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domingo, 15 de julho de 2007

Textos de Matemática e Notas de Matemática

Em 1948, Monteiro iniciou no Rio de Janeiro uma série de monografias, Notas de Matemática, cujo primeiro volume foi escrito por mim, e ele continuou até o volume 6. Como ele deixou o Brasil em 1949 e eu voltei em 1950, retornando dos Estados Unidos, depois de uma visita de dois anos durante 1948-1950, decidi manter uma boa tradição e continuar a série como seu organizador começando do volume 7. Durante vinte e cinco anos, de 1948 a 1972, os volumes l a 47 da série foram publicados no Rio de Janeiro. Desde 1973 e começando do volume 48, a North-Holland Publishing Company assumiu a continuação da série na Holanda sob minha coordenação. Como resultado, o nível e a reputação da série cresceu substancialmente. Nesta ocasião, devo enfatizar o fato de que Monteiro foi o iniciador de Notas de Matemática, em 1948, e como uma série brasileira.
[De]
Leopoldo Nachbin: The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil, Portugaliae mathematica 39 (1-4), XV-XVII (1980).
http://purl.pt/index/pmath/date/PT/1980.html
Leopoldo Nachbin: A influência de Antonio Aniceto Ribeiro Monteiro no desenvolvimento da Matemática no Brasil, em “Ciência e Sociedade”, Ed. da UFPR, Curitiba (1996) [versão brasileira do artigo da Portugaliae mathematica].
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No período em que esteve no Brasil, Monteiro associou-se principalmente a Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto, na época jovens matemáticos tentando iniciar suas carreiras num ambiente em que a tradição de pesquisa matemática era praticamente nula. Com sua forte e inquieta personalidade, ele congregou estudantes, organizou seminários e fundou uma coleção de monografias chamada “Notas de Matemática”, da qual o primeiro número foi seu trabalho sobre Filtros e Ideais. A afinidade de interesses matemáticos de Monteiro era bem maior com Nachbin do que com Peixoto. Sua influência sobre o primeiro se reflecte na monografia intitulada “Topologia e Ordem”, publicada por Nachbin sobre os espaços topológicos ordenados. É curioso observar, entretanto, que Peixoto foi o único matemático brasileiro com quem Monteiro escreveu um trabalho em conjunto, publicado na revista Portugaliae Mathematica sob o título “Le nombre de Lebesgue et la continuité uniforme”.
[De] Elon Lages Lima: Impressões sobre António Aniceto Monteiro. Boletim do CIM, pag. 7-8, Dezembro 1977.

domingo, 15 de julho de 2007

Rio de Janeiro, 1948 - Marília Peixoto

"No Rio de Janeiro, Jaime Tiomno e Elisa Frota Pessoa haviam sido meus colegas de Fisica na Faculdade. Eram meus companheiros, juntamente com Leopoldo Nachbin, Mauricio e Marilia Matos Peixoto assim como o sociologo Alberto Guerreiro Ramos".
[De] MARIO SCHENBERG: LEMBRANÇAS EM SUA HOMENAGEM, por José Leite Lopes
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Ver:

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Impressões sobre António Aniceto Monteiro (Elon Lages Lima)

