A apresentar mensagens correspondentes à consulta Bahía Blanca ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Bahía Blanca ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de maio de 2007

Fotobiografia / Fotobiografía

ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO
Uma fotobiografia a várias vozes
Una fotobiografía a varias voces
(o autor do desenho da capa é ARPAD SZENES)
(Clube SPM)
***
Ver:
***
Índice
Agradecimentos
Índice
Notas introdutórias
Prefacio

1884-1936: Mossâmedes-Lisboa-Paris
Da Conferência de Berlim à guerra no sul de Angola
Os Pais
O falecimento de António Ribeiro Monteiro
Em Lisboa
Menino da Luz
“A revelação da sua extraordinária aptidão para o estudo e a investigação”
Casamento
“Revelou as suas tendências para a investigação, quando ainda aluno da Faculdade de Ciências”
Sus primeros trabajos

1936-1945: Lisboa-Porto
Um “curriculum vitae excepcional”
O Núcleo de Matemática, Física e Química
La labor de investigación de Monteiro en Lisboa
Prefácio à Portugaliae Mathematica
Actuação de António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942
Prefácio a Trabalhos do Seminário de Análise Geral
Nascimento da Sociedade Portuguesa de Matemática
Gazeta de Matemática
Conferências de Maurice Fréchet em Portugal
Excerto do Prefácio ao livro Funções Contínuas
“Um invulgaríssimo entusiasta da causa da investigação matemática”
António Aniceto Monteiro e o C.E.M. do Porto
António Aniceto Monteiro no Porto
Os objectivos da Junta de Investigação Matemática
Passeios no Tejo
Leis que visavam a repressão e a depuração dos funcionários civis e militares do Estado
Decreto-lei n.° 25:317
Decreto-lei n.° 27:003
“Não aceito limitações à minha inteligência!”
Carta a Guido Beck: “Fiz preparativos para sair do meu país para sempre”
“Eles foram de facto valores «sonegados» ao país”

1945-1949: Rio de Janeiro
A influência de António Aniceto Ribeiro Monteiro no desenvolvimento da Matemática no Brasil
Impressões sobre António Aniceto Monteiro
António Aniceto Ribeiro Monteiro no Brasil
La labor de investigación de Monteiro en Río de Janeiro
“Relembro a figura de Antônio Aniceto Monteiro...”
Carta a Guido Beck: “Isto é um inferno...”
La transferencia de Monteiro a Argentina

1949-1957: San Juan
Na Argentina
Carta a Guido Beck: “No dia 25 viajámos todos para San Juan”
Carta a Guido Beck: “Cidade destruída por um terramoto...”
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina (San Juan)
“Monteiro fue uno de los más ilustres matemáticos que llegó a este continente”
La labor de investigación de Monteiro en San Juan
Problemas da cultura matemática portuguesa

1957-1977: Bahía Blanca
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina (Bahía Blanca)
Monteiro en Bahía Blanca
António Monteiro na Universidad Nacional del Sur
“Voltei a Paris depois de 34 anos de ausência...”, “Volto para a Argentina sem ir a Portugal”
“Como trabajador científico me he limitado a cumplir con mis deberes...”
La labor de investigación de Monteiro en Bahía Blanca
Monteiro’s research in Bahía Blanca
Ruy Luís Gomes em Bahía Blanca
Recordações de Instituto de Matemática, de António Monteiro e dos seus discípulos (em Bahía Blanca)
Recordando a don Ruy Luís Gomes
Relatórios do informador habitual...
A situação político-institucional da UNS em 1975
Expulsão de professores da UNS
Cartas de matemáticos argentinos em defesa de António Aniceto Monteiro
Poesias de António Monteiro (1959)

1977-1979: Lisboa
O regresso de António Monteiro a Portugal, de 1977 a 1979
O Aniceto

1979-2007: Bahía Blanca
Aniceto Monteiro, um homem
Recordando Aniceto Monteiro
La labor de investigación de Monteiro
The last days

Bibliografía de António Aniceto Monteiro
Formação de discípulos
Cronologia de António Aniceto Monteiro
Referências

