1935), 2143.

[M3] Sur l'additivité des noyaux de Fredholm, Tesis de Doctorado en la Sorbona. Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 1 (1937), 1-174.

[M4] Sur l'Axiomatique des Espaces V, en colaboración con H. Ribeiro, Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 4 (1940), 275-288.

[M5] Sur l'additivité dans un anneau, Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 4 (1940), 289-292.

[M6] Caractérization des Espaces de Hausdorff au moyen de l'opération de derivation, Portugaliae Mathematica, 1, Fasc. 4 (1940), 333-349.

[M7] Os conjuntos mutuamente conexos e os fundamentos da topología geral, (con Armando Gibert), Las Ciencias, Año VII, nro. 2, (Diciembre 1940), 1-4. Comunicación al Congreso Luso-Español para el progreso de las Ciencias, Zaragoza, 1940.

[M8] Les ensembles fermés et les fondements de la topologie, Portugaliae Mathematica, 2 (1941), 56-66.

[M9] La notion de fermeture et les axiomes de séparation, Portugaliae Mathematica, 2 (1941), 290-298.

[M10] L'opération de fermeture et ses invariants dans les systèmes partiellement ordonnés, (con H. Ribeiro), Portugaliae Mathematica, 3 Fasc. 3 (1942), 171-184.

[M11] Caractérisation de l'opération de fermeture par un seul axiome, Portugaliae Mathematica, 4 (1944), 158-160.

[M12] La notion de fonction continue, (con H. Ribeiro), Summa Brasiliensis Mathematicae, 1, fasc. 1, (1945), 1-8.

[M13] Arithmétique des filtres premiers, Comptes Rendus de l'Académie des Sciences de París, 225 (1947), 846-848.

[M14] Filtros e Ideais I, Notas de Matemática 2, Río de Janeiro. 1ra. impresión (1948), 60 páginas, 2da. impresión (1955), 57 páginas.

[M15] Filtros e Ideais II, Notas de Matemática 5, Río de Janeiro. 1ra. impresión (1948), 131 páginas, 2da. impresión (1955), 130 páginas.

[M16] Réticulés distributifs de dimension linéaire n, Comptes Rendus de l'Académie des Sciences de París, 226 (1948), 1658-1660.

[M17] Note on uniform continuity, (con Mauricio Peixoto), Procedings of the International Congress of Mathematics, 1 (1950), 385.

[M18] Le nombre de Lebesgue et la continuité uniforme, en colaboración con Mauricio Peixoto, Portugaliae Mathematica, 10 (1951), 105-113.

[M19] Les filtres fermés des espaces compacts, Gazeta de Matemática, 50 (1951), 95-96.

[M20] Propiedades características de los filtros de un álgebra de Boole, Acta Cuyana de Ingeniería, 1, nro. 5 (1951), 1-7.

[M21] L'arithmétique des filtres et les espaces topologiques, Segundo Symposium sobre algunos problemas matemáticos que se están estudiando en Latino-América, Villavicencio, Mendoza Argentina. Unesco, Montevideo, (1954), 129-162.

[M22] Axiomes indépendants pour les algèbres de Brouwer, Revista de la Unión Matemática Argentina. 17 (1955), 149-160.

[M23] Les ensembles ordonnées compacts, Revista Matemática Cuyana, 1, fasc. 3 (1955), 187-194.

[M24] Algebras de Heyting monádicas, en colaboración con Oscar Varsavsky. Actas de las X Jornadas de la U.M.A., Universidad Nacional del Sur, Bahía Blanca, Argentina, (1957), 52-59. Notas de Lógica Matemática 1, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M25] Normalidad en las álgebras de Heyting monádicas, Actas de las X Jornadas de la U.M.A., Universidad Nacional del Sur, Bahía Blanca, Argentina, (1957), 50-51. Notas de Lógica Matemática 2, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M26] Algebras monádicas, Conferencia realizada en el Segundo Coloquio Brasileiro de Matemática, Poços de Caldas 1959c. Actas do Segundo Coloquio Brasileiro de Matemática, São Paulo, Brasil (1960), 33-52. Notas de Lógica Matemática 7, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M27] Matrices de Morgan caractéristiques pour le calcul propositionnel classique, Anais da Academia Brasileira de Ciências 32 nro. 1, (1960), 1-7. Notas de Lógica Matemática 6, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M28] Sur la définition des algèbres de Łukasiewicz trivalentes, Bulletin Mathématique de la Societé des Sciences Mathematiques et Physiques de la R.P. Roumaine, Nouvelle serie 7 (55), nro. 1-2 (1963), 1-12. Notas de Lógica Matemática 21, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1964).

