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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Bento de Jesus Caraça - Semeador de Cultura e Cidadania - Alberto Pedroso



*
As referências a António Aniceto Monteiro vêm nas páginas 72, 186, 337, 338, 339, 366, 462, 486, 570, 612.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

“Eles foram de facto valores «sonegados» ao país” [Bento de Jesus Caraça]



Jornal República de 29 de Outubro de 1945
*
"O MOMENTO ELEITORAL" era uma secção nas páginas centrais no jornal República. Assim, o título deste texto de Bento de Jesus Caraça não é "O MOMENTO ELEITORAL" mas "Carta aberta...".
As eleições realizaram-se em 18 de Novembro de 1945. Ver o artigo de César Príncipe: JN Editorial - Ha cinquenta anos em Portugal.
Ver ainda:

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bento de Jesus Caraça e outros num passeio no Tejo

Passeio no Tejo em 1941 ou 1942: Bento de Jesus Caraça, de costas e chapéu, à direita, num barco que talvez seja o «Liberdade»
© Família de Pilar e Hugo Ribeiro
Agradecimentos: Mário Ribeiro, Ilda Perez
Digitalização de Jorge Rezende

domingo, 2 de dezembro de 2012

O ano de 1943 e o exílio de Monteiro, em correspondência de Guido Beck

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(...)
Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
(...)
[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 7 de Dezembro de 1942]
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(...)
Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas. [ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
(...)
[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa)a Guido Beck (Porto), de 13 de Dezembro de 1942]
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(...)
Como vão as coisas com Monteiro? Não tenho tido notícias directamente ele. O seu assunto, vai resolver-se? Gostaria muito de o ver em boas condições gostaria muito de acelerar o seu convite para ir para a América.
(...)
[Carta de Guido Beck (Porto) a Bento de Jesus Caraça (Lisboa), de 28 de Janeiro de 1943. Nesta carta fica claro que Guido Beck se preparava para partir para a Argentina, com trânsito pelo Brasil]
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(...)
O caso do Monteiro está por agora resolvido e não se pode fazer nada, de momento pelo menos.
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[Carta de Bento de Jesus Caraça (Lisboa) a Guido Beck (Porto), de 3 de Fevereiro de 1943]
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(...)
Acabei de ver o Monteiro. Pessoalmente está bastante bem, mas, apesar de tudo, espero vê-lo brevemente na América onde poderá desenvolver todas as suas grandes qualidades.
(...)
[Carta de Guido Beck (já em Lisboa) a Ruy Luís Gomes (Porto), de 24 de Fevereiro do 1943]
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(...)
Peço-lhe para informar Monteiro dos esforços que por aqui tenho desenvolvido: Não pude desembarcar no Brasil, e precisava, depois de várias cartas, mandar um telegrama para São Paulo, antes de contactar com o Sr. Wattaghin. E é por isso que tive de atrasar o telegrama. Faço, naturalmente, o impossível para acelerar as coisas. Monteiro está proposto para uma cadeira este ano, o ano passado isso não era possível, mas agora as condições são muito boas. Todavia, não se sabe quando é que o Ministério efectuará a nomeação. É por isso que haveria vantagem em que o Monteiro pudesse ir, independentemente das diligências oficiais, para o Brasil. Também falei para São Paulo, no sentido de enviarem a Monteiro um convite oficial para fazer uma conferência, caso seja possível, para facilitar a sua viagem. Seguidamente, pedi ao v. Neumann, em Princeton, para, entretanto, encontrar uma bolsa para Monteiro. E para me enviar uma carta de recomendação, o que facilitaria novas diligências. Aguardo. Estou em contacto com o Sr. Balanzat: poderemos fazer sondagens quer aqui quer no Peru. As hipóteses são grandes, mas a dificuldade estará em organizar a viagem em pouco tempo. Em todo o caso tenta-se...
(...)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto), de l de Julho de 1943]
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(...)
Ainda uma mão cheia de novidades:
(...)
2. A nomeação de Monteiro no Rio caiu cá como uma bomba. Todos ficam de boca aberta e diz-se: Mas Beck conseguiu! E tão rapidamente! Começam a compreender.
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[Carta de A. L. Fernandes de Sá (Porto) a Guido Beck (Argentina]
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(...)
DOUTOR GUIDO BECK OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO
CÓRDOBA ARGENTINA
GRANDE SATISFAÇÃO CONTRATO MONTEIRO STOP ESTOU COMUNICAÇÃO EMBAIXADA BRASILEIRA STOP PROCA CHEGOU A LISBOA GRANDE ABRAÇO
RUY GOMES
[Telegrama de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina, de 7 de Agosto de 1943]
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MONTEIRO CONTRATADO COM APROVAÇÃO MINISTERIAL FACULDADE RIO DE JANEIRO STOP ROGO TOMAR O CONTACTO COM EMBAIXADA BRASILEIRA LISBOA QUE TRANSMITA CONTACTO
GUIDO BECK
[Telegrama de Guido Beck (Córdoba, Argentina) a Ruy Luís Gomes (Porto]
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(...)
Transmiti ao Dr. António Monteiro o conteúdo do vosso telegrama e já nos pusemos em contacto com a Embaixada do Brasil sobre o assunto mas até à data não tinham indicações nenhumas sobre os termos do respectivo contrato. Sei que telegrafaram imediatamente para o Rio de Janeiro a pedir instruções.
(...)
[Carta de Ruy Luís Gomes (Porto) a Guido Beck (Córdoba, Argentina), de 25 de Agosto de 1943]
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NENHUMA DIFICULDADE SAÚDE EMBAIXADA ATRIBUI DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO CASA VENDIDA DESEMPREGO SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL INTERVENHA URGÊNCIA
ANTÓNIO MONTEIRO
[Telegrama de António Aniceto Monteiro a Guido Beck]
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Senhor Director,
Tomo a liberdade, desde já, de lhe pedir que aceite os meus agradecimentos mais calorosos por se ter dignado receber a Sr.a O. Deimlová e pela atenção em lhe ter dado as informações relativas ao caso do Sr. António Monteiro que ela me transmitiu. Agradeço-lhe, ao mesmo tempo o benévolo interesse que se dignou conceder ao Sr. Monteiro.
Transmiti de seguida as suas informações aos meus amigos em Portugal e acabo de receber o seguinte telegrama do Sr. Monteiro:
«EMBAIXADA ATRIBUI DEMORA DIFICULDADES ENVIO DINHEIRO VIAGENS ORDEM EMBAIXADA PRONTO PARTIR PASSAPORTES REGRA DESDE OUTUBRO».
Concluí desse telegrama, que o Sr. António Monteiro está pronto a partir para tomar posse das suas funções na sua Faculdade e que todos os seus documentos de viagem estão em ordem. Suponho, que as dificuldades que o Sr. Monteiro eventualmente encontrou para obter a autorização indispensável para sair de Portugal foram superadas há alguns meses e que foram devidas a um simples mal-entendido. Seria, com efeito, espantoso que as autoridades portuguesas tivessem negado a Monteiro a autorização para assumir as suas funções se elas não tivessem a intenção de o reter em Portugal para lhe oferecerem uma cadeira equivalente àquela que lhe foi oferecida no Rio de Janeiro.
Por outro lado, sei que o Sr. Monteiro já preparou a sua partida, abandonando o seu apartamento em Lisboa etc. e receio que ele se veja colocado numa situação muito embaraçosa se a sua partida for consideravelmente atrasada. É por isso que tomo a liberdade de lhe pedir que se digne fazer as diligências úteis para assegurar uma partida próxima desse jovem sábio de talento excepcional. Além disso, coloco-me inteiramente ao seu dispor para fazer, pelo meu lado, as diligências que forem necessárias de modo a contribuir para solucionar rapidamente as dificuldades que ainda apareçam. Se se tratarem de dificuldades administrativas em Portugal, colocar-me-ei em contacto com os amigos que tenho em Portugal nas três universidades e nos ministérios logo que mas indique. Se, por outro lado, se tratam de dificuldades que podem ser resolvidas no Rio de Janeiro, preparei um relatório sobre a situação do Sr. Monteiro e sobre a sua capacidade científica que acabo de submeter aos professores de matemática das 6 universidades deste país e que tomarei a liberdade de lhe fazer chegar com as suas assinaturas para solicitar o apoio do Senhor Ministro da Educação Nacional no Rio de Janeiro.
Na esperança que o seu interesse e o seu benevolente apoio permita assegurar dentro em pouco a continuação dos trabalhos de pesquisa de importância universalmente reconhecida do Sr. Monteiro e na esperança de poder assim contribuir para a grande obra das vossas instituições peço-lhe, Senhor Director, que creia na expressão dos meus sentimentos respeitosamente dedicados
(Prof. Dr. Guido Beck)
[Carta de Guido Beck (Córdoba, Argentina) ao Director da Faculdade Nacional de Filosofia, Francisco Clementino San Tiago Dantas (Rio de Janeiro), de 19 de Janeiro de 1944]
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Ver a carta seguinte:
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Ver ainda:

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Alguns entradas do blogue "RUY LUÍS GOMES" relacionadas com António Aniceto Monteiro

Faleceu Alfredo Pereira Gomes
Alfredo Pereira Gomes
"Recordar Angola - 2º Volume", de Paulo Salvador, ...
António Aniceto Monteiro faleceu há 26 anos
António Aniceto Ribeiro Monteiro nasceu há 99 anos
Abel Salazar - 96 cartas a Celestino da Costa
Artigos de Jean Dieudonné na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Sixto Ríos na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Louis de Broglie na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Leopoldo Nachbin na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Alfredo Pereira Gomes na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de John von Neumann na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Maurice Fréchet na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Rodrigo Sarmento de Beires na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de J. Sebastião e Silva na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Hugo B. Ribeiro na "Portugaliae Mathematica"
Artigo de Pedro José da Cunha na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Vicente Gonçalves na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Aureliano de Mira Fernandes na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de António Aniceto Monteiro na "Portugaliae Mathematica"
Artigos de Ruy Luís Gomes na "Portugaliae Mathematica"
O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979, por Alfredo Pereira Gomes
Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina, por Eduardo L. Ortiz
The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil, por Leopoldo Nachbin
THE MATHEMATICIAN HUGO RIBEIRO, por Jorge Almeida
Artigos sobre António Aniceto Monteiro de Hugo Ribeiro, Ruy Luís Gomes e Luís Neves Real
Maurice Fréchet (1878-1973)
Movimento Matemático 1937-1947
Fotografia de um conjunto de matemáticos
Duas palestras lidas ao microfone de Rádio Clube Lusitânia (António A. Monteiro e Ruy Luís Gomes)
Segunda parte da revista VÉRTICE, números 412/413/414 (1978), dedicada a Bento de Jesus Caraça
Primeira parte da revista VÉRTICE, números 412/413/414 (1978), dedicada a Bento de Jesus Caraça
Uma carta da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa, datada de 24 de Abril de 1953
Carta a Pereira Gomes sobre a ida para o Recife - datada de 28 de Junho de 1961
Carta de Pereira Gomes convidando Ruy Luís Gomes a ir para o Recife - datada de 30 de Maio de 1961
Contribuição Matemática do Professor Dr. António A. R. Monteiro, por Luiz F. Monteiro
Declaração de António Monteiro e Silva Paulo relativamente a quantias recebidas da JIM
Uma carta de António Aniceto Monteiro, proveniente de S. Juan, Argentina, e datada de 27 de Abril de 1954
"O António Monteiro escreveu" - manuscrito de Abel Salazar
"Não há tempo a perder"... - uma carta de António Aniceto Monteiro
José Duarte da Silva Paulo (1905-1976)
"Para a História da Sociedade Portuguesa de Matemática", por José Morgado
Entrevista a MISCHA COTLAR, feita por Carlos Borches
Ministros desde 28 de Maio de 1926 até 24 de Abril de 1974
Bento de Jesus Caraça era uma pessoa admirável - o testemunho de Dias Lourenço
Matemáticos entre a Argentina e o Brasil
As eleições de 18 de Novembro de 1945
Tentativa Feitas nos Anos 40 para criar no Porto uma escola de Matemática, por Ruy Luís Gomes
ANTONIO A. MONTEIRO (31/05/1907-29/10/80), por Edgardo Luis Fernández Stacco
Tipografia Matemática
RECORDANDO A DON RUY LUIS GOMES, por Edgardo Luis Fernández Stacco

sábado, 8 de setembro de 2012

1942: O ano das demissões de Celestino da Costa


Dr. Celestino e meu caro amigo
Soube pelo Corino do novo «incidente», e soube também — o que, de resto, estava previsto —, que se trata de uma nova amabilidade coimbrã que lhe não perdoa o famoso discurso1. Assim, pela força natural das coisas, ei-lo armado em chefe das hostes anticoimbrãs. E cá nos tem nas filas de combatentes. Pelo menos os campos defi­nem-se e um dia se verá...
(...)
Cumprimentos do velho amigo e admirador
salazar
1  Em 1942 Celestino da Costa disse num discurso na Câmara de Lisboa que esta, e não Coimbra, era a capital cultural do país. Isto originou reacção da Universidade de Coimbra que levou o ministro Mário de Figueiredo, oriundo da sua Faculdade de Direi­to, a demiti-lo de director da Faculdade de Medicina de Lisboa e de presidente do Instituto de Alta Cultura.
-
Ver excerto da carta seguinte, aqui:
«venho neste momento exprimir-lhe a minha velha camaradagem»: carta de Abel Salazar a Celestino da Costa de 1942
- 
Prof. Celestino e meu caro amigo
A impressão produzida pelo caso da Alta Cultura é cada vez mais penosa. Amigos, inimigos e indiferentes são unânimes em reconhecer que esta mudança foi um desastre. O Tavares é um homem trabalha­dor, mas não tem nem a cultura, nem a larga experiência, nem o largo contacto e conhecimento dos meios científicos que o Prof. Celestino possui. A tudo isto acresce que o Cordeiro Ramos é um homem sem categoria intelectual nem moral. A todos os respeitos, um desastre. Dizem que o facto foi devido a uma vingança de Coimbra por causa de algumas frases no seu discurso da Câmara. Isto junto a um movi­mento germanófilo. Se assim foi, o retorno ofensivo de Coimbra é a mais completa justificação das suas frases e a descida moral e intelec­tual da Alta Cultura adquire um significado quase simbólico.
(...)
-
-
Ler, ainda:
O Centro de Estudos Matemáticos do Porto numa carta de Abel Salazar a Celestino da Costa de 1942, ano da fundação do CEMP 
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Tudo reproduzido do livro, que se recomenda vivamente:
(Abel Salazar - 96 cartas a Celestino da Costa)
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Nota: Em 1942, Celestino da Costa viria a ser substituido no Instituto para a Alta Cultura por Gustavo Cordeiro Ramos (salazarista, hitlerófilo e germanófilo).
-
Ver:

quarta-feira, 20 de abril de 2011

No centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa: Fragmentos da influência científica de António Aniceto Monteiro em Portugal

Maurice Fréchet, Pedro José da Cunha e António Aniceto Monteiro
Uma fotografia notável provavelmente tirada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (na "Escola Politécnica")
Do espólio de António Aniceto Monteiro
Digitalização de Jose Marcilese



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os passeios no Tejo numa biografia literária de Soeiro Pereira Gomes

(...)
Encontro-me na casa do Arquimedes [da Silva Santos], na Póvoa; depois de ter lido, em cópia, o discurso, peço e obtenho esclarecimentos: os passeios pelos montes atrás de Vila Franca a ler o Manifesto Comunista deram-se em 1941, depois de se ter constituído um Comité Regional das Juventudes Comunistas; o primeiro passeio de barco foi no Verão de 1941; antes de Junho de 1941 com Soeiro falavam mais em coisas literárias. O poeta continua a falar daqueles tempos e mostra-me fotografias antigas e, entre outras, uma do passeio de barco em que aparecem, além dele próprio, Pereira Gomes, Manuel Campos Lima, Rui Grácio, Cândida Ventura, Álvaro Cunhal, Dias Lourenço, Aniceto Monteiro, Piteira Santos, Guilherme Morgado...
A esses passeios refere-se Joaquim em duas cartas ao irmão Alfredo. Na de 3 de Junho de 1940 conta com entusiasmo:

Há tempos fui dar um belo passeio e lembrei-me de ti e do Jaime. Passeio de barco à vela. Vela vermelha e gente vermelha: malta do Diabo. Fomos almoçar às obras uma caldeirada à fragateiro. Cantou-se (que cantos!...) e conversou-se à vontadinha. Lembrança do Redol de quem sou agora muito amigo. Vou com ele até para férias em meados de Julho.

Noutra, de 9 de Abril de 1941, anuncia mais um «passeio de barco, Tejo acima, com a malta do “Diabo”» a realizar-se no dia 27 do mês.
Os passeios no barco Liberdade de Jerónimo Tarrinca no Verão de 1941, de Alhandra e Vila Franca até ao local das Obras perto de Azambuja, um lugar aprazível e com praia fluvial para tomar banho e fazer piqueniques, ou apenas indo Tejo abaixo Tejo acima, com caldeiradas a bordo, eram, na realidade, momentos de alta escola política e partidária, como as excursões e visitas a museus e locais históricos, como as actividades culturais e desportivas nas colectividades, onde se processava aquela que António Dias Lourenço chama «uma mútua dádiva entre trabalhadores manuais do Baixo Ribatejo e a intelectualidade portuguesa mais avançada e progressista» (*). No Liberdade passearam o dr. Fernando Piteira Santos e o prof. Alfredo Pereira Gomes, o dr. Francisco Eduardo Pulido Valente e o eng. Correia Guedes, o dr. João Ferreira Marques e o prof. Bento de Jesus Caraça, Manuel da Fonseca Barraquinha, vilafranquense e responsável pelas caldeiradas, Cândida Ventura e o advogado Inácio Fiadeiro, o dr. Augusto Sá da Costa, o poeta e crítico Mário Dionísio, que lembra Soeiro a ler versos, e tantos outros.
Num desses passeios participa, convidado por Redol, Pedro Neto. No dia e na hora marcados, o jovem vai ao cais da Cimento Tejo e lá encontra Soeiro Pereira Gomes com uma pessoa desconhecida, que depois virá a saber ser Álvaro Cunhal. Com o barquito de um trabalhador da Fábrica, João Corneta, os três foram ao encontro do Liberdade, onde encontraram, entre outros, António Dias Lourenço, António Ramos de Almeida, Lopes-Graça e Bento de Jesus Caraça, que o chamou de lado para lhe perguntar sobre a organização das Juventudes Comunistas em Vila Franca. Pedro Neto responde que na sua opinião «o grupo dos jovens devia estar integrado diretamente na organização do partido».
Os jovens e a Federação das Juventudes Comunistas eram objectivos prioritários dos reorganizadores. Em Vila Franca, porém, já existia um grupo de moços ligados ao Alves Redol e ao António Dias Lourenço, que se interessavam por política e literatura. Eram eles, já o vimos há pouco, além de Pedro Neto e Arquimedes, Octávio Pato, António Tavares, António Lopes e Jorge Reis, que em 1941 publicavam um jornalzinho, escrito à mão, chamado Querer É Poder. Todos esses jovens, como já lembrou Arquimedes e como me repete Jorge Reis, que encontro em Cascais no mês de Abril de 1996, depois da invasão nazi da União Soviética de 22 de Junho de 1941, entram nas Juventudes Comunistas e começam a trabalhar a sério na militância partidária.
Para Pedro Neto, então, esses e os outros jovens deviam-se integrar no Partido para unir as forças, pois não tinha sentido haver, por exemplo, na fábrica Cimento Tejo, onde ele trabalhava, duas organizações comunistas: o partido, que certamente existia, e os jovens.
Até ao passeio no Liberdade, à excepção do episódio do pequeno manifesto de 1938, o relacionamento entre Soeiro e Pedro Neto tinha sido rigorosamente isento de interesse partidário e até político. «Só no Inverno de 1940 é que ele me fala levemente no Partido», lembra Pedro. «Então, o senhor sabe quando Joaquim ingressou no Partido?», pergunto. «Certeza só tenho depois do nosso encontro lá no Sobralinho, quando Soeiro já era responsável do Comité Local em Alhandra.» Aconteceu que a sugestão de Pedro Neto a Bento de Jesus Caraça tinha sido aceite. (...)
(...)

(*) Lourenço, António Dias, Vila Franca de Xira. Um Concelho no País, Edição da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, 1995, p. 160.


(Soeiro Pereira Gomes, Uma Biografia Literária, páginas 121-123)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

«por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados» (Carta de Bento de Jesus Caraça a Guido Beck, 1942)

Manuscrita (francês)
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13 de Dezembro de 1942
(...)
Sobre o assunto do Monteiro, infelizmente as notícias não são boas.
[ilegível] sabe que, por iniciativa do Ministro da E. Nacional, os seus serviços foram dispensados e, sendo assim, acredito que se possa resolver a sua situação no Brasil, caso ele o queira.
E o seu fígado ?
Espero que já esteja completamente restabelecido
saudações amigas
(Bento de Jesus Caraça)
-
Esta carta é a resposta, de Bento de Jesus Caraça, a outra, de Guido Beck, enviada do Porto:

Dactilografada (francês)
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7 de Dezembro de 1942
(...)
Tenho um pedido para si. R. L. Gomes contou-me as dificuldades que Monteiro actualmente atravessa. Não temos notícias sobre este assunto desde então. Há esperança que a situação se resolva ainda por mais algum tempo? Peço-lhe que me informe se eu posso fazer ou tentar o que quer que seja para que se faça alguma coisa.
(...)
-
Copiado de

domingo, 17 de abril de 2011

Ferreira Marques e Bento de Jesus Caraça num passeio no Tejo

Ferreira Marques e Bento de Jesus Caraça. Ferreira Marques deve ser o Dr. João Ferreira Marques citado no excerto do livro de Ricciardi (Os passeios no Tejo numa biografia literária de Soeiro Pereira Gomes). Escreveu O Problema Médico-Social da Sífilis, para as EDIÇÕES COSMOS.
Bento de Jesus Caraça faria amanhã 110 anos.

© Família de Pilar e Hugo Ribeiro
Agradecimentos: Mário Ribeiro, Ilda Perez
Digitalização de Jorge Rezende

sexta-feira, 1 de abril de 2011

João Remy Teixeira Freire (Remy Freire)

António Aniceto Monteiro e Remy Freire num passeio no Tejo em 1941 ou 1942

Remy Freire (pormenor da anterior)

Remy Freire, Pilar Ribeiro e Lídia Monteiro, no mesmo passeio

Remy Freire (pormenor da anterior)

António Aniceto Monteiro, Alves Redol (com a "eterna" camisa aos quadrados) e Remy Freire (os dois últimos, de costas)

© Pilar e Hugo Ribeiro
Digitalização de Jorge Rezende

(...)
O ambiente matemático em Curitiba nos anos 50 era muito ruim. No que diz respeito à Matemática não havia atividades extracurriculares e as bibliotecas possuíam apenas livros utilizados pelos estudantes de Engenharia. Antes de 1953, apenas o Prof. Leo Barsotti, então assistente da cadeira de “Cálculo” da Faculdade de Engenharia, havia publicado artigos originais sobre Matemática. A Universidade do Paraná tinha sido instalada em 1946 com quatro faculdades, das quais apenas as faculdades de Engenharia (fundada em 1913) e a de Filosofia (em 1938, mas com o curso de Matemática iniciando em 1940) tinham cadeiras de Matemática. O mais antigo professor de Matemática de Curitiba era Valdemiro Augusto Teixeira de Freitas, catedrático de “Mecânica Racional” na Faculdade de Engenharia e professor de diversas instituições de ensino de Curitiba. O Prof. Teixeira de Freitas tinha sido professor de quase todos os professores de Matemática de Curitiba, e por este motivo foi escolhido como presidente da primeira diretoria da Sociedade, tendo sido reeleito por seis vezes consecutivas. Mas, a figura mais significativa da Matemática em Curitiba nos anos 50 era Olavo del Claro, que tinha sido aprovado em concurso na Faculdade de Engenharia (1936) e na Escola de Agronomia (1942). Quando da fundação da Faculdade de filosofia o Prof. del Claro foi preterido na escolha do corpo docente, e isto foi, sem dúvida, a causa do péssimo relacionamento entre os professores de Matemática das duas faculdades. Havia necessidade de um catalisador.
O catalisador apareceu em 1952 na pessoa do Prof. João Remy Teixeira Freire, natural de Lisboa e posteriormente naturalizado brasileiro, que veio para Curitiba assumir a cadeira de “Estatística Geral e Aplicada” do recém criado curso de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia. Remy Freire era Bacharel em Ciências Econômicas e Doutor em Economia pela Universidade de Lisboa e, depois de já estar instalado em Curitiba, obteve o Doutorado de Estado em Estatística pela Universidade de Paris. Remy Freire tinha sido assistente do renomado matemático Bento de Jesus Caraça na Universidade de Lisboa e um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Matemática. Em “Análise Matemática e Superior”, aproximou-se de Newton Carneiro Affonso da Costa, então aluno do curso de Matemática, que, inclusive pela influência de Remy Freire, veio a ser o único curitibano que, até hoje, se projetou internacionalmente como matemático.
Graças ao carisma de que era portador, Remy Freire granjeou largo círculo de amizade em Curitiba, principalmente no meio universitário, o que facilitou a sua disposição de fundar a Sociedade Paranaense de Matemática.
A primeira diretoria da Sociedade era assim constituída: Presidente Teixeira de Freitas, Vice Presidente Ulysses Carneiro, Secretário Geral Remy Freire, Sub Secretário Jayme Cardoso, Tesoureiro Dyonil Ruben Carneiro Bond, Diretor de Publicações Leo Barsotti e Diretor de Cursos e Conferências Newton Carneiro Afonso da Costa.
Dias após a fundação da Sociedade houve uma reunião da Sociedade Brasileira em Curitiba intitulada ‘Para o Progresso da Ciência’. Entre os participantes estavam Benedito Castrucci, Cândido Dias, Luiz Henrique Jacy Monteiro e José de Barros Neto, todos professores do Departamento de Matemática da Faculdade de Filosofia da USP. Além das comunicações feitas na SBPC estes professores proferiram conferências na Sociedade, e se tornaram os primeiros sócios correspondentes da Sociedade. Era o início promissor de atividades da Sociedade, que nestes 31 anos de existência tem patrocinado a realização de cursos, seminários, reuniões, conferências, além de publicação de livros e periódicos.”
(...)
Ver ainda
João Remy Teixeira Freire
PIQUENIQUE CLANDESTINO DE ANTI-FASCISTAS DO I.S.C.E.F. ACOMPANHADOS PELO PROF. BENTO DE JESUS CARAÇA

Nota: Estas fotografias foram digitalizadas por mim em casa de Pilar Ribeiro, em Bicesse, em 12 de Junho de 2006. A sua publicação é também uma forma de a homenagear por esta altura do seu falecimento. Recordo a alegria dos seus 95 anos, o seu interesse, o brilho dos seus olhos, ao ver-me digitalizar as fotografias, o mesmo encanto que se pode ver no passeio no Tejo, na sua juventude, em 1941 ou 1942. Conheci Pilar e Hugo, que foi meu professor, no Porto, aquando do seu regresso definitivo a Portugal. Sei que estavam sempre dispostos a ajudar os mais novos, que é uma forma de nos mantermos jovens. Antes de Ruy Luís Gomes, José Morgado, Hugo, Pilar e outros, antes de 25 de Abril de 1974, a FCUP era soturna. Depois, entrou a Luz.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

“Eles foram de facto valores «sonegados» ao país” [Bento de Jesus Caraça]

Outra razão ainda, não menos forte, me leva a escrever esta carta. É a acusação extremamente grave que V. Ex.a faz aos antigos bolseiros do Instituto para a Alta Cultura.
No dizer de V. Ex.a, apesar das «extraordinárias facilidades» que se lhes proporcionaram, deles não surgiram os «trabalhos de valor positivo que impusessem os seus autores» e enfileiram hoje ao lado daqueles que «não realizaram trabalho útil ou porque o não quiseram ou não souberam produzir ou porque cometeram o crime de reservar para os seus partidos o que de direito pertencia à Nação», daqueles que «não exibem títulos à confiança do povo português – ou porque os não possuem, ou porque os sonegaram».
Estamos assim em face de uma situação singularmente pitoresca – a de um conjunto de homens, entre os quais antigos bolseiros, que, ou são incapazes ou, não o sendo, se dedicaram à tarefa diabólica de sonegar os seus próprios títulos, de reservar os seus trabalhos para os seus partidos. Espectáculo, na verdade, singular – este, que trabalha em matemática, vá de sonegar uns teoremas da teoria dos conjuntos e enterrá-los em segredo nos cofres do partido X; aquele, que se dedica à Física Atómica, sonega resultados sobre a desintegração do núcleo e leva-os em não menor segredo para as arcas secretas do partido Y. Quem sabe mesmo se nalguma cave bafienta e soturna do partido Z, não estava já há muito tempo sonegada a bomba atómica... E por toda a parte, nas posições estratégicas da ciência, da arte, da filosofia, etc., etc., uns cidadãos sinistros sonegam para os partidos! tudo a sonegar. Que magistral panorama da nossa vida cultural, V. Ex.a conseguiu traçar – o panorama da universal sonegação! Ah! Ramalho Ortigão!
Sr. Sub-Secretário de Estado eu não sou nem fui bolseiro do Instituto para a Alta Cultura: sou talvez um «sonegador» embora sem a agravante de ter usufruído das «extraordinárias facilidades». Não sou nem fui bolseiro e não tenho procuração de nenhum deles para o defender, nem eles necessitam de quem os defenda. Mas há entre eles dois homens que não podem agora defender-se porque não estão em Portugal. Dois homens que são dos maiores valores intelectuais da sua geração – José Rodrigues Migueis e António Aniceto Monteiro.
Dois homens que foram bolseiros e quiseram dar honestamente ao seu país os frutos do seu trabalho e da sua capacidade; dois homens que o Estado não aproveitou, a quem não criou as mínimas condições de trabalho: dois homens que através das maiores dificuldades materiais lutaram heroicamente para poderem dar ao seu país, tudo aquilo de que eram capazes. José Rodrigues Migueis, esse querido e generoso Migueis, especializado na Bélgica em reeducação de crianças anormais, não conseguiu em Portugal, mais do que um lugar numa instituição particular onde lhe pagavam 400 escudos por mês. A António Aniceto Monteiro, matemático brilhante, doutor pela Sorbonne, não foi dado, como situação pública, mais que um lugar de assalariado do Instituto para a Alta Cultura para catalogar revistas!
Estes dois homens acabaram por ter de sair de Portugal, em procura de condições de vida e de trabalho. A respeito deles aplica-se com toda a justiça a palavra «sonegação». Eles foram de facto valores «sonegados» ao país. Por quem? pelos partidos?
Se V. Ex.a se tivesse previamente informado do que é a vida intelectual e material dos estudiosos do seu país, da atmosfera de dificuldades em que por vezes eles vivem, estou em crer que não teria lançado a monte, para cima daqueles que nobremente se lhe opõem em luta de ideias, a acusação indiscriminada de incapazes ou de desonestos. Ou seremos nós já tão irremediavelmente infelizes que não possamos fazer justiça aos nossos adversários?

Bento de Jesus Caraça: [Segunda e última parte da] Carta aberta ao Subsecretário de Estado das Corporações.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bento de Jesus Caraça faria hoje 110 anos

Bento de Jesus Caraça (Vila Viçosa, 18 de Abril de 1901 — Lisboa, 25 de Junho de 1948) num passeio no Tejo, em 1941 ou 1942, fragmento da foto anterior.
© Família de Pilar e Hugo Ribeiro
Agradecimentos: Mário Ribeiro, Ilda Perez
Digitalização de Jorge Rezende

domingo, 4 de fevereiro de 2007

O testemunho de "Épsilon"

Aritmética Racional, 1945

(...) É completamente inesperado você me pedir para indicar um pseudônimo, mas achei interessante você mencionar que uma das pessoas que você entrevistou escolheu o nome do Caraça. O Caraça desempenhou um papel importante na minha formação matemática. Existe em Portugal um boletim de divulgação de eventos matemáticos no qual cada número traz uma notícia sobre um matemático português e um professor de lá me pediu para escrever sobre o Antônio Monteiro. Eu escrevi e ele mandou uma carta agradecendo, dizendo que ficou muito bom e elogiou demais o texto. Eu vim a saber da existência do Antônio Monteiro através de um livro do Caraça. Quando eu comecei a dar aulas no Ceará eu procurei estudar um pouco mais de matemática e fui a um alfarrábio comprar livros antigos de matemática e lá me deparei com um livro muito estranho: começando pelo fato de que o livro estava em um alfarrábio, mas aparentemente nunca tinha sido sequer aberto porque as páginas ainda estavam dobradas; eu imagino que alguém comprou o livro e quando viu que era completamente estranho resolveu se desfazer dele. O livro se chamava Lições de Álgebra e Análise, de um autor chamado Bento de Jesus Caraça. Naquela época, que eu tinha 18, 19 anos, comecei a ler aquele livro. Eu o havia comprado por ser intrigante. À medida que eu ia lendo, um novo mundo completamente diferente se abria para mim. Era o mundo da conceituação matemática: conjuntos, números transfinitos, grupos, anéis... O livro não é uma maravilha, ele se estende demais, constrói os números naturais, reais com cortes e depois os complexos; tem uma parte completamente desconectada sobre matrizes e determinantes feitas de uma forma bem clássica, que quase nada tinha a ver com o que se viu antes. Mas ele me deixou fascinado com aquelas coisas: números transfinitos, e no fim de cada capítulo ele trazia um bibliografia em que mencionava vários livros com comentários sobre o conteúdo dos livros mencionados; essa bibliografia foi muito importante para mim porque, lá no Ceará, não existia nada de matemática naquela época. Hoje o Ceará é um centro de matemática muito relevante e eu tenho orgulho de dizer que eu contribuí para isso, inclusive, você vê ali na parede um diploma de professor honoris causa da Universidade Federal do Ceará, pelo trabalho que eu desenvolvi lá... Mas voltando: essa bibliografia continha indicações como, por exemplo, o livro do Hardy: Curse of Pure Mathematics, o A Survey of Modern Algebra do Garret Birckoff e Saunders MacLane, livros que eu mandei buscar em uma livraria no Rio de Janeiro. Eu os comprei por reembolso postal e estudei matemática sozinho, ou melhor, com o auxílio desses professores que são os autores dos livros. Foi por aí que eu aprendi matemática. Entre os livros mencionava-se alguma coisa do Antônio Monteiro, em particular a Aritmética Racional, que aliás está até aqui na minha estante. Esse é um livro muito interessante de aritmética que foi escrito para “alunos do liceu”. Eu desconfio que os alunos do liceu em Portugal fossem superdotados ou não entendessem nada daquilo. É um livro muito sofisticado. Elegantíssimo. (...)