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

CRONOLOGIA

CRONOLOGIA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO

1907
Em 31 de Maio, nasce, em Mossâmedes, Angola, o matemático António Aniceto Ribeiro Monteiro, também conhecido por António Aniceto Monteiro ou António Monteiro, filho de António Ribeiro Monteiro e de Maria Joana Lino Figueiredo da Silva Monteiro. Namibe é o actual nome de Mossâmedes (que chegou a escrever-se Moçâmedes).
1915
A 7 de Julho morre António Ribeiro Monteiro, tenente de infantaria, que se encontrava em comissão extraordinária no sul de Angola.
1917-1925
Faz os estudos secundários no Colégio Militar, em Lisboa, onde é o aluno nº 78.
1925-1930
Estuda na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, de 20 de Outubro de 1925 a 17 de Julho de 1930, onde encontra a sua vocação e o seu primeiro Mestre – Pedro José da Cunha.
1929
Casa-se em 29 de Julho com Lídia Marina de Faria Torres. Do casamento nascerão dois filhos – António e Luiz.
1930
Em 17 de Julho licencia-se em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
1931-1936
António Monteiro é bolseiro em Paris do Instituto para a Alta Cultura (IAC) desde Novembro de 1931 até Julho de 1936. Durante este período estuda no Instituto Henri Poincaré, realizando trabalhos científicos sob a direcção de Maurice Fréchet.
1934
A 8 de Fevereiro nasce António, filho de Lídia Marina e António Aniceto.
1936
Conclui o Doutoramento de Estado na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em Ciências Matemáticas, com a menção Très Honorable, orientado por Maurice Fréchet, com uma tese intitulada Sur l’additivité des noyaux de Fredholm.
É fundado o Núcleo de Matemática, Física e Química, em Lisboa, cujas actividades se iniciam a 16 de Novembro, e cujos principais impulsionadores (os mais activos) são António da Silveira, Manuel Valadares e António Aniceto Monteiro.
A 5 de Outubro nasce Luiz, filho de Lídia Marina e António Aniceto.
1937
É fundada a revista Portugaliae Mathematica. A revista é “editada por António Monteiro, com a cooperação de Hugo Ribeiro, J. Paulo, M. Zaluar Nunes”.
Neste ano encontram-se, provavelmente pela primeira vez, nas actividades do Núcleo de Matemática, Física e Química, os matemáticos António Monteiro, Bento Caraça e Ruy Luís Gomes, os três principais impulsionadores do Movimento Matemático.
1938
Recebe o Prémio Artur Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa (Matemática) conferido pelo Ensaio sobre os fundamentos da análise geral.
1939
Começa a funcionar o Seminário de Análise Geral, em Lisboa, impulsionado por António Aniceto Monteiro, primeiro na Faculdade de Ciências e depois no Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa do IAC, no qual com a realização de cursos e seminários começa a iniciar um grupo de jovens no estudo da matemática moderna. Entre os seus discípulos deste período podem destacar-se José Sebastião e Silva e Hugo Baptista Ribeiro.
Em 6 de Novembro “desintegra-se” o Núcleo de Matemática, Física e Química.
1940
Em 1939 é fundada por Bento de Jesus Caraça, António Monteiro, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zaluar, a Gazeta de Matemática, cujo primeiro número sai em Janeiro de 1940.
Em Fevereiro é formado o Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa de que o impulsionador é António Monteiro que aí continua a dirigir trabalhos de investigação.
É fundada a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), em 12 de Dezembro de 1940. António Aniceto Monteiro é um dos seus principais impulsionadores e escolhido para seu Secretário Geral, por unanimidade. Pedro José da Cunha é eleito Presidente.
1943
4 de Outubro: é fundada a Junta de Investigação Matemática (JIM) por Ruy Luís Gomes, Mira Fernandes e António Monteiro. Os fundos para a JIM são angariados numa campanha promovida por António Luiz Gomes, irmão de Ruy Luís Gomes.
Dezembro: António Aniceto Monteiro vai para o Porto, a convite da JIM, com a família, onde fica cerca de um ano. Diz António Aniceto Monteiro no seu curriculum: “durante o período de 1938-43 todas as minhas funções docentes e de investigação, foram desempenhadas sem remuneração; ganhei a vida dando lições particulares e trabalhando num Serviço de Inventariação de Bibliografia Científica existente em Portugal, organizado pelo IAC”.
No Centro de Estudos Matemáticos do Porto, Monteiro dirige o Seminário de Topologia Geral. A JIM inicia a publicação dos Cadernos de Análise Geral nos quais se publicam os cursos e seminários ministrados na Faculdade de Ciências de Porto, sobre Álgebra Moderna, Topologia Geral, Teoria da Medida e Integração, etc., temas com pouca difusão nessa época nas Universidades Portuguesas.
1944-1945
Palestras da JIM lidas ao microfone da Rádio Club Lusitânia, corajosamente cedido pelo proprietário. São oradores: Ruy Luís Gomes, António Monteiro, Corino de Andrade, Branquinho de Oliveira, Fernando Pinto Loureiro, José Antunes Serra, António Júdice, Armando de Castro, Carlos Teixeira e Flávio Martins.
1945
António Aniceto Monteiro vê-se obrigado a sair de Portugal, porque lhe vedaram a entrada na carreira académica, por razões políticas. Com recomendação de Albert Einstein, J. von Neumann e Guido Beck obtém uma cátedra de Análise Superior no Rio de Janeiro, na Faculdade Nacional de Filosofia (o convite tinha sido feito em Setembro de 1943). Em 28 de Fevereiro, António Aniceto Monteiro embarca para o Rio de Janeiro onde chega com um contrato por quatro anos o qual não será renovado por influência da Embaixada de Portugal.
É nomeado membro del Comité de Redacção da Revista Summa Brasiliensis Mathematicae que a Fundação Getúlio Vargas edita.
1945-1946
António Monteiro é investigador do Núcleo Técnico Científico da Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), dirigido por Lélio Gama.
1946
Julho: Doutora-se Alfredo Pereira Gomes na Universidade do Porto, depois de ter sido orientado por António Aniceto Monteiro.
1948
António Monteiro inicia a série de publicações intituladas Notas de Matemática. Nos anos 1948-1949, são editados seis fascículos. Mais tarde, depois de sua ida para a Argentina, esta colecção será publicada sob a direcção de Leopoldo Nachbin alcançando uma grande difusão na América Latina.
1949
António Monteiro participa activamente na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, do qual é membro fundador e para o qual é contratado como investigador de Matemática.
Lecciona um curso de Introdução à Matemática para os investigadores de Instituto de Biofísica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro por convite do seu Director Carlos Chagas.
Em 5 de Dezembro, vindo do Brasil, chega à Argentina (Buenos Aires), contratado pela Universidad Nacional de Cuyo (sediada na cidade de San Juan, província de San Juan). De 1950 até 1956 é aí docente de Análise Matemática na Facultad de Ingeniería, Ciencias Exactas, Físicas y Naturales.
A partir de 1950 é professor de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Educação da mesma universidade, na cidade de San Luis.
1950
Em Janeiro e Fevereiro ao chegar à Argentina redige um trabalho sobre Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos, no qual expõe resultados que obteve sobre o assunto, que envia como anónimo ao concurso internacional organizado pela Sociedade Matemática de França em comemoração do jubileu do seu mestre Maurice Fréchet. Este trabalho foi eleito entre os quatro melhores apresentados.
1951
António Monteiro é co-fundador do Departamento de Investigaciones Científicas (DIC) da Universidad Nacional de Cuyo (Mendoza) onde é professor.
1953
Professor Full-time no Instituto de Matemática do DIC na Universidad Nacional de Cuyo, desempenhando as suas actividades como docente na Faculdade de Engenharia de San Juan.
1954
António Monteiro participa no Segundo Congresso Latino-Americano de Matemática, em Villavicencio, no Instituto de Matemática de Mendoza, organizado pela UNESCO de 21 a 25 de Julho, em que apresenta uma exposição do conjunto dos resultados obtidos no seu trabalho La Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos.
1954-1956
António Monteiro é professor de matemática na Escola de Arquitectura da Faculdade de Engenharia de San Juan, da Universidad Nacional de Cuyo.
1955
Em Fevereiro António Aniceto Monteiro lecciona um dos Primeiros Cursos Latino-americanos de Matemática patrocinados pela UNESCO, que se realizam no Instituto de Matemática de Mendoza, destinados ao aperfeiçoamento de Professores Universitários, ao qual assistem professores do Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile e Argentina.
António Monteiro é co-fundador da Revista Matemática Cuyana, tendo sido nomeado membro do seu comité de redacção.
1956-1957
Professor Contratado da Faculdade de Engenharia de San Juan, Universidad Nacional de Cuyo.
1956
Em 1956 é eleito pelos seus colegas do Instituto de Matemática de Mendoza, para realizar uma viagem ao Paraguai, Bolívia, Peru e Chile com o objetivo de estudar o aproveitamento dos bolseiros que tinham assistido aos cursos de 1955 e ajudá-los no seu trabalho. Realiza esta viagem em 1956 patrocinado pela UNESCO, tendo logo apresentado a esta instituição, um pormenorizado relatório sobre a situação nos diversos países.
Em 23 de Agosto é designado Profesor Titular, por concurso, da cátedra de Análise da Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de la Universidad de Buenos Aires, por decisão de um júri integrado por Beppo Levi, Mischa Cotlar e Rodolfo Ricabarra. Recusa essa posição.
É convidado a organizar o Instituto de Matemática da Universidade de Santiago do Chile mas recusa, também, esse convite.
Em 6 de Janeiro é criada a Universidad Nacional del Sur (UNS), Bahía Blanca, Argentina, e António Aniceto Monteiro é convidado a nela se incorporar e aceita (razão por que recusa os outros dois convites).
Nomeado membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências.
1957-1970
Em Julho de 1957 vai viver para Bahía Blanca com a posição de Professor Contratado da Universidad Nacional del Sur. É incorporado nesta Universidade para proceder à organização de Instituto de Matemática e da Licenciatura em Matemática.
A partir desse momento desenvolve uma intensa actividade com o intuito de organizar os estudos de Matemática na Universidad Nacional del Sur. Começa por organizar os planos de estudo da Licenciatura em Matemática com a colaboração de Oscar Varsavsky. Ao longo de vários anos ocupa-se de todos os problemas relativos à organização de uma Biblioteca de Matemática adequada à realização de trabalhos de investigação; esta é considerada, actualmente, como uma das melhores da América Latina. A Biblioteca do Instituto de Matemática tem actualmente o seu nome, Biblioteca Dr. António A. R. Monteiro.
Consegue a contratação, temporária ou permanente, de eminentes matemáticos nacionais e estrangeiros para a Universidad Nacional del Sur, em cujo seio se desenvolve paulatinamente um ambiente matemático juvenil.
1958
António Monteiro inicia uma série de Monografias de Matemática.
1959
Designado Organizador do Instituto de Matemática da Universidad Nacional del Sur, por diploma de 1959.
É convidado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na sua qualidade de Membro Fundador, para assistir à comemoração do décimo aniversário da sua fundação, permanecendo no Rio de Janeiro de Julho a Novembro. Em Julho participa como convidado no 2º Colóquio Brasileiro de Matemática, que se realiza em Poços de Caldas (Brasil), dando conferências entre as quais expõe as suas pesquisas sobre Álgebras Monádicas.
1958-1961
Ruy Luís Gomes é Professor Contratado pela Universidade Nacional del Sur, Bahía Blanca, Argentina, onde lecciona no Instituto de Matemática, a convite de António Aniceto Monteiro.
1960
António Monteiro começa a leccionar uma série de cursos e seminários de Lógica Algébrica destinados a formar um ambiente adequado para a investigação neste ramo da Matemática, continuando os cursos que Helena Rasiowa e Roman Sikorski leccionaram na Universidad Nacional del Sur em 1958.
1961
No início de 1961 lecciona um curso sobre Espaços de Hilbert no Instituto de Física de Bariloche e nessa ocasião inicia no estudo de Lógica Algébrica licenciados em Matemática da Universidade de Buenos Aires entre os quais se destaca pelos resultados obtidos, sobre problemas propostos, o Licenciado Horacio Porta. No mesmo período (1960-1961) dirige os estudos de Mário Tourasse Teixeira, de nacionalidade brasileira, primeiro directamente em Bahía Blanca e Bariloche, e posteriormente por correspondência sobre um tema que foi posteriormente objecto da sua tese de Doutoramento na Universidade de São Paulo.
Permanece na Faculdade de Ciências Exactas da Universidade de Buenos Aires, de Julho a Dezembro como professor visitante. Nessa oportunidade realiza um trabalho sobre as Álgebras de De Morgan com a colaboração de um estudante, brasileiro, da dita Faculdade, Oswaldo Chateaubriand.
1964
Funda a colecção intitulada Notas de Lógica Matemática, editada pelo Instituto de Matemática da UNS, na qual começa a publicar os trabalhos de investigação realizados em Bahía Blanca.
Com as publicações do Instituto, inicia um amplo serviço de troca que se mantém e desenvolve graças à relevante colaboração de Edgardo Fernández Stacco. Actualmente o Instituto recebe por troca cerca de 200 publicações periódicas.
No fim de 1964 trabalha como assessor da Fundação Bariloche, com o objectivo de organizar um Instituto de Matemática dedicado essencialmente à investigação ao nível latino-americano tendo, a propósito, redigido um relatório.
1965
Em Dezembro, abandona a direcção do Instituto de Matemática de Bahía Blanca passando, aí, a dedicar-se exclusivamente à realização de trabalhos de investigação e à formação de discípulos, que sempre foi a sua actividade central neste Instituto. Prossegue com a docência na UNS.
1966
Inicia a colecção intitulada Notas de Algebra y Análisis, editada pelo Instituto de Matemática da UNS.
1968
Participa no Primeiro Simpósio Panamericano de Matemática Aplicada em Buenos Aires, onde o seu trabalho sobre Generadores de reticulados distributivos foi elogiado por Garret Birkhoff.
1969-1970
Com licença sabática de Setembro de 1969 a Agosto de 1970, António Monteiro é bolseiro do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) e viaja pela Europa, realizando a sua primeira viagem de estudo depois de 25 anos de trabalho na América Latina (dos quais 20 na Argentina).
Recebe um convite para fazer uma conferência plenária no IV Congresso de Matemática de Expressão Latina que se realiza em Setembro de 1969 em Bucareste, na qual faz uma exposição do conjunto dos trabalhos realizados em Bahía Blanca, sobre Lógica Algébrica.
Durante a sua estadia na Europa faz conferências, convidado pela Universidade de Bucareste, Instituto de Matemática da Academia de Ciências da Roménia, Universidade de Cluy (Roménia) e Universidades de Paris, Clermont Ferrand, Lyon, Montepellier, Bruxelas e Roma.
1972
Em 31 de Maio, ao fazer 65 anos, de acordo com a legislação, renuncia ao seu cargo. No entanto, em virtude dessa mesma lei, mantem-no até se completarem todos os trâmites jubilatórios, que nessa época demoravam bastante tempo. Só em Setembro de 1975 é que recebe os primeiros vencimentos como jubilado, referentes ao período de 1 de Abril a 31 de Outubro desse ano.
Em 30 de Maio de 1972, António Aniceto Monteiro é designado Profesor Emérito de la Universidad Nacional del Sur, o único durante mais de vinte e cinco anos.
1974
No dia 1 de Outubro é nomeado Membro Honorário da Unión Matemática Argentina.
1975
António Monteiro jubila-se.
Março: invocando a legislação anterrorista, o reitor da Universidad Nacional del Sur, proíbe a sua entrada na universidade.
1977
O Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), Portugal, cria um lugar de investigador para António Aniceto Monteiro (no CMAF). Este permanece em Portugal cerca de dois anos.
1978
António Monteiro é distinguido com o Prémio Gulbenkian de Ciência e Tecnologia pelo seu trabalho Sur les Algèbres de Heyting Symétriques.
1980
29 de Outubro: António Aniceto Monteiro morre em Bahía Blanca, Argentina.
1989
A Universidad Nacional del Sur delibera a realização de um Congresso de Matemática, com ênfase na alternância de diversos ramos da matemática, e que tem a designação de Congreso Dr. Antonio Monteiro. Realizam-se congressos em 1991, 1993, 1995, 1997, 1999, 2001, 2003 e 2005. O IX Congresso realiza-se de 30 de Maio a 1 de Junho de 2007 coincidindo com o centenário do seu nascimento.
2000
O Instituto de Matemática de Bahía Blanca publica em sua homenagem Recordando al Dr. Antonio Monteiro, Informe Técnico Interno nº 70, cujos editores são Edgardo L. Fernández Stacco, Diana M. Brignole, Luiz F. Monteiro e Aurora V. Germani.
Em 2 de Outubro, no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Matemática, o Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, em acto solene, concede-lhe, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada.
2006
Em 28 de Agosto, no Congresso Internacional de Matemática, em Madrid, realiza-se a António A. Monteiro’s Centenary Session, onde é apresentada a compilação em 8 volumes da obra The Works of António A. Monteiro, editada por Eduardo L. Ortiz e Alfredo Pereira Gomes (também existente em formato CD/DVD).
2007
Realizam-se comemorações do centenário de António Aniceto Monteiro na Argentina e em Portugal.