[M29] Construction des algèbres de Nelson finies, Bulletin de l'Academie Polonaise des Sciences, 11 nro. 6 (1963), 359-362. Notas de Lógica Matemática 15, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1964).

[M30] Relations between Łukasiewicz three valued algebras and monadic Boolean algebras, International Congress for Logic, Methodology and Philosopy of Sciences. Program and Abstracts the Hebrew University , Jerusalem, Israel (1964), 16-17.

[M31] Construcción geométrica de las álgebras de Łukasiewicz libres. (Con R. Cignoli). Revista de la U.M.A. 22, nro.3 (1965), 152-153.

[M32] Boolean elements in Łukasiewicz algebras. (Con R. Cignoli). Proc. of the Japan Academy 41, nro. 8 (1965), 676-680. Notas de Lógica Matemática 24, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M33] Généralisation d'un théorème de R. Sikorski sur les algèbres de Boole, Bulletin des Sciences Mathématiques 2éme Série, 89 (1965), 65-74. Notas de Lógica Matemática 10, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M34] Caracterisation des algèbres de Nelson par des égalités I et II. (Con D. Brignole). Proc. of the Japan Academy 43, nro. 4 (1967), 279-285. Notas de Lógica Matemática 20, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M35] Construction des algèbres de Łukasiewcz trivalentes dans les algèbres de Boole monadiques I, Mathematica Japonicae, 12, nro. 1 (1967), 1-23. Notas de Lógica Matemática 11, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974).

[M36] Sobre un cálculo proposicional de Moisil, Comunicación presentada a la U.M.A. Revista de la U.M.A. y de la A.F.A. 23, nro. 4 (1968), 201.

[M37] Generadores de Reticulados distributivos finitos, Actas del Simposio Panamericano de Matemática Aplicada, Buenos Aires, (1968), 465.

[M38] Algebra del cálculo implicativo trivalente de Łukasiewicz. (Con M. García). Comunicación presentada a la U.M.A. Revista de la U.M.A. y de la Asociación Física Argentina 23, nro. 4 (1968), 200.

[M39] Les algèbres de Morgan libres. (Con O. Chateaubriand). Notas de Lógica Matemática 26, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1969).

[M40] La semi-simplicité des algèbres de Boole Topologiques et les systèmes déductifs. Revista de la U.M.A. 23 (1971), 417-448.

[M41] Algèbres de Boole Cycliques, Revue Roumaine de Math. Pures et Appliqués, Tome XXIII, 1 (1978), 71-76.

[M42] L'Arithmétique des Filtres et les espaces topologiques I-II, Notas de Lógica Matemática 29, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1974). La parte I reproduce el trabajo de 100 páginas Arithmétique des espaces topologiques, enviado en 1950 para un concurso organizado por la Sociedad Matemática de Francia en ocasión del jubileo del Prof. Maurice Fréchet. Este trabajo fue elegido entre los cuatro mejores presentados en el concurso (ver Bulletin de la Societé Mathématique de France, 1951, XXXIX-XL).

[M43] Les éléments réguliers d'un N-lattice. Les N-lattices linéaires. Instituto Nacional de Investigação Científica. Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais da Universidade de Lisboa. Textos e Notas 15 (1978).

[M44] Conjuntos graduados de Zadeh, Técnica, 40, nro. 449-450 (1978), 11-34, Lisboa, Portugal.