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Conheci Monteiro por causa de Bento de Jesus Caraça. Antes deles, os únicos matemáticos portugueses de quem ouvira falar tinham sido Pedro Nunes e Gomes Teixeira. Isto sem mencionar os livros elementares de Álgebra e Aritmética de Serrasqueiro, bem conceituados entre meus professores do ginásio e estudantes da geração que precedeu a minha.
Ninguém me apresentou ou sugeriu Caraça. Encontrei-o por acaso, num alfarrábio em Fortaleza, sob a forma de um livro com páginas ainda dobradas. Chamava-se “Licões de Álgebra e Análise”, vol. 1. Algum aficionado certamente o comprara pelo título ou ganhara-o de presente, e se desfizera dele, desapontado pelo primeiro contacto com seu conteúdo. Exatamente esse estranho índice e os inesperados conceitos que vislumbrei nas páginas expostas entre os cadernos dobrados é que me fascinaram. Comprei o livro e, por meio dele, me iniciei no mundo dos conjuntos, números transfinitos, números naturais, inteiros, reais e complexos, todos construídos passo a passo. Caraça era meu único professor, meu guia. Um aspecto interessante do livro eram as indicacões bibliográficas comentadas, no fim de cada capítulo. Devido a elas, encomendei “Pure Mathematics” de Hardy e “Survey of Modern Algebra” de Birkhoff-MacLane a uma livraria no Rio. Junto com os livros, veio um catálogo no qual estavam a monografia “Filtros e Ideais” de Monteiro e a “Aritmética Racional”, que ele escreveu junto com J. Silva Paulo.
Achei mais fácil começar por Monteiro. A Aritmética foi uma delícia, embora me deixasse curioso de saber se os estudantes do Liceu em Portugal (ou em qualquer outro país) eram, salvo os muito bem dotados, capazes de apreciar a elegância e a subtileza daquela exposição.
Monteiro morou no Rio de Janeiro cerca de quatro anos, entre 1945 e 1949. Nesta época, seus interesses matemáticos se dividiam entre a Topologia Geral e os Conjuntos Ordenados, evoluindo daquela para estes. Mas sua energia pessoal era grande o bastante para permitir-lhe ação politica e, neste campo, seu maior interesse era a derrubada da ditadura de Salazar. E claro, porém, que não havia aqui muito espaço para movimento, especialmente porque a alta direção da Universidade do Brasil (como então se chamava a Universidade Federal do Rio de Janeiro), era ligada, por laços afetivos e ideológicos, com o governo português. A posição de Monteiro tornava cada vez mais difícil a renovação de seu contrato e por fim ele teve de emigrar para a Argentina. Em Bahia Blanca, cumprindo sua vocação de pioneiro, agora já definitivamente dedicado a Lógica Matemática, formou e liderou um grupo, até hoje florescente e significativo, de pesquisadores naquela área, entre os quais se destaca seu filho. A distância geográfica e cultural o afastou da politica portuguesa, trazendo-o mais para a Matemática e para a atividade de criação de uma escola de alto nível, o que também demandava esforço e exercício político, embora de outra natureza.
No período em que esteve no Brasil, Monteiro associou-se principalmente a Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto, na época jovens matemáticos tentando iniciar suas carreiras num ambiente em que a tradição de pesquisa matemática era praticamente nula. Com sua forte e inquieta personalidade, ele congregou estudantes, organizou seminários e fundou uma coleção de monografias chamada “Notas de Matemática”, da qual o primeiro número foi seu trabalho sobre Filtros e Ideais. A afinidade de interesses matemáticos de Monteiro era bem maior com Nachbin do que com Peixoto. Sua influência sobre o primeiro se reflecte na monografia intitulada “Topologia e Ordem”, publicada por Nachbin sobre os espaços topológicos ordenados. É curioso observar, entretanto, que Peixoto foi o único matemático brasileiro com quem Monteiro escreveu um trabalho em conjunto, publicado na revista Portugaliae Mathematica sob o título “Le nombre de Lebesgue et la continuité uniforme”.
“Filtros e Ideais” foi meu primeiro exemplo de como se pode elaborar uma teoria matemática abstrata e não trivial a partir de um sistema de axiomas extremamente simples como o dos conjuntos ordenados. Embora estudos posteriores e opção pessoal me tenham feito seguir rumos matemáticos bem diferentes, a leitura da monografia de Monteiro familiarizou-me com métodos gerais e isto foi útil anos depois em minha tese de doutoramento, quando desenvolvi a teoria dos espectros de espaços topológicos.
Encontrei-me com Monteiro duas vezes, em visitas que fez ao Brasil, já morando na Argentina. A primeira no Rio, quando ainda era estudante, e a segunda em Poços de Caldas, numa reunião matemática, após regressar de meus estudos em Chicago. Em ambas ocasiões, expressei minha admiração pelo trabalho que realizou em três países e meus agradecimentos pelo papel que desempenhou na minha formação. Estou certo de que muitos matemáticos portugueses, brasileiros e argentinos foram ainda mais beneficiados por seu trabalho e se sentem ainda mais reconhecidos do que eu.
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Impressions on António Aniceto Monteiro (artigo do Boletim do CIM)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