Nota: Esta cronologia não é exaustiva. Por exemplo, nada diz quanto às publicações de António Monteiro. Para as publicações, ver BIBLIOGRAFÍA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO

Como complemento veja:

Just half a century ago...
Artigos de Maurice Fréchet na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de António Aniceto Monteiro na "Portugaliae Mathematica"
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979, por Alfredo Pereira Gomes
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina, por Eduardo L. Ortiz
The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil, por Leopoldo Nachbin
Artigos sobre António Aniceto Monteiro de Hugo Ribeiro, Ruy Luís Gomes e Luís Neves Real
Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro
Maurice Fréchet (1878-1973)
Duas palestras lidas ao microfone de Rádio Clube Lusitânia (António A. Monteiro e Ruy Luís Gomes)
Contribuição Matemática do Professor Dr. António A. R. Monteiro, por Luiz F. Monteiro
Declaração de António Monteiro e Silva Paulo relativamente a quantias recebidas da JIM
Uma carta de António Aniceto Monteiro, proveniente de S. Juan, Argentina, e datada de 27 de Abril de 1954
"O António Monteiro escreveu" - manuscrito de Abel Salazar
"Não há tempo a perder"... - uma carta de António Aniceto Monteiro
ANTONIO A. MONTEIRO (31/05/1907-29/10/80), por Edgardo Luis Fernández Stacco

quinta-feira, 29 de março de 2007

En las márgenes del Napostá...

Nas margens do rio Tejo... (cerca de 1941)
Digitalização de Jorge Rezende

Arroyo Napostá


"Tristezas de Bahía Blanca! En las márgenes del Napostá, entre vientos y tormentas en que la tierra nos ahoga, veo Lisboa distante – recuerdos de mi infancia!"
*
Arroyo Napostá
De Wikipedia, la enciclopedia libre
El Arroyo Napostá nace en la localidad de Sierra de La Ventana, provincia de Buenos Aires, Argentina y tras un recorrido de 130 km que atravieza al partido y a la ciudad de Bahía Blanca, desemboca por la bahía en Mar Argentino.
Hasta la localidad de Tres Picos, sus aguas son especialmente cristalinas y en ellas conviven muchas especies de peces.

En Bahía Blanca
En la ciudad de Bahía Blanca recorre el margen este del
Parque de Mayo y en la intersección de la Avenida Urquiza y Casanova comienza el entubado que finaliza en la Terminal de Ómnibus San Francisco de Asís, y en cuyo tramo inicial se emplaza el Paseo de las Esculturas. En los sectores en los que el arroyo se encuentra descubierto, como a lo largo del parque, sus orillas se mantienen parquizadas para la recreación de la comunidad y se han construído ciclovías y pasarelas peatonales para organizar la circulación y brindar mayor comodidad e higiene.

sábado, 21 de abril de 2007

Helena Rasiowa (Vienna, June 20, 1917 - Warsaw, August 9, 1994)

Eminent visitors were frequently seen at Monteiro’s Institute. Jean Porte gave an advanced course on mathematical logic and mechanical calculations based on his recent lectures at the Institute Poincaré in Paris; David Mackinson discussed modal Logic; Alan Rose advanced topics in Logic; H. Bauer representation problems in Analysis; Paulo Ribenboim ordered groups; Kiyoshi Iseki topological vector spaces; George Alexits gave master classes on topics of trigonometric series which resulted in a beautiful set of notes which was printed twice. The Institute received the influence of the Polish school of Logic through two of its main exponents of that time: Helena Rasiowa and Roman Sikorski. Many other visitors from abroad or from other Argentinian universities gave courses, short series of lectures or seminars.
[De] Eduardo L. Ortiz: Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina.
*
Invita al Instituto a destacados matemáticos de ese momento. Los primeros en llegar fueron dos profesores de la escuela polaca de lógica: Helena Rasiowa y Roman Sikorski, en 1958. Makoto Itoh y Paulo Ribenboim en 1959, Georges Alexits (Budapest), Jean Porte, Federico Gaeta y Orlando Villamayor en 1960 y Mischa Cotlar y Kiyoshi Iseki, en 1963.
[De] E. Fernández Stacco: António A. Monteiro (31/05/1907-29/10/80).
*
De 1958 a 1974 visitaram o Instituto, apesar das diversas dificuldades, para dar cursos e/ou conferências aproximadamente 60 Professores, entre eles: R. Sikorski, H. Rasiowa, A. Diego, O. Dodera, M. Itoh, P. Ribenboim, O. E. Villamayor, G. Alexits, J. Porte, F. Gaeta, M. Tourasse Teixeira, J. Dieudonné, R. L. Gomes, E. Zarantonello, W. Damköler , M. Cotlar, K. Iseki, B. Vauquois, E. Oklander, L. Santaló, E. Roxin, L. Cesari, P. Révész, A. Rose, J. C. Boussard, A. Micali, N. da Costa, D. Makinson, E. Gentile, E. García Camarero, H. Bauer, C. Segovia, R. Panzone, A. Benedek, E. Ortiz, J. Tirao, M. Auslander, H. Bass, C. Wall, M. Harada, E. Cabaña, I. Vincze, os quais cobriram uma ampla gama de especialidades dentro da matemática. Isto mostra a preocupação de António Monteiro por um desenvolvimento integral da matemática em Bahía Blanca, e não somente pelos temas que particularmente estudava. Alguns de estes Professores ficaram definitivamente em Bahía Blanca, e outros ficaram por um certo tempo.
[De] Luiz F. Monteiro: Contribuição Matemática do Professor Dr. António A. R. Monteiro.
*
El interés de Monteiro en álgebra de la lógica se acrecienta después de la visita de Helena Rasiowa y Roman Sikorski a Bahía Blanca en 1958. Durante esta visita Rasiowa expuso sobre los sistemas algebraicos correspondientes a la lógica constructiva con negación fuerte considerada por David Nelson. Estas álgebras fueron llamadas N-lattices o álgebras casi-seudo-booleanas por Rasiowa y posteriormente, álgebras de Nelson por Monteiro. Una estructura subyacente a las álgebras de Nelson son las álgebras de De Morgan (o álgebras casi booleanas en la nomenclatura de Rasiowa).
[De] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro.
*
Throughout the study of Boolean and Heyting algebras, Monteiro became interested in the algebraic aspects of logic, this interest having been aroused by direct contact with Roman - Sikorski and Helena Rasiowa when they visited Bahía Blanca in 1958. Monteiro applied his mathematical experience to the study of algebraic systems related to non-classical logics. He was convinced that the algebraic methods in logic would have important technological applications in the future, as a consequence of the development of computers. In view of such prospective applications, he tried to use finitistic and combinatorial methods in studying classes of algebras, whenever possible.
...
In the same vein, he determined the structure of the finite De Morgan and Nelson algebras. Monteiro investigated in depth the structure of Nelson algebras (introduced by H. Rasiowa as the algebraic counterparts of the constructive logic with strong negation considered by Nelson and Markhoff), and he proved that the class of semi-simple Nelson algebras coincides with the class of algebras corresponding to three-valued Lukasiewicz logics. Thus he showed that, from the algebraic point of view, the three-valued Lukasiewicz logic stands in the same relation to constructive logic with strong negation as classical logic does to intuitionistic logic.
[De] Roberto Cignoli: Antonio Monteiro, 1907-1980.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Hoje no "Público"




O matemático que olhava Lisboa de longe
31.05.2007
Ana Gerschenfeld

António Aniceto Monteiro foi um dos maiores matemáticos portugueses. Faria hoje 100 anos
Em Fevereiro de 1945, aos quase 38 anos de idade, António Aniceto Monteiro embarca em Lisboa com destino ao Rio de Janeiro e ao exílio que marcará o resto da sua vida. No Brasil, espera-o um cargo de professor na Faculdade Nacional de Filosofia, para o qual este ainda jovem mas já destacado matemático - nascido em Angola, licenciado da Faculdade de Ciências de Lisboa e doutorado da Sorbonne - foi recomendado por nada mais nem nada menos do que Albert Einstein, John von Neumann e Guido Beck.
Monteiro abandona Portugal porque a entrada na carreira científica lhe foi vedada pelo regime de Salazar devido às suas convicções políticas. Desde 1938, de facto, tem estado a trabalhar sem ser remunerado por aquilo que faz. Em 1943, escreveu no seu currículo: "durante o período de 1938-43, todas as minhas funções docentes e de investigação foram desempenhadas sem remuneração; ganhei a vida dando lições particulares e trabalhando num Serviço de Inventariação de Bibliografia Científica existente em Portugal".
Isso não tem impedido Monteiro de desenvolver, ao longo dos anos, uma intensa actividade científica e docente na área da matemática pura, algo de quase inédito no país. Alguns exemplos: em 1936, funda com outros eminentes matemáticos o Núcleo de Matemática, Física e Química; em 1937, a revista Portugaliae Mathematica; em 1940, é co-fundador, com Bento de Jesus Caraça e Ruy Luís Gomes, da revista Gazeta de Matemática e, no mesmo ano, da Sociedade Portuguesa de Matemática, da qual se torna o primeiro secretário-geral; em 1941, contribui decisivamente para a fundação do Centro de Estudos Matemáticos do Porto.
Só que, em 1943, a situação tornou-se insustentável, obrigando Monteiro e sua família a partir. Explica o matemático Jorge Rezende numa entrevista concedia ao Jornal da Voz do Operário: "O Governo exigia que as pessoas assinassem um compromisso de fidelidade à Constituição de 1933 e assumissem não seguir os ideais comunistas. Ora, acontece que António Monteiro recusou assinar. Por via disso nunca leccionou em Portugal. [...] houve até antigos companheiros do Colégio Militar que o tentaram convencer a assinar o compromisso, mas ele disse que fazê-lo era um "insulto à sua inteligência"".
No Brasil, onde permaneceu quatro anos, Monteiro continuou incansavelmente a fazer o que tão bem sabia fazer e mais gostava: investigação em matemática (lógica, análise, topologia, álgebra), organizar o ensino e promover a investigação na área junto dos jovens universitários.
Em 1949, a história repete-se: é o exílio dentro do exílio. Devido a pressões exercidas pela embaixada de Portugal no Rio, o contrato académico de Monteiro não é renovado. Mais uma vez, vê-se forçado a partir - desta vez para a Argentina. Primeiro, trabalha na Universidade de Cuyo, onde co-funda o Departamento de Investigações Científicas - "e dentro dele, o Instituto de Matemática, sob a direcção de Misha Cotlard [eminente matemático russo radicado na Argentina]", escreve o matemático argentino Edgardo Luis Fernández Stacco num texto publicado no blogue oficial do centenário de Monteiro (http://antonioanicetomonteiro.blogspot.com). E acrescenta: "Este talvez tenha sido o centro matemático mais importante do país naquela altura."

Dum exílio ao outro
Em 1957, Monteiro acaba por se fixar definitivamente na Universidade do Sul, em Bahia Blanca.
Aí, um dos seus grandes objectivos será a criação de uma biblioteca de matemática de nível internacional. A biblioteca, que hoje tem o seu nome, continua a ser uma das melhores da América Latina. Fernández Stacco recorda que, em 1958, Monteiro estava a dar uma aula quando chegou um camião com o primeiro carregamento de livros e revistas: "A aula foi suspensa; era a primeira vez que víamos revistas de matemática".
Monteiro era um autêntico "agregador" de matemáticos: ao longo dos anos, visitaram o seu instituto em Bahía Blanca um grande número de conhecidos matemáticos estrangeiros, alguns dos quais lá ficaram definitivamente. Entre eles, o seu amigo de longa data Ruy Luís Gomes.
Mas a ironia da História quis que Monteiro sofresse mais uma vez o exílio: em 1975, invocando as medidas anti-terroristas que estavam a ser tomadas pela ditadura argentina contra "a subversão", o reitor ali colocado pelos militares proibiu a Monteiro, já reformado mas ainda em actividade, a entrada na Universidade e na própria biblioteca que ele tinha criado.
O matemático Eduardo L. Ortiz, do Imperial College de Londres, que visitou Monteiro em Bahia Blanca, em 1980 (pouco tempo antes da sua morte), perguntou-lhe como é que se sentia em relação a essa situação. "Causa-me alguns problemas", foi a resposta lacónica de Monteiro.
Monteiro passou dois anos em Portugal após o 25 de Abril, entre 1977 e 1979, a convite do INIC (Instituto Nacional de Investigação Científica) em Lisboa, num cargo especialmente criado para ele.
A sua actividade, apesar da sua saúde ser já frágil, não pôde deixar de ser marcante. Continuou a trabalhar nas suas próprias pesquisas, mas também a orientar jovens matemáticos. Duas teses de doutoramento foram o resultado desse esforço, que lhe valeu ainda o Prémio da Gulbenkian de Ciência e Tecnologia (em 1978). Em 1979 regressou a Bahia Blanca, onde morreu a 29 de Outubro de 1980.

Agradecer a Salazar
Apesar da energia e paixão que sempre demonstrou, a nostalgia e a tristeza do exílio nunca o abandonaram. A prova disso: quando de uma viagem sabática pela Europa, em 1969-70, Monteiro evitou passar por Lisboa. Numa carta enviada a 10 de julho de 1970 a Maria Laura Mousinho Leite Lopes, uma sua ex-aluna, escreveu: "Volto para a Argentina sem ir a Portugal. [...] Tive o cuidado de escolher um barco que não pára em Portugal. Ao sair de Vigo talvez veja a costa de Portugal de longe! O fascismo continua em Portugal devido ao apoio inglês e yanque. Assim são as democracias ocidentais e cristãs! A palavra de ordem "abaixo o fascismo" não perdeu actualidade desde a década de 30, inclusive em França".
Nessa mesma viagem, quando da sua passagem por Paris, Monteiro estava a jantar num restaurante com amigos argentinos quando estes receberam a notícia de que o ditador Juán-Carlos Onganía, que governava em Buenos Aires desde 1966, tinha sido derrubado. Perante a alegria deles, Monteiro confessou o quanto teria gostado de ter recebido a mesma notícia sobre Salazar.
Mesmo depois da Revolução de Abril, Monteiro nunca se reconciliaria totalmente com a sua Universidade, disse-nos ontem, em conversa telefónica desde a Argentina, o seu filho Luíz, também ele matemático. Numa carta enviada a 5 de Junho de 1978 ao matemático Alfredo Pereira Lopes, na altura em Paris, Monteiro fala dessa sua desilusão: "[...] ainda não fiz as conferências na Faculdade de Ciências de Lisboa, que propus no mês de Outubro; pela simples razão de que não as marcaram", escreve. "Não há interesse ou não querem. Paciência. Não volto a insistir que já me dá vergonha. Darei este mês uma série de conferências na Faculdade de Ciências do Porto. A de Lisboa parece que não mudou muito com o tempo."
O filósofo e físico argentino Mario Bunge resumiu da seguinte forma a personagem de Monteiro: "Esse grande homem e matemático, cuja primeira preocupação ao pisar solo argentino foi a de criar uma escola". E acrescentou com ironia: "Temos de agradecer ao ditador Salazar que fez a vida impossível ao Professor António Monteiro, porque assim ele veio para a Argentina."
De regresso a Bahía Blanca, Monteiro terá encarado ainda o regresso a Lisboa. Numa outra carta a Pereira Lopes, em 1979, após um período de doença, lá estava ele outra vez a trabalhar com grande entusiasmo: "Comecei de novo a levantar-me às 4 ou 5 da manhã para trabalhar. São tão lindos os temas sobre os quais estou trabalhando, que não quero perder tempo."
O seu centenário vai ser comemorado em simultâneo em Lisboa e Bahía Blanca, a partir de hoje (informações em www.spm.pt).

quinta-feira, 29 de março de 2007

Bahía Blanca, Argentina - en las márgenes del Napostá...




Em Bahía Blanca viveu António Aniceto Monteiro de meados de 1957 a meados de 1977, e de meados de 1979 até à sua morte em 1980.
No primeiro mapa está a província de Buenos Aires na qual se integra Bahía Blanca. Pode também ver-se Monte Hermoso.
O terceiro mapa é uma planta onde se vê a Avenida Colón onde se localiza a reitoria da Unversidad Nacional del Sur.
*

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Antonio Diego


Digitalização de Jose Marcilese
© Família de António Aniceto Monteiro

Antonio Diego e António A. Monteiro, nas escadas da UNS (Universidad Nacional del Sur), Av. Colón, nº 80, edifício da Reitoria onde, nessa altura, no 3º andar, funcionava o Instituto de Matemática e havia aulas. Desde há vários anos aí só funciona a Reitoria.
*
Monteiro moved from San Juan with his disciple Antonio Diego and attracted to Baíha Blanca many of the former members of the defunct D.I.C.: in the following few years Ricabarra, Varsavsky, Villamayor (after a stay in the U.S.A.) and others remained there for variable lengths of time. Topologist Mario Gutierrez Burzaco joined Monteiro when he returned from the U.S.A. Monteiro managed also to attract to his group the distinguished Portuguese mathematician Professor Ruy Luís Gomes.
...
One of these volumes of Notas [de Álgebra y Analisis] contains the doctoral dissertation of Antonio Diego, the student who followed him from San Juan. The thesis was presented at Buenos Aires University as the Universidad del Sur had no doctoral programme yet. It was published later on by Gauthier Villars in Paris: A. Diego, Sur les algèbres de Hilbert, Paris, 1966. Diego was a fine mathematician and a fine man. Perhaps the most complete of his students; certainly forged with the same metal as Monteiro. His untimely death was a serious loss to Argentinian science.
[De] Eduardo L. Ortiz: Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina.
*
Paralelamente, Monteiro encaró el estudio de las álgebras que se obtienen considerando el fragmento implicativo de los cálculos proposicionales clásico e intuicionista, a las que denomino álgebras de Hilbert. Este estudio culmina con la tesis doctoral de Antonio Diego (1) (2), que si bien fue presentada en la Universidad de Buenos Aires, fue realizada en Bahía Blanca bajo la dirección de Monteiro. Es importante destacar que las álgebras de Hilbert no tienen una estructura de reticulado subyacente, lo que obligó a desarrollar nuevas técnicas para el estudio algebraico de las mismas, que sirvieron de modelo para trabajos posteriores.
Antonio Diego había sido ayudante en los cursos de análisis matemático que Monteiro dictaba en San Juan, y posteriormente completó la Licenciatura en Matemática en la Universidad de Buenos Aires, donde se doctoró en 1961. Acompañó a Monteiro a Bahía Blanca en 1957, donde permaneció hasta su prematura muerte en 1975. Fue tal vez su discípulo más brillante y la capacidad matemática junto con la simpatía personal hicieron de Diego un pilar fundamental del grupo de matemática organizado por Monteiro en la Universidad Nacional del Sur.
(1) Antonio Diego: Sobre álgebras de Hilbert.
(2) Antonio Diego: Sur les algèbres de Hilbert.
[De] Roberto Cignoli: La Obra Matemática de António Monteiro.

sábado, 25 de dezembro de 2010

«Sobre o problema da auto-determinação dos povos coloniais não pode haver nenhuma espécie de reticências»: carta de 24 de Abril de 1961

Bahía Blanca, 24 de Abril de 1961

Dr. Manuel Sertório
R Manuel de Nóbrega, 636
São Paulo. Brasil

Estimado Dr. Sertório:

Recebi a sua atenta carta de 13 de Abril, que muito lhe agradeço. Esta carta não continha o documento sobre o problema colonial, cujo envio me comunicava. É portanto impossível opinar sobre o mesmo. Entretanto tenho aqui à mão uma declaração sobre o problema colonial, que a Comissão de Inter-Ligação enviou ao Prof. Ruy Gomes em 30 de Março. Trata-se de um documento com uma orientação essencialmente distinta da declaração impressa à qual enviei a minha adesão na carta que lhe escrevi em 23 de Março.
Devo dizer-lhe que não assinarei a declaração de 30 de Março anteriormente indicada, porque o problema da autodeterminação dos povos coloniais está posto em termos ambíguos.
Em primeiro lugar se reconhece o direito à irrestrita auto-determinação, mas logo a seguir se agrega “sob as necessárias garantias de exercício desse direito em condições humanamente progressivas, etc.” o que pode significar, por exemplo, que os povos coloniais terão que esperar mais alguns séculos para que se lhes reconheça esse direito.
Para tomar outro ponto com o qual estou em desacordo basta citar o artigo 6°) com cuja redacção discordo totalmente. Está completamente errado sob o ponto do vista político e histórico. Usa o tom dum patrão a falar para um escravo.
Por outro lado a parte final do artigo 5°) da declaração impressa à qual tinha enviado a minha adesão foi completamente suprimido o que é deveras lamentável. Sobre o problema da auto-determinação dos povos coloniais não pode haver nenhuma espécie de reticências. Depois de uma política de opressão, escravidão e extermínio que durou séculos, o governo iniciou actualmente uma guerra de extermínio em Angola e outras colónias, que é necessário condenar nos termos mais enérgicos apoiando os povos coloniais na sua luta pela independência nacional.
Volto a manifestar o meu apoio à redacção da declaração impressa.
Comunico-lhe também o meu apoio ao documento enviado ao Prof. Ruy Gomes, em 30 de Março de 1961, pela Comissão de Inter-Ligação, de apoio à declaração de 10 de Fevereiro subscrita por 160 democratas. As palavras da primeira linha “residentes no Brasil”, devem ser substituidas por “residentes no estrangeiro” ou “residentes no Brasil, Argentina, etc.” Tal e qual como está pode pôr o meu nome entre os que estão decididos a assiná-la.
Enviando-lhe as melhores saudações democráticas, subscrevo-me com a maior consideração e respeito



.
António Monteiro
Barrio Universitário, casa 12
Bahía Blanca. Argentina

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lídia Monteiro: Mossâmedes (Angola), 31 de Outubro de 1910 - Bahía Blanca (Argentina), 7 de Maio de 2012

Faleceu, esta manhã, a viúva do Professor António Aniceto Monteiro, Lídia Monteiro, em Bahía Blanca, Argentina.

sábado, 25 de dezembro de 2010

“Nenhum povo pode ser livre se oprime outro povo”: carta de 23 de Março de 1961 a propósito do início da guerra em Angola

Bahía Blanca, 23 Março 1961


Dr. Manuel Sertório
R. Manuel de Nóbrega 636
São Paulo.

Estimado Dr. Sertório:

O Professor Ruy Luís Gomes mostrou-me um projecto de declaração sobre o problema das colónias portuguesas e disse-me que estariam interessados em conseguir assinaturas para o referido documento.
Por esse motivo escrevo-lhe para manifestar o meu completo acordo com os termos da declaração e para comunicar-lhe que podem pôr o meu nome entre o das pessoas que estão decididas a assiná-la.
Disse-me o professor Ruy Gomes que poderia apresentar qualquer sugestão que achasse conveniente. Creio que não é suficiente condenar o envio de forças armadas para os territórios coloniais e que se deveria também reclamar que se retirem todas as tropas de repressão enviadas nos últimos tempos. Ao mesmo tempo convém declarar que a responsabilidade de todos os sucessos que ocorram nas colónias recai inteiramente sobre o governo de Portugal e serão uma simples consequência da sua política de repressão que se pode contrapor à atitude dos diversos movimentos para a independência das colónias que reclamam insistentemente negociações pacíficas.
Se não tivesse nascido na colónia de Angola assinaria também o mencionado documento porque penso que “nenhum povo pode ser livre se oprime outro povo”.
Subscrevo-me com a maior consideração e respeito




António Aniceto Monteiro
Barrio Universitário, casa 12
Bahía Blanca, Argentina.

quinta-feira, 29 de março de 2007

San Juan, Argentina




Aqui viveu António Aniceto Monteiro de Dezembro de 1949 a meados de 1957.
No primeiro mapa estão marcadas as províncias San Juan, a norte, e a sua vizinha, Mendoza, a sul.
O segundo mapa mostra a província de San Juan. Podemos ver a localização da capital e, também, Calingasta, entre outras cidades.
No terceiro mapa estão as províncias de San Juan, San Luis e Mendoza.
*
CRONOLOGIA DO PERÍODO EM QUE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO VIVEU EM SAN JUAN
1949
...
Em 5 de Dezembro, vindo do Brasil, chega à Argentina (Buenos Aires), contratado pela Universidad Nacional de Cuyo (sediada na cidade de San Juan, província de San Juan). De 1950 até 1956 é aí docente de Análise Matemática na Facultad de Ingeniería, Ciencias Exactas, Físicas y Naturales.
A partir de 1950 é professor de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Educação da mesma universidade, na cidade de San Luis.
1950
Em Janeiro e Fevereiro ao chegar à Argentina redige um trabalho sobre Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos, no qual expõe resultados que obteve sobre o assunto, que envia como anónimo ao concurso internacional organizado pela Sociedade Matemática de França em comemoração do jubileu do seu mestre Maurice Fréchet. Este trabalho foi eleito entre os quatro melhores apresentados.
1951
António Monteiro é co-fundador do Departamento de Investigaciones Científicas (DIC) da Universidad Nacional de Cuyo (Mendoza) onde é professor.
1953
Professor Full-time no Instituto de Matemática do DIC na Universidad Nacional de Cuyo, desempenhando as suas actividades como docente na Faculdade de Engenharia de San Juan.
1954
António Monteiro participa no Segundo Congresso Latino-Americano de Matemática, em Villavicencio, no Instituto de Matemática de Mendoza, organizado pela UNESCO de 21 a 25 de Julho, em que apresenta uma exposição do conjunto dos resultados obtidos no seu trabalho La Aritmética de los filtros en la Teoría de los Espacios Topológicos.
1954-1956
António Monteiro é professor de matemática na Escola de Arquitectura da Faculdade de Engenharia de San Juan, da Universidad Nacional de Cuyo.
1955
Em Fevereiro António Aniceto Monteiro lecciona um dos Primeiros Cursos Latino-americanos de Matemática patrocinados pela UNESCO, que se realizam no Instituto de Matemática de Mendoza, destinados ao aperfeiçoamento de Professores Universitários, ao qual assistem professores do Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile e Argentina.
António Monteiro é co-fundador da Revista Matemática Cuyana, tendo sido nomeado membro do seu comité de redacção.
1956-1957
Professor Contratado da Faculdade de Engenharia de San Juan, Universidad Nacional de Cuyo.
1956
Em 1956 é eleito pelos seus colegas do Instituto de Matemática de Mendoza, para realizar uma viagem ao Paraguai, Bolívia, Peru e Chile com o objetivo de estudar o aproveitamento dos bolseiros que tinham assistido aos cursos de 1955 e ajudá-los no seu trabalho. Realiza esta viagem em 1956 patrocinado pela UNESCO, tendo logo apresentado a esta instituição, um pormenorizado relatório sobre a situação nos diversos países.
Em 23 de Agosto é designado Profesor Titular, por concurso, da cátedra de Análise da Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de la Universidad de Buenos Aires, por decisão de um júri integrado por Beppo Levi, Mischa Cotlar e Rodolfo Ricabarra. Recusa essa posição.
É convidado a organizar o Instituto de Matemática da Universidade de Santiago do Chile mas recusa, também, esse convite.
Em 6 de Janeiro é criada a Universidad Nacional del Sur (UNS), Bahía Blanca, Argentina, e António Aniceto Monteiro é convidado a nela se incorporar e aceita (razão por que recusa os outros dois convites).
Nomeado membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências.
1957
Em Julho de 1957 vai viver para Bahía Blanca com a posição de Professor Contratado da Universidad Nacional del Sur.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

El 15 de mayo se cumplen 50 años de la llegada de la primera computadora científica a Argentina

Clementina medía 18 metros de largo y tenía 5000 válvulas de vidrio.
Foto: Universidad de Buenos Aires/Reproducción
(Primera computadora argentina silbaba tangos hace 50 años)


***


Las memorias relatadas en este artículo se refieren a mi lejana colaboración con el Prof. Julio Rey Pastor en el Instituto de Calculo del CSIC de Madrid, en los años 1950; a un viaje de estudios a Italia que inicié acompañando a Rey Pastor y a mi trabajo en el Istituto Nazionale per le Aplicazioni del Calcolo, de Roma. También se relata mi participación, gracias a una invitación de Rey Pastor, como experto en la organización del Instituto de Calculo de la Universidad de Buenos Aires en la Argentina a comienzos de los años 1960. Los recuerdos de mi estadía en Argentina se refieren también al trabajo de investigación en la Universidad Nacional del Sur, en Bahía Blanca. Aquí trabajé en un proyecto de diseño y construcción de una computadora electrónica (llamada CEUNS), y colaboré con el Prof. Antonio Monteiro (en el grupo de investigación del Instituto de Matemáticas que dirigía en Bahía Blanca), iniciando trabajos en ciencias de la computación. Se dan también algunos detalles sobre la creación de Sociedad Española de Matemática Aplicada (SEMA) y de la revista Arquímedes, ambas en España y de la Sociedad Argentina de Cálculo (SAC) en Argentina. Se incluyen referencias documentales sobre estos temas, varias de ellas las he puesto en formato digital en Internet, y se dan sus enlaces para facilitar la consulta.

sábado, 21 de abril de 2007

Roman Sikorski (July 11, 1920, Mszczonów - September 12, 1983, Warsaw, Poland)

Además del canje, la serie “Notas de Lógica Matemática” tenía el propósito de difundir rápidamente las investigaciones realizadas en Bahía Blanca, independiente­mente de su publicación en revistas especializadas. Investigadores de distintos países me han manifestado la importancia que tuvieron para ellos estas Notas de Lógica para orientar sus primeras investigaciones en temas vinculados a álgebra de la lógica. Marshall Stone, al visitar la Universidad de Campinas (San Pablo, Brasil) a principios de los 80, envió una lista con unas diez publicaciones que quería saber si estarían disponibles, pues le interesaban para el curso que pensaba dictar. En la lista figuraban dos Notas de Lógica: una con un curso sobre álgebras de Boole que dictara Roman Sikorski cuando visitó Bahía Blanca en 1958, y la otra la tesis de Antonio Diego, a la que Stone se refi­rió como “a nice piece of mathematics”. Pero el sentido de esta serie de “preprints”, comunes en muchas universidades, nunca fue comprendido por las autoridades de la Universidad, y su publicación debió sortear innumerables trabas burocráticas, que amargaban la vida de Monteiro.
[De] Roberto Cognoli: (do Prefacio a) António Aniceto Monteiro - uma fotobiografia a várias vozes, una fotobiografía a varias voces.
*
Ver ainda os textos de

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Calle Dr. A. Monteiro, Bahía Blanca, Argentina


Fotografias de Elza Amaral
Fica situada no Bairro Coronel Estomba, no sector nordeste da cidade.
Ver o mapa em