[M45] Sur les algèbres de Heyting symétriques, Portugaliae Mathematica 39 (1980), 1-237.

[M46] Unpublished papers I. Redacción de L. Monteiro, Notas de Lógica Matemática 40, Instituto de Matemática, Universidad Nacional del Sur (1996). Contiene los siguientes trabajos: 1) Les algèbres de Tarski avec un nombre fini de générateurs libres, (Con L. Iturrioz),(1965); 2) Construction des algèbres de Boole libres dans les algèbres de Łukasiewicz trivalentes libres, (1966); 3) Représentation d'une algèbre de Łukasiewicz trivalentes par une algèbre de Łukasiewicz trivalente d'ensembles. Caractère universel de la construction L des algèbres de Łukasiewicz trivalentes, (1966); 4) Axiomes indépendants pour les algèbres de Nelson, de Łukasiewicz trivalentes, de De Morgan et de Kleene, (Con L. Monteiro), (1973); 5) Algèbres de Stone libres, (Con L. Monteiro), (1968); 6) Les algèbres de Nelson semi-simples, (1963); 7) Algèbres de Hilbert linéaires, (1961).

[M47] Algebras de Łukasiewicz trivalentes con un número finito de generadores libres. Algebras de Moisil trivalentes con un número finito de generadores libres. Redacción de L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 61, INMABB-CONICET-UNS, (1998).

[M48] Sobre el número minimal de generadores de reticulados distributivos finitos y álgebras de Boole. Redacción de L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 65, INMABB-CONICET-UNS, (1998).

[M49] Le radical d'une algèbre de Nelson I3. Redacción de I. Viglizzo y L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 67, INMABB-CONICET-UNS-UNS, (1999).

[M50] Répresentation des algèbres de Tarski monadiques, (Con L. Iturrioz). Redacción de L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 76, INMABB-CONICET-UNS-UNS, (2002).

Otras Comunicaciones presentadas a la Unión Matemática Argentina (U.M.A.)

1) Caracterización de las Algebras de Nelson por igualdades, Revista de la U.M.A. y de la Asociación Física Argentina (A.F.A.), 19, nro. 5 (1962), 361.

2) Representación de las Algebras de Tarski monádicas, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 19, nro. 5 (1962), 361.

3) Construcción de las Algebras de Nelson finitas, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 19, nro. 5 (1962), 361.

4) Linéarisation de la logique positive de Hilbert Bernays, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 20 (1962), 308-309.

5) Algebras de Nelson semi-simples, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 21, nro. 3 (1963), 145-146.

6) El cálculo proposicional trivalente de J. Łukasiewicz y la lógica clásica, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A. 22, nro. 1 (1964), 43.

7) Cálculo Proposicional implicativo clásico con n variables proposicionales, (Con L. Iturrioz), Revista de la U.M.A. y de la A.F.A. 22, nro. 3 (1965), 146.

8) Generalización de un teorema de Sikorski sobre álgebras de Boole. Revista de la U.M.A. 22, nro. 3 (1965), 151.

9) Algebras de Boole involutivas, Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 23, nro. 1 (1966), 39.

10) Algebras de Morgan con n generadores libres. Con O. Chateaubriand. Revista de la U.M.A. y de la A.F.A., 23, nro. 4 (1968), 200.

11) Algebras de Stone con n generadores libres. En colaboración con L. Monteiro. Revista de la U.M.A. y de la A.F.A.,23, nro. 4 (1968), 201.


Trabajos de carácter docente y de divulgación

1) Exercicios de Algebra Superior. Con C. F. Carvalho e M. Zaluar Nunes. Lisboa (1931), 162 pp.

2) Clubes de Matemática, Gazeta de Matemática 11 (1942), 8-12. Traducción, por L. Vigili, publicada en Matemática Elemental, 4ta. serie, tomo 3 (1943), 6 pp.

3) O prémio nacional Doutor Francisco Gomes Teixeira, Gazeta de Matemática, Nro. 15 (1943), 8-9.

4) Um jornal portugues esquecido. Gazeta de Matemática, Nro. 17 (1943), 1-4.

5) Introdução ao estudo da noção de função continua. Publicações do Centro de Estudos Matemáticos da Faculdade de Ciências do Porto, 8 (1944), 153 pp. Lecciones dictadas en la Faculdade de Ciências do Porto y redactadas por A. Pereira Gomes.

6) Espaços de Sierpinski, Cadernos de Análise Geral, 6 , Porto, 1ra. edição 1944, 2da. edição 1945.

7) Espaços acessíveis de Fréchet. Cadernos de Análise Geral 6, Porto, 1ra. edição 1944, 2da. edição 1945.

8) Aritmética Racional, con J. Silva Paulo. Lisboa. Livraria Avelar Machado, 1945, 182 pp.

9) Notas sobre la teoría de los enteros. Apuntes. Centro de Estudiantes de Ingeniería de San Juan, Argentina (1950), 32 pp.

10) Notas sobre algebra de los conjuntos. Apuntes. Asociación de Estudiantes de Ingeniería de San Juan, Argentina (1954), 20 pp.

11) Algebras de Heyting, redacción de I. Viglizzo y L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 51, INMABB-CONICET-UNS, (1995).

12) Algebras de Boole Monádicas. (Con L. Monteiro), Informes Técnicos Internos Nro. 67, INMABB-CONICET-UNS, (1999).

13) Algebras de De Morgan, (Con L. Monteiro), Informes Técnicos Internos Nro. 72, INMABB-CONICET-UNS, (2000).

14) Algebras de Boole involutivas, redacción de L. Monteiro Informes Técnicos Internos Nro. 78, INMABB-CONICET-UNS, (2000).

15) Algebras de Łukasiewicz trivalentes, redacción de L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 83, INMABB-CONICET-UNS,(2003).

16) Cálculo Proposicional Implicativo Clásico, redacción de L. Monteiro, Informes Técnicos Internos Nro. 90, INMABB-CONICET-UNS, (2005).

[Agradecimentos ao Prof. Luiz Monteiro]

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Actuação de António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942 (Hugo Ribeiro)


No primeiro volume (1937) desta publicação [Portugaliae Mathematica], fundada e, nos primeiros anos, editada e administrada por António Monteiro, foi publicada a sua tese de doutoramento (1936) na Universidade de Paris onde ele estudava como bolseiro da Junta de Educação Nacional (depois «Instituto para a Alta Cultura»). Para que a Monteiro fosse possível fazer e ensinar Matemática com alguma estabilidade foi necessário que abandonasse Portugal (1945) onde só voltou 32 anos depois.
Com uma ou outra excepção a Matemática (pura) não era cultivada em Portugal e, assim, as escolas superiores limitavam-se a preparar professores das escolas secundárias, ou técnicos e cientistas que porventura a utilizariam. Foi nesta atmosfera, enormemente agravada pela opressão da ditadura e as guerras civil em Espanha e na Europa, que Monteiro, não participante do ensino oficial, fez entrar uma lufada de ar fresco impulsionando decididamente a Matemática neste país. Este meu breve testemunho refere-se simplesmente ao período 1939-1942 em Lisboa onde ele criou as bases de desenvolvimento então impensáveis.
Além de se ocupar dos planos e mínimos detalhes da publicação e divulgação da Portugaliae Mathematica, já antes de 1939 Monteiro tinha com antigos bolseiros promovido exposições sistemáticas (e a sua publicação) de tópicos que importava divulgar. A clara visão da urgência de trabalho verdadeiramente construtivo em Portugal, a sua incansável iniciativa e, antes de tudo, o seu entusiasmo e determinação eram imediatamente perceptíveis e contagiosos. Cedo teve espontânea colaboração, e especialmente valiosa foi, desde o início, a de Manuel Zaluar Nunes e a de José da Silva Paulo – que durante dezenas de anos aqui mantiveram as revistas criadas. O Instituto para a Alta Cultura, presidido por Celestino da Costa e aconselhado por Pedro José da Cunha, interessava-se, apoiava os seus projectos, e tinha atribuído a Monteiro, que sempre teve necessidade de ocupar muito do seu tempo com lições privadas, uma pequena bolsa. A Faculdade de Ciências emprestava uma sala onde nos reuníamos quase todas as tardes (e mesmo à noite) para nos ocuparmos da Portugaliae Mathematica e, mais tarde, também para seminários informais. Foi a partir destes seminários, onde chegavam as primeiras publicações obtidas por troca, que Monteiro criou o Seminário de Análise Geral e o Centro de Estudos Matemáticos do IAC. Hausdorf (1914) definira e estudara os espaços métricos, Fréchet (1926) publicara Les espaces abstraits e Sierpínski (1928) a sua introdução à topologia geral. Em contraste com a explosão de hoje a Matemática prosseguia vagarosamente, e nós aprendíamos a conhecer melhor as nossas deficiências, o nosso isolamento e as deficiências das nossas bibliotecas. Monteiro iniciou e dirigiu, para o IAC, um serviço de inventariação da bibliografia científica em Portugal. Nas discussões do Seminário, Monteiro punha problemas, observávamos como procurava resolvê-los, tentávamos contribuir e a pouco e pouco aprendíamos a avançar por nós próprios. Começávamos a preparar para publicação os resultados (necessariamente elementares) do nosso trabalho. Nunca mais conheci ninguém que, para aquele nosso nível, fosse tão eficiente na promoção de jovens. Monteiro preocupava-se em que logo que possível fôssemos estudar num bom centro estrangeiro; e conseguiu para nós (também não participantes no ensino oficial) bolsas do IAC que nos permitissem dedicar mais do nosso tempo ao estudo. Outra sua iniciativa, a Gazeta de Matemática, congregou igualmente professores do ensino secundário, dirigia-se a estudantes que entravam nas Universidades e divulgava o que se fazia no Centro e na Sociedade Portuguesa de Matemática que Monteiro também fundou. Tudo isto impulsionou, decerto, o aparecimento e depois desenvolvimento das publicações matemáticas do Porto, da Portugaliae Physica, da Gazeta de Física, da Revista de Economia; e o contacto saudável, embora mais difícil, com outros centros de investigação que se tinham formado, como o da Estação Agronómica Nacional, contribuía para abrir perspecti¬vas muito prometedoras e únicas no desenvolvimento do país.
Desenvolvia-se a correspondência com matemáticos estrangeiros alguns dos quais enviavam trabalhos para a Portugaliae Mathematica, e Monteiro incitava-nos a comunicar com os provavelmente interessados no que fazíamos. Fréchet, Fantappié e Severí vieram fazer lições no Centro. Monteiro conseguia para nós bolsas do IAC no estrangeiro. Mas a guerra na Europa e a burocracia eram dificuldades impossíveis ou difíceis de ultrapassar. Em 1942 um de nós foi para Zürich, e pouco depois três outros para Roma. De fora das escolas, as portas para o futuro da Matemática em Portugal tinham sido, decidida e largamente, abertas pelos esforços, dedicação e coragem de António Monteiro. Mais tarde, decerto com melhores oportunidades, um de nós, José Sebastião e Silva, pôde manter aqui uma brisa desse ar fresco que 40 anos depois, ainda podemos respirar.

Hugo Ribeiro: Actuaçãode António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942, Portugaliae mathematica 39 (1-4), V-VII (1980).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Gazeta de Matemática

Agradecimento: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Digitalização de Jorge Rezende
Gazeta de Matemática:
capa da 2ª edição (de 1947) dos primeiros números (que são de 1940)
Ver:

sábado, 1 de janeiro de 2011

Hugo Ribeiro e Pilar Ribeiro

Hugo Ribeiro (16 de Maio de 1910 - 26 de Fevereiro de 1988) e Pilar Ribeiro (5 de Outubro de 1911)
na
The Pennsylvania State University (cerca de 1970)
Digitalização de Jorge Rezende

HUGO BAPTISTA RIBEIRO malemático portugués que só pôde ensinar numa Universidade portuguesa depois do 25 de Abril, Bol. Soc. Port. Mat. 12 (1989), 31–42, por José Morgado (PDF)
José Cardoso Morgado: Hugo Baptista Ribeiro matemático português que só pôde ensinar numa Universidade portuguesa depois do 25 de Abril (blogue José Cardoso Morgado)
Com efeito, em Junho de 1942, tinha-se realizado na Faculdade de Ciências do Porto o Congresso Luso – Espanhol para o Progresso das Ciências e tínhamos assistido à secção em que Hugo Ribeiro apresentou a sua comunicação. Tratava-se de alguns resultados que obtivera, em colaboração com António Aniceto Monteiro, sobre operadores de fecho em Sistemas Parcialmente Ordenados, resultado que foram depois publicados na revista Portugaliae Mathematica. (vol.3 (1942), pp 177 – 184).
Amigo e colaborador de António Aniceto Monteiro, sempre Hugo Ribeiro apoiou activamente as suas iniciativas no sentido de despertar o interesse dos jovens pela Matemática e fomentar o gosto pela investigação, nomeadamente as iniciativas que conduziram à criação das revistas Gazeta de Matemática e Portugaliae Mathematica, à fundação do Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa e da Sociedade Portuguesa de Matemática.
A Gazeta de Matemática, jornal especialmente destinado a melhorar a preparação matemática dos estudantes, foi fundada em 1940, por António Monteiro, Bento Caraça, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zaluar Nunes.
(...)
O penúltimo artigo que Hugo Ribeiro publicou na Portugaliae foi incluído no vol. 39 (1980), dedicado à memória de António Monteiro, falecido em 29 de Outubro de 1980, em Bahia Blanca (Argentina). O artigo intitula-se “Actuação de António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942” e é bem um testemunho da amizade e admiração que sempre teve por Aniceto Monteiro.
(...)
[Nota: Este artigo contém mais referências a António Aniceto Monteiro]

THE MATHEMATICIAN HUGO RIBEIRO, by Jorge Almeida. PORTUGALIAE MATHEMATICA, Vol. 52 Fasc. 1, 1995
[Nota: Este artigo contém várias referências a António Aniceto Monteiro, claro]

Maria do Pilar Ribeiro

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Problemas da cultura matemática portuguesa


Problemas da cultura matemática portuguesa
António Aniceto Monteiro
(Professor da Universidade de San Juan, Argentina)


A caracterização da situação actual da cultura matemática portuguesa, o averiguar seus problemas fundamentais, determinar suas contradições, fracassos e debilidades, o determinar suas realizações e fundamentar suas esperanças, constitui um importante problema de carácter nacional. Trata-se de um problema de carácter nacional porque é um problema da cultura científica portuguesa e porque interessa o desenvolvimento da economia, o bem-estar social da população e a independência do país. Trata-se portanto de um problema de grande complexidade para o exame do qual se necessita da cooperação de um número considerável de estudiosos.
Uma das principais características da cultura matemática portuguesa é o seu atraso crescente em relação ao movimento matemático internacional, e é claro que esta situação é compatível com o desenvolvimento interno, mais ou menos lento, dessa cultura.
É de uma grande importância para o país a existência de estudiosos treinados nos métodos modernos do pensamento matemático, porque são susceptíveis de ser aplicados à resolução de variados problemas especiais que se apresentam em todos os sectores da vida. Trata-se de métodos potentes e fecundos de análise que podem conduzir o homem a conhecer a natureza para dominá-la e transformá-la em seu proveito e na perseguição de um tal objectivo o próprio homem necessariamente se modifica, como parte integrante da natureza.
Esta oposição entre o atraso crescente da cultura matemática portuguesa e a necessidade imperiosa do seu desenvolvimento rápido constitui um dos dados objectivos mais importantes do problema em estudo.
Os principais órgãos de difusão da cultura são as escolas superiores e é importante constatar que seus programas actuais de estudo não correspondem às necessidades do momento, devendo mencionar-se especialmente a organização da licenciatura em ciências matemáticas e as características dos respectivos doutoramentos. Nenhuma verdadeira vocação matemática pode deixar de ser diminuída perante uma tal orgânica de estudos, cristalizada em forma estável há dezenas de anos.
Os esforços que realizam alguns professores não alteram a situação de conjunto de tal licenciatura caracterizada por um conjunto rígido de cátedras de estudo obrigatório, com programas mais ou menos fixos, tudo sem nenhuma elasticidade, rígido e imóvel, sem contemplações pelas novas disciplinas que se vão criando e desenvolvendo. A tudo isto se deve agregar uma indiferença quase geral pelo pensamento original que se dissolve num ambiente hostil e sem estímulo, de onde resulta a ausência de bibliotecas matemáticas adequadas para o trabalho científico e de uma carreira para a investigação científica que encoraje as vocações.
Este panorama geral não sofre alterações, mesmo quando tivermos em conta certos factores construtivos:
– A actuação daqueles professores que, com o condicionamento referido, desenvolvem seus esforços com o objectivo de modificar a situação existente, dando o exemplo inestimável de uma vida dedicada ao estudo e ao ensino.
– A actividade do Instituto para a Alta Cultura que desde 1929 – quando se concretizou a sua criação, resultante de um vasto movimento de opinião que durou vários anos e que apontava o exemplo da Junta de Investigações Científicas de Madrid – tem fomentado o desenvolvimento dos estudos com a concessão de bolsas no estrangeiro e no país, criação de centros de estudo, subsídios a publicações, bibliotecas e laboratórios.
– O extinto Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, dependente do I.A.C., dirigido pelo saudoso professor Pedro José da Cunha com exemplar independência e seu grande carinho pelo desenvolvimento da matemática portuguesa, que encorajou um grupo de jovens a iniciar-se no trabalho de investigação.
– O extinto Centro de Estudos Matemáticos do Porto, dependente do I.A.C., dirigido pelo distintíssimo matemático Ruy Luís Gomes, a quem a cultura matemática portuguesa deve inestimáveis serviços e numerosas iniciativas. Constituía uma das maiores esperanças do movimento matemático português, com a sua eficiente orientação.
– A Portugaliae Mathematica e a Gazeta de Matemática, cuja publicação se deve à abnegação do Dr. Manuel Zaluar Nunes, a quem a cultura portuguesa fica devendo um exemplo do mais honroso merecimento e extremo valor – tem exercido conhecida influência no ambiente português e destacada repercussão internacional.
– A Junta de Investigação Matemática, que sob a direcção do ilustre matemático Aureliano de Mira Fernandes e de Ruy Luís Gomes, reúne estudiosos com o objectivo de fomentar os estudos matemáticos e promove publicações importantes, é uma chama em que vivem as esperanças de todos os que querem o florescimento da nossa cultura matemática.
Todas estas actividades, algumas das quais se interromperam por motivos extra-científicos com o consequente debilitamento da nossa cultura científica, constituem um destacado esforço de um pequeno número de estudiosos, para fomentar o desenvolvimento da investigação matemática, e se devemos reconhecer o merecimento de tão nobres actividades que alentam esperanças com fundamento, não devemos deixar de reconhecer que o panorama geral anteriormente referido se mantém, porque a direcção estratégica dos nossos estudos universitários não sofreu alterações.
Em nossa opinião, um dos problemas mais importantes da cultura matemática portuguesa é o da REFORMA DOS ESTUDOS MATEMÁTICOS. Seria necessário alterar substancialmente o quadro das disciplinas, a orgânica, a orientação dos estudos, os critérios da selecção e promoção do pessoal científico. Uma obra desta natureza não se improvisa, antes se prepara meticulosamente em artigos, debates, conferências e sobretudo com a formação de jovens investigadores com capacidade necessária para conduzir a cultura matemática portuguesa a um nível de tal natureza que a orgânica actual não possa subsistir. Sobre este ponto de vista os elementos construtivos a que nos referimos anteriormente têm desempenhado um papel fundamental, porque contribuíram, e continuam contribuindo, para a criação do ambiente geral em que as condições objectivas tornam possível e inevitável a transformação necessária. Podemos afirmar de um modo geral que a reforma dos estudos matemáticos é antes uma batalha em curso, do que uma batalha travada. Todos os insucessos devem ser considerados como temporários.
Creio que é de uma grande importância difundir a ideia de que toda a verdadeira reforma é o resultado de um esforço continuado e persistente, realizado por numerosos indivíduos, para atingir objectivos claros e bem definidos. A nossa juventude estudiosa tem, portanto, sobre os seus ombros uma pesada tarefa a realizar, e como os jovens estudantes de hoje serão os mestres de amanhã, neles devem residir todas as nossas esperanças e todas as nossas certezas.
Todos os esforços devem assim ser centralizados na preparação da juventude estudiosa para a investigação científica e para tal efeito é necessário criar a instituição que tenha esse objectivo específico.
Somos assim conduzidos a pensar que o problema principal do momento consiste na criação de um INSTITUTO PORTUGUÊS DE MATEMÁTICA que se dedique fundamentalmente à realização de trabalhos de investigação matemática e ao ensino da investigação matemática.
Esse Instituto deveria reunir o maior número possível de matemáticos portugueses com reconhecida capacidade para as tarefas referidas, seleccionados de acordo com o seu curriculum, e por ele deveriam ser contratados, em forma permanente ou temporária, especialistas estrangeiros que se tenham distinguido na formação de discípulos (sobretudo nos ramos de matemática que não são cultivados em Portugal). Ao mesmo tempo deveria ser criada uma carreira de investigador científico, com as respectivas promoções realizadas de acordo com os trabalhos de investigação publicados, e concedidas numerosas bolsas aos estudantes diplomados pelas Universidades e com vocação matemática.
Neste Instituto se formaria toda uma geração de estudiosos, de onde a Universidade deveria recrutar, no futuro, os seus quadros científicos. Se a criação de uma instituição da natureza que acabamos de indicar é de uma importância vital para o futuro da matemática portuguesa, e constitui uma velha aspiração do ambiente matemático português, não deixam de existir outras tarefas de grande importância como sejam a subsistência da Portugaliae Mathematica, da Gazeta de Matemática e das Publicações da Junta de Investigação Matemática, que se torna necessário assegurar por todas as formas.
A transformação da Sociedade Portuguesa de Matemática numa verdadeira Sociedade Científica, ampliando o número dos seus sócios, realizando Congressos Anuais para discutir os problemas do ensino secundário e superior, além das habituais conferências e comunicações, é outro problema que merece cuidadosa atenção, porque contribuirá para estimular os contactos pessoais, criando um ambiente de cooperação entre todos os matemáticos que é necessário concretizar. Essas reuniões, em que se procuraria congregar o maior número possível de matemáticos, deveriam ter um temário, tão amplo quanto possível, porque não existe nenhum aspecto da cultura matemática que não tenha o seu interesse.
Outro problema de primordial importância é o melhoramento do nível de vida dos matemáticos, sobretudo dos professores do ensino secundário e dos assistentes universitários.
A realização de cursos de férias, destinados aos professores para o aperfeiçoamento dos seus conhecimentos científicos, seria uma iniciativa de grande alcance, se fossem concedidas as facilidades de ordem económica indispensáveis.
De um modo geral o problema tem de ser encarado sob múltiplos aspectos, mas é claro que nunca devemos esquecer que o objectivo a atingir é a elevação do nível da cultura matemática portuguesa e que, portanto, a tarefa principal consiste em conduzir o maior número possível de estudiosos ao conhecimento do pensamento matemático moderno, encorajando aqueles que manifestem capacidade para o trabalho original.