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Os trabalhos de físicos brasileiros relatados neste artigo, justificaram plenamente a razão pela qual os físicos Lattes, Leite Lopes, Tiomno, Elisa, Gabriel Fialho e Lauro Xavier Nepomuceno, mais os matemáticos Antônio Aniceto Monteiro, Nachbin e Francisco Mendes de Oliveira Castro [este havia obtido notoriedade no meio científico mundial por haver resolvido, em 1939, a equação integral de Volterra pelo método dos núcleos iterados que o próprio matemático italiano Vito Volterra (1860-1940) havia proposto em 1896],[25] e com o apoio dos irmãos Lins de Barros (Ministro João Alberto, Henry e Nelson) esses cientistas fundaram no começo de 1949, o CBPF que, juntamente com o Departamento de Física da FFCL/USP (hoje, Instituto de Física da USP) e o Departamento de Física da FNFi (hoje, Instituto de Física da UFRJ), representam o tripé fundamental, responsável pela excelente pesquisa em Física Teoria e Experimental que se faz em todo o Brasil, pesquisa essa que será tratada em várias Crônicas desta série, na qual descreveremos o papel desempenhado pela Física Brasileira no cenário da Física Mundial.
Ver:

domingo, 24 de dezembro de 2006

Leopoldo Nachbin: "Monteiro was proud that I had been his student"

Leopoldo Nachbin leccionando na Universidade de Rochester (EUA) em 1978
"I myself owe several of the important steps and events, in my training and career, to Monteiro farsightedness as an advisor. I am not going to list details here; it suffices to express globally my indebtedness to Monteiro’s influence when I was young and inexperienced, from the mathematical, psychological and political viewpoints, an occasion in which Monteiro granted me his valuable advice, protection and initiative. Our friendship lasted up to the ultimate opportunity and was not discontinued by adversities through life. Thus, in September of 1980, I still got an excellent letter from him, his last letter to me before he passed away. It was perfectly clear to me that Monteiro was proud that I had been his student; in other words, Monteiro really cared to continue his own life through his former students".
The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil
Nachbin, Leopoldo

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A influência de Antonio Aniceto Ribeiro Monteiro no desenvolvimento da Matemática no Brasil (Leopoldo Nachbin)

Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro
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Sentados, da esquerda para a direita: António Monteiro, A. Adrian Albert, Marshall Stone, Oliveira Jr., José Abdelhay. Em pé, da esquerda para a direita: Alvércio Moreira Gomes, Maria Laura Mousinho, Leopoldo Nachbin, Marília Peixoto, Carlos Alberto Aragão Carvalho.
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Monteiro veio ao Brasil em 1945; eu tinha então 23 anos.
Não conheço os detalhes dos acordos científicos e administrativos que o levaram a tomar em consideração, e aceitar, uma oferta para vir ao Brasil.
Monteiro ingressou então na Faculdade Nacional de Filosofia (FNF) da Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro). A FNF era naquela época o principal centro de matemática do Rio de Janeiro, havendo iniciado suas atividades na área em 1939. Monteiro, indiscutivelmente, manteve e aperfeiçoou o nível e as atividades matemáticas.
Por outro lado, a FNF era então o segundo melhor centro de matemática do Brasil, logo após a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo, que iniciara as atividades matemáticas em 1934.
Apesar de que atualmente considero Monteiro fundamentalmente um lógico matemático, de corpo e alma, ele era ainda um analista quando veio ao Brasil, pelo menos como resultado dos seus estudos de doutoramento em Paris, e talvez de corpo e alma também. Assim, seus principais interesses, para efeito de palestras em cursos e seminários na FNF, dirigiram-se à topologia geral, espaços de Hilbert, análise funcional, bem como aos conjuntos ordenados, reticulados e álgebras de Boole.
Por exemplo, foi muito elucidativo para mim ouvir uma palestra de Monteiro cobrindo em detalhes o teorema da representação de Stone das álgebras de Boole por meio dos subconjuntos abertos-e-fechados de um espaço Hausdorff totalmente desconexo, uma ligação entre álgebra e topologia geral que naquela época eu considerava inesperada, além de ser bonita, de qualquer forma. Se menciono especificamente este ponto é porque uma das principais características da atitude de Monteiro com referência à matemática em suas aulas e em sua pesquisa, era enfatizar a unicidade da matemática.
Foi também uma revelação para mim quando Monteiro, recém-chegado ao Rio de Janeiro, em 1945, emprestou-me sua cópia particular da Topologie Générale de Bourbaki, especificamente os capítulos I-II (1940) e III-IV (1942) publicados na França. A este respeito, devo salientar que no Brasil, em função da Segunda Guerra mundial (de 1939 a 1945), era impossível acompanhar e obter regularmente publicações europeias sobre matemática durante esse período.
Eu gostaria de salientar que a FFCL de São Paulo teve os seguintes visitantes: André Weil, durante três anos académicos, de 1945 a 1947; Oscar Zariski, durante o ano académico de 1945; Jean Dieudonné, nos dois anos académicos de 1946 a 1947. Monteiro baseou suas atividades no Rio de Janeiro num estreito contato matemático com Weil, Zariski e Dieudonné, que por sua vez tentaram oferecer seu apoio à influência de Monteiro no Rio de Janeiro.
Monteiro era uma pessoa muito dinâmica, e um expositor muito eficaz. Ele tinha uma paciência de pioneiro e boa vontade para atrair e ajudar estudantes, desde os que estavam entre os melhores até aqueles não tão promissores mas ainda assim razoavelmente interessados em matemática.
Eu mesmo devo diversos dos importantes passos e eventos, no meu aprendizado e na minha carreira, à visão de Monteiro como conselheiro. Não vou fazer aqui uma relação detalhada; basta expressar no geral meu débito à influência de Monteiro quando eu era jovem e inexperiente, dos pontos de vista matemático, psicológico e político, época na qual Monteiro me deu seu inestimável conselho, proteção e iniciativa.
Nossa amizade durou até o último momento e não foi interrompida pelas adversidades da vida. Assim, em setembro de 1980 ainda recebi uma excelente carta dele, a última carta que ele me endereçou antes de falecer. Era perfeitamente claro para mim que Monteiro estava orgulhoso pelo fato de eu ter sido seu aluno; em outras palavras, Monteiro realmente procurava continuar sua própria vida através de seus antigos alunos.
Monteiro veio ao Rio de Janeiro em 1945 com um contrato de quatro anos para trabalhar na Universidade do Brasil. Entretanto, em razão de sua atitude abertamente anti-Salazar, a Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro (então a capital do Brasil) conseguiu convencer o Reitor da Universidade do Brasil a não renovar seu contrato em 1949. Como consequência, Monteiro deixou o Brasil e mudou-se para a Argentina, onde sua contribuição para o desenvolvimento da matemática na América Latina foi também muito significativa, tal como fora sua permanência no Brasil.
Em 1948, Monteiro iniciou no Rio de Janeiro uma série de monografias, Notas de Matemática, cujo primeiro volume foi escrito por mim, e ele continuou até o volume 6. Como ele deixou o Brasil em 1949 e eu voltei em 1950, retornando dos Estados Unidos, depois de uma visita de dois anos durante 1948-1950, decidi manter uma boa tradição e continuar a série como seu organizador começando do volume 7. Durante vinte e cinco anos, de 1948 a 1972, os volumes l a 47 da série foram publicados no Rio de Janeiro. Desde 1973 e começando do volume 48, a North-Holland Publishing Company assumiu a continuação da série na Holanda sob minha coordenação. Como resultado, o nível e a reputação da série cresceu substancialmente. Nesta ocasião, devo enfatizar o fato de que Monteiro foi o iniciador de Notas de Matemática, em 1948, e como uma série brasileira.
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Leopoldo Nachbin: A influência de Antonio Aniceto Ribeiro Monteiro no desenvolvimento da Matemática no Brasil, em “Ciência e Sociedade”, Ed. da UFPR, Curitiba (1996). 
versão brasileira do artigo da Portugaliae mathematica: 
http://purl.pt/index/pmath/date/PT/1